perigos de alimentar com açúcar invertido

O especialista espanhol António Pajuelo colocou recentemente na sua página de facebook considerações acerca da utilização do açúcar invertido na alimentação das abelhas. Fica aqui a tradução.

“Ultimamente na nossa apicultura está na moda alimentar com açúcar invertido. Existem diferentes fórmulas caseiras para o fazer e os fornecedores industriais cantam seus louvores.

O açúcar invertido é um produto para uso em padaria-pastelaria, para se conseguir algumas texturas interessantes. É uma sacarose, açúcar branco, submetido a um processo de acidificação, temperatura, e, industrialmente, é submetida à ação da enzima beta-frutofuranosidase , que divide a sacarose nos seus dois componentes, glicose e frutose.

Os vendedores deste produto descobriram há algum tempo este novo segmento de mercado, e entrou com um argumento de vendas: “está desdobrado, tornando-o mais fácil de assimilar”. De fato, a abelha e nós temos que dividir a sacarose em glucose e frutose, e em seguida, a glucose em frutose, para poder fragmenta-la e usá-la em outros compostos ou queimá-la para produzir energia. Para isso temos umas enzimas na saliva, elas e nós. Mas o organismo não vai parar de fabricar estas enzimas e colocá-los na saliva consuma-se o açúcar que se consumir. E as enzimas são não se “gastam”, são uma espécie de vai e vem que transportam as moléculas ao seu local de e ficam livres para voltar a atuar; embora haja uma certa perda de moléculas ao longo do tempo. Ou seja, ao ser dada sacarose “desdobrada” é mais um argumento de vendas do que uma vantagem.

Além disso, o processo de aquecimento da sacarose para a “desdobrar” produz HMF, em quantidades variáveis, dependendo de como foi feito o açúcar invertido. E o HMF é tóxico para as abelhas, para nós não (pudins, doces, caramelo … seriam letais se assim fosse). Apesar de não haver consenso na literatura sobre o nível de toxicidade, há dados bibliográficos sobre a toxicidade para as abelhas enjaulado laboratório a partir de cerca de 50mg/kg de HMF. Para mim os valores mais realistas são de 150 mg/kg.

O açúcar de beterraba invertido também é usado para adulterar mel, por isso o mercado possui técnicas analíticas muito avançados que são usualmente utilizadas ​​para detectar a sua presença no mel. Os laboratórios de análises do mel oferecem esta detecção desde 2009, com base na presença da enzima beta-frutofuranosidase (exógena ao mel, mas usada industrialmente para “desdobrar”) e pelos níveis de ácido utilizados na acidificação.

Portanto, se há um armazenagem do açúcar invertido nos favos, pode haver níveis elevados de HMF no mel, se você o inverteu caseiramente e restos de ácidos. E, especialmente, quando se usou açúcar invertido industrialmente em quantidade, ficam presentes no mel enzimas que o mel não possui, que o inabilitam para o mercado. Esta situação já aconteceu, de hás uns anos a esta parte, mas aumentou este ano pela campanha de vendas agressiva destes açúcares invertidos. Tenho clientes que tiveram este problema e os compradores devolveram-lhe o mel. E eu sei que outros colegas passaram pelo mesmo.”

fonte: António Gomez Pajuelo, pg. do facebook

menos abelhas consomem mais…

Quanto consomem as nossas abelhas no período de escassez? Será que têm reservas em quantidade suficiente? Imagino que estas questões e outras do género passem pela cabeça de todos nós com alguma frequência nestes dias frios em que, semana após semana, não abrimos as nossas colmeias para verificar o nível de reservas disponíveis.

Um artigo de John Harbo, o pai das rainhas VSH (Varroa Sensitive Hygiene), refere o consumo de mel diário por abelha, obtido com base nos dados que recolheu numa das suas investigações (fonte: Worker-Bee Crowding Affects Brood Production, Honey Production and Longevity of Honey Bees, 1993).

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Fig. 1 — John Harbo preparando uma rainha para ser inseminada artificialmente

John Harbo verificou que o consumo diário varia um pouco, dependendo da densidade da população na colmeia. Para colmeias mais densamente povoadas, o consumo diário é aproximadamente de 7 mg por abelha. Para colmeias menos densamente povoadas, o consumo diário por abelha ultrapassa um pouco os 12 mg.

Para estarmos em condições de fazer os cálculos do consumo por colmeia, temos que estimar o número aproximado de abelhas por colmeia. Aceitando como correcta a estimativa de que um quadro bem coberto de abelhas comporta 1000 abelhas em cada uma das suas faces (ver http://www.dave-cushman.net/bee/beesest.html), obtemos os elementos necessários à nossa contabilidade.

Proponho 3 cenários diferentes para esta altura do ano (e nos meus apiários na beira interior): um para uma colmeia forte, outro para uma colmeia média e um terceiro para uma colmeia fraca.

Colmeia forte) – colmeia com 12000 abelhas que cobre 6 quadros de abelhas: 12000 x 7 mg = 84 gr/dia, isto é, uma colmeia com cerca de 12000 abelhas consome 588 gr/semana e 2520 gr/mês;

Colmeia média) colmeia com 9000 abelhas que cobre ente 4 e 5 quadros de abelhas: 9000 x 10 mg = 90 gr/dia, isto é, uma colmeia com cerca de 9000 abelhas consome 630 gr/semana e 2700 gr/mês;

Colmeia fraca) colmeia com 7000 abelhas que cobre 3 a 4 quadros de abelhas: 7000 x 13 mg = 91 gr/dia, isto é, uma colmeia com cerca de 7000 abelhas consome 637 gr/semana e 2730 gr/mês.

Espero que estes cálculos vos possam ser úteis e alertem para que, às vezes, menos é mais.

Tendo em conta que cada caso é um caso, pois que na apicultura raramente 2+2=4, e que a apicultura é sempre local, cada um de nós deve ter presente que se as abelhas perdoam muitos dos nossos erros, sem alimento é que elas não passam!

carta de informação de fevereiro icko

“Alimentar, sempre alimentar!

Fevereiro é um mês curto, o mais curto, mas o pior, o frio intenso pode ser frequente, embora estes primeiros dias tenham sido suaves. Atualmente colmeias consomem muito mel, com os raios de sol a permitirem saídas diárias às abelhas. Algumas colmeias já têm mais de 4 quadros de criação…

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Esperando que o frio não seja brutal e há que manter a vigilância!

A alimentação é o leitmotiv do inverno, se as reservas se revelaram insuficientes no outono, não há que ter receio de colocar o candi no óculo da prancheta ou diretamente sobre o travessão superior dos quadros onde as abelhas estão. Na falta, 1kg de cubos de açúcar pode ser o truque. Os cristais demasiado grandes não dissolvidos pela humidade da colmeia, cairão sobre o estrado. Nós encontramos uma certa quantidade de cristais no estrado durante a visita da primavera.

O xarope que damos a partir de fins de março, início de abril, quando o as temperaturas excedem 13°C será utilizado para acelerar a postura da rainha. Abaixo desta temperatura, o xarope por estar muito frio pode não ser consumido pelas abelhas que cairiam dormentes com o frio se o fizessem. Um indicador: horário de verão = xarope; hora de inverno = candi.

Com o calor sabemos que os pólens entram nos dias de sol, o pólen da avelaneiras, entre o primeiro são pobres em proteínas, o candi de proteínas vai ajudar colônias a expandir sua criação.

Uma referência é o florescimento dos dentes de leão, a sua chegada em massa é o sinal de um aquecimento sustentável,  e o xarope provavelmente será bem consumido.

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A minha insistência sobre o controlo dos alimentos e reservas das colónias é devida ao calor deste outono. Até o Natal, eu vi as abelhas a saírem e as colónias mantiveram-se ativas. O consumo de mel foi impressionante como eu raramente vi. A diminuição do peso das colmeias foi extraordinariamente rápido. A mortalidade das colónias pode estar esperando por você!”

Fonte: http://www.icko-apiculture.com/blog/2016/02/03/lettre-dinformation-fevrier/

Nota: esta carta icko é escrita a pensar nos apicultores em França. Contudo, neste ano, o seu conteúdo poderia ser aplicado com toda a propriedade aos meus apiários na beira interior. Suponho que possa ser também o caso de outros companheiros. Muita atenção para que elas não nos morram agora na praia!

nutrição e alimentação

Inicio mais esta categoria designada nutrição e alimentação começando por fazer uma breve descrição do que se entende por nutrição e de que forma se distingue do outro conceito presente no título, alimentação.

A nutrição é a ciência que se encarrega do estudo e manutenção do equilíbrio homeostático do organismo a nível micro e macro sistémico, garantindo que os eventos de natureza fisiológica se efetuem de maneira correta, com vista a alcançar uma saúde adequada e prevenindo as enfermidades.

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Os processos moleculares ou micro-sistémicos estão relacionados com o equilíbrio de elementos como: enzimas, vitaminas, minerais, aminoácidos, açucares, transportadores químicos, mediadores bioquímicos e hormonas, entre outros.

Em termos mais simples podemos entender a nutrição como a maneira sistematizada de proporcionar alimentos que contenham os nutrientes necessários para que um ser vivo (neste caso as abelhas) realize, de maneira adequada, todas as suas funções biológicas.

A alimentação é a ação de proporcionar alimentos a um ser vivo. Consiste na obtenção, preparação e ingestão de alimentos. Por sua vez a nutrição é o conjunto de processos fisiológicos mediante os quais os alimentos ingeridos são transformados e assimilados.

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