ficar ou partir: as pistas que as varroas seguem para fugirem de uma colónia que está a colapsar

Nas colónias colapsadas por altas taxas de infestação por varroa encontramos mais frequentemente os excrementos das mesmas nas paredes dos alvéolos do que as próprias varroas — sobre a autópsia e sinais de uma colónia que morreu devido à varroose já escrevi diversas vezes (ver, por exemplo aqui), sendo que a guanina/excrementos das varroas é uma pista inequívoca da sua presença num passado recente.

E o que terá sucedido às varroas que infestavam a colónia? Nas minha opinião, as duas hipóteses mais sólidas são: (i) no período que decorreu entre as visitas do apicultor uma parte da população de varroas terá morrido por velhice ou por desnutrição, caído nos estrados das colmeias e acabaram como alimento de formigas e outros necrófagos; (ii) a outra parte da população terá saído às costas de abelhas forrageiras que derivaram para colónias mais saudáveis.

Sendo este comportamento das varroas, transferirem-se das abelhas mais novas para as abelhas mais velhas, as que lhes oferecem “boleia” para outras colónias vizinhas, uma estratégia vencedora do ponto de vista da sua sobrevivência enquanto espécie, quais são os mecanismos subjacentes e as pistas que as varroas seguem para decidirem partir, fugirem de uma colónia prestes a colapsar que nada mais tem para lhes dar?

Deixo em baixo a tradução de um artigo de divulgação científica que traz luz sobre as pistas que as varroas poderão seguir, ficando uma vez mais claro como este parasita está perfeitamente moldado ao ambiente interno das colónias de abelhas, como se ajusta como uma luva aos diversos aspectos biológicos inerentes às colónias e assim consegue prosperar.

Os ácaros varroa geralmente preferem alimentar-se de abelhas ama, as que cuidam da criação, porque lhes dá mais oportunidades de transitarem e parasitarem as larvas das abelhas. No entanto, estas abelhas amas ficam geralmente dentro da colmeia, então os ácaros precisam apanhar boleia noutras abelhas para infestar outras colmeias.

Então, como sabem os ácaros quando ficar e quando ir? Depois de levar uma colmeia próximo do colapso, os ácaros são confrontados com um dilema: ficar parado e perecer com a colónia ou preparar-se para infestar outra colmeia vizinha mais saudável.

Investigadores em Itália acham que têm uma resposta para esta pergunta, e os resultados de seu estudo foram publicados no Journal of Experimental Biology.

Rita Cervo e seus colegas da Università degli Studi Firenze testaram as preferências dos ácaros para se alimentarem nas abelhas ama que não saem da colmeias ou forrageadoras itinerantes, incluindo abelhas ladras de outras colónias. Estes investigadores observaram que os ácaros das colmeias com baixas taxas de infestação preferiam transitar sobre abelhas ama. No entanto, à medida que as taxas de infestação de ácaros nas colmeias aumentaram, os ácaros se tornaram menos exigentes e pareciam igualmente satisfeitos em transitar em forrageadoras e amas.

A equipe analisou a mistura de substâncias cerosas que revestiam a superfície quitinosa das abelhas e descobriu que em colmeias com baixas taxas de infestação por ácaros, a cera das amas era muito diferente da cera das forrageadoras – aspecto que os ácaros provavelmente são capazes de detectar.

No entanto, as misturas de cera em amas e forrageadoras em colmeias com altos níveis de infestação pelo ácaro Varroa foram mais semelhantes, tornando mais difícil para os ácaros distinguir entre amas e forrageadoras. A presença dos ácaros alterou os revestimentos cerosos das forrageiras.

Quando a abundância de ácaros aumenta na colónia, a falta de diferenças nas pistas químicas entre amas e forrageadoras provavelmente não permite que os ácaros discriminem abelhas com tarefas diferentes e faz com que os ácaros montem em ambas”, escreveram.

Ao perder a capacidade de distinguir entre amas e forrageadoras quando as taxas de infestação são altas, os ácaros aumentam as possibilidade de obter uma boleia de uma forrageira que deriva para outra colmeia, aumentando as suas hipóteses de sobrevivência quando sua colmeia atual enfrenta a extinção.

fonte: https://entomologytoday.org/2014/08/29/how-do-varroa-mites-know-when-to-leave-honey-bee-hives-its-all-in-the-bees-wax/

entrevista a um ácaro varroa

Em baixo deixo a tradução da entrevista que a investigadora francesa Gabrielle Almecija fez a um ácaro varroa.

Entrevista a um ácaro varroa
O ácaro varroa (Varroa destructor) é uma das maiores ameaças às abelhas e tem causado perdas de colónias em quase todo o mundo. Pequeno e secreto, esconde-se nas abelhas e em alvéolos, na maioria das vezes fora da vista do apicultor. Para controlar o ácaro, têm sido usados acaricidas desde os primeiros dias de sua descoberta, mas o ácaro sobrevive. Perguntei a um ácaro varroa como fazem isso.

Desde a sua chegada às colónias de Apis mellifera, os apicultores tentaram muitos métodos para mantê-lo afastado. Como você combate essas ações?
É difícil! Os métodos dos apicultores têm eficácia variável e temos de nos adaptar constantemente para sobreviver. Esperamos que, como muitos de nossos primos, possamos desenvolver formas de resistir e tornar os tratamentos ineficazes. Podemos resistir de várias maneiras: mudando nossa fisiologia (engrossando nossa cutícula para criar uma barreira física), através do metabolismo (excretando o acaricida) e por mutação (modificando o alvo acaricida para que o tratamento seja menos eficaz). Algumas formas de resistir têm um alto custo fisiológico para nós, por isso só desenvolvemos resistência se for necessário.

O que você desenvolveu contra o acaricida tau-fluvalinato que é o ingrediente ativo em produtos como o Apistan?
Bem, usamos estratégias diferentes dependendo de onde estávamos localizados. Na Europa e nos EUA, por exemplo, desenvolveram resistência de maneiras diferentes. Para entender como desenvolvemos resistência, necessitamos saber como o tau-fluvalinato nos mata. O taufluvalinato é um inseticida da família dos piretróides II. Este grupo de inseticidas é neurotóxico. Quando o tau-fluvalinato entra em nós, ele tem como alvo o canal de sódio. Quando encontra seu alvo, ele se liga a ele e faz com que nosso sistema nervoso funcione mal. Algumas horas depois, ficamos paralisados ​​e morremos.
Para evitar isso, desenvolvemos dois tipos de resistência. A primeira é metabólica. Aumentamos nossas enzimas desintoxicantes (oxigenase, Cytrochompe P450).
A segunda é uma mutação do alvo do acaricida (modificamos ou aumentamos o alvo). As mutações muitas vezes tornam o alvo muito difícil de reconhecer, de modo que o acaricida torna-se ineficaz. Na Europa, parece que desenvolvemos a mutação L925V. No entanto, alguns ácaros nos EUA desenvolveram outras mutações. Ambos os métodos de resistência têm um custo para nós e, após alguns anos sem exposição ao tau-fluvalinato, baixamos a guarda e voltamos a ficar suscetíveis.

Os apicultores usam amitraz há muitos anos. Você encontrou uma maneira de resistir a isso?
Vivemos com amitraz há mais de 40 anos, mas é difícil desenvolver-lhe resistência. No entanto, alguns dos meus primos ácaros (Rhipicephalus spp. e Tetranychus spp.) desenvolveram resistência ao amitraz. Mutações do alvo e resistência metabólica foram descritas por pesquisadores. Esses primos precisam sobreviver vários tratamentos de amitraz a cada ano. Na apicultura é diferente. Devemos sobreviver apenas a um único tratamento com Amitraz por ano, mas é um tratamento longo. Hoje, alguns de nós podem sobreviver a isso. No momento, ninguém entende completamente como fazemos isso. Sobrevivemos melhor agora do que há alguns anos, quando os apicultores usavam o mesmo acaricida ano após ano. Desde então, reduzimos lentamente nossa vulnerabilidade ao tratamento, mas muitos apicultores ainda não perceberam isso.

Os apicultores podem usar uma estratégia para forçá-lo a permanecer sensível a um acaricida?
Não temos interesse em desenvolver ou permanecer resistentes a um acaricida se não estivermos expostos a ele. Em alguns casos, alguns de nós que desenvolveram resistência a um acaricida têm menos descendentes do que aqueles que não desenvolveram. Hoje, vários acaricidas com diferentes ingredientes ativos estão disponíveis. Se os apicultores usaram um acaricida diferente de um ano para o outro, somos forçados a desenvolver resistência ao acaricida mais recente usado. Achamos muito difícil manter diferentes tipos de resistência, então precisamos perder um tipo de resistência para poder desenvolver outro. A alternância de acaricidas reduz nossa resistência. Mas se os apicultores não usarem essa estratégia, nossa resistência ao amitraz provavelmente aumentará, assim como aconteceu com o tau-fluvalinato.

Avaliação da resistência do ácaro ao tau-fluvalinato e amitraz
Em França, APINOV, um centro científico de apicultura e treinamento, está trabalhando com a Vita Bee Health neste projeto. A suscetibilidade aos ácaros é avaliada com um bioensaio. Os ácaros são contaminados com diferentes concentrações de amitraz e tau-fluvalinato. Ao aplicar diferentes concentrações, a suscetibilidade ao amitraz e ao tau-fluvalinato pode ser categorizada em três classes:
• suscetível: mortalidade superior a 75%
• moderadamente resistente: mortalidade entre 40% e 75% • altamente resistente: mortalidade inferior a 40%.

O ensaio foi conduzido de 2018 a 2020. Um total de 41 populações de ácaros foi testada para resistência ao amitraz e 33 ao taufluvalinato. A suscetibilidade ao ácaro foi mapeada para tau-fluvalinato e amitraz.
Na França, as populações de ácaros mostram um alto nível de suscetibilidade
a amitraz e tau-fluvalinato (conforme confirmado em ensaios de campo).
As variações resultam das diferentes práticas de apicultores individuais. Por exemplo, os apicultores orgânicos têm ácaros que são principalmente suscetíveis a amitraz e tau-fluvalinato. Apicultores que usam amitraz há muitos anos têm ácaros suscetíveis ao tau-fluvalinato. Essas diferenças resultam do custo para o ácaro desenvolver resistência – se o acaricida não for aplicado, não há necessidade de desenvolver resistência.
No entanto, o desaparecimento do traço de resistência pode levar muitos anos (quatro anos para o tau-fluvalinato; desconhecido para o amitraz). O alto nível de suscetibilidade ao amitraz e ao tau-fluvalinato observado na França é uma boa notícia no combate ao ácaro: ácaros suscetíveis ainda estão presentes na população em geral e podem reduzir a velocidade de desenvolvimento de resistência em outras populações.
O objetivo deste trabalho é determinar maneiras de reduzir a resistência da varroa ao acaricida por:
• estratégias de tratamento que podem ser usadas para reduzir a resistência ao acaricida
• alterando os parâmetros do tratamento (por exemplo, duração e tempo dos tratamentos).

fonte: https://www.vita-europe.com/beehealth/wp-content/uploads/BC-FEBRUARY-2021-Gabrielle-Almecija.pdf

principais sinais clínicos observáveis ​​numa colónia afetada por varroose

Nesta publicação apresento os principais sinais clínicos observáveis ​​numa colónia afetada por varroose.

Na criação:

  • padrão de cria operculada em mosaico/salpicada;
  • presença de ácaros varroa (fêmeas fundadoras e descendentes);
  • opérculos perfurados com um pequeno orifício;
  • alvéolos desoperculados revelando pupas mortas ou ainda vivas;
  • cadáveres larvais de cor castanho claro a castanho mais escuro;
  • cadáveres dissecados de larvas e/ou pupas;
  • abelhas mortas e/ou pupas com asas deformadas sob o opérculo no interior dos alvéolos;
  • canibalismo;
  • abelhas mortas ao emergir dos alvéolos (só a cabeça emerge, com a língua esticada).

Nas abelhas:

  • abelhas com asas deformadas (é pouco rigoroso falar em asas roídas porque nestas abelhas nada lhes roeu as asas);
  • abelhas com abdómenes atrofiados, mais ou menos descoloridos;
  • presença de ácaros varroa sobre as abelhas.

Nas colónias:

  • colmeias encontradas totalmente vazias, ou com pouquíssimas abelhas mortas à frente e no interior das colmeias, em alguns casos com pequenos aglomerados de abelhas mortas, às vezes em torno da rainha no topo dos quadros;
  • presença de mel e pão de abelha em quantidades apreciáveis.

Após a morte das colónias:

Encontramos um quadro clínico característico mostrando um lento despovoamento da colónia: as colmeias estão vazias de suas abelhas apesar da presença de reservas. É possível ver pontos brancos no interior dos alvéolos de cria que revelam a presença pregressa do parasita: são as fezes de ácaros Varroa formadas por cristais de guanina. Além disso, muitas vezes, cadáveres de ácaros varroa são visíveis no chão da colmeia.

fonte: GUIDE FNOSAD : vARROA ET vARROOSE

inquérito BIP: perdas de colónias de abelhas nos Estados Unidos em 2020-2021

Bons velhos hábitos são para manter e, assim sendo, continuo a ler os relatórios anuais sobre perdas de colónias. Escrevi há um ano atrás nesta publicação “Sou um leitor ávido e habitual de relatórios anuais publicados por algumas associações/institutos de apicultura, tendo já publicado um ou outro pelo interesse que encontro nos seus dados (ver por ex. aqui). Acho os relatórios extremamente didácticos pela visão macroscópica que me permitem elaborar, pelo sentido que dão às observações mais fragmentares que vou fazendo nos meus apiários e pelo reforço que dão a algumas das acções basilares no maneio das minhas colónias.” Este esforço de pesquisa — que se traduz em mais conhecimento para mim e que vou partilhando com os leitores —, associado a trabalho, proactividade, mudança e reflexão, contribuem para que a mortalidade de colónias por varroose neste verão/outono de 2021 tenha sido um redondo zero nos meus apiários. Não foi fácil… nunca é com este inimigo!

Na sequência deste velho hábito não pude deixar de ler os dados preliminares obtidos pelo inquérito conduzido pelo The Bee Informed Partnership a perdas de colónias de abelhas nos Estados Unidos em 2020-2021. Vejamos alguns números globais:

  • forneceram respostas validadas ao inquérito 3.347 apicultores com 192.384 colónias;
  • o inquérito cobriu o período de um ano, entre abril de 2020 e abril de 2021;
  • durante o inverno de 2020-2021 (1 de outubro de 2020 – 1 de abril de 2021), cerca de 32,2% das colónias nos Estados Unidos foram perdidas (Fig. 1);
  • durante o verão de 2020 (1 de abril de 2020 – 1 de outubro de 2020), cerca de 31,1% das colónias foram perdidas nos Estados Unidos (Fig. 1);
  • durante todo o ano (1 de abril de 2020 – 1 de abril de 2021), os apicultores nos Estados Unidos perderam cerca de 45,5% de suas colónias de abelhas (Fig. 1). Esta é a segunda maior perda anual já registada, 1,8% maior do que a perda anual estimada do ano passado (43,7%), e um aumento de 6,1% sobre a taxa média de perda (39,4%) nos últimos 10 anos.
Fig. 1: a amarelo as perdas de verão; a azul as perdas de inverno; a vermelho as perdas anuais totais.

Os apicultores que responderam foram solicitados a identificar até às três principais causas da perda de colónias nas suas operações. Apicultores de todos os tipos de operação relataram que o ácaro parasita Varroa destructor foi a principal causa da perda de colónias durante o inverno (Fig. 2), com os apicultores “comerciais” (com mais de 500 colónias) a referirem problemas com as rainhas em segundo lugar. As razões relatadas para as perdas de verão foram ligeiramente diferentes, com problemas de rainha, seguido pelo ácaro varroa, listado como o mais e o segundo mais importante em todos os tipos de operação de apicultura, respectivamente. A nosemose é a causa menos referida.

Fig.2 : Causas de mortalidade identificadas pelos apicultores que responderam ao inquérito. A primeira e segunda causa mais identificadas são, respectivamente, varroose e problemas com rainhas. A nosemose é a causa menos referida, o que de alguma forma confirma os dados de um estudo controlado que podem ver aqui. ( Backyard, apicultor com até 50 colónias; Sideliner, apicultor com mais de 50 colónias até 500 colónias; Commercial, apicultor com mais de 500 colónias).

Um outro grupo de dados que chamou a minha atenção: apenas metade dos apicultores de quintal (backyard) entrevistados substituíram rainhas nas suas colónias durante o verão de 2020 (49,9%; n = 3.019). Em contraste, a maioria dos “sideliner” (89,3%; n = 84) e virtualmente todos os apicultores comerciais (97,1%; n = 35) introduziram novas rainhas durante este período (Fig. 3).

Fig. 3: Proporção de apicultores que introduziram uma nova rainha (Sim) nas suas colónias durante o verão de 2020 de acordo com o tipo de operação de apicultura.

Interrogações: sabendo que são os apicultores “comerciais” que substituem na totalidade, ou perto disso, as rainhas com 1 ano de vida, como se explica que seja este mesmo grupo a identificar mais problemas com as rainhas durante o verão? Será pelo desgaste rápido das rainhas que decorre da extensão dos períodos de postura por força dos contratos de polinização que este grupo de apicultores assina ano após ano, ou pelos impactos sub-letais causados pelas longas viagens até aos pomares da Califórnia nestes indivíduos mais longevos da colónia, ou… ? Se o desejarem, podem deixar as vossas propostas de explicação na caixa de comentários.

fonte: https://beeinformed.org/wp-content/uploads/2021/06/BIP_2020_21_Losses_Abstract_2021.06.14_FINAL_R1.pdf

shake, shake: fazendo os ácaros soltarem as suas garras


Conforme apontado pelo Dr. David de Jong em 1982, os ácaros aderentes de forma superficial a uma abelha são relativamente fáceis de remover agitando as abelhas num líquido [ou açúcar em pó], mas os ácaros que estão profundamente alojados nas membranas intersegmentais no abdómen das abelhas podem ser mais difíceis de desalojar.

Curioso em determinar exatamente como os ácaros varroa se seguram numa abelha, passei algum tempo olhando-os de perto sob o microscópio.

É fascinante observar um ácaro caminhando sobre o vidro. A cada passo, o ácaro infla um empódio pegajoso. Nesta foto, coloquei um ácaro vivo de costas numa lâmina de microscópio e, em seguida, coloquei uma lamínula de vidro fina sobre ele. O ácaro é obrigado a andar de cabeça para baixo no vidro. O empódio da perna superior nesta foto está a começar a se desdobrar; o próximo está totalmente estendido no vidro.”

fonte: https://scientificbeekeeping.com/6960-2/

Nota: para além desta capacidade de grande aderência, os varroas mimetizam também os odores do corpo das abelhas de forma perfeita, o que lhes permite escapar boa parte das vezes ao comportamento de auto e hetero limpeza das abelhas. Esta capacidade de ocultação é mais um aspecto que faz deles uma arma de aniquilação massiva das abelhas.

crescimento exponencial da população de varroas: o “r” e outros números

Para entendermos de uma forma simples o crescimento exponencial o cenário abaixo é ilustrativo:

Um artesão decide que irá fazer potes de barro ao longo de 16 dias, duplicando a sua meta diária de produção todos os dias. No dia 1, ele produz apenas um pote, no dia 2, ele duplica a sua produção e termina duas peças. No dia 3, já são quatro potes produzidas num só dia e no dia seguinte, são 8. Caso ele siga este comportamento nas próximas duas semanas, quando chegar ao dia 16, terá que produzir 32.768 potes num só dia.

O número de peças feitas, resultado da soma de todos os dias de confecção, serão 65.535 potes produzidos ao longo de 16 dias, representando um crescimento exponencial na produção.

Obviamente, quando se trata de produção, os seres humanos só conseguem ser exponenciais com o auxílio de máquinas. Contudo, se utilizarmos as bactérias, os vírus, os ácaros varroa como referência, todos eles são capazes de cumprir esta tarefa por conta própria. Analisemos com mais detalhe o caso do ácaro varroa.

Uma fotografia espetacular de um ácaro fêmea totalmente escelerotizado pronto para emergir de um alvéolo. O Varroa é um parasita primorosamente adaptado à abelha, com todos os aspectos de sua anatomia e comportamento ajustados por via da tentativa e erro evolutiva [co-evolução] para sobrevivência no ambiente hostil (mas rico em recursos) de uma colónia de abelhas. Foto de Gilles San Martin.

“A Varroa está no paraíso quando as colónias expandem a criação, em particular quando há muita criação de zângãos. Durante este período de tempo (a fase de crescimento linear da população de abelhas), a Varroa é capaz de se reproduzir com sucesso com uma taxa elevada, mais que dobra sua população a cada mês.

Nota científica: o aumento percentual de uma população ao longo do tempo é denominado taxa de crescimento populacional. Em condições ideais, esta taxa de crescimento para várias espécies é exponencial e é quantificada como a taxa intrínseca de aumento. Os biólogos quantificam essa taxa de aumento por meio de um valor diário denominado “r (dia)”. O r (dia) da Varroa em abelhas europeias não resistentes, durante os períodos de crescimento linear da população de abelhas, está quantificado em torno de 0,021.

Nas épocas do ano em que a criação está presente, a população de ácaros numa colmeia de abelhas melífera europeia típica aumentará de forma exponencial. Conforme ilustrado pelo gráfico acima, a população de ácaros cresce numa colónia típica de 100 para mais de 8.000 em sete meses.

Aplicação prática: o acúmulo de Varroa é exponencial nestas alturas do ano em que a criação é abundante (dobrando a cada mês). Dificilmente nos apercebemos na fase de crescimento da população de abelhas, até que a diminuição de criação no final desta fase faz parecer que Varroa explodiu de repente. Além disso, um influxo de ácaros carregados por forrageadoras que pilham colónias a colapsar e por abelhas que derivam pode aumentar a população varroa neste período crítico [na minha zona de finais de julho até finais de setembro].”

fontes: https://scientificbeekeeping.com/the-varroa-problem-part-9/ e https://scientificbeekeeping.com/the-varroa-problem-part-5/

É nesta época, meados de agosto ao fim de setembro, que mais me importa estar muito vigilante, abrindo com frequência semanal ou quinzenal as colónias e avaliar o seu estado sanitário uma a uma, durante e após o tratamento de verão. Os sinais/sintomas que me servem de referência são:

  • vejo ou não varroas sobre as abelhas;
  • vejo ou não abelhas com os abdómenes atrofiados;
  • vejo ou não abelhas com asas deformadas;
  • vejo ou não abelhas irritadiças ou mortiças;
  • vejo ou não abelhas demasiado dispersas nos quadros.

Aplico outros sistemas de monitorização, mas mais pontualmente. Esta monitorização visual tenho-a aplicado sistematicamente. Com este sistema de monitorização a taxa de mortalidade global/ano por todas as causas não tem ultrapassado os 10% desde 2014, situando-se abaixo dos 5% na maioria dos anos neste período.

a minha resistência à resistência: o foco no foco

Nos EUA os projectos para criarem abelhas resistentes ao ácaro varroa já têm cerca de 30 anos, e foram/são levados a cabo tanto em instituições governamentais como em empresas privadas. Na Europa estes projectos surgiram um pouco mais tarde, pela mão de grupos de instituições e de apicultores. Por exemplo, próximo de nós, um grupo de técnicos da Universidade de Córdova trabalhou na selecção de linhas resistentes em abelhas ibéricas na década passada… até ao momento em as colónias desapareceram, alegadamente roubadas.

Os mecanismos de resistência conhecidos são vários, entre os quais o SMR, o VSH e o REC. Esta heterogeneidade de mecanismos origina dificuldades na selecção de um traço e na sua avaliação rigorosa (ver este artigo publicado em outubro de 2021, em que um dos co-autores é Peter Rosenkranz, um dos especialistas em varroa mais reconhecido e citado pelos seus pares: Reproduction of Varroa destructor does not elicit varroa sensitive hygiene (VSH) or recapping behaviour in honey bee colonies (Apis mellifera)).

Os programas de selecção de abelhas resistentes melhor documentados que eu conheço são os de Keith Delaplane e os de Randy Oliver. Ambos referem as dificuldades, em seleccionar, replicar e estabilizar a um bom nível estas linhas resistentes (ver aqui e aqui). Obviamente, um e outro, são cientistas/experimentadores, não são vendedores de rainhas resistentes!

Artigos de revisão acerca dos avanços destes programas de criação de linhas resistentes e da transferência destas linhas para os apiários de todos nós, referem resultados muito modestos para tanta investigação, tanto conhecimento gerado, tantas linhas escritas e tantas esperanças depositadas (ver este artigo, publicado em 2020, de revisão da literatura nos últimos 30 anos: Three Decades of Selecting Honey Bees that Survive Infestations by the Parasitic Mite Varroa destructor: Outcomes, Limitations and Strategy).

Olhando para a Natureza e procurando aprender com as lições que nos dá, verificamos que os enxames naturalmente resistentes estão massificados num continente, África, e num sub-continente, América do Sul. O que nos está a dizer a Natureza?

  • A seleção natural pode resultar na resistência de toda a população em grandes populações panmíticas apenas quando uma grande proporção da população sobrevive à invasão inicial de Varroa. Foi o que aconteceu em África e na América do Sul.
  • Quando, após a invasão de Varroa, uma grande parte da população de abelhas entra em colapso ou é protegida contra os ácaros por tratamentos químicos, a seleção natural para resistência não tem sucesso. Foi o que ocorreu na Europa e na América do Norte.
  • A estrutura panmítica de acasalamento das abelhas evita a seleção natural local para resistência, porque os genes de resistência se dispersam em populações vizinhas a uma taxa maior ou igual à taxa local de recrutamento desses genes por seleção.
  • A seleção por cruzamento pode aumentar o nível de resistência das colónias e, assim, aumentar a proporção de colónias resistentes na população como um todo. Quando essa proporção é alta o suficiente, os apicultores podem interromper o tratamento químico e a seleção natural pode prosseguir.
  • Em populações fechadas, como nas ilhas, a seleção natural não é neutralizada pela dispersão de genes de resistência, e a seleção natural pode prosseguir, a menos que seja restringida pela endogamia.

fonte: Natural selection, selective breeding, and the evolution of resistance of honeybees (Apis mellifera) against Varroa (2020)

Terje Reinertsen, um dos poucos apicultores europeus a trabalhar com linhas alegadamente resistentes.

Dando de barato que sabemos muito bem o que estamos a selecionar e que sabemos muito bem o que estamos a avaliar (não, não o sabemos!); dando de barato que as afirmações dos vendedores de rainhas resistentes não são exageradas (e muito provavelmente são-no!); dando de barato que nos últimos 30 anos se deram enormes progressos e estes foram transferidos para os apiários de todos nós (e sabemos muito bem que não, não foram!), o foco do foco da minha resistência à resistência enquanto “a solução” para a apicultura dos dias de hoje está descrito no parágrafo em baixo.

Se dou de barato os aspectos em cima, não posso ignorar o caminho que a Natureza seguiu: os programas de criação de abelhas resistentes terão um real impacto na apicultura europeia quando estes conseguirem de uma forma massificada e rápida substituir as linhas não resistentes. A proporção de linhas resistentes tem de estar generalizada pelos apiários europeus num curto espaço de tempo. Se com a oferta diminuta de linhas resistentes dos últimos 30 anos, se com projectos de micro-escala não alcançamos nada de especial nestas últimas três décadas, por que razão acreditarei que nos próximos 30 anos com a mesma abordagem, os resultados serão diferentes? Ou a introdução de rainhas resistentes é massiva e súbita ou, se assim não for, temo que o sistema de acasalamentos ao acaso, típico destes insectos, fará soçobrar estes esforços.

No caso português, onde existem cerca de 700 mil colónias, em tese seria necessário substituir cerca de 95% das actuais 700 mil rainhas não resistentes por rainhas resistentes de matriz iberiensis. Até lá ou levamos as poucas colónias resistentes para uma ilha sem abelhas, ou aprendemos a controlar os acasalamentos, ou aprendemos a criar uma relação preferencial com o nosso fornecedor de linhas resistentes, confiando que terá sempre stock disponível para nós, ou … aprendemos a gerir e utilizar melhor os acaricidas que temos actualmente e outros que irão surgir.

Nota: Quem lê com atenção e sem pre-conceitos as publicações que já fiz sobre linhas resistentes há muito verificou a atenção e carinho que dou a esta abordagem, à qual reconheço muitos méritos. Contudo isso não implica uma cegueira e uma obstinação na aceitação que será “A solução” para a varroose na apicultura. Não o é hoje, não o será num futuro próximo e duvido que alguma vez o venha a ser pelas razões que refiro em cima. Mesmo que o venha a ser interrogo-me que garantias temos que as varroas não evoluirão e não conseguirão aprender a esquivar-se e sobreviver aos mecanismos que seleccionámos para as nossas abelhas resistentes? O que a varroa mais nos tem mostrado é a sua enorme adaptabilidade, tão típico das espécies que se reproduzem em ciclos muito curtos.

o número de varroas à saída do inverno: 20 ou 182 fará assim tanta diferença?

Depois dos tratamentos de final de inverno contra a varroose — de acordo com o meu calendário início os tratamentos entre a última semana de janeiro e a primeira semana de fevereiro —, tendo eles sido eficazes, ficam habitualmente alguns ácaros que darão continuidade às geração seguintes. Todos desejamos que esse número seja o mais baixo possível, mas fará assim tanta diferença sobreviverem 200 em lugar de apenas 20?

No blog The Apiarist, David o autor, exemplifica claramente como é muito diferente iniciarmos a nova época com 20 ácaros ou, por exemplo, 182. Recorre, para fazer as suas estimativas, ao simulador on-line construído e disponibilizado por Randy Oliver (ver aqui o simulador).

Ele pergunta: “O que é um punhado de ácaros entre amigos? Faz realmente diferença se a sua colmeia contém 20, 74 ou 146 ácaros no início da temporada seguinte?

Ele responde: “Sim. Isso faz uma enorme diferença.

Ele explica: “Os ácaros presentes no início de janeiro se reproduzirão de forma rompante na criação de primavera. Portanto, em qualquer momento específico da estação – assumindo que todas as outras coisas sejam iguais – haverá uma carga de ácaros significativamente maior numa colónia que começou o ano com mais ácaros do que numa que começou o ano com menos ácaros.

Sabemos bastante sobre a reprodução da Varroa. Por exemplo, sabemos que mais varroas são geradas em pupas de zângãos do que em pupas de operárias (por causa da maior duração da pupação). Há uma série de parâmetros adicionais que influenciam a taxa de reprodução da população de ácaros — a proporção de criação de zângãos para a criação de operárias, a disponibilidade de criação, a duração da fase forética/fase de dispersão dos ácaros (por sua vez, provavelmente influenciada pela disponibilidade de abelhas amas, e assim por diante …

Tudo isso significa que podemos prever o número de ácaros presentes numa colmeia durante a temporada com base no número de ácaros no início, se fizermos uma série de suposições sobre a força da colónia, momento da temporada, taxa de crescimento da colónia, etc. .

Gráfico de colunas com estimativas da população de varroas em setembro (eixo dos Y) de acordo com o número de varroas em janeiro (eixo dos X).

E conclui: “Mesmo considerando várias limitações, que inevitavelmente restringem a reprodução dos ácaros, o aumento de ácaros entre janeiro e setembro é “apenas” cerca de 100 vezes. Isso significa que uma colónia que começou a temporada com 20 ácaros conterá pouco mais de 2.000 em setembro, enquanto uma colónia que começou com 182 ácaros vai acabar com mais de 18.000 até ao final do verão. […] Ou, mais cientificamente, é um nível de infestação com o qual a colónia provavelmente não sobreviverá. 18.000 ácaros é provavelmente bem mais de um ácaro para cada duas abelhas adultas na colónia [em setembro]. Com esse nível de ácaros, você pode esperar que todas as pupas sejam parasitadas [multi-infestadas digo eu, pupas a serem sugadas por 2, 3 ou mais varroas fundadoras]. A colónia está condenada.

fonte: https://www.theapiarist.org/contact-killer/

Nota: nesta simulação o valor atribuído ao influxo de varroas por via da pilhagem de colónias a colapsar nas redondezas foi zero.

re-visitando um antigo estudo valenciano

O que de bom têm os documentos escritos, sejam eles de que tipo forem, é que se podem re-visitar sempre que o desejamos, como fazemos com os nossos velhos e bons amigos.

Neste caso, e considerando um contexto de quase calamidade apícola tanto em Portugal como em Espanha, com inúmeros relatos sobre a razia que a varroa tem feito pelos apiários desta Península, acho importante re-visitar e deixar a bold, de forma vívida, carregada, algumas conclusões/observações de um antigo estudo valenciano por aqui referenciado há quase quatro anos atrás:

Cidade das artes e das ciências, Valência, Espanha.
  1. As colónias que não foram tratadas com acaricidas morreram num espaço de 10 e 12 meses após a infestação inicial;
  2. os meses de fevereiro e março são os meses em que se assiste ao pico da criação para esta região de acordo com o ecotipo de abelhas, as condições climáticas, e as florações (predominância de laranjeiras) segundo os autores;
  3. as colmeias não tratadas não enxameiam e a diminuição da população de abelhas adultas é gradual ao longo de quatro meses, março a junho, até à sua morte.
  4. a infestação pela varroa nas abelhas adultas quase que triplica no período de um mês apenas, entre abril e maio;
  5. a queda natural/mortalidade de ácaros varroa mais que quadriplica entre o início de fevereiro e meados de março;
  6. quando a infestação das abelhas adultas ultrapassa os 20% as abelhas nascem mais pequenas e pesam menos.

Notas:

  1. se fosse um teste “bond” à John Kefuss, “Live and let Die”, daqui não se retiraria uma única colónia para semente de futuras linhas resistentes; mas alguns continuam a acreditar que é por aqui o caminho!
  2. disponibilidade de pólen e crescimento dos enxames, uma das correlações mais fortes que conheço do que vou observando nos meus enxames;
  3. ao contrário do que muitas vezes é repetido estes enxames muito infestados não enxamearam; posso dizer o mesmo dos meus;
  4. no período de um mês a infestação não se multiplicou por 1,5, nem por 2; foi por 3;
  5. a mortalidade e queda natural de ácaros nos tabuleiros multiplicou por 4 em cerca de mês e meio; continuo a duvidar se algum dia confiarei na fiabilidade deste tipo de contagem para avaliar a eficácia do tratamento x ou y, pois não está escrito nos ácaros quais os que caíram por morte natural e aqueles que caíram por efeito do acaricida;
  6. este foi um aspecto que me levou também a considerar que o Apivar este ano estava a ser ineficaz em 20-25% das minhas colónias: para além de encontrar algumas abelhas com asas deformadas 12 semanas após o início do tratamento, o que quer dizer que estas abelhas já foram criadas e emergiram em pleno período do tratamento, para agravar a minha pré-ocupação vi algumas abelhas recém-emergidas com os abdómenes mais curtos.

vinagre de maça: a solução para combater as viroses nas abelhas?

Das primeiras dicas que recebi quando iniciei a minha actividade apícola em 2009 foram os benefícios de utilizar o vinagre para curar a ascosferiose (criação de giz) e para evitar a fermentação do xarope de açúcar e torná-lo mais palatável e atraente para as abelhas. Da minha experiência o vinagre não resolveu a ascosferiose nas colmeias submetidas ao tratamento. O benefício para evitar a fermentação do xarope de açúcar fiquei com a impressão que o alcancei. Sobre se o tornou mais palatável não tenho forma de o confirmar.

Como deixei há muito de alimentar as minhas abelhas com xaropes açucarados deixei também de utilizar o vinagre. Qual a razão desta publicação, então? A razão é simples: no dinossáurico fórum Bee-L (imaginem que ainda funciona através de e-mail, raramente tem imagens, os textos dos intervenientes são longos em geral, muito bem escritos e, sobretudo, as conversas e debates são de grande qualidade — como os invejo, aos falantes do inglês, e ao mesmo tempo lamento que em português não exista nada de remotamente semelhante!), é o tema quente do momento. O debate iniciou-se quando um apicultor canadiano, E. Tardif, postou o vídeo em baixo.

Os que visionaram este pequeno vídeo puderam constatar que o que está em causa é muito diferente do que estamos habituados a ouvir sobre os supostos efeitos benéficos do vinagre de maçã. Já não se trata de curar a ascosferiose, não se trata de evitar a fermentação do xarope, ou torná-lo mais atraente. O que está a ser aventado é outra coisa: a possibilidade de a acidificação do xarope de açúcar contribuir para a desestruturação dos vírus da paralisia, da criação ensacada e das asas deformadas. O estudo referido no vídeo, que me dispenso de o traduzir dada a sua complexidade, os mais interessados podem lê-lo aqui: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abd7130.

Os apicultores que intervieram no debate no Bee-L, estão cépticos sobre os benefícios da utilização do vinagre de maçã. Entre outras razões referem um estudo que verificou danos nas abelhas pela acidificação com sumo de limão do xarope. Este estudo, curiosamente, foi referenciado por mim há uns meses atrás (aqui e aqui).

Nota: não posso deixar de relevar a menção que se faz no vídeo ao efeito prejudicial dos xaropes de açúcar não acidificados. No que respeita ao meu maneio é um problema que “não me assiste”, porque há muito perdi as ilusões sobre o pretenso efeito estimulante das xaropadas e deixei de as utilizar.