Em 2016 escrevi sobre o Tropilaelaps, quando este ácaro era ainda desconhecido para a maioria dos apicultores portugueses. No artigo «O ácaro Tropilaelaps ou a arma de destruição massiva de colónias de abelhas», chamei a atenção para a rapidez do seu ciclo reprodutivo e para a sua forte dependência da criação. Dez anos depois, a história do Tropilaelaps continua a acompanhar a evolução das minhas preocupações, como escrevi recentemente em «Tropilaelaps: dez anos a acompanhar um perigo que parecia distante».

Uma reportagem recente da National Geographic acompanha o entomologista Sammy Ramsey e a sua equipa na investigação deste ácaro na ilha sul-coreana de Jeju. O trabalho procura responder a perguntas que continuam em aberto: como sobrevivem os ácaros durante o Inverno e de que modo passam de uma colónia para outra. A equipa observou ácaros a deslocarem-se em abelhas adultas e encontrou Tropilaelaps e Varroa na mesma célula de criação.
Ao encontrar os dois ácaros nessa célula, Ramsey chamou a atenção dos seus estudantes:
«Esta larva tem Tropi e Varroa, e os dois estão a reproduzir-se!»
Mais tarde, explicou por que razão a observação era tão significativa:
«Muita gente já observou co-infestação, mas sempre houve a dúvida de saber se conseguem reproduzir-se no mesmo recurso, e foi por isso que ficámos tão entusiasmados.»

Naquela célula, os dois ácaros não se limitavam a coexistir: estavam ambos a reproduzir-se na mesma abelha em desenvolvimento. A observação sugere que, nesse caso, não competiram de forma a impedir a reprodução um do outro. A fotografia deste episódio é particularmente reveladora.
A presença de Tropilaelaps em regiões mais frias da Europa e da Ásia também obriga os investigadores a reverem a ideia de que este ácaro ficaria limitado a zonas quentes. Em Jeju, a equipa estuda o que acontece durante o Inverno e procura compreender como o parasita consegue persistir. São questões relevantes para avaliar a sua capacidade de se estabelecer em regiões de clima temperado.
A reportagem refere ainda a intercepção, em 2025, de um navio com destino aos Estados Unidos que transportava abelhas asiáticas; foram encontrados ácaros Tropilaelaps nessas abelhas. O episódio mostra uma possível via de introdução acidental e reforça a importância da vigilância e da prevenção. Uma vez estabelecido numa região, um parasita pode ser muito difícil de erradicar.
A biologia de Tropilaelaps ajuda a explicar a preocupação dos investigadores. Ao contrário do Varroa, passa a maior parte do ciclo reprodutivo associado à criação e permanece pouco tempo nas abelhas adultas. A rapidez com que se reproduz e a dificuldade em detectá-lo podem favorecer aumentos rápidos da infestação. A reportagem da National Geographicapresenta estes desafios e o trabalho que está a ser desenvolvido para os compreender melhor.

Uma das opções que Sammy Ramsey está a testar é o ácido fórmico. A razão é a sua capacidade de penetrar os opérculos e alcançar ácaros protegidos no interior da criação, onde Tropilaelaps passa grande parte do seu ciclo. O facto de Ramsey o estar a estudar no terreno reforça a credibilidade do ácido fórmico como uma das alternativas com maior potencial para enfrentar este parasita. Mas não é uma solução simples nem isenta de riscos: a sua aplicação exige conhecimento das condições de utilização e dos cuidados necessários.

Se o Tropilaelaps vier a estabelecer-se em Portugal, será importante que os apicultores conheçam e estejam treinados na aplicação do ácido fórmico. Como já escrevi, esse conhecimento poderá ser a diferença entre ter uma resposta e não ter resposta nenhuma.
O meu Manual de Campo — Aplicação de ácido fórmico líquido foi preparado para apoiar o apicultor na utilização do ácido fórmico contra a Varroa. Reúne informação sobre métodos de aplicação, equipamentos, condições de utilização e cuidados de segurança. Os interessados no manual poderão contactar-me, preferencialmente, pelo endereço eduardogomesapi@outlook.com
Referências
Artigos do blogue Abelhas à Beira
- Gomes, E. (2016, 14 de dezembro). «O ácaro Tropilaelaps ou a arma de destruição massiva de colónias de abelhas». Abelhas à Beira.
- Gomes, E. (2026, 7 de agosto). «Tropilaelaps: dez anos a acompanhar um perigo que parecia distante». Abelhas à Beira.
- Gomes, E. (2026, 20 de abril). «Ácido fórmico e Tropilaelaps: eficácia real, limitações e implicações práticas». Abelhas à Beira.
- Gomes, E. (2026, 27 de outubro). «Ácido fórmico: um manual de campo para o apicultor». Abelhas à Beira.
Reportagem
- Ong, S. (2026, 27 de outubro). “Stopping the Next Great Honeybee Killer—Before It Reaches the U.S.”. National Geographic. Fotografias de Sirachai Arunrugstichai.














