mel claro: início da cresta de 2021

Ontem, para o Marcelo Murta, que me veio ajudar, e para mim, o dia começou às 6h45m.

Por volta das 7h50 estávamos a entrar neste apiário de Lusitanas, território das flores com coração, para iniciar a cresta dos méis claros deste ano. O plano era crestarmos os sete sobreninhos lá presentes. Por volta das 9h10 estávamos de regresso a casa, com a carga que tinha sido planeado trazer. As imagens são do início desta cresta e extracção deste néctar prístino, intocado, que fluiu de forma natural e primitiva entre as abelhas.

Umas das sete colónias com sobreninho crestadas.
5 dos 10 quadros foram transferidos para o corpo vazio colocado à esquerda. Cada sobreninho pesava aproximadamente 45 kgs.
Corpo com 5 quadros depois de desabelhado por um soprador.
Crestado o sobreninho, a colónia fica com uma meia-alça (alça) e excluidora de rainha.
Chegada a casa com 14 corpos cada um com 5 quadros.
Fotografia de um quadro…
Caindo para um coador, um mel de cor clara, cujo paladar e aroma muito frutado e persistente, fazem dele um mel surpreendente e muito apreciado por todos os que o provaram..

A todos nós que iniciámos a cresta, ou a vamos iniciar, desejo uma boa cresta e colheita. Que o semeado ao longo de meses tenha agora correspondência no que colhemos.

tratamento intermédio contra a varroose: resposta a quatro questões

No decurso de duas das últimas publicações, onde refiro a execução de um tratamento intermédio contra a varroose, têm surgido no meu e-mail e na caixa de comentários do blog basicamente quatro tipos de questões e comentários:

  • que medicamento estou a utilizar;
  • onde adquiri esse tratamento;
  • por que razão faço este tratamento intermédio;
  • que resíduos deixa no mel se aplicado durante o fluxo e com meias alças nas colmeias.
Colocação das tiras de cartão com ácido oxálico impregnado em glicerina.

Resposta à primeira questão: estou a utilizar tiras de cartão com ácido oxalico impregnado em glicerina. Estas tiras são fabricadas pela empresa polaca Lyson.

Resposta à segunda questão: adquiri estas tiras na Golden Bee, situada em Mira.

Resposta à terceira questão: no plano de tratamentos contra a varroose deste ano achei que devia experimentar fazer um tratamento intermédio, com vista a manter a taxa de infestação baixa até à colocação do último tratamento do ano e, em simultâneo, eliminar eventuais varroas resistentes ao amitraz, princípio activo dos dois tratamentos principais com Apivar, tratamentos que inicio no final de janeiro e na primeira semana de agosto.

Resposta à última questão: sobre a questão dos resíduos deixados no mel por estas tiras, deixo a tradução de um excerto de um estudo científico, referenciado por mim em 2016 nesta publicação. “

Detecção de ácido oxálico em abelhas, mel e cera de abelha.
A Tabela III resume as medições de ácido oxálico (AO) em todas as amostras tiradas antes e depois do tratamento. O teor de ácido oxálico natural variou entre 2,5 e 33,8 mg / kg. Não houve aumento no teor de ácido oxálico do mel, cera e abelhas após os tratamentos, em todos os três ensaios (P> 0,05). Todas as amostras de abelhas e cera de abelha foram negativas antes e depois do tratamento com AO.
[…] A maioria dos vegetais contém quantidades muito maiores de ácido oxálico do que o mel, então a ingestão diária total é insignificante. Assim, do ponto de vista nutricional, o ácido oxálico deve, como o ácido fórmico, também ter um status geralmente reconhecido como seguro (GRAS — generally recognized as safe). Além disso, nenhum resíduo significativo é esperado após os tratamentos com ácido oxálico, conforme demonstrado em nossa pesquisa. Na verdade, não há risco de resíduos de mel após todos os tipos de tratamentos com ácido oxálico (Radetzki 1994; Mutinelli et al. 1997; Del Nozal et al. 2000; Bernardini e Gardi 2001; Radetzki e Barmann 2001; Bogdanov et al. 2002). — fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s13592-015-0405-7

Desde 2016 que conheço estes dados. Desde 2014 que acedi e acedo a informação, acessível a todos nós, reveladora da tremenda falta de informação no que concerne aos resíduos deixados pelas tiras de Apivar no mel. Tenho uma grande preocupação e sensibilidade para a questão dos resíduos dos acaricidas no mel; passei horas e horas a pesquisar, ler, comparar e reflectir sobre este assunto. Por esta razão peço a melhor compreensão para uma resposta eventualmente mais impaciente a um ou outro comentário no FaceBook, quando sou interpelado por alguém que “sabe tudo” sobre resíduos dos acaricidas, sem ter lido uma linha sequer sobre este assunto, repetindo acriticamente chavões. Sobre este e outros assuntos a minha opção é clara: na dúvida informo-me em fontes fidedignas e de preferência em fontes sustentadas em dados experimentalmente controlados; em fontes não influenciadas por interesses comerciais evidentes; em fontes que resistem à persuasão de seguir um “meme” acriticamente, que resistem a papaguear o que a maioria diz, que utilizam a sua cabeça para decidir o seu caminho e inspirar outros.

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
” Cântico Negro, José Régio

desvendando a intimidade de uma colónia em produção

Ontem, 28 de junho, fui ao meu apiário das lusitanas (a 600 m de altitude) aplicar o tratamento intermédio contra a varroa. Para tal tive de desmontar todas as colónias ali assentes para chegar ao ninho. Aproveitei a oportunidade para fotografar a intimidade da primeira colónia que desnudei.

Vista geral do apiário. Entre colónias só no ninho, enxames novos, estão as colónias dedicadas à produção. A colónia que fotografei na sua nudez é a que está mais à direita da imagem no assento mais próximo, com ninho, excluidora de rainhas, sobreninho e duas meias-alças/alças.

Do topo para a base vou expor gradualmente a sua intimidade, despindo-a suave e prazerosamente.

Meia-alça (alça) do topo, com ceras laminadas, à espera que uma espécie de milagre aconteça, e puxem a cera e ainda a encham com o que resta dos néctares da silva, cardos e dos néctares e melada do castanheiro.
Primeira meia-alça, logo por cima do sobreninho, cheia a três quartos. Esta meia-alça foi colocada com ceras laminadas.
Quadro lusitano com mel novo, operculado de travessão a travessão. Os outros 9 estão mais ou menos na mesma.
Grelha excluidora, que confinou a rainha ao ninho desde 15 de abril.
O quadro 10, com reservas, ainda que se não vejam ; ) ….
Um quadro representativo dos 8 quadros com criação presentes nesta colónia.
Ainda que o fabricante (Lyson) recomende a colocação de 4 tiras de cartão com ácido oxálico embebido em glicerina, estou a colocar apenas três… afinal este é visto por mim como um tratamento intermédio para evitar a subida da taxa de infestação e eliminar varroas eventualmente resistentes ao amitraz.
Depois foi voltar a vesti-la…
As datas históricas desta colónia: foi transferida do apiário PR (a 900 m de altitude) para o apiário RAT (a 600 m de altitude) em 09-03; em 29-03 coloquei-lhe o sobreninho; a rainha foi confinada ao ninho através de excluidora a 15-04. Foi utilizada diversas vezes para fornecer quadros e abelhas para os desdobramentos/multiplicação de colónias que efectuei. À data de ontem tem cerca de 40 kgs de mel para fornecer ao cuidador.

a timeline das colmeias armazém ao longo da época

Num processo continuo e circular para decidirmos onde se situa o seu início temos de o pontuar. Com o desiderato de apresentar, com a limpidez que me é possível, a timeline das operações efectuadas nas minhas colmeias armazém ao longo da época, decido pontuar o início deste processo continuo e circular nestes dias que agora correm. E é nestes dias, os dias do castanheiro, em que desbloqueio alguns ninhos de jovens colónias, retirando-lhes aqueles quadros mais velhos bloqueados com mel e pólen, que tendo sido úteis aquando da introdução de rainhas virgens ou mestreiros com rainhas prestes a emergir, se tornam agora um peso, um travão, ao seu mais rápido desenvolvimento, que dou origem às colmeias armazém.

Vista de uma pequena parte do apiário ao fundo, ornada pela folhagem e candeias da árvore mais linda do meu mundo.
Origem de uma colmeia armazém: estes quadros escuros, bloqueados com mel e pólen, sairam do ninho de uma jovem colónia. São armazenados neste sobreninho até que venham a ser colocados durante o outono-inverno em colónias com as reservas em baixo.
Quadro com poucas reservas que foi substituído por outro com reservas mais abundantes (foto 27.02.2020).

No final do inverno/entrada da primavera estas colónias armazém vão evoluindo gradualmente, respondendo às necessidades decorrentes do crescimento linear das colónias dedicadas à produção. Passam a armazenar os quadros semi-bloqueados e com criação predominantemente operculada, retirados daquelas.

Colmeia armazém (foto de 15-04-2020).
Exemplo de um quadro semi-bloqueado, típico do ninho de uma colónia dedicada à produção, à saída da primeira quinzena de fevereiro (foto de 17-02-2020).

Uma a duas semanas após a colocação destes quadros nas colmeias armazém, inicio os desdobramentos com recurso à técnica Doolittle.

Colocação da grelha excluidora com a rainha no ninho.
Um caso de aplicação da técnica Doolittle para desdobrar. Em primeiro plano o núcleo para onde transferi as abelhas e 3 quadros com criação e 2 com reservas retirados do sobreninho

Com o avançar da época, para o meio da primavera estas colónias vão sendo gradualmente adaptadas ao fluir da época. Deixam de estar direccionadas para os desdobramentos e evoluem para a produção de mel.

Estas colónias Lusitana vão receber gradualmente quadros com cera laminada no sobreninho, que continuará separado do ninho por uma grelha excluidora de rainhas. O néctar será armazenado nestas ceras novas. Tal permitirá obter mel com as características organolépticas tão apreciadas pelos meus clientes e amigos, muitos dos quais o têm eleito como primeira opção nos últimos dez anos.
Foto de ontem (27-06) de um quadro de um sobreninho de uma colónia armazém.
Quando tudo é feminino… o melhor mesmo é terminar a publicação. Melhor fim não conseguirei, nem que escreva 100 anos acerca de uma linha de tempo, que parecendo linear sempre foi circular. Naquele recanto do apiário, com vista de uma pequena parte do apiário ao fundo, ornada pela folhagem e candeias da árvore mais linda do meu mundo, continuo, agora, a tirar a mesma fotografia.

duas novidades e… mais do mesmo

Hoje, dia 26 de junho, à entrada do verão voltei às abelhas. Após quase 15 dias de férias, voltei! Por lá andei das 10h00 às 13h00, a fazer o maneio que me apeteceu fazer, que devia fazer e que não me cansou fazer; isto tudo num assento com cerca de 40 colónias, entre núcleos, colónias novas em desenvolvimento não dirigidas à produção e colónias orientadas para a produção. Para o final da tarde iremos às restantes 50 estacionadas neste apiário.

O assento com 40 colónias.
A primeira novidade: “Sem ternura a vida não é lá grande coisa!” (“Meu pé de laranja lima”- José Mauro de Vasconcelos)
O tratamento intermédio… porque a varroa não dorme, não tem fins-de-semana, nem tira férias.
Palmerização de núcleos e fortalecimento de colónias em produção.
Com a marcavala a secar e as silvas e candeias do castanheiro a abrir, é tempo de colocar mais meias-alças/alças.

o comportamento das abelhas no interior da colmeia: imagens inéditas

Muito recentemente foi publicado na revista Plos One um artigo muito interessante com o título Honey bee behaviours within the hive: Insights from long-term video analysis. Como o próprio título indica com recurso a imagens de vídeo foi observado e analisado o comportamento das abelhas no interior da própria colmeia. Esta publicação apresenta em baixo alguns desses vídeos. Só para amantes!

O equipamento utilizado.
O momento da oviposição.
A eclosão da larva a partir do ovo.
Alimentação boca-a-boca de uma larva.
A produção de escamas de cera e a construção do favo.
Descarga, armazenamento e humidificação do pólen.
Comportamento de higiene das abelhas: o consumo de varroas imaturas.

fonte: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0247323#pone.0247323.s001

o programa apícola francês ou je suis français

Como em Portugal, o setor apícola francês beneficia de apoio financeiro no âmbito de um programa europeu, regido pelo regulamento (UE) 1308/2013 (OCM única), regulamentos (UE) 2015/1366 e 2015/1368 e pela decisão do Diretor-Geral da FranceAgriMer INTV SANAEI 2019-17.

Como o programa apícola português, definido para um triénio, o programa apícola francês prevê ajudas de carácter colectivo, que têm como objectivo a implementação de ações que visem a melhoria da produção e comercialização dos produtos apícolas:

  • assistência técnica e formação;
  • a luta contra agressores e doenças da colmeia;
  • pesquisa aplicada;
  • análises de mel;
  • melhoria da qualidade do produto.

Contudo, ao contrário de programa apícola português, o programa francês prevê ajudas directas aos apicultores nestas duas rubricas:

  • racionalização da transumância;
  • ajuda para manter e reforçar o efectivo apícola.

Por exemplo, os apoios à transumância têm como objetivo financiar equipamentos para modernizar os apiários e reduzir a árdua tarefa inerente às operações de transumância, sendo investimentos elegíveis para apoio os abaixo descriminados:

  • Grua;
  • Empilhadores todo terreno de 4 rodas ou esteira;
  • Reboque;
  • Plataforma elevatória;
  • Layout da plataforma do veículo;
  • Paletes;
  • Moto-roçadora ou roçadora com rodas;
  • Preparação de locais de transumância;
  • Balanças eletrónicas controláveis ​​remotamente.

As taxas de ajuda podem atingir 40% no máximo do montante, excluindo impostos sobre o investimento elegível efetivamente realizado. O tecto de investimento está definido a três anos:

  • Até 150 colmeias declaradas: € 5.000 sem impostos;
  • Mais de 151 colmeias declaradas: € 23.000 sem impostos.

Por cá, o estado paternalista, com pelo menos 95 anos — 48 antes do 25 de abril e 47 anos depois do 25 de abril—, continua a achar que os cidadãos não sabem onde, como e quando investir e aplicar o dinheiro dos apoios. E vai fazendo cada vez mais o papel de um pai esclorosado e demente!

por detrás deste blog estás tu, meu filho.

Por detrás deste blog estás tu, meu filho. Foste tu que, com a tua mestria e dedicação, me permitiste materializar esta vontade de escrever umas linhas sobre apicultura. És tu que, fora do palco, me ajudas a ultrapassar prontamente alguns problemas técnicos que vão surgindo a espaços. Sem ti, este blog seria uma frequente dor de cabeça, um aborrecimento, um peso…

Sobre ti posso dizer-te duas ou três coisas que considero essenciais neste momento em que as escrevo. 

A minha vida e o meu sentir mudaram no momento em que nasceste. Logo ali, naquele momento único e irrepetível, senti uma mudança interior. Foi logo ali que senti que o jogo da minha vida tinha passado para outro patamar, que a responsabilidade agora tinha entrado noutro campeonato. Agora a missão era criar-te. Missão mais exigente e arriscada, mas mais nobre e cheia de significado. A minha vida ganhou outra tração. 

Sobre ti, posso ainda dizer que consegues fazer praticamente tudo em que te empenhas verdadeiramente. Pouco ou nada te atemoriza, pouco ou nada te tolhe. Tens a inteligência e as ganas para seguir o TEU caminho. Tens a coragem e o instinto para cumprir o teu destino, traçando-o e construindo-o, não te submetendo a ele. Na tua área de trabalho, muito específica e inovadora, estás entre os melhores do mundo. Vivendo em Portugal, és genuinamente um cidadão do mundo. 

Dizer apenas mais isto… o teu coração é equilibrado pela tua razão, e tua razão não é sem teu coração. O que fazes faze-lo de forma apaixonada, planeada, devidamente ponderada, quase até à tua exaustão, e faze-lo porque o QUERES fazer assim. O teu combustível é a paixão que te obrigas a colocar em quase tudo o que fazes! Vives o teu dia-a-dia numa dimensão volitiva, de desejo intenso, de vontade focada, puxado pelos teus motivadores intrínsecos e fluindo, como o voo de uma abelha num campo florido, entre os teus motivadores extrínsecos. 

Como te AMO e como me sinto orgulhoso em ser teu pai! Um beijo, daqueles que os pais dão, meu filho!

Gostas de música e és muito eclético nas tuas escolhas, o que me revela bem a tua complexidade interior. Partilho algumas das que gostas: 

o plano reprodutivo pode mediar os efeitos da seleção ao nível da colónia no comportamento individual de forrageamento em abelhas

Nesta publicação apresento o sumário e um pequeno excerto de um artigo que procura esclarecer, do ponto de vista genético e evolutivo, o que determina o polietismo* presente em diversos insectos sociais, como no caso da abelha melífera. Este estudo sugere que o polietismo é função de genes com características pleiotrópicas** derivados de um plano reprodutivo básico. À imagem dos insectos solitários, o polietismo nos insectos sociais será a expressão sequencial das fases do ciclo reprodutivo que, estando inibido ao nível individual nas obreiras estéreis, não deixa de se manifestar e expressar na plasticidade e na sequência de tarefas que as abelhas melíferas vão realizando ao longo de sua vida, ao nível da colónia. As obreiras evoluem na realização de tarefas ao longo de sua vida, seguindo uma determinada sequência, de acordo com um determinismo genético, que mimetiza comportamentalmente um plano reprodutivo básico.

Sumário: O fenótipo ao nível da colónia de uma sociedade de insetos emerge de interações entre um grande número de indivíduos que podem diferir consideravelmente na sua morfologia, fisiologia e comportamento. Os mecanismos imediatos e finais que permitem a formação desse sistema integrado e complexo não são totalmente conhecidos, e a compreensão da evolução das estratégias de vida social é um tópico importante na biologia de sistemas. Em insetos solitários, comportamento, sintonia sensorial e fisiologia reprodutiva estão ligados. Essas associações são controladas em parte por redes pleiotrópicas que organizam a expressão sequencial das fases do ciclo reprodutivo. Aqui, investigamos se associações semelhantes dão origem a diferentes fenótipos comportamentais numa casta de obreiras eussociais. Nós documentámos que a rede genética pleiotrópica que controla o comportamento de forrageamento em operárias melíferas funcionalmente estéreis (Apis mellifera) tem um componente reprodutivo. Associações entre comportamento, fisiologia e sintonia sensorial em operárias com diferentes estratégias de forrageamento indicam que as arquiteturas genéticas subjacentes foram projetadas para controlar um ciclo reprodutivo. Os circuitos genéticos que constituem o “plano básico” regulatório de uma estratégia reprodutiva podem fornecer blocos de construção poderosos para a vida social. Sugerimos que a investigação deste plano básico (ground plan) desempenha um papel fundamental na evolução das sociedades de insetos sociais.

[…]

Acredita-se que a pleiotropia desempenhe um papel importante na integração fisiológica e comportamental. A pleiotropia facilita a expressão coordenada de fenótipos temporais complexos ao longo do ciclo de vida de insetos solitários por meio de interruptores reguladores capazes de controlar um grande número de genes. Pelo menos em parte por causa desse mecanismo, os diferentes estágios do ciclo reprodutivo feminino, ou seja, a fase pré-vitelogénica, vitelogénese, oviposição e cuidado da cria (se aplicável), constituem uma sequência coordenada de eventos comportamentais e fisiológicos associados. Em alguns himenópteros sociais, a divisão temporal do trabalho parece ser sobreposta a um ciclo de desenvolvimento do ovário rudimentar em que indivíduos jovens dedicados à criação têm ovários levemente desenvolvidos ou poem ovos tróficos, e ovários pouco desenvolvidos estão associados ao forrageamento. Isso pode indicar que os circuitos reguladores subjacentes à divisão temporal do trabalho em insetos eussociais são derivados de um plano reprodutivo básico [isto é, o plano básico ovariano sugerido por West-Eberhard].

fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC509206/

Polietismo*: a mudança de função/tarefas é idade-dependente e é um dos traços mais característicos das sociedades das abelhas melíferas, Apis mellifera L. 

**Pleiotropia (do grego pleio = “muito” e tropo = “mudança”) é o conjunto de múltiplos efeitos de um  gene. Acontece quando um único gene controla diversas características do fenótipo que muitas vezes não estão relacionadas. […] Ao efeito inverso, quando múltiplos genes controlam a mesma característica, dá-se o nome de Hereditariedade poligénica, Interacção génica ou, ainda Herança quantitativa. Um caso de interação gênica é a epistasia. Epistasia é quando um par de alelos inibem a ação de um outro par, impedindo assim que a característica seja formada. in https://pt.wikipedia.org/wiki/Pleiotropia

fazendo ovos das omeletes

Em diversas situações o meu caminho, estratégia e maneio vai em sentido contrário ao saber estabelecido. Esta publicação serve para deixar explícito que estou muito consciente, que estou a par e conheço relativamente bem esse saber estabelecido. Serve ainda o propósito de afirmar que dar o primeiro passo para fora dessa zona de conforto, entrar numa zona onde a magia acontece, foi uma grande vitória pessoal. Foi em boa medida este o percurso que sustenta meu sucesso como apicultor; apicultor que vive exclusivamente da apicultura há mais de dez anos. E o meu sucesso dependeu e depende de duas coisas simples, ao alcance de todos: muita transpiração e alguma inspiração/imaginação.

Num ano que muitos rotulam de escasso, com pouco mel, este é o resultado de 90% de transpiração e 10% de inspiração. Tudo se encaminha para que seja um dos meus melhores anos em termos de produção média por colónia.

Vejamos agora dois casos concretos que ilustram este caminho, várias vezes ao arrepio do saber estabelecido:

  1. O caso das colmeias armazém: cerca de 10% do meu efectivo (langstroth e lusitana) passa o outono-inverno na configuração ninho+sobreninho.
Verifiquei na inspecção de 4 de março que esta colónia Langstroth, que passou o outono-inverno na configuração ninho+sobreninho, tinha a rainha em postura no sobreninho. Um indicador que poderia “aguentar” com a colocação de excluidora depois de previamente colocar a rainha no ninho, coisa que fiz no dia 9.

Hoje estava assim, de baixo a cima:

2. O caso dos núcleos doadores de quadros a colónias em produção: em baixo a ilustração da palmerização de um núcleo, que doa quadros com criação fechada às colónias em produção, ou a colónias com rainhas fecundadas muito recentemente.

Este quadro é de uma colónia estabelecida num núcleo de 5 quadros. A postura é da responsabilidade de uma rainha emergida de um mestreiro de enxameação que enxertei cerca de um mês e meio atrás. Este quadro tem de um lado e do outro cerca de 7 mil abelhas para emergir nos próximos dias — um núcleo bem povoado tem uma população de cerca de 10 mil abelhas. Foi desta rainha e da sua utilização que um idiota credenciado gozou no Facebook para promover as suas rainhas. Ele que mostre o que faz como eu mostro o que faço, e que se deixe de garotices.