tratamento com formivar: os dados de um apicultor amigo

Apresento em baixo um documento de trabalho de um apicultor amigo, de grande competência na minha opinião, acerca dos resultados que obteve este ano com a aplicação do formivar, um medicamento com ácido fórmico. Podem ver aqui o protocolo de utilização. Nunca experimentei, mas segundo o que li e agora re-confirmado por estes dados, tenho a convicção que este tratamento pode ter uma boa eficácia em casos de uma infestação elevada, em casos de re-infestação ou em casos de baixa eficácia com o tratamento principal.

Foram estabelecidos dois grupos de colónias de acordo com o veículo utilizado para veicular o Formivar como se vê na tabela em baixo.

Tabela com os testes de contagem de varroas com açúcar em pó

Legenda: gr – peso das abelhas
nº – número de varroas caídas
% – percentagem de infestação, calculada/fórmula nºx10/gr

Algumas notas de detalhe:

  • Apiário composto por 18 colmeias reversíveis e 3 lusitanas que foram as usadas na aplicação com vaporizador;
  • As colmeias tinham sido tratadas com timol em junho/julho e sofreram, provavelmente, uma reinfestação nos inícios de setembro;
  • Nas colmeias reversíveis, dada a sua menor capacidade, foram utilizados 2,5ml por quadro de abelhas, sendo que nunca foram ultrapassados os 15ml;
  • Foram feitas 3 contagens, a inicial para avaliar o nível de infestação, a segunda ao 8º dia coincidindo com a terceira aplicação nos panos/esponja e a última 30 dias depois do início do tratamento;
  • Nas colmeias lusitanas foi introduzido o máximo da capacidade do vaporizador (entre 100 e 120ml) e com as aberturas a meio. No dia 7/10, as aberturas foram totalmente abertas, quando foi feita 2a contagem;
  • A partir do 8º dia notou-se uma melhoria significativa na qualidade da criação com posturas homogéneas e que se consolida no estado geral quando nasce a 1a geração de abelhas pós-tratamento.

Tiro daqui o chapéu a todos os apicultores que em modo de produção biológica têm perdas por varroose relativamente baixas (entre os 5 e 15%). Creio ser o caso deste amigo, que tenho ouvido com ganhos pessoais, com o objectivo de montar uma estratégia mista, convencional e biológica, para gerir eventuais resistências aos princípios activos dos acaricidas que tenho utilizado regularmente.

modo de produção biológico: excertos do relatório 2011-2013

Apresento alguns excertos de um relatório disponibilizado pela FNAP, a que tive acesso muito recentemente. Numa primeira leitura deste relatório chamaram-me a atenção vários aspectos, dos quais destaco os que apresento em baixo.

“… as explorações com mais de 600 colónias detêm um volume de mão-de-obra total equivalente a uma atividade a tempo inteiro, correspondendo a um volume de trabalho aproximado equivalente a 3 indivíduos.

A análise do volume de mão-de-obra apícola por colónia (UTA/número de colónias), permite verificar que os apicultores não profissionais dedicam um maior tempo à atividade (em média despendem 0,006 UTA por colónia) que os apicultores profissionais (em média, 0,003 UTA por colónia), sendo a diferença estatisticamente significativa (valor de p = 0,015), sem que tal se reflita numa maior produtividade de mel por colónia, como se verá no capitulo seguinte.

Sendo a visita ao apiário uma componente fundamental do maneio apícola, os apicultores foram inquiridos relativamente a esta prática. Por norma, na Primavera/Verão, 49% dos apicultores visitam o apiário semanalmente, 15% visitam-no diariamente, 12% fazem-no 3 vezes por semana e 11% quinzenalmente. No Outono/Inverno, 41% dos apicultores visitam o apiário mensalmente, 33% visitam-no quinzenalmente e 15% semanalmente.” p. 26

“A análise […] permite observar que à medida que a percentagem de perdas diminui com o aumento da dimensão da exploração, verificando-se diferenças estatisticamente significativas, entre apicultores profissionais e não profissionais (valor de p = 0,013).

Analisando a percentagem de perdas geograficamente, verificou-se que a região Centro apresenta, em média, maior taxa de perdas por exploração (38 %), seguindo-se a região Sul (28%); na região Norte as perdas são de 26%. Contudo estas diferenças não são estatisticamente significativas.

Quando analisada a relação entre as percentagens de perdas e o associativismo, verifica-se que os apicultores não associados têm percentagens de perdas na ordem dos 50%, enquanto que para os apicultores associados, essas perdas são, em média, apenas de 27%. Porém esta diferença não é estatisticamente significativa, atendendo à variabilidade encontrada nos dois grupos.

Foram analisadas outras variáveis, como o tipo de maneio (número de visitas ao apiário, realização de análises às abelhas, realização de tratamentos contra a varroa e a alimentação artificial), a formação em apicultura, a idade e o nível de instrução do apicultor, não se tendo verificado que estas influenciassem, de forma estatisticamente significativa, a percentagem de perdas do efetivo.” p.30

“A maioria do mel em MPB comercializado a granel é efetuada através de intermediários (79% do mel) ou da cooperativa/agrupamento com cerca de 20%. Quanto ao mel em MPB embalado, os canais de venda assumem posições mais equitativas: as lojas especializadas (37% do mel), a venda direta a particulares (23%), o comércio tradicional (19%), os intermediários (14%), e por fim, as grandes superfícies e o canal HORECA, com peso de 3%. Os preços praticados são também bastante diferenciados. No caso do mel a granel, a cooperativa/agrupamento destaca-se pela negativa, com valores de 0,34€/kg abaixo dos praticados pelos intermediários. Quanto ao mel embalado, o canal Horeca e comércio tradicional praticam os preços mais favoráveis, sendo a venda a grandes superfícies a menos lucrativa com um diferencial máximo, em média, de 0,35€/kg.

Os baixos preços obtidos pelos apicultores que optam por escoar o mel através da cooperativa/agrupamento talvez explique o porquê da comercialização do mel ser feita essencialmente de forma individual (75% dos apicultores opta por esta forma de comercialização), e apenas em 15% dos casos de forma coletiva (4% dos produtores fazem-no das duas2 formas). A dificuldade na criação de uma rede de comercialização é frequentemente apontada como dos principais entraves ao desenvolvimento da atividade empresarial em Portugal, designadamente no setor agrícola.” p. 43

” O modelo 1 mostra que a idade do apicultor, o montante despendido com despesas de exploração, o número de anos de atividade certificada e a utilização de colmeia lusitana têm uma influência positiva, estatisticamente significativa, na produção de mel por colónia. Especificamente, um acréscimo unitário no número de anos do apicultor traduz-se num acréscimo de 0,16kg na produção de mel por colónia, mantendo todas as outras variáveis e o erro constantes. Da mesma forma, cada ano adicional de atividade certificada implica um acréscimo de 0,80kg na produção de mel por exploração. Estas variáveis refletem os benefícios da experiência adquirida, que permite aos apicultores aprender com a prática. Por outro lado, a diferença na produção de mel por colónia entre utilização de colmeia lusitana ou outro tipo de colmeia é de 3,1 kg, mantendo-se tudo o resto constante. Pelo contrário, a variável Colmeia_reversível mostrou ter uma influência negativa, estatisticamente significativa, sobre a produção de mel por colónia; sendo a diferença na produção de mel por colónia entre utilização de colmeia reversível ou outro tipo de colmeia de -3,7 kg, mantendo todas as outras variáveis e o erro constantes. Também o número de apiários tem um impacto negativo na produção de mel por colónia, traduzido num decréscimo de 0,40kg por cada acréscimo unitário no número de apiários, indicando a existência de um decréscimo na produtividade com o aumento da área geográfica da exploração.” p. 47-48

o cheiro/odor da criação diminui a esperança de vida das abelhas obreiras

Em outubro de 2017, referi-me aqui às características fisiológicas distintivas entre as abelhas de primavera-verão e as abelhas de outono-inverno. Foi referido que a quantidade do composto proteico vitelogenina é um dos componentes críticos que distingue a fisiologia destes dois tipos de abelhas. As abelhas de outono-inverno apresentam uma maior quantidade de vitelogenina. Mais recentemente, nesta publicação, abordei a relação entre o envelhecimento das abelhas e a necessidade de alimentarem a sua criação. Estribado no estudo realizado pela equipa de Gro Amdam, acerco-me agora dos indutores primários, os “gatilho” basilares envolvidos no processo de envelhecimento das abelhas.

A longevidade das abelhas, na minha opinião, é um aspecto relevante para a apicultura, pela sua determinância na sobrevivência invernal e bom arranque da colónia no final do inverno. Deixo em baixo o texto que descreve o percurso da equipa de Gro Amdam, desde a curiosidade inicial, passando pelo processo investigacional, até às conclusões retiradas sobre o impacto do cheiro/odor da criação na esperança de vida das abelhas obreiras.

“Durante algumas semanas cruciais a cada primavera, as abelhas são os trabalhadores mais essenciais do planeta, polinizando muitas das principais produções de frutas do mundo: sua sobrevivência durante o inverno é, portanto, fundamental para a agricultura. 

Percebendo que a sobrevivência do indivíduo era a chave para o sucesso de uma colónia, Gro Amdam ficou intrigado com a longevidade das abelhas. A esperança de vida das abelhas operárias tende a ser de apenas algumas semanas; no entanto, Amdam clarifica que um novo tipo de abelha desenvolve-se no final do verão, conhecido como abelhas diutinus*. Essas abelhas têm uma vida útil surpreendente de 6 meses ou mais e garantem a sobrevivência da colónia durante o inverno. Curiosa para saber o que limita a longevidade das abelhas operárias e permite o desenvolvimento das abelhas diutinus, Amdam começou a investigar a longevidade das abelhas.

Lendo a literatura, ela percebeu que uma proteína do ovo, a vitelogenina, poderia ser essencial para a longevidade da abelha diutinus: o que é curioso, porque as abelhas diutinus são na sua maioria estéreis, não produzem ovos e não precisam da proteína do ovo. Outra coisa que ficou clara foi que a presença de criação aberta numa colónia era suficiente para evitar que as abelhas operárias se tornassem veteranas longevas. ‘A criação está para as abelhas diutinus como a criptonite está para o Super-homem’, ri Amdam ao sumariar o tema. A princípio, Amdam pensou que o trabalho árduo de alimentar as larvas evitava que as abelhas operárias aumentassem seus níveis de vitelogenina e se transformassem em abelhas diutinus. Mas então ela leu um relatório de que o cheiro do fermento afeta a vida das moscas-da-fruta. O odor da criação – feromona da criação – pode afetar a longevidade das abelhas? A feromona poderia impedir que as operárias aumentassem seus níveis de vitelogenina e se tornassem abelhas diutinus de vida longa? Amdam decidiu investigar se a feromona da criação poderia ser a chave para a curta vida das abelhas operárias.

Trabalhando com Claus Kreibich e Margrethe Brynem, a aluna de Amdam – Bente Smedal – preparou 12 colmeias onde a equipe poderia controlar cuidadosamente os níveis de cria e feromona da criação para descobrir se os baixos níveis de vitelogenina das abelhas operárias e a curta esperança de vida eram devidos ao odor da feromona da criação. Fornecendo às abelhas operárias em cada colmeia uma rainha enjaulada (que não podia produzir cria) para que Smedal pudesse controlar os níveis de criação e feromona de cada colónia, ela assumiu o controle do suprimento de criação da colmeia, fornecendo às abelhas: cria; feromona sintética de criação; tanto criação como feromona sintética; ou nem cria nem feromona. Monitorando os níveis de vitelogenina das abelhas 3-4, 7-8 e 23-24 dias após o estabelecimento das colmeias, ficou claro que estar perto da criação reduzia os níveis de vitelogenina das abelhas operárias. Mas a exposição à feromona da criação isolada também reduziu os níveis de vitelogenina das abelhas na mesma quantidade. E quando Smedal observou os níveis de vitelogenina nas abelhas com 23-24 dias de idade, as abelhas que foram privadas de criação e da sua feromona tinham os níveis mais altos de vitelogenina, tal e qual as abelhas de outono que iniciam a invernagem na colónia. O trabalho duro de cuidar da criação não explica os baixos níveis de vitelogenina das operárias.

E quando Brynem verificou as colmeias 200 dias depois para descobrir quais as colónias que sobreviveram e quais as que morreram, as colónias que não tiveram cria ou feromona sobreviveram melhor, enquanto as colmeias que receberam cria e feromona tiveram as piores taxas de sobrevivência. Era o odor da criação – feromona da criação – que regulava os níveis de vitelogenina e a longevidade das abelhas.”

fonte: https://jeb.biologists.org/content/212/23/i.2?utm_source=TrendMD&utm_medium=cpc&utm_campaign=J_Exp_Biol_TrendMD_0

* diutinus é a palavra do latim para “longa duração”. As abelhas diutinus são, portanto, abelhas de longa duração. São as abelhas que, nas regiões temperadas, mantêm a colónia desde o outono-inverno até aos dias mais quentes do início da primavera.

alimentar abelhas com açúcar granulado seco: aspectos gerais e aspectos de pormenor

Em 2014, num apiário próximo de Coimbra, decidi experimentar colocar açúcar branco granulado seco, o vulgar açúcar de mesa, por cima das pranchetas de várias colmeias do modelo Langstroth e Lusitana. Foi uma experiência relativamente informada e induzida pelas leituras que referiam a sua utilização por vários apicultores norte-americanos. Em língua inglesa há diversas menções a este método com o nome Mountain Camp (ver aqui uma publicação de Rusty Burlew acerca: https://www.honeybeesuite.com/mountain-camp-feeding/). Os apicultores que aderiram a esta forma de alimentar as suas colónias no período invernal destacam estas vantagens: a rapidez de utilização, a barateza e a absorção da humidade gerada nas colónias nos dias frios de inverno. No caso por mim experimentado encontrei que uma porção significativa deste açúcar estava derramado no fundo da colmeia, sobre o estrado, e algum espalhado no exterior da colmeia, à frente da mesma. Na altura entendi, mal ou bem, que naquele apiário e naquelas colónias faltou humidade ambiente e humidade interna, esta originada pela respiração das abelhas, para humedecer os cristais de açúcar e facilitar a ingestão dos mesmos pelas abelhas. Neste caso as abelhas trataram os grãos de açúcar como habitualmente tratam outros objectos estranhos de que não gostam colocando-os no exterior da colmeia. Foi esta a conclusão que tirei tentando pensar na minha cabeça o que se terá passado na cabeça das abelhas — tenho cada vez mais a noção que este exercício antropomórfico para tentar compreender as abelhas pode ser extremamente enganador em diversas situações.

Em consequência dos resultados desta experiência, avaliados como negativos por mim, resolvi passar a comprar pasta de açúcar (fondant) para alimentar as minhas colónias no período outono-inverno. Aqui, podem ver o relato mais detalhado e circunstanciado desta prática, num dos anos em que andei próximo de me tornar um “big boy” : ).

Chegado aqui, vou fazer a pergunta de um milhão, que também estará na cabeça daqueles que agora me lêem e dão alguma importância ao que por aqui vou escrevendo: será que alimentar com açúcar de mesa devidamente humedecido (o factor que julgo que foi o limitante na minha experiência) comparado com a alimentação com o fondant é uma melhor opção? Em rigor não sei e tenho dúvidas que alguma vez o venha a saber. Surgem-me desde logo duas grandes dúvidas: 1) será que todo o fondant que se comercializa em Portugal tem o mesmo impacto benéfico na longevidade das abelhas? O IPB e a UTAD fizeram estudos controlados e concluíram que não. Seria importante conhecer a(s) marca(s) que não provocaram uma redução do tempo de vida das mesmas; só estas me interessam; 2) sendo muito consensual que o açúcar branco refinado é um excelente alimento para as abelhas, será que a sua administração em seco, ou mesmo humedecido, em cristais grandes, não terá efeitos não desejados num insecto que tem uma clara preferência por alimentos líquidos?

Em baixo deixo a tradução do sumário de um estudo publicado já este ano, que li pela primeira vez há poucos dias, e que avalia alguns efeitos da alimentação com cristais secos de açúcar. Um debate num dos grupos do FB acerca da alimentação com açúcar de mesa estimulou-me a fazer alguma pesquisa, porque não acho o tema estéril nem bizarro e, sobretudo, continuo curioso acerca do mesmo.

Uma nota à parte: uma vez mais ler ciência deixa-me maravilhado, pela oportunidade que me dá de aprender, entre outras coisas, o significado de palavras novas e identificar novas ramificações da ciência e, sobretudo, a convicção que a melhor ciência se está a fazer nas fronteiras de diversas ciências, com a partilha de intuições esclarecidas/informadas de vários ramos e origens. Saibamos nós, apicultores, replicar esta atitude.

O probóscide (língua) de uma abelha melífera.

Os hábitos alimentares dos insetos podem ser influenciados pela abundância de alimentos, nutrição, forças físicas e muitas outras variáveis, por isso este assunto é multidisciplinar e perenemente fascinante. Embora as abelhas se alimentem principalmente de néctar líquido, elas também se podem alimentar de açúcar seco; no entanto, o mecanismo de alimentação para se alimentar de substâncias secas por um inseto que se alimenta principalmente de fluidos permanece inexplorado. Observamos que, quando as abelhas podem aceder tanto ao açúcar seco quanto ao néctar líquido, elas preferem alimentar-se deste último. Para elucidar a preferência alimentar, realizamos um estudo comparativo entre a alimentação com açúcar seco e a extração de néctar líquido, a partir da cinemática e configuração dinâmica da língua*, força de atrito, durabilidade glossal** e eficiência alimentar. Usando uma câmera de alta velocidade, descobrimos que a língua com pêlos da abelha melífera faz movimentos de vaivém para criar sulcos nos pedaços de açúcar seco, e simultaneamente com a saliva vai dissolvendo o açúcar. Verificamos que a frequência de lapidação da língua no açúcar seco se reduz de 4,5 Hz para 1,6 Hz*** quando comparada à alimentação com dieta líquida; isto é uma diminuição de 64% na velocidade média da língua. Por meio de testes tribológicos****, revelamos que as forças de atrito ao alimentar-se de açúcar seco é aproximadamente 5 vezes maior do que a da imersão no néctar, e os pêlos glossais se desgastam 4 vezes mais rápido quando se alimentam de açúcar seco em comparação com a solução de sacarose. Construímos um modelo matemático para preencher a lacuna entre a taxa de ingestão de energia e a dinâmica da língua desses dois modos de alimentação. A taxa teórica de ingestão de energia líquida na alimentação com açúcar seco é 50% menor do que na alimentação com soluções de sacarose. As descobertas experimentais e teóricas revelaram que, embora as abelhas se possam alimentar de substâncias secas, a seleção natural moldou as estruturas da língua principalmente para uma dieta líquida. Este estudo combinou testes comportamentais e mecânicos com modelagem matemática, o que destaca as vantagens do uso de abordagens multidisciplinares para descobrir a fisiologia alimentar de insetos.

fonte: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32446764/

A glossa do aparelho bucal de uma abelha melífera.

*A Cinemática (do grego κινημα, movimento) é o ramo da física que se ocupa da descrição dos movimentos de pontos, corpos ou sistemas de corpos (grupos de objetos), sem se preocupar com a análise de suas causas.

** Glossa pode referir-se a várias coisas: ▪ glossa, uma palavra grega que significa “língua” ou “linguagem”.

*** O hertz (símbolo Hz) é a unidade de medida derivada do SI para frequência, a qual expressa, em termos de ciclos por segundo, a frequência de um evento periódico, oscilações (vibrações) ou rotações por segundo (s−1 ou 1/s). 

**** Tribologia (do grego τρίβω ‘tribo’ significando ‘esfregar, atritar, friccionar’, e λόγος ‘logos’ significando ‘estudo’) foi definida em 1966 como “a ciência e tecnologia da interação de superfícies em movimento relativo e assuntos e práticas relacionados” (“the science and technology of interacting surfaces in relative motion and of related subjects and practices”).

o processamento do néctar pelas flores e abelhas: aspectos básicos

O néctar é secretado por glândulas na base das flores, conhecidas como nectários. Estes são classificados como florais ou extra-florais, de a acordo com a sua localização. De forma simples o néctar é a resposta evolutiva que as plantas angiospermas encontraram para atrair e recompensar os animais que promovem a sua fecundação, geração de sementes e frutos.

Esquema básico do orgãos reprodutivos de uma planta angiosperma, do qual os nectários fazem parte.

Como sabemos as abelhas coletam o néctar das flores no campo. Nesta fase, o néctar apresenta alto teor de sacarose com um pouco de frutose (levulose) e glicose (dextrose) e alto teor de humidade. Também há vestígios de outras substâncias como minerais, vitaminas, pigmentos, substâncias aromáticas, ácidos orgânicos e compostos de nitrogénio. As abelhas convertem esse néctar em mel através de uma série de etapas. Quando o néctar é coletado, é armazenado na vesícula nectarífera ou papo da abelha que retorna à colmeia.

Os órgãos do sistema digestivo são: papo ou vesícula nectarífera – o órgão responsável pelo transporte de água e néctar, utilizado na formação do mel. O papo possui grande capacidade de expansão e ocupa quase toda a cavidade abdominal quando está cheio. O seu conteúdo pode ser regurgitado pela contração da musculatura, movimento que propicia a desidratação do néctar, além de o conduzir para as glândulas hipofaríngeanas, onde receberá novas secreções para se transformar em geleia real. Do papo para o ventrículo ou estômago verdadeiro, só passa o necessário para a nutrição da abelha. No ventrículo acontece a digestão e processa-se a nutrição, devido a uma alta ação enzimática. A ação destas enzimas sobre o alimento prepara-o para ser absorvido no intestino delgado. As excrecções vindas do estômago juntam-se com as excreções nitrogenadas provenientes dos tubos de Malpighi e são eliminadas pelo reto.

Uma enzima chamada invertase é adicionada ao néctar enquanto está na vesícula nectarífera da abelha. A invertase converte o néctar, principalmente uma solução de sacarose, numa solução onde predominam a glicose e a frutose. 

O néctar amadurecido é depois armazenado nas alvéolos de cera de abelha, onde o teor de humidade é reduzido para 13–18% pela manipulação e ventilação das abelhas. Quando o mel está maduro, as abelhas operculam os alvéolos com cera de abelha.

Quadro com mel operculado.

Deixo duas notas finais acerca de dois erros frequentemente cometidos por quem escreve sobre as abelhas, apicultores e não-apicultores:

  • o néctar não é regurgitado pelas abelhas a partir do seu estômago, mas sim da vesícula nectarífera, um tipo de orgão dedicado, que não existe por ex. no nosso corpo e talvez por essa razão cause equívocos quando se fazem analogias apressadas sobe o local onde esteve armazenado o néctar regurgitado pelas abelhas;
  • o açucar que damos às abelhas, sob a forma de açúcar seco, em pasta ou diluído não carece ser previamente invertido para a sua digestibilidade e assimilação pelas abelhas. Assim como o néctar, que frequentemente tem uma predominância de sacarose, também o açúcar branco refinado (99% de sacarose ou mais) é quebrado por acção da invertase produzida pelas abelhas.

fontes: https://www.dpi.nsw.gov.au/__data/assets/pdf_file/0018/532260/Feeding-sugar-to-honey-bees.pdf

https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/veterinaria/morfologia-da-apis-melifera/22902

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nectário

um inverno quente é bom para as abelhas? alguns dados

Em dezembro de 2016 publiquei a minha linha de pensamento e actuação, suportada em dados não publicados na altura, para enfrentar aqueles invernos quentes no território onde tenho os apiários (ver aqui). Escrevi na altura “As abelhas, em geral, invernam melhor quando a temperatura exterior mantém o cacho invernal tranquilo e a consumir muito pouco mel.” Nesta publicação, suportada na leitura de ScientificBeekeeping.com, chegou a altura de publicar alguns dados, números e suas inter-relações que dão suporte a este pensamento.

Cacho invernal numa colmeia com ninho e sobreninho (foto do ScientificBeekeeping.com).

Dados apresentados por Southwick (1982) indicam que as colónias de abelhas melíferas são surpreendentemente eficientes, no que respeita à necessidade de produzirem energia, com temperaturas ambiente entre os 0º e 10˚C — com um valor óptimo nos 4ºC. Fora desta faixa de temperaturas as abelhas aumentam a produção de energia e consequentemente o consumo de reservas aumenta também . O gráfico em baixo relaciona as temperaturas ambiente (eixo das abcissas) com a taxa de energia metabólica produzida, em Watts, por quilograma de abelhas (eixo das ordenadas) — um quilograma de abelhas contém aproximadamente 10 mil abelhas e este número de abelhas cobre cerca de 5 quadros do ninho no modelo Langstroth. Por exemplo, a taxa metabólica mais baixa (entre 5 e 10) é alcançada em torno dos 5ºC de temperatura ambiente.

Em baixo é apresentado o consumo estimado de mel para um aglomerado de abelhas com 2,25 de peso (cobrem cerca de 10 quadros sem aglomeração de abelhas) ao longo de um período de 152 dias, de 1 de novembro a 1 de abril, na taxa metabólica indicada no gráfico acima (cálculos de Randy Oliver). O consumo de mel também aumenta muito à medida que a colónia começa a ter um bom número de larvas presente.

  • Para uma taxa metabólica de 10 o consumo invernal é de cerca de 16 kgs de mel durante o inverno;
  • Para uma taxa metabólica de 15 o consumo invernal é de cerca de 24 kgs de mel durante o inverno;
  • Para uma taxa metabólica de 20 o consumo invernal é de cerca de 32 kgs de mel durante o inverno.

Aplicação prática: de acordo com Randy Oliver, um inverno mais quente, menos amigável, ocorre por volta dos 13-16˚C, quando não está suficientemente quente para forragear, não está suficientemente frio para formar um cacho invernal compacto, mas está quente o suficiente para desenvolver muita criação precocemente. Muita energia é desperdiçada à medida que a colónia quebra o cacho formado durante a noite, a cada dia, preparando-se para uma possível e frequentemente infrutífera coleta de alimentos.

fonte: http://scientificbeekeeping.com/understanding-colony-buildup-and-decline-part-13a/

o que observo nas minhas abelhas, nos meus apiários, nos respectivos territórios…

Esta publicação vem a propósito das “verdades” apícolas que todos, sem excepção, transportamos dentro de nós, aplicamos no nosso maneio e, algumas vezes, desejamos convencer outros apicultores a aplicá-las, defendendo convicta e teimosamente que são o único e melhor caminho para uma prática apícola bem sustentada. Entre outros aspectos, esta atitude imperativa e impositiva, assumida por alguns apicultores, ainda que cheios de boa vontade na divulgação da sua “verdade universal” que lhes parece tão óbvia, esquece dois aspectos fundamentais:

  1. toda a apicultura é local. Para mim, isto quer dizer que apesar dos diferentes enxames de abelhas apresentarem uma vasta gama de comportamentos e necessidades bastante universal e semelhante, os momentos, épocas do ano, em que os apresentam pode diferir de local para local semanas ou até meses. Na minha opinião, um exemplo bastante elucidativo deste caso é o ciclo anual de desenvolvimento e declínio da população de uma colónia de abelhas, um aspecto básico para um maneio pertinente das colónias.
  1. sem um grupo de controlo que permita testar devidamente hipóteses explícitas e/ou implícitas — acerca das vantagens deste ou daquele tipo de maneio, desta ou daquela peça de equipamento, desta ou daquela opção para alimentar e nutrir as colónias, desta ou daquela… — as conclusões retiradas destas experiências “ingénuas” em rigor pouca ou nenhuma validade têm.

A este propósito chamo, uma vez mais, a atenção para as lacunas formativas no nosso país, ultrapassáveis com centros apícolas devidamente sustentados e orientados, onde as conclusões retiradas de experiências devidamente controladas com a nossa abelha autóctone e em territórios representativos da diversidade edafo-climática do todo continental e insular, serviriam de referência para as opções que os apicultores tomariam.

Será esta lacuna e ambição para a superar exclusiva do nosso tempo e do nosso país? O texto em baixo, com mais de um século, de um apicultor de nome Flint, do Michigan (EUA), recentemente trazido à luz por P.B. no fórum Bee-L, e respectivo comentário de Randy Oliver, ScientificBeekeeping.com, mostram que nem a lacuna é recente nem local, e a ambição de a superar não é exclusiva deste humilde escriba — que vai referindo com frequência que o que observa é nas suas abelhas, nos seus apiários, nos respectivos territórios — e que teme todos os dias que as suas opções de maneio sejam vistas como receitas universais e devidamente testadas. Que fique claro, uma vez mais, que não são nem uma coisa nem a outra. Quem deseje e procure “o receituário” este não é o local indicado para o encontrar.

Nem todo apicultor é “talhado” para ser um experimentador. É necessário uma pessoa com espírito judicioso, que esteja perfeitamente disposta, por assim dizer, a que uma experiência prove a verdade. Muitos de nós temos a tendência de primeiro tomar uma decisão e depois trabalhar e tentar provar aquilo em que já acreditamos. Esta atitude não vai responder ao necessário.

Um experimentador deve estar totalmente desinteressado nos resultados, isto é, estar disposto a que uma experiência teste ambos os lados da questão. Custa dinheiro, tempo e abelhas para experimentar. O apicultor médio não pode dar-se ao luxo de dispensar muitos destes recursos sem uma suposição razoável de que haverá um retorno em dinheiro. Se ele deseja experimentar, será confrontado com a pergunta, será que vale a pena? A menos que haja boas perspectivas de retorno em dinheiro, a motivação para experimentar será abandonada. Estes não são os únicos motivos pelos quais seria aconselhável ter apicultores competentes contratados pelo governo para se encarregarem dos apiários experimentais. A REVISÃO DOS APICULTORES. FLINT, MICHIGAN, 10 DE JULHO DE 1893.

fonte: Bee-L, P.B., 5 dezembro, 2020

Comentário/reposta de Randy Oliver:

Pouco mudou desde 1893:) É tão frustrante ouvir apicultor após apicultor dizer-me “testei esta e aquela coisa”, mas que não se preocupou em fazer um grupo de controle. Você não pode aprender sem um grupo de controle.” 

fonte: Bee-L, Randy Oliver, 5 dezembro, 2020, ScientificBeekeeping.com

o que conta mais para sobreviver ao frio

Vista panorâmica do território
das minhas colónias nos
últimos dias.

Nestes dias frios que as minhas colónias estão a passar no distrito da Guarda estou confiante que a mortalidade será uma vez mais inferior a 5%. Esta confiança advém, basicamente, de dois aspectos: na generalidade têm reservas suficientes para este período (10-12 kgs de mel no ninho) e um número de abelhas (mínimo de 4 quadros de abelhas) que lhes permite uma eficiente termorregulação do cacho invernal. Na preparação da invernagem a última intervenção de fundo que tenho por hábito fazer é transferir os enxames mais pequenos para caixas núcleo, de modo a aumentar a sua densidade, e alimentá-los com quadros com mel ou com pasta açucarada (fondant).

Enxame que sofreu o impacto do PMS e foi transferido em meados de setembro para uma caixa núcleo. Na última inspecção, a 20 de novembro, retirei um quadro com poucas reservas e substitui-o por um com boas reservas de mel claro sem melezitose (à direita).

Para sobreviver ao inverno as abelhas comportam-se como os pinguins imperadores na Antártida. Os pinguins não tentam aquecer todo o continente congelado, eles aquecem-se formando um aglomerado compacto, com os indivíduos externos formando uma camada isolante para os pinguins no interior. As abelhas agem de forma semelhante.

As abelhas aglomeram-se, formando um manto exterior (mantle) que minimiza a perda de calor gerado no núcleo do aglomerado de abelhas (core). Se a colónia tiver criação a temperatura no interior do núcleo de abelhas (cacho) estabiliza entre os 32-35ºC. Se a colónia não tiver criação para aquecer (broodless) as abelhas estabilizam a temperatura em redor dos 18ºC. Por este facto as colónias sem criação consomem poucas reserva neste período quando comparadas com colónias com criação nos dias mais frios. As rainhas apis iberiensis respondem bem neste período, parando a postura, ao contrário por exemplo da apis ligustica (abelha italiana) e/ou algumas linhas híbridas mal-adaptadas, que não param a postura nesta época do ano.

Na imagem térmica de um aglomerado de abelhas numa colmeia horizontal do tipo “top-bar”, é observável como muito pouco calor escapa do aglomerado, deixando a temperatura no espaço restante da colmeia aproximadamente igual à temperatura externa. Muitos estudos mostraram que o aglomerado é eficiente em reter o calor, e muito pouco escapa para a cavidade da colmeia.

Por estas razões não me preocupo em adicionar protecções térmicas, deste ou aquele tipo, às colmeias que albergam os meus enxames, num dos territórios do nosso país mais fustigado pelo frio. Como dizia, há 80 anos atrás, o grande apicultor e investigador Clayton Farrar “Se uma colónia sobrevive ao inverno em boas condições tal é mais determinado pelo grau do seu desenvolvimento nos meses antecedentes do que pelo tipo ou quantidade de proteção da colmeia. ”. Mesmo que vários apicultores adorem discutir a proteção das colmeias no inverno, e sintam que estão a fazer a diferença ao proteger a colmeia com esta ou aquela placa de poliestireno, a minha atenção centra-se na produção de enxames novos numa época do ano que lhes dá o tempo suficiente para se desenvolverem antes do inverno chegar, e centra-se também no tratamento eficaz e a tempo e horas do varroa. Como outros, defendo que a sobrevivência das colónias ao inverno depende muito pouco do que fizermos/adicionarmos à própria estrutura, e muito dependerá da saúde e dimensão da colónia, constituída por abelhas preciosas de inverno maravilhosamente adaptadas ao frio.

a meio do outono: os sinais observados

No passado dia 20 de novembro aproveitei as boas temperaturas (a rondarem os 18ºC) para fazer uma rápida inspecção em algumas das colónias situadas em dois apiários a 600m de altitude.

Com surpresa fiquei com a sensação que tinham armazenado recentemente algum néctar. Contudo, não tenho a certeza absoluta que o líquido que escorreu de alguns quadros adjacentes aos quadros com criação não seja, afinal, mel diluído pelas abelhas, transferido dos quadros mais laterais para os mais centrais.

Néctar recente, que espelha uma anormalidade edafo-climática no território, ou antes o resultado de um comportamento de transferência de mel liquefeito entre quadros do ninho?

As colónias armazém, fortes, mantêm bons níveis de criação para a época. Assim continuará enquanto as abelhas forem trazendo algum pólen, como é o caso. Não sei aonde o vão buscar; em redor não me apercebo das fontes deste pólen tardio.

Continuo a trabalhar em modo robin dos bosques!

As mais ricas dão…
… às mais pobres!

E surgem algumas dúvidas acerca do que raio se está a passar! Neste núcleo encontrei “criação calva” (habitualmente é um sinal de infestação pelo varroa), que depois de retirada dos respectivos alvéolos e inspeccionada não apresentava varroas.

Se não fiquei convencido que se tratava de uma resposta higiénica das abelhas em resposta à infestação pelo ácaro varroa o que se poderá estar então a passar? Até ao momento a minha melhor explicação alternativa é: a criação desoperculada está morta por falta de aquecimento da mesma. Este acontecimento surge num núcleo não muito densamente povoado, com uma área de criação operculada eventualmente demasiado extensa para a densidade de abelhas adultas existente, num território em que as temperatura mínimas estão frequentemente abaixo dos 5ºC, situação em que a criação nas extremidades dos quadros pode ficar descoberta do manto de abelhas quando o cacho invernal se comprime para fazer a termorregulação.

O que vou fazer? Comecei por sinalizar este núcleo para o manter debaixo de olho, alimentei e provavelmente irei eliminar esta rainha à entrada de abril. Mais que a idade ou padrão de postura como critério de eliminação de rainhas, interessa-me eliminar aquelas rainhas que não estão em sintonia com o território e com a população de abelhas disponíveis na colónia de que fazem parte. Como alguns de nós, algumas rainhas e obreiras suas filhas têm mais olhos que barriga!

o comportamento defensivo das abelhas: a genética e avaliação do traço

Obreiras-guarda à entrada de uma colmeia.

O comportamento defensivo nas abelhas melíferas é um traço complexo e poligénico. Foram identificados 128 genes candidatos a influenciar o comportamento defensivo*. Não se considera nestas situações dominância nem recessividade de uns genes relativamente a outros. Para além dos factores de origem genética, as diferenças neste traço comportamental estão associadas a fatores ambientais e maturacionais que requerem a devida análise e ponderação**.

Por esta razão os cruzamentos de colónias individuais, assim como os cruzamentos entre linhagens e sub-espécies (raças) diferentes não dão resultados estáveis, pelo contrário, os resultados são muito variáveis ***.

Avaliação do comportamento defensivo de colónias, linhas, ou populações de abelhas deve, na minha opinião, basear-se em escalas que descrevam de forma clara e sucinta vários comportamentos de defesa das abelhas, que permitam a observadores diferentes fazerem avaliações mais distintivas, mais objectivas e comparáveis. Pouco ou nada servem a este propósito escalas do tipo “Muito defensivas”, “Medianamente defensivas” e “Pouco defensivas”. Facilmente a subjectividade do observador contamina a avaliação feita com uma escala tão vaga como esta. Apresento em baixo um exemplo de uma escala de cinco níveis **** para determinar a defensividade de colónias (com utilização de fumo) e que respeita os requisitos desejáveis enunciados em cima:

  • o valor 1 representa o nível mais defensivo e é considerado intolerável por apicultores experientes. As abelhas reagem mesmo quando o apicultor está vendo colmeias vizinhas e seu controle é muito difícil mesmo com bastante fumo. Isso faz com que sua agressividade e se espalhe para o meio, pelo que ataca as pessoas e animais que estão presentes nas proximidades.
  • no valor dois, o mecanismo de reação das abelhas é imediato e geram um forte zumbido, com o qual se inicia o ataque procurando picar. Elas procuram principalmente partes expostas do corpo do apicultor ou áreas escuras da roupa. Neste estado as abelhas podem ser controladas com o uso de muito fumo.
  • no valor três, as abelhas reagem com um zumbido forte e constante. Algumas abelhas voam agressivamente e colidem com o véu e a roupa de proteção do apicultor. Nesse estado, as abelhas são consideradas controláveis, mas requerem muito fumo.
  • no nível quatro, as abelhas reagem com um forte zumbido e, após alguns segundos, algumas abelhas limitam-se a voar para fora da colmeia. Em geral, podem ser bem manuseados e com pouco fumo.
  • o nível cinco é considerado o mais dócil. Ao abrir uma colmeia, as abelhas permanecem muito calmas, respondendo apenas com um zumbido suave e seu maneio é muito bom.
  • *https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0022191007000236
  • ** https://www.pnas.org/content/106/36/15400
  • *** https://www.ars.usda.gov/ARSUserFiles/60500500/PDFFiles/301-400/376-Collins–Genetics%20of%20Defensive.pdf
  • **** http://www.scielo.org.mx/scielo.php?pid=S2007-09342016000801867&script=sci_arttext&tlng=en

Nota: no meu caso particular como não costumo utilizar fumigador teria de fazer algumas adaptações a esta escala. Mais, de acordo com esta escala a generalidade das minhas colónias seriam avaliadas no nível 4 quando o maneio é feito por volta das 10h00 da manhã num dia ensolarado, com uma temperatura ente os 20-25ºC e com pouco vento. As mesmas colónias regridem para o nível 3, ou mesmo dois, da escala se o maneio é feito nesse mesmo dia a partir das 18h00 quando o sol já anda baixo no horizonte.