como fazer uma armadilha mais selectiva para apanhar vespas velutinas fundadoras

Sabendo que a grande maioria das armadilhas utilizadas para captura de vespas velutinas fundadoras não são suficientemente selectivas, há que fazer melhor. Nesta publicação, de março de 2019, apresentei uma armadilha muito selectiva. O JABEPRODE é um dispositivo que poderia facilmente ser produzido industrialmente, numa qualquer empresa de moldes, assim as entidades oficiais camarárias e outras patrocinassem o seu fabrico, promovessem o que de melhor se vai fazendo nesta área, e as entregassem gratuitamente aos apicultores. Estou certo que muitos de nós iriam aderir ao projecto. Uma vez mais os apicultores desejam ser referência na protecção da entomofauna e biodiversidade e contribuir para a diminuição da tremenda mortandade que as V. velutinas e as armadilhas não selectivas, colocadas um pouco por todo o lado e ao longo de todo o ano, causam em insectos polinizadores não-alvo. Enquanto tal não acontece, surgem propostas de há uns anos a esta parte com modelos para a construção de armadilhas mais selectivas.

Com esta visão em mente apresento nesta publicação um modelo de armadilha mais selectiva, que poderá ser feita por cada um de nós com os instrumentos e equipamentos habituais.

O esquema em baixo dá-nos uma visão geral da armadilha que podemos fazer para apanhar mais selectivamente as velutinas fundadoras.

Material necessário:

  • 2 garrafas de plástico;
  • 2 paus de gelado;
  • 1 pedaço de esponja redondo;
  • Faca ou broca, régua;
  • Cerveja, mel, xarope fermentado, … .

Passos para construção:
1 – Corte o topo das 2 garrafas de forma a criar dois funis.
2 – Molhe a esponja com o isco (cerveja, mel e xarope fermentado, misturados) e insira-a numa das garrafas.
3 – Retire a tampa de um dos funis e coloque-a na garrafa.
4 – Fure os orifícios de entrada (no topo A Ø 9mm) e na saída para os insetos menores (fundo B Ø 5,5mm) e coloque os dois paus de gelado (atuam como ‘pista’ de pouso ou descolagem).
5 – Fure o segundo funil (C Ø 10mm) e coloque-o na garrafa, ele servirá de tampa. Certifique-se de que o orifício (C) está alinhado com o orifício de entrada (A). Girando a tampa, você pode abrir ou fechar a entrada (A).
6 – A armadilha está pronta!

Para eliminar as rainhas fundadoras aprisionadas, coloque a armadilha fechada durante cerca de 1 hora num congelador para que elas entrem no estado dormente. Abra depois a armadilha e mate as rainhas com uma tesoura, cortando-as ou esmagando-as.

Dicas e conselhos de uso:

  • Instale a armadilha assim que as temperaturas atingirem + de 13 ° Celsius
  • Coloque a armadilha perto de um monte de lenha, um ponto de água e/ou áreas de floração (flores com alto teor de néctar onde as abelhas recolhem néctar e pólen como, por exemplo, as camélias de inverno ricas em néctar).
  • Verifique regularmente as armadilhas para as recarregar.
  • Remova todas as armadilhas até 1 de maio. Mais ou menos depois desta data as rainhas ficam no ninho a partir do nascimento da primeira nova geração de vespas obreiras e nunca mais saem dele. Limpe a armadilha e a esponja e guarde até fevereiro próximo.

Notas sobre os aspectos selectivos destas armadilhas:

  • permite atrair e capturar as velutinas fundadoras, mas impede a entrada de outros grandes insetos e permite que insetos menores saiam delas;
    a armadilha está equipada com um dispositivo de limitação de tamanho na sua entrada (A Ø9mm) para que abelhões, vespões nativos e borboletas não possam entrar na armadilha.
  • existe um dispositivo de limitação de tamanho na saída (B Ø5,5mm) para impedir que as rainhas velutina saiam, e deixam os insetos menores saírem;
  • um pedaço de esponja circular colocado no fundo da garrafa, embebido até à saturação com um isco habitual (cerveja+ mel ou cidra + xarope fermentado ou líquido de cera derretida) permite maior evaporação e maior alcance dos aromas atractivos assim que o primeiros raios de sol aparecem. Essa esponja também evita que insetos menores se afoguem, caso tenham entrado na armadilha;
  • manter as rainhas vivas no interior contribui para atrair mais vespas por via das feromonas que libertam enquanto aprisionadas;
  • uma tampa giratória com abertura (C Ø10mm) permitirá fechar a entrada superior, prendendo as rainhas enquanto se aguarda para a eliminar.

Enquanto apicultores devemos fazer tudo o que nos for possível para evitar que outros insectos não-alvo sejam eliminados em quantidades massivas pela utilização de armadilhas não selectivas. Eliminemos apenas as velutinas fundadoras e a Mãe Natureza agradecerá por isso!

fonte: https://www.planfor.co.uk/garden-advice,selective-trap-for-asian-hornet.html

porque se foram embora as abelhas da colmeia

Aproxima-se a época do ano em que surge, nos grupos de apicultores na net, insistentemente este tipo de pergunta: “porque se foram embora as abelhas da colmeia?… na última visita tinha muitas abelhas!!!”.

Há três coisas básicas que é necessário saber para iniciar a análise deste tipo de observação: 1) o comportamento colectivo de abandono das abelhas do seu ninho é conhecido por deserção (absconding é o termo utilizado em língua inglesa); 2) as abelhas melíferas europeias, que evoluíram ao longo de milhares de anos em climas temperados, raramente apresentam este comportamento; 3) este comportamento é mais frequente nas sub-espécies que evoluíram em climas tropicais.

Em resumo, na Europa assim como noutras zonas do globo, caracterizadas por climas temperados, as abelhas não desertam ou fazem-no muito raramente. Como explicar então o “súbito” desaparecimento das abelhas da colmeia, tão frequentemente relatado em fóruns de apicultores? Por um erro de avaliação dos factos e por uma perspectiva inadequada.

As abelhas foram embora!?

Quando se deparam com uma colmeia sem abelhas os apicultores menos experientes atribuem a causa a um comportamento de deserção/fuga, um evento em que toda a colónia faz as malas e sai em busca de pastagens mais verdes. Na verdade na maioria dos casos, senão até em todos, o “desaparecimento súbito” das abelhas deve-se ao colapso e à morte da colónia. Este infeliz fenómeno tem, geralmente, na sua origem doenças virais associadas aos ácaros Varroa. Este colapso catastrófico pode acontecer rapidamente e mais notavelmente nas colónias mais fortes — aquelas com mais ácaros se o tratamento foi negligenciado, tardio ou ineficaz. Nestes casos não encontraremos pilhas de abelhas mortas deixadas para trás, como no caso de morte por fome. Encontramos apenas uma colmeia vazia. É no final de julho, em agosto e setembro quando surgem mais relatos destas pretensas fugas de enxames das colmeias.

Alguns números podem elucidar o fenómeno do “desaparecimento súbito” de abelhas. Nesta altura do ano, entre julho e setembro, morrem de velhice cerca de 1000-2000 abelhas/dia. Em dez dias, morrem entre 10 000 e 20 000 abelhas por colónia. Se as novas gerações de abelhas não chegam a emergir dos alvéolos ou estão seriamente comprometidas e sobrevivem poucos dias, não é surpreendente que um apicultor encontre uma colónia vazia duas a três semanas depois da última visita. Quando a natural renovação de gerações não se dá, uma colmeia a bordejar de abelhas na visita realizada 3 semanas antes surge-nos agora “subitamente” vazia.

nem tudo que brilha é ouro: os outros insetos que caem nas armadilhas “específicas” da vespa velutina

Neste artigo, All That Glitters Is Not Gold: The Other Insects That Fall into the Asian Yellow-Legged Hornet Vespa velutina ‘Specific’ Traps, os autores espanhóis confirmam o que tenho lido de há uns anos a esta parte noutros artigos publicados por investigadores franceses: as armadilhas para captura de vespas velutinas não são específicas o suficiente e capturam uma grande quantidade de outros polinizadores importantes nos serviços do ecossistema.

Surpreendentemente, para mim pelo menos, foram encontrados 5 ácaros do género Varroa em cinco dos 286 espécimes Vespa velutina examinados (um ácaro por espécime de V. velutina). A taxa de prevalência do parasita Varroa em V. velutina foi de 0,017 (1,75%). Em todos os casos, os ácaros foram encontrados agarrados à parte ventral lateral do abdómen de cada V. velutina.

Em baixo fica o gráfico que os autores construíram sobre a percentagem de mortalidade causada em insectos benéficos (a azul) e insectos prejudiciais (a vermelho) aos serviços do ecossistema que nos são indispensáveis, em resultado das armadilhas utilizadas para apanhar vespas velutinas, na amostra estudada.

Nota: naturalmente sei que os meus leitores terão a inteligência e o bom senso de não crucificarem o mensageiro em razão das notícias não serem confortáveis. Decidi publicar por duas razões: 1) pela primeira vez vejo uma equipa de investigadores não-franceses a confirmarem o que há anos vem sendo dito por equipas francesas; 2) o facto de se ter encontrado varroas alojadas no corpo de umas poucas V. velutinas. Numa publicação que se seguirá trarei melhores notícias.

sobre as falhas de honestidade das abelhas rainhas

Desde muito cedo, logo no meu primeiro ano como apicultor profissional, me dei conta que tendo a colónia uma rainha que não faz postura de ovos de obreira nem sempre as abelhas a substituem. Este aspecto dificulta ou impede mesmo a criação de nova rainha e/ou a aceitação de nova rainha introduzida por meio de uma gaiola. Parece, nestes casos, que as abelhas rainhas emitem sinais “desonestos” às obreiras que com ela co-habitam nos enxames, conduzindo os enxames para uma situação de irremediável morte, caso nada seja feito pelo apicultor. Não vejo como este fenómeno se enquadra no leque de comportamentos altruístas que todos nós, apicultores, investigadores e amigos das abelhas atribuímos aos enxames de abelhas.

Imagem de uma rainha nada altruísta, com corpo de fecundada, que sobrevive fazendo postura apenas de zângãos. Foto tirada de uma colónia minha em maio deste ano.

Sobre este fenómeno existe alguma investigação, nomeadamente a que aqui foi publicada: The role of the queen mandibular gland pheromone in honeybees (Apis mellifera): honest signal or suppressive agent? Os investigadores concluíram que as feromonas reais libertadas pela glândula mandibular das rainhas não-fecundadas e/ou com postura só de zângão, não atua como um sinal “honesto” para as operárias, não dão uma indicação confiável do valor reprodutivo da rainha. Contudo, são um agente supressor, inibindo a postura das operárias independente da capacidade reprodutiva da rainha. Dito por outras palavras, uma rainha que que por alguma razão não é fecundada e/ou apresenta apenas postura de machos, continua a funcionar como agente inibidor da postura de obreiras, apresenta postura de ovos não fecundados que darão origem a zângãos, e emite todos os componentes semioquímicos presentes nas feromonas mandibulares de uma rainha fecundada, iludindo as obreiras que nada fazem para a substituir.

Este ano, uma vez mais, deparei-me com alguns destes casos. Resolvi-os eliminando prontamente estas rainhas “desonestas” e com posterior introdução de mestreiros.

Rainha infecunda prontamente eliminada (foto de maio de 2021).

o comportamento das abelhas de meia-idade no interior da colmeia

Foto do ninho de uma colónia minha no dia 28 de Junho de 2021.

Um dos mitos que apicultores e não apicultores partilham sobre os enxames de abelhas está associado à ideia de que são sociedades extremamente organizadas, onde nada acontece ao acaso. Esta e outras ideias românticas sobre as sociedades destes e outros himenópteros, leva muitos a defender que as sociedades humanas deviam aprender e até mimetizar o seu comportamento social e organizacional. Pergunto aos mais românticos se estarão de acordo que se transfiram para as nossas sociedades humanas o canibalismo de que as larvas de abelhas são alvo com alguma frequência, ou a expulsão dos machos das colónias, condenando-os à morte por fome e frio, em certas épocas do ano? Seguramente que não. Deixemos portanto a natureza e comportamentos sociais de cada espécie agir dentro de cada espécie, sem procurar mimetismos despropositados, cegos e disfuncionais. À abelha o que é da abelha, ao Homem o que é do Homem!

Sobre a organização do trabalho das abelhas de meia-idade no interior das colmeias, o trabalho realizado por Brian Johnson lança alguma luz sobre este fenómeno. Ele passou horas incontáveis ​​ a observar as abelhas e a registar as atividades onde passavam mais tempo. Surpreendentemente, verificou que uma das principais ocupações das abelhas de meia-idade era parar de trabalhar e passear aleatoriamente no interior da colmeia. Brian viu que as abelhas empenhadas numa determinada atividade, geralmente, desistiam dela após uma hora e se dispersavam pela colmeia. A este comportamento de deambulação B. Johnson chamou de “comportamento de patrulha”. Terminadas as patrulhas, verificou que as abelhas iniciavam outras tarefas ao invés de retornar à tarefa que estavam a realizar. Verificou ainda que as abelhas recomeçavam a trabalhar novamente onde quer que estivessem, em vez de trabalharem onde a necessidade parecia maior. Por exemplo, se uma abelha estava a construir favo numa meia-alça com cera laminada e se após o seu comportamento de patrulha terminava a sua deambulação numa zona de armazenamento de néctar ou pólen no meio do ninho, retomava as sua tarefas, efectuando o processamento do néctar ou pólen. Citando B. Johnson “o patrulhamento pode contribuir para a troca de tarefas, movendo as abelhas para locais do ninho onde diferentes tarefas estão sendo realizadas. Resumindo, a alocação de tarefas das abelhas de meia-idade é caracterizada por um fluxo contínuo no espaço e no tempo.” Será caso para dizer que é uma desorganização organizada?!

Artigo de Brian Johnson: A Self-Organizing Model for Task Allocation via Frequent Task Quitting and Random Walks in the Honeybee

Nota: abelhas de meia-idade, segundo Brian Johnson, são aquelas que já são velhas demais para se dedicar à nutrição das larvas e novas demais para sair para a colecta no campo. São as abelhas entre os 10-20 dias de adultez e que processam a comida da colónia e constroem e reparam os favos.

determinação do resíduo de amitraz e de seus metabólitos no mel e cera de abelha após o tratamento com Apivar® em colónias de abelhas (Apis mellifera)

Dr. Jeffery S. Pettis, investigador no Bee Research Laboratory, USDA-ARS, Beltsville, MD, USA.

Em baixo deixo a tradução do sumário de um artigo, que resulta da investigação coordenada por Jeffery S. Pettis aquando do processo de homologação do Apivar pelas entidades norte-americanas.

Sumário: Um acaricida sintético, o amitraz é amplamente utilizado para controlar o Varroa destructor. Embora tenha o potencial de matar ácaros em colónias de abelhas, o resíduo de amitraz e seus metabólitos em produtos como o mel é uma preocupação. Aqui, determinámos os níveis de resíduos de amitraz e seus metabólitos no mel e cera de abelha quando as colónias foram tratadas com diferentes doses de Apivar® (1X = 2 tiras, 5X = 10 tiras e 10X = 20 tiras); a dose 1X corresponde ao tratamento de colmeia numa aplicação normal. Os resultados demonstraram que nenhum resíduo de amitraz foi detectado no mel e cera após 42 dias da aplicação em todas as colónias tratadas. Os metabólitos do amitraz, 2,4-dimetilfenilformamida (DMPF) e 2,4-dimetianilina (DMA), foram encontrados nas amostras 28 dias após o tratamento. Os níveis de resíduos desses dois metabólitos na cera de abelha foram maiores do que no mel. O DMA foi detectado apenas em cera de abelha, variando entre 111 e 177 µg/Kg , quando as colónias foram tratadas com 5X e 10X de Apivar®. Os níveis de resíduo de DMPF variaram entre 13,7 e 60,5 µg/Kg mel e 196–6,160 µg/Kg em amostras de cera. O resíduo de metabólitos de amitraz encontrados em produtos de abelhas melíferas não excedeu os limites máximos de resíduos (LMRs), embora altas doses tenham sido aplicadas neste estudo para criar os casos de piores cenários.

fonte: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00218839.2021.1918943

Nota: O LMR do amitraz e seus metabólitos é 200 µg/Kg para o mel de produção convencional, de acordo com o estabelecido pela Comissão Regulatória (UE), N° 37/2010 de 22 Dezembro de 2009.

timing do tratamento de verão da varroose: testemunho de um amigo e cliente

Deixo em baixo o testemunho de um amigo e cliente de enxames, a quem tenho dado consultoria gratuita no último ano e meio — os meus clientes de enxames contam com essa ajuda, sempre que a requerem. Este amigo pediu-me para não o identificar, por essa razão o seu nome não aparece na publicação. O timing da publicação, 15 de Agosto de 2021, parece-me muito ajustado ao conteúdo.

2019 não foi uma época apícola brilhante, pelo menos para mim. A produção de mel ficou aquém, mas o pior estava para vir. Com tratamentos atrasados e falta de monitorização perco cerca 70 das 80 colónias no inverno. Depois da frustração foi tempo de refletir o que tinha feito de errado. Concluí que o tratamento da varroose foi feito tardiamente e já pouco havia a fazer.

Foto de uma colónia à saída do inverno de 2020-2021.

2020 e 2021 foi ano de começar basicamente do zero. Em 2020 com cerca de 50 colónias tinha de evitar o que se tinha passado na época anterior. Foi nessa altura que conheci o Eduardo, que me fala de manter sempre a varroa o mais controlada possível e não perder 10 para ganhar 5. O que quero dizer com isto é não sujeitar as colmeias a recolherem mais 2/3 kg de mel e com isso atrasar o tratamento. O maneio estava claro para mim, seria “ acabar “ a época de mel mais cedo, isto na zona de Trás-os-Montes. Em 2020 acabei a época em meados de Agosto; retirei todas as meias alças e procedi ao tratamento com Apivar. Com o tratamento já nas colónias foi tempo de proceder a várias inspeções. A cada 2 semanas abri rigorosamente todas as colónias e ajustei as tiras na câmara de criação: se a câmara de criação se contrai para o centro as tiras ajustam-se também. As tiras andam neste tempo em conformidade com a criação: onde está a criação estão também as tiras.

Era tempo também de não fechar os olhos às colmeias mais fracas que por algum motivo não estavam tão fortes quanto a maioria. A decisão foi fazer a junção dessas colónias que achava que não tinham grandes condições de passar o inverno. Com isto feito foquei-me nas inspeções de outono, que servem para efectuar uma inspeção visual quer dos níveis de varroa quer da criação, quer da população de abelhas, e proceder ao ajuste das tiras. Depois deste trabalho feito, e sem nunca faltar alimento às colónias, esperava que o inverno passasse para ter uma noção clara de quantas colónias tinha para a nova época. O resultado foi este: 52 colónias invernadas; 1 colónia morta; 3 colónias fracas. Em relação à época anterior a passagem do inverno para a primavera tinha sido 200% melhor. Encarei a época apícola de 2021 com bons olhos.

Para mim tudo isto se deve ao facto de o tratamento ter entrado nas colónias mais cedo. Defendo que as inspeções de outono são importantíssimas pois permite-me ver a olho nu sinais de varroa, como foi o caso de uma colónia onde vi várias abelhas com as asas deformadas. Actuei de imediato e, segundo sugestão do Eduardo, coloquei mais 2 tiras de apivar ficando com 4 tiras. Esta colónia mostrou melhorias e passou o inverno com sucesso.

Foto de uma colónia à saída do inverno de 2020-2021.

Na apicultura não sendo tudo sempre igual — o que é este ano para o próximo pode não ser —, são estes os pilares que quero manter neste próximo outono/inverno:

  • Tratamento cedo;
  • Ajustamento de tiras aos quadros com criação;
  • Inspeções de Outono.

Sem dúvida que para mim a passagem do inverno 2020-2021, foi um sucesso. Espero no inverno de 2021-2022, com os pilares que referi, obter os mesmos resultados.

a saúde da rainha das abelhas não é afetada pela exposição ao contato a pesticidas comumente encontrados na cera de abelha

Fórmula estrutural do 2,4-Dimethylphenyl, um dos metabolitos do amitraz, presente nas tiras de Apivar, provavelmente o medicamento homologado mais utilizado contra a varroa no mundo ocidental.

Resumo:

A saúde da rainha da abelha melífera é crucial para a saúde e produtividade da colónia, e os pesticidas foram anteriormente associados à perda da rainha e à sua substituição prematura. Pesquisas anteriores investigaram os efeitos da exposição indireta a pesticidas de rainhas via contacto com abelhas obreiras, bem como os efeitos diretos em rainhas durante o desenvolvimento. No entanto, quando adultas, as rainhas estão em contato constante com a cera enquanto caminham sobre o favo e põem ovos; portanto, o contato direto de pesticidas com rainhas adultas é uma via de exposição relevante, mas raramente investigada. Aqui, conduzimos experiências de laboratório e de campo para investigar os impactos da exposição a pesticidas tópicos em rainhas adultas. Testamos as relações dose-resposta de seis pesticidas comumente encontrados na cera: cumafos [CheckMite], tau-fluvalinato [Apistan], atrazina, 2,4-DMPF [Apivar], clorpirifos, clorotalonil e um coquetail de todos os seis, cada um com dosagens até 32 vezes as concentrações normalmente encontradas em cera. Não encontramos nenhum efeito de qualquer tratamento na massa corporal da rainha ou na viabilidade do esperma. Além disso, nenhuma das 1.568 proteínas quantificadas nos corpos gordos das rainhas (um importante local de produção da enzima de desintoxicação) foi expressa diferencialmente. Num ensaio de campo com N = 30 rainhas expostas a um controle de maneio, um controle de solvente ou um coquetail de pesticidas, novamente não encontramos impacto no padrão de postura de ovos da rainha, sua massa corporal ou massa corporal de operárias filhas. Além disso, das 3.127 proteínas identificadas no fluido da espermateca (órgão de armazenamento do esperma), nenhuma foi diferencialmente expressa. Estas experiências mostram consistentemente que em níveis de exposição realistas, os pesticidas comumente encontrados na cera não têm impacto direto no desempenho da rainha, na reprodução ou nas métricas de qualidade. […]

fonte: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2021.04.24.441288v1.full

abelhas resistentes: medindo a re-operculação e remoção de criação

Em baixo deixo um vídeo muito pedagógico que nos instrui acerca dos procedimentos, utensílios e cálculos a levar a cabo para seleccionar abelhas mais resistentes ao ácaro varroa. Aos dois comportamentos, remoção da criação infestada e reoperculação, está associado um terceiro traço: a reprodução reduzida dos ácaros. Estes três aspectos/traços surgem em enxames resistentes, independentemente da sua localização geográfica (ver este artigo de agosto deste ano
https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2021.1375)

Nota: comecei a ver anúncios de alguns apicultores portugueses a proclamarem que têm abelhas resistentes ao varroa, em concreto abelhas que apresentam um bom comportamento de re-operculção e remoção de criação infestada (traço VSH). Assim o espero, esperando que estejam a fazer uma avaliação criteriosa do comportamento de resistência, por forma a que o marketing seja legítimo e honesto.