fazendo ovos das omeletes

Em diversas situações o meu caminho, estratégia e maneio vai em sentido contrário ao saber estabelecido. Esta publicação serve para deixar explícito que estou muito consciente, que estou a par e conheço relativamente bem esse saber estabelecido. Serve ainda o propósito de afirmar que dar o primeiro passo para fora dessa zona de conforto, entrar numa zona onde a magia acontece (lembras-te Filipa Catarina? eu lembro-me!), foi uma grande vitória pessoal. Foi em boa medida este o percurso que sustenta meu sucesso como apicultor; apicultor que vive exclusivamente da apicultura há mais de dez anos. E o meu sucesso dependeu e depende de duas coisas simples, ao alcance de todos: muita transpiração e alguma inspiração/imaginação.

Num ano que muitos rotulam de escasso, com pouco mel, este é o resultado de 90% de transpiração e 10% de inspiração. Tudo se encaminha para que seja um dos meus melhores anos em termos de produção média por colónia.

Vejamos agora dois casos concretos que ilustram este caminho, várias vezes ao arrepio do saber estabelecido:

  1. O caso das colmeias armazém: cerca de 10% do meu efectivo (langstroth e lusitana) passa o outono-inverno na configuração ninho+sobreninho.
Verifiquei na inspecção de 4 de março que esta colónia Langstroth, que passou o outono-inverno na configuração ninho+sobreninho, tinha a rainha em postura no sobreninho. Um indicador que poderia “aguentar” com a colocação de excluidora depois de previamente colocar a rainha no ninho, coisa que fiz no dia 9.

Hoje estava assim, de baixo a cima:

2. O caso dos núcleos doadores de quadros a colónias em produção: em baixo a ilustração da palmerização de um núcleo, que doa quadros com criação fechada às colónias em produção, ou a colónias com rainhas fecundadas muito recentemente.

Este quadro é de uma colónia estabelecida num núcleo de 5 quadros. A postura é da responsabilidade de uma rainha emergida de um mestreiro de enxameação que enxertei cerca de um mês e meio atrás. Este quadro tem de um lado e do outro cerca de 7 mil abelhas para emergir nos próximos dias — um núcleo bem povoado tem uma população de cerca de 10 mil abelhas. Foi desta rainha e da sua utilização que um idiota credenciado gozou no Facebook para promover as suas rainhas. Ele que mostre o que faz como eu mostro o que faço, e que se deixe de garotices.

as flores, as abelhas, o armazenamento… o tempo é agora

Rubus ulmifolius (silva).
Jasione montana.
Digitalis purpurea.
O meu enxame mais belo (a subjectividade é, por vezes, a melhor forma de objectividade)! (by Filipa Catarina)
A postura de uma rainha oferecida por um criador amador. (by David Marques)
O armazenamento numa caixa colocada por cima de uma excluidora. Felizmente as minhas abelhas não leram o capítulo do livro de apicultura que diz que as excluidoras de rainhas são também excluidoras de néctar!
Venha a terceira que a segunda está feita… apesar de conformada à “regra não mais de 6” durante o período da enxameação reprodutiva! As minhas abelhas sorriem ao Farrar… há já vários anos.

Notas: os nomes científicos das flores/plantas foram-me indicados pela Filipa Almeida, uma das maiores especialistas do nosso país em flora. As fotos são de ontem, 02.06.2021, tiradas em dois apiários situados a 600m de altitude.

“Agora é o único tempo que conheço”( by Fever Ray).

um território de marcavala

A marcavala.

É num território de marcavala, cheio de promessas, que estou a re-activar o meu quarto apiário. Foi neste local que tudo se iniciou para mim na apicultura e onde regresso sempre, mais ou menos por esta altura do ano.

Com as marcavalas (Echium lusitanicum) a iniciar a floração, só faltavam as abelhas para completar o trinómio território-abelhas-apicultor.

Agora já por ali andam.
Muitas centenas de milhar de abelhas se lhes juntarão nas próximas semanas.
Os enxames prometem, o território também e o apicultor tem ilusão!

Hoje, a parte da manhã passei-a colocar as primeiras meias-alças sobre uma série de ninhos chegados recentemente ao território da marcavala.

Se as abelhas se querem saudáveis, o apicultor será o seu cuidador, já o território, esse, quer-se abundante.

Nada existe isoladamente, tudo se interliga e complementa e, neste jogo vital de interdependências, os ciclos sucedem-se, fecham-se uns, abrem-se outros. Nas abelhas e em nós!

transitando: do modo de enxameação para o modo de produção

No dia de ontem transitei entre os 4 apiários que tenho activos neste momento — na terça-feira re-activei o quarto.

Vista parcial do quarto apiário.

E com este transito procuro acompanhar a transição entre o modo de enxameação reprodutiva, a terminar no território, e o modo de produção.

Para ilustrar a gestão que faço nesta época de transição, nada melhor que mostrar o que faço actualmente com colónias que me serviram para realizar desdobramentos pela técnica Doolittle — durante o período da enxameação reprodutiva.

Hoje a maioria dessas colónias permanece com a configuração ninho, excluidora de rainhas e sobreninho — com boa parte delas com uma meia-alça sobre o sobreninho.

Configuração actual das colónias que foram utilizadas para os desdobramentos pela técnica Doolittle.

A gestão da transição nestas colónias passa por um maneio simples: nos sobreninhos, onde antes colocava quadros com criação retirados do ninho da própria e/ou de outras colónias, coloco agora e de forma gradual quadros com cera laminada, que estão a ser puxados para as abelhas aí armazenarem o néctar recolhido.

Quadro colocado recentemente no sobreninho, já semi-puxado e parcialmente preenchido com o néctar recolhido nestes dias.

E assim vou fazendo a minha apicultura, transitando ao ritmo das abelhas. E sinto-me bem a acompanhar este transito e este ritmo. As abelhas recentram-me como ser natural, impelindo-me e lembrando-me que tudo nelas é feito em ciclos de desenvolvimento anuais: primeiro há que fazer a prevenção e o controlo da enxameação, para depois, e só depois, pensar em orientar as colónias para o armazenamento de néctar e mel para crestar — no caso concreto destas colónias o armazém do néctar/mel tem a dimensão de um sobreninho. As abelhas — as minhas ao menos —antes de pensarem em armazenar para o inverno pensam em reproduzir-se. Levei anos para compreender, aceitar e, sobretudo, encontrar soluções para integrar este facto natural na abordagem global de maneio das minhas colónias de abelhas!

os criadores de rainhas e o caso das rainhas da madeira

Entre os criadores de rainhas tenho maior simpatia por uns que por outros. E isto para mim conta, pois por princípio só adquiro rainhas aos criadores com quem simpatizo. E no caso das rainhas não agradarem a simpatia continua mas as compras acabam. Afirmo, portanto, que a minha disponibilidade para adquirir rainhas a alguns criadores é zero ou lá muito próximo. Não atino com aqueles criadores de rainhas que mal surge uma questão um pouco mais básica nos grupos de apicultores do Facebook, gozam, diminuem e sistematicamente mandam o novato fazer uma formação; não atino com aqueles criadores de rainhas que habitualmente apresentam vídeos ao estilo circense, com as rainhas a passear nas suas mãos e que, ao mesmo tempo que se expressam com muita humildade, estão nas entrelinhas e de forma latente constantemente a afirmar que são os maiores artistas cá do bairro; não atino com os criadores que, vindos do estrangeiro prometendo linhas seleccionadas e melhoradas, me enviam rainhas iguais e piores que todas as outras e que chegam mortas ou moribundas dentro das gaiolas; não atino com criadores de rainhas que ontem diziam cobras e lagartos das ibéricas por serem uma raça enxameadora, e hoje as criam e comercializam deixando implícito que são linhas que não enxameiam, num percurso cheio de contradições e falsidades; não atino com os criadores de rainhas que amuam porque gostei das rainhas de um concorrente, e esperam uma fidelidade canina…

À entrada de segunda semana de março, estabeleci contacto com três criadores de rainhas, com quem simpatizo, para me fornecerem uma pequena quantidade de rainhas fecundadas. O André Silva foi na altura aquele que as tinhas disponíveis de imediato. Enviou-me algumas fecundadas e, na mesma encomenda, o mesmo número de virgens. O foto-filme em baixo ilustra o desempenho de uma fecundada (à data de 26-04) e o de uma virgem, que já fecundou em terras serranas, à data de hoje.

Imagem geral da colónia, ontem 26-04, em que introduzi rainha fecundada no dia 19-03. De lá para cá, foi fortalecida com dois ou três quadros com criação fechada, e ontem apresentava o ninho praticamente cheio de abelhas e 8 quadros com criação (nestas rainhas do ano não aplico, habitualmente, a regra não mais de 6).
Coloquei a 1ª meia-alça, ontem.

Agora imagens da colónia onde introduzi a 19-03 uma rainha virgem.

À data de hoje, transferi esta colónia do núcleo onde cresceu para uma caixa de 10 quadros.
Apresentava 5 quadros com um padrão de postura digno de se ver!
Passei-a para caixa-colmeia e aproveitei para lhe doar um quadro mais com criação operculada.

Algumas das rainhas do André Silva estão, até ao momento, a dar-me bons sinais. Naturalmente vou continuar a observá-las, porque o seu percurso ainda está muito no início. Vou ficar atento para ver como vão responder a um conjunto de questões: o que vão produzir? como vão responder à varroose? como vão ultrapassar a invernagem? como vão arrancar no próximo ano? como se comportarão no período de enxameação reprodutiva? qual será a sua longevidade? Cada questão terá o seu momento próprio para ser respondida.

Nota: ao contrário do que se costuma ler nos filmes, qualquer semelhança entre o descrito no primeiro parágrafo com a realidade não terá sido mera coincidência.

um dia com as abelhas

A Filipa Almeida, com a generosidade que está na sua natureza, autorizou-me a publicar este diário de um dia do seu trabalho. O texto é seu e as fotos também. Um beijo Filipa!

6:00 Na primavera, acordo com a claridade dos primeiros raios de sol que timidamente surgem pela janela sempre aberta. É o amanhecer que dita a hora de levantar.

6:30 Preparo o pequeno almoço com tudo o que uma apicultora tem direito (sempre com mel Apijardins e pólen q.b.) 7:00 Depois do reforço que só os produtos das colmeias podem dar, passo pelo computador para responder aos emails e encomendas da Apijardins, e levar a lista de trabalhos preparada no dia anterior. 7:30 No armazém, verifico ansiosamente o material que foi preparado no dia anterior e deixo as encomendas prontas a recolher. 8:00 Viagem para o campo (apiários).

Pelo caminho organizam-se mentalmente os pormenores das tarefas que não poderei esquecer. O som da música e a paisagem como cenário alimentam o sonho de uma primavera generosa. 8:30 Chego ao apiário, respira-se com a mesma profundidade com que se vem ao mundo, e inicia-se o trabalho cujo fim nunca tem hora marcada.

O tempo é definido pelas abelhas, em função da atenção que cada colmeia reclama. Ao final da manhã, os aromas das flores intensificam-se, as abelhas buscam alimento fora, e, mais calmas, permitem-me aproveitar tranquilamente o tempo.

14:30-15:00 Almoço tardio, frequentemente no campo, dependendo do sítio, na zona com vista mais ampla, ou junto à água do rio circundante. No campo, as flores alimentam as abelhas e a paisagem que lhes serve sustenta o edifício inteiro de uma paisagista e apicultora.

É sempre tarde, mas com o sentido de dever cumprido e de que nenhuma colmeia ficou sem o cuidado que merece. 15:30 Regressa-se ao trabalho, no compasso com que o sol da tarde se deita e com ele termina sempre. 19:30 Por do sol, o momento alto do dia que faz todo o trabalho valer a pena. É o olhar a luz quente e viva do por do sol que me conforta e dá sentido e significado ao dia.

21:00 Jantar leve, porque, tal como as abelhas, a nossa alimentação é sagrada. 21:30 Retomo o trabalho do dia anterior, no ponto em que ficou. Dedico-me aos projetos, que durante os dias, nas pequenas pausas de um olhar sobre a envolvente, invadiram o pensamento. Sim, porque as melhores ideias surgem sempre quando menos se espera e no contexto mais inesperado, naquele fugaz instante em que, maravilhada com a natureza, me distraí nas soluções. E entusiasmada com os detalhes, detenho-me, ali, na companhia inseparável da música, até o cansaço me invadir, o que acontece pelas 00:30. Adormeço a pensar sobre as ideias, os esboços e, frequentemente, sonho com eles. O que sei sobre a importância das flores para abelhas nunca é esquecido na escolha cénica das plantas nos jardins. Aquilo que sou como apicultora e arquiteta paisagista mistura-se, e nessa junção resultam sempre espaços mais ricos e floridos para pessoas e abelhas. Este horário transforma-se no Outono/Inverno, altura em que os dias começam mais tarde. Sim, à semelhança das abelhas, também sou filha do sol. Preciso dele como ar que respiro. As horas são então ocupadas pelas obras desenhadas na primavera. Cada projeto e obra são únicos e merecem de mim toda a atenção, desde a curva traçada no papel, à plantação e entrega do espaço ao tempo, que a natureza vai terminar por mim. Porque cada espaço da Apijardins é concebido para viver por si, aos ritmos da natureza, com flores únicas em cada estação, cores, aromas e texturas diferentes em cada momento. Eu sou a mão, o cérebro e o coração com que a natureza desenha e ganha prémios a valer. Viver no meio da natureza, trabalhar com ela e para ela, dá-me tudo. Tudo para poder ultrapassar até o improvável, porque o que a experiência de viver nela nos oferece é infinitamente maior ao que se possa imaginar. 

o início do fluxo do mel claro e a expressão das rainhas

No passado dia 15, ao sacudir abelhas dos quadros para fazer desdobramentos, vi o néctar do futuro mel claro a escorrer generosamente dos quadros pela primeira vez este ano. O fluxo iniciou-se dentro da data prevista e, correndo tudo normalmente, vai manter-se durante os dois próximos meses, umas semanas mais intensamente outras menos, com origem em diversas florações.

Néctar sobre o travessão superior de alguns quadros que escorreu dos quadros sacudidos.

Em baixo deixo imagens do padrão de postura das rainhas, de várias colónias que abri ontem para conformar à regra “não mais que seis”, e que tendo passado pela minha aprovação durante o último mês e meio para prosseguirem temporada adentro, se expressam nos quadros de ninhos Lusitana desbloqueados da forma que as fotos ilustram.

São colónias com estas rainhas testadas em ambiente real que os meus clientes de enxames levam ano após ano.

Com o início do fluxo é chegada a altura de ir convertendo gradualmente as colónias preparadas até aqui para doarem quadros com criação e abelhas para os desdobramentos, em colónias direccionadas para a produção de mel.

Estas colónias Lusitana vão receber gradualmente quadros com cera laminada no sobreninho, que continuará separado do ninho por uma grelha excluidora de rainhas. O néctar será armazenado nestas ceras novas. Tal permitirá obter mel com as características organolépticas tão apreciadas pelos meus clientes e amigos, muitos dos quais o têm eleito como primeira opção nos últimos dez anos.
Mel cristalizado da produção de 2020. É o resultado que obtenho da parceria com as minhas abelhas, que se mantém vai fazer este ano uma dúzia de anos. Este é produto íntegro que os meus clientes pagam para degustar. Desde 2010!

o erro… a sua correcção

No passado dia 8 coloquei, no mesmo dia, um sobreninho e uma excluidora de rainhas numa colmeia do modelo Lusitana. O objectivo era configurar esta colónia de forma a utilizá-la esta semana para desdobramentos pela técnica Doolittle.

Foto de ontem do ninho da colónia. Oito quadros com criação e abelhas a cobrirem os 10 quadros.

Nesse mesmo dia coloquei um quadro com criação fechada no sobreninho, transferido do ninho da mesma. Hoje fui encontrar o quadro com criação como a foto em baixo ilustra.

As novas abelhas a emergir estão claramente enfraquecidas por falta de aquecimento. A falta de limpeza dos alvéolos logo após a nascença, comportamento atípico em condições normais, também denuncia essa fraqueza.

O meu erro foi ter “esticado a natureza”, isto é, ter pedido a uma colónia ainda que forte para aquecer de imediato um quadro com criação que estava no andar de cima e separado por uma excluidora. A meteorologia, com noites ainda abaixo do 8ºC, também não foi amiga — nem tem de ser, é o que é. De forma cristalina só posso afirmar que este maneio não foi prudente, que foi um erro!

Habitualmente o processo de preparação destas colónias passa por uma abordagem mais gradualista. Numa primeira fase do processo coloco o sobreninho apenas com quadros puxados vazios e/ou com ceras laminadas. Uma a duas semanas depois, caso a rainha tenha subido ao sobreninho para aí fazer postura — o que acontece frequentemente — confino-a ao ninho com recurso à excluidora, e deixo no sobreninho um ou dois quadros com criação da mesma. Só cumpridas estas etapas e observados estes pré-requisitos passo a utilizá-la para os desdobramentos pela técnica Doolittle. Este maneio é prudente e, na minha opinião, o correcto nesta altura do ano.

E foi assim que corrigi o erro. Noutra colónia confinei a rainha, que já andava em postura no sobreninho, ao ninho.

Esta rainha andava em postura neste quadro do sobreninho. Foi colocada junto com o quadro no ninho, e lá vai ficar confinada nos tempos mais próximos.
Ninho da colónia com excluidora que me permite passar a utilizá-la para efectuar os desdobramentos pela técnica Doolittle.
Nesta colónia em questão coloquei o sobreninho em 29-03, e só hoje coloquei a excluidora. Vou utilizá-la nas próximas semanas como doadora de quadros e/ou abelhas para os desdobramentos que ainda pretendo fazer. O quadro com a criação a emergir enfraquecida foi colocado neste sobreninho.

Lição re-aprendida: numa época do ano em que as temperaturas mínimas ainda podem descer abaixo do 8-10ºC, só nas colónias que naturalmente já subiram ao sobreninho e, preferencialmente, onde a rainha já ande em postura, devem ser utilizadas para este fim. Aprende Eduardo que eu não duro para sempre!

a colocação das primeiras meias-alças/alças meleiras da época

Ontem da parte da manhã, apesar do aguaceiro ligeiro, tive de marcar presença nos meus dois apiários a cotas mais baixas para partir as patilhas de 20 gaiolas com rainhas virgens introduzidas a 5 e 6 deste mês. Uma vez que tinha de lá passar, aproveitei e levei algumas meias-alças/alças meleiras, para colocar sobre algumas das poucas colmeias lusitanas que estão dedicadas à produção de mel.

Colocação das primeiras meias-alças/alças com quadros com cera puxada.

Contudo, antes da colocação destas caixas, que visam armazenar o néctar que espero que comece a ser trazido de forma abundante nas próximas semanas, fiz uma avaliação rápida da força das colónias para re-confirmar a justeza deste maneio.

Uma das colónias onde coloquei a primeira meia-alça/alça meleira.
O padrão de postura compacta desta colónia.
Um dos quadros com cera laminada colocado cerca de 48h antes.
Após cerca de 12 semanas de permanência no ninho da colónia, as tiras de Apivar foram retiradas momentos antes da colocação da meia-alça/alça meleira (por ex. nos EUA este maneio teria de ser feito 15 dias antes da colocação das alças meleiras. Felizmente na Europa seguiu-se outro protocolo experimental para testar a presença de resíduos de amitraz e seus metabolitos nos produtos da colmeia, e a nossa regulamentação é mais conforme à realidade que a dos EUA ).
Outra das colónias que foi alvo do mesmo maneio no dia de ontem.

O fluxo até agora tem sido frouxo. Não estou muito preocupado porque o histórico diz-me que ele se torna muito abundante a partir da terceira semana de abril. Assim o vento amaine um bocado para que os efeitos destes aguaceiros recentes perdurem por mais tempo e se expressem em nectários cheios, onde as abelhas recolherão a sua recompensa, assim como quem as ajudou a sobreviver até esta altura do ano.

o trabalho num apiário e a sua dimensão lúdica

Ontem, um dia em que as previsões meteorológicas indicavam aguaceiros a seguir ao almoço, levantei-me por volta das 7h00 com o plano de fazer um maneio profundo no meu apiário de Lusitanas a 600 m de altitude. Neste apiário, onde no início de março estavam estacionadas 5 colónias, estão neste momento 78, 34 em caixas de 5 quadros, as restantes em caixas de 10 quadros.

Vista geral do apiário. Terei chegado ao apiário por volta das 9h15 e por lá andei fruindo do trabalho com as abelhas até cerca das 14h15.

Comecei por transferir 4 colónias em caixas de 5 quadros para caixas de 10 quadros e efectuar o maneio de controlo da enxameação numa das colónias (ver aqui a técnica que estou a utilizar nestes casos).

Na colónia com a velha dama que aqui referi, uma vez que a orfanei no passado dia 3 e ofereci a rainha ao João Gomes para lhe servir como matriarca, dividi-a em duas com o aproveitamento de alguns mestreiros abertos presentes em dois quadros.

Deixei intactos os dois mestreiros abertos e destruí o mestreiro fechado logo por cima.
Núcleo formado com os mestreiros da linha da velha senhora.

Outra tarefa prevista passou por colocar em núcleo outra velha senhora também de 2018, esta a nº 8.

João arranja mais um espacinho num dos teus apiários para esta senhora. Desta também vou querer umas quantas filhas.

A principal tarefa de ontem foi fazer a prevenção da enxameação com a conformação das colónias à regra “não mais de 6“.

Saem dois quadros com criação e/ou reservas e…
… entram dois quadros com cera laminada.

Os quadros retirados foram canalizados para dois tipos de colónias: para colónias armazém e para colónias com rainhas virgens introduzidas em gaiola e já fecundadas e em postura.

Colmeia armazém formada ontem para receber alguns quadros com criação.
Núcleo formado a 16-03 para introduzir rainha virgem em gaiola a 19-03. Em 05-04 verifiquei que tinha rainha em postura. Ontem coloquei um quadro com alguma criação para acelerar o seu desenvolvimento.

Foi uma agradável manhã passada na excelente companhia das minhas abelhas, num exercício de criatividade apícola, a encaixar as peças do puzzle, cuja dimensão lúdica me dá um enorme prazer e procuro repetir cada vez mais.

E ao final da tarde choveu… 5 minutos!