avaliação da infestação por varroa através do corte da criação de zângãos

Hoje, entrei num dos meus apiários a 600 m de altitude mesmo em cima das 7h30, e tinha na agenda fazer 4 tarefas: 1) fazer a última inspecção a meia-dúzia de núcleos para entregar a um cliente; 2) colocar quadros com criação a emergir em núcleos com rainha em postura desde há uma semana para os “acelerar” e produzirem este ano no castanheiro; 3) avaliar a infestação por varroa através do corte da criação de zângãos em 10% das colónias do apiário — neste caso em três colónias; 4) transferir meia-dúzia de colónias para os 900 m de altitude. Por volta das 12h30 estava a chegar a casa para almoçar. Agora no período pós-almoço faço este descanso activo escrevendo estas linhas.

Sobre o a tarefa 1) acho que o meu cliente vai ficar satisfeito. O padrão de postura das rainhas é este que o quadro da foto em baixo ilustra.

Sobre as tarefas 2) e 4) não há fotos para as ilustrar. Mas garanto que foram realizadas ; )!

O que mais me importa nesta publicação é ilustrar a tarefa 3): avaliar a infestação por varroa através do corte da criação de zângãos em 10% das colónias do apiário — neste caso em três colónias. Relativamente a este tipo de avaliação devo deixar três notas: é menos fidedigno que o teste da lavagem de abelhas adultas segundo os especialistas; enquanto na lavagem de abelhas adultas o limiar de infestação a recomendar um tratamento imediato é de 3% em regra, já o limiar de infestação por varroa avaliado na criação de zângãos a partir do qual se recomenda um tratamento imediato é de 15%; a avaliação de apenas 10% das colónias nos apiários deve ser feita nas colónias mais fortes e em zonas do apiário susceptíveis de receberem mais abelhas da deriva, isto é nas extremidades dos assentos.

Tendo tudo isto em consideração deixo em baixo o foto-filme do procedimento numa das colónias que representa o realizado também nas outras duas.

Uma das colónias mais fortes do apiário: mais abelhas, mais altura, mais armazenamento, mais criação, … mais varroa!
E como fazer a desmontagem deste gigante sem partir as “molas”? Primeiro etapa, tecto voltado para cima e colocado em cima de uma das caixas ao lado para evitar/minimizar o esmagamento de abelhas. Há cerca de dois anos vi um especialista em apicultura colocar meias-alças de chapão em cima da superfície lisa do tecto da colmeia vizinha… fiquei arrepiado!
Tirar a meia-alça, ainda vazia. Vergonhosamente fácil!
Tirar os quadros necessários do sobreninho para este ficar com um peso razoável, antes de o mobilizar. Afinal é de apicultura mobilista que se trata meus amigos e amigas. Os quadros são móveis, não há necessidade de pegar em tudo de uma só vez. Não estou a treinar para o campeonato mundial de alterofilismo!
E depois da carga em cima ter sido tirada, no ninho e na posição 9 tenho estes quadros de criação intensiva de zângãos. É a este quadro que eu pretendo chegar…
… para cortar os opérculos da criação de zângão…
… e a sacudir em cima de uma superfície plana e contrastante — um tecto por exemplo. A olho parece-me que a taxa de infestação é inferior a 2-3%, muito aquém do limiar de 15% que recomenda um tratamento imediato. Ok, mais tranquilo… até daqui mais ou menos um mês.
O quadro voltou ao local original. Interessa-me ter estes zângãos das colónias mais fortes nas redondezas.
O prenúncio das próximas semanas.

a grelha excluidora de rainhas: um equipamento que ajuda na prevenção e/ou controlo da enxameação?

Na publicação do passado dia 19 de abril mencionei a utilização de uma mescla de técnicas para, entre outros objectivos, levar a cabo o controlo da enxameação numa das colónias do apiário. Nesta colónia, a da foto em baixo, tirada a 19 de abril, passam hoje 23 dias — tempo para se ter cumprido um ciclo completo da criação de obreiras.

Colónia do modelo Langstroth submetida a uma mescla de técnicas: rainha foi confinada ao ninho e este submetido parcialmente à técnica “cura radical da enxameação”.

Hoje na inspecção às colónias do apiário, iniciada por volta das 7h30 e terminada por volta das 11h30, voltei a esta colónia, uma das sete ali estacionadas que apresentam a configuração ninho+sobreninho com a excluidora de rainhas a confinar a rainha no ninho desde o passado dia 19 de abril.

Vista parcial do apiário.
Os principais eventos: a 3 de março coloquei o sobreninho; a 19 de abril terei visto alguns cálices reais com ovos e procedi a uma versão mais leve da “cura radical da enxameação”; sacudi as abelhas para o ninho; a rainha terá também caído para o ninho? sim caiu, confirmado a 24 de de abril.

O passado recente deste colónia está relatado. Vamos agora ao seu presente. Como referi em cima, hoje inspeccionei todas as colónias deste apiário, coloquei mais 7 meias-alças e dois sobreninhos. Das 21 colónias em produção neste apiário estimo vir a colher um mínimo de 400 kgs de mel e um máximo de 600 kgs, tudo dependendo da meteorologia nas próximas 4 semanas. Sobre esta colónia em particular, que representa muito bem 6 das 7 colónias nesta configuração, as fotos ajudam a fazer a descrição.

Nesta foto estão as peças constituintes daquilo em que esta colmeia se tornou desde o dia 3 de março até ao dia de hoje. O ninho, a excluidora, o sobreninho e a meia-alça.
Ninho desbloqueado. Foto do quadro 9. Os restantes são semelhantes.
Foto do quadro 10. Esta colónia hoje tinha criação nos 10 quadros Langstroth.
Coloquei uma cera laminada no ninho, não porque este estivesse bloqueado, mas porque precisei de tirar um quadro com criação para uma das várias colónias onde introduzi rainha em gaiola e para acelerar o seu desenvolvimento (ver aqui).

Inspeccionado o ninho, sem ter observado sinais de qualquer impulso enxameatório, poderei concluir que a utilização da técnica “cura radical da enxameação” surtiu efeito nesta colónia? Em duas outras colónias, noutro apiário, o resultado da utilização desta técnica não foi o pretendido (ver aqui no primeiro parágrafo). Neste caso, foi a técnica a causar o efeito desejado? Para mim é impossível concluir definitivamente por um sim ou por um não relativamente à técnica e a uma eventual relação de causa-efeito. Como convivo bem com a ausência de conclusões definitivas, convivo bem com questões em aberto, vou continuar a experimentar e a observar.

No sobreninho por cima da excluidora, o “desastre” era este:

Quadros com as dimensões do ninho praticamente cheios de néctar/mel novo. Ano após ano, é este o resultado final na grande maioria das colónias com esta configuração. Nada de novo debaixo do céu, portanto.

Nas restantes 6 colónias com a configuração igual à desta (relembro, ninho+excluidora+sobreninho) em 5 encontrei praticamente o mesmo: ninho bastante desbloqueado; ausência de sinais de impulso para enxamearem; rainha a dominar o ninho, reclamando aquele espaço para si, não se deixando bloquear por mel e pão-de-abelha; sobreninhos com os 10 quadros praticamente cheios de néctar a uma semana de se iniciar a sua operculação, comunidades produtivas e estabilizadas aos meus olhos.

Sobre este sobreninho adicionei hoje uma meia-alça. A ver se a enchem! Estou optimista, o rosmaninho ainda está a dar alguma coisa, vem a silva e os cardos mais adiante e ainda algum castanheiro lá para a terceira semana de junho.

Voltando ao título e para concluir: uma vez mais nas minhas colónias, no meu território, com as minhas abelhas e com o meu maneio habitual 6 em 7 colónias cheias de abelhas que nem um ovo cheio, não apresentaram indícios de “febre” de enxameação. Na sétima, vi alguns mestreiros, 4 ou 5. Enxameação ou substituição? Vi a rainha, já delgada, e inclino-me para enxameação. Vou deixar seguir em frente para tirar a limpo.

Assim sendo, e porque esta observação de hoje se correlaciona positivamente com as observações deste ano efectuadas noutros apiários e com as observações realizadas em anos anteriores, a questão para mim deve ser formulada nesta forma: a grelha excluidora de rainhas: um equipamento que ajuda na prevenção e/ou controlo da enxameação? e não na forma habitual: a grelha excluidora promove a enxameação?

demaree: alguns detalhes

Sobre Demaree e sua proposta para controlar a enxameação sem aumentar o efectivo escrevi várias vezes, por exemplo aqui e aqui.

Ontem voltei a utilizar a técnica na colónia da qual apresento as fotos.

Ontem, 10 de maio esta colónia foi sujeita à técnica Demaree.
Tendo encontrado mestreiros abertos decidi iniciar o controlo da enxameação com esta solução, por forma a não aumentar o meu efectivo.
Localizei a rainha no quadro que coloquei na posição 9. Todos os restantes espaços do ninho foram preenchidos com quadros com cera laminada.
Após os procedimentos tenho, no plano inferior, ninho com rainha confinada por grelha excluidora e, no plano superior, sobreninho com os restantes 9 quadros que transferi do ninho e mais um de cera laminada.

Hoje dia 11, passadas menos de 24 horas sobre este maneio, por volta das 12h30 — com 6 horas de trabalho já realizadas, porque cedo é que se anda melhor — decidi satisfazer uma curiosidade. Como estava o ninho? O que tinha ocorrido neste período de menos de 24 horas? As fotos que tirei falam por si.

O ninho hoje, passadas cerca de 22 horas sobre o procedimento.
O quadro 8, adjacente ao quadro onde encontrei a rainha ontem.
Os alvéolos foram puxados a cerca de 2/3 da altura e a rainha tinha lá iniciado a oviposição.
Detalhe da envolvente próxima.

confinamento de rainhas no ninho

Nesta publicação descrevi o que observei nas duas colónias que submeti à técnica “cura radical da enxameação“. Hoje voltei a inspeccionar estas duas colónias e observo que apesar de terem sido submetidas duas vezes à técnica ainda assim enxamearam.

Num outro apiário, a 900 m de altitude, procedi hoje ao confinamento de rainhas no ninho de várias colónias estabelecidas em colmeias do modelo Lusitana e que desde há 3-4 semanas se encontram na configuração ninho+sobreninho. Em baixo fica o foto-filme com alguns detalhes deste procedimento.

Colmeia do modelo Lusitana na configuração ninho + sobreninho.
Vista do sobreninho hoje logo após a abertura da colmeia. No passado dia 18 de abril verifiquei que a rainha tinha iniciado postura no sobreninho.
Rainha completamente negra sobre o amarelo de cera nova.
Rainha é colocada no quadro em que andava na posição 7.
Transfiro mais 6 quadros do sobreninho para o ninho. Os 6 quadros que transfiro para o ninho estavam muito desbloqueados repletos de ovos e larvas…
… ou com criação operculada em mais de 80% da sua área e com abóbadas de mel reduzidas. Neste apiário o primeiro fluxo principal de néctar está para começar nos próximos 10 dias. Nesta altura não é necessário abóbadas de mel a ocuparem 30% ou mais da superfície dos quadros no ninho. Os quadros mais bloqueados com mel/néctar e pão de abelha foram transferidos para o sobreninho.
Vista do ninho depois da transferência de quadros.
Todos os passos anteriores foram executados para colocar este equipamento sobre o ninho.
Vista da colónia após o maneio.
Anotação do maneio hoje, 10 de maio: colocação da excluidora de rainhas com a rainha na caixa inferior.

três casos, três caminhos

Caso 1: Hoje, finalmente tive disponibilidade para partir as patilhas das 19 gaiolas com rainhas virgens que introduzi no passado dia 20. Neste momento o meu maior cuidado e preocupação é verificar se existem mestreiros iniciados nestas colónias orfanadas. Na minha experiência tenho constatado que a presença e a não destruição destes mestreiros são um sério obstáculo à aceitação das rainhas virgens que irão sair das gaiolas nas próximas horas. Por esta razão procuro destruir todos estes mestreiros momentos antes de abrir as patilhas das gaiolas.

Mestreiro iniciado neste período de orfanação com larva a nadar em geleia real.

Caso 2: Na semana passada, dividi 3 colónias que se preparavam para enxamear. No momento desta divisão não encontrei a rainha numa destas colónias. Ainda assim dividi-a e introduzi rainha em gaiolas em ambas as colónias—filha. Hoje verifiquei que numa dessas divisões, onde acabou por ficar a rainha-mãe que afinal ainda não tinha enxameado, a rainha virgem e suas acompanhantes estavam todas muito mortas — isto com a gaiola ainda fechada.

Com a gaiola ainda fechada a rainha virgem e suas acompanhantes foram muito provavelmente picadas até à morte.

Caso 3: Quase como compensação, uma das colónia orfanada no passado dia 3, hoje cheias de abelhas e com várias virgens visíveis, foi dividida. Cada uma das divisões ficou com uma ou mais virgens e dividiram o local original.

Colónia orfanada no passado dia 3.
Avistadas pelo menos uma rainha virgem em cada quadro inserido nas caixas-núcleo, correndo tudo normalmente, serão mais duas colónias a juntar ao efectivo.
As duas divisões a partilharem o local da caixa-colmeia.
Uma das diversas virgens que me passaram à frente no dia de hoje.

a introdução de rainhas de translarve: alguns detalhes

Na minha apicultura não recorro apenas a rainhas de emergência, muito longe disso. Utilizo variadas vezes rainhas criadas por translarve para iniciar novas colónias. Por exemplo, o ano passado utilizei 146 rainhas criadas por translarve.

Gosto da minha apicultura assim, uma apicultura com diversas opções no cinturão, opções que procuro utilizar de forma selectiva e pertinente de acordo com as condições de partida, condições estas determinadas sobremaneira pela imbrincagem entre a evolução mais lenta ou mais rápida das colónias, a maior ou menor disponibilidade para acompanhar de perto essa evolução, os equipamentos que tenho ou não disponíveis para fazer esse acompanhamento, e tudo isto temperado e envolto pela meteorologia que ora ajuda ora é um empecilho.

Conhecer os limites e utilizar as virtudes existentes tanto numa como noutra opção, rainhas de emergência ou rainhas de translarve, qualifica-me na minha profissão. Esta publicação aborda alguns detalhes em torno dos procedimentos a que dou preferência quando introduzo rainhas virgens.

Como referi nesta publicação, anteontem, a 19 de abril, preparei 5 colónias, confinando a rainha no ninho, deixando-as preparadas para serem desdobradas pela técnica Doolittle. Ontem entro no apiário com 10 rainhas virgens nos bolsos e 1o caixas-núcleo e pus mãos à obra. Deixo o foto-filme.

Comecei por colocar 2 núcleos junto de cada uma das cinco colónias a serem desdobradas.
Fui abrindo estas colónias para retirar estes quadros para os núcleos.
Fui retirando um ou dois quadros desta colónia, dois de outra, e um ou dois de outra ainda, até encher os núcleos com 5 quadros com abelhas provenientes de pelo menos três colónias distintas.
Depois de todos os 10 núcleos estarem preenchidos e no local, foi altura de os deixar repousar e ir ver as minhas pobres rainhas de emergência. E passados cerca de 10-15 minutos foi altura de iniciar a introdução destas ricas rainhas de translarve.
Estas rainhas vão ficar confinadas à gaiola cerca de 2 a 3 dias, a libertarem as suas sedutoras feromonas reais, para que as abelhas que lhe couberam em sorte as aceitem mais facilmente quando finalmente forem libertadas da sua gaiola.
Os núcleos foram estrategicamente colocados nas extremidade dos assentos e com o alvado virado no sentido contrário ao das colónias de produção, que ainda lá não estavam porque só hoje as coloquei no espaço entre os núcleos. Com estes cuidados pretendo diminuir o mais possível a deriva das rainhas no regresso do(s) seu(s) voo(s) de fecundação.

Para estas 10 rainhas foi assim. Para as outras 9 que introduzi ontem segui outro percurso, porque as condições de partida foram diferentes.

Ontem, as colónias doadoras submetidas à técnica ficaram com o sobreninho vazio.

Aspecto de um sobreninho ontem no final da generosa doação.

Hoje, entre várias outras tarefas, voltei a estas colónias para lhes terminar este vazio.

Todos estes sobreninhos foram fornecidos de quadros com cera clara puxada. A excluidora mantém-se para evitar o desastre que seria deixar as rainhas subirem ao sobreninho, aí assentarem acampamento, abandonarem o ninho às abelhas, que depressa o encheriam de pão de abelha em quantidades absurdas.

Hoje, a terminar o dia, foi altura de dizer adeus a várias colónias, que foram apanhar os ares de Lamego.

Uma das colónias que ganhou um novo dono.

pobres rainhas de emergência: à frente dos meus olhos

Quem me lê assiduamente já conhece a minha posição sobre as rainhas de emergência: criadas num ambiente com muitas abelhas e boas fontes de nutrição nada ficam a dever a rainhas de translarve.

Hoje decidi fotografar alguns detalhes numa das minhas colónias que ilustram alguns aspectos do processo de criação de rainhas de emergência, e que aparentam refutar a tese de que as rainhas de emergência são de qualidade inferior porque provêem de larvas demasiado velhas e deficientemente nutridas. A linha do tempo dos acontecimentos descrevo-a agora e as fotos ilustram os aspectos que me importa realçar.

No passado dia 2 de abril decidi orfanar algumas colónias como descrevi aqui.

Ontem, numa destas colónias vi duas rainhas virgens em vigorosas correrias sobre os quadros. Desde o dia da sua orfanação e até ao dia de ontem esta colónia não tinha sido inspeccionada. E até ao dia de hoje não foi sujeita a qualquer tipo de maneio. É inquestionável que o último ovo fertilizado foi posto no dia 2 de abril. E hoje, para satisfazer uma curiosidade, voltei a abrir esta colónia. A razão esteve no facto de ontem ter visto 4 mestreiros fechados. Como sabemos a literatura é consensual acerca do período de tempo médio que medeia desde o primeiro dia do ovo e a emergência da rainha: 16 dias.

Como já haviam passado 19 dias desde que o último ovo foi posto fiz questão de, com ajuda de um x-acto, abrir cuidadosamente os 4 mestreiros para verificar o seu conteúdo à frente dos meus olhos. Um deles estava vazio, num outro estava uma rainha atrofiada e morta. Nos outros dois, depois da pequena incisão que fiz na ponta dos mestreiros, emergiram duas rainhas vigorosas e com muito bom aspecto.

Um dos dois mestreiros do qual ajudei a emergir uma rainha viva e com muito bom aspecto. Este mestreiro foi criado numa condição de emergência.
Fiz uma pequena incisão para confirmar a presença de uma rainha viva. Entre a incisão, pegar no telemóvel e tirar a foto já a rainha andava em correria pela quadro…
… e focá-la melhor foi impossível.
O segundo mestreiro de onde ajudei a emergir uma rainha viva e com muito bom aspecto. Neste consegui fotografar a rainha prestes a sair do mestreiro. Também este mestreiro foi criado numa condição de emergência.

Com esta publicação reconfirmo o seguinte:

  • uma vez mais a primeira rainha a nascer não eliminou as irmãs ainda nos mestreiros — lembro que ontem vi duas rainhas virgens nesta mesma colónia (ver aqui);
  • aparentemente alguns mestreiros são defendidos e protegidos pelas abelhas das investidas das rainhas já emergidas;
  • as rainhas criadas numa condição de emergência não são necessariamente criadas a partir de larvas demasiado velhas — ver estudo aqui;
  • neste caso, que descrevi e ilustrei, o mais provável é que estas duas rainhas tenham tido origem em larvas que à data da orfanação ainda eram ovos;
  • sendo assim, acredito que desde o primeiro minuto estas larvas tiverem acesso à melhor alimentação que as abelhas podem dar a uma futura rainha;
  • aparentemente a emergência das rainhas não é um processo automático e independente da vontade e acção das abelhas;
  • parece que abelhas conseguem atrasar a emergência de rainhas por horas ou até por dias.
Isto tudo com as moitas de rosmaninho com as suas habituais inflorescências nesta época do ano.

dos 900m aos 600m: a mescla de técnicas para atingir objectivos vários

Ontem, após 150 km feitos e 100 € deixados na bomba de combustível, entrei no apiário a 900 m de altitude com três objectivos principais: (i) identificar colónias com boa população e rainha com bom padrão de postura para entregar a um cliente; (ii) identificar e preparar colónias para uma pequena transumância de 10 Km, descendo dos 900m para uma altitude de 600m onde um significativo fluxo de néctar se iniciou nos últimos dias; (iii) palmerizar alguns núcleos.

Uma das tarefas de ontem: palmerizar núcleos muito/excessivamente povoados, antes de os transferir para colmeia nos próximos dias.

Hoje, num dos apiários de 600m e depois de colocadas nos assentos as colónias transumadas, apliquei uma mescla de técnicas para atingir diversos objectivos: (i) prevenir a enxameação; (ii) controlar a enxameação; (iii) preparar núcleos para introduzir rainhas virgens em gaiola. Para optimizar da melhor forma o material que tinha disponível, caixas-núcleo e excluidoras de rainhas, e o tempo de que dispunha, tive de utilizar alguma capacidade inventiva e sair da minha zona de conforto.

Uma das colónias muito povoada onde decidi confinar a rainha ao ninho com recurso a excluidora de rainhas e submetê-la parcialmente à “cura radical da enxameação”. Uma mescla de técnicas com resultados a avaliar em inspecções futuras.

No segundo apiário a 600m de altitude, os objectivos eram sobretudo dois: (i) espreitar algumas colónias orfanadas faz hoje 17 dias; (ii) preparar 5 colónias para serem desdobradas pela técnica Doolittle.

Neste pedaço de quadro andam pelo menos duas rainhas virgens.
A cronologia dos principais eventos desta colónia. Não manipulei esta colónia desde a sua orfanação para verificar a minha tese: ainda que não tendo ocorrido a enxameação primária esta colónia irá formar enxames secundários/garfos — espero enganar-me!
Colónia muito povoada, com ninho e sobreninho desde 17 de março.
Quadro onde andava a rainha. Colocado no ninho, separei o ninho do sobreninho com grade excluidora.
A cronologia dos principais eventos desta colónia. Sempre que possível, só depois de um período de uma a duas semanas após a verificação de postura no sobreninho (05-04) tenho por hábito confinar a rainha no ninho por meio de exluidora (19-04). Os quadros que coloco/deixo no ninho devem ter pelo menos cerca de 80% da sua área desbloqueada de pólen e/ou néctar.
Este quadro em cima, como não cumpre os critérios foi retirado do ninho e colocado no sobreninho, sobre a grelha excluidora.
Primeiros sinais de armazenamento do excesso de néctar.

o trabalho num apiário e a sua dimensão investigatória

Há cerca de um ano atrás fiz esta publicação que intitulei “o trabalho num apiário e a sua dimensão lúdica”. Ontem, no mesmo apiário, o meu trabalho teve uma orientação predominantemente investigatória — não deixando de ter a dimensão lúdica.

Dado que o trabalho previsto para um dos meus apiários a 900m foi adiado para o dia seguinte considerando as baixas temperaturas, voltei ao apiário onde no passado sábado utilizei uma solução de antecipação para prevenir e para controlar a enxameação em seis colónias como relatei aqui. Nesse sábado, das seis colónias orfanadas, uma apresentava mestreiros de enxameação. As outras cinco tinham 8 ou mais quadros com criação e não lhes vi mestreiros de enxameação.

Tendo este pequeno grupo de seis colónias orfanadas aproveitei para iniciar um teste muito informal sem cariz científico — sei o suficiente das exigências método científico para o reconhecer —, e me permitirá confirmar a título meramente indicativo e pessoal se algumas das minhas crenças e cepticismos têm ou não algum chão para se sustentarem. Entre outras:

  • uma colónia orfanada, desde que com muitas abelhas jovens e bem nutrida, tem todas as condições para criar rainhas de emergência com grande qualidade;
  • com boas condições iniciais, muitas abelhas e nutrição suficiente, os mestreiros de emergência são seleccionados pelas abelhas, isto é, aqueles iniciados com larvas mais velhas acabam por ser eliminados pelas abelhas (ver aqui);
  • uma colónia, ainda que artificialmente orfanada, se tiver muitas abelhas pode ainda assim enxamear com uma ou mais das rainhas virgens que emergirem;
  • uma colónia orfanada, com uma grande população e que crie várias rainhas virgens pode tardar em ficar resolvida, até ter uma só rainha fecundada e em postura;
  • uma colónia orfanada, com uma grande população, numa época de fluxo de néctar pode ficar parcialmente bloqueada no ninho no período que medeia a orfandade e o momento em que consegue que uma rainha inicie a postura.

Para testar informalmente estes aspectos decidi fazer o quer relato e ilustro em baixo. A questão do bloqueio não me interessa testar porque tem uma solução expedita e simples.

Caso de uma das colónias orfanadas, excepcionalmente povoada.
Decidi dividi-la por dois núcleos que ficaram a partilhar o local original…
… com as abelhas a encherem as duas caixas. Cada um deles tem as condições que considero necessárias, muitas abelhas, para criar excelentes rainhas de emergência.
Neste outro caso dividi esta colónia verticalmente com recurso ao velhinho tabuleiro divisor. Deixei mestreiros nas duas caixas, a de cima como ficou com a entrado orientada para o lado oposto ao da entrada original irá ficar muito menos povoada que a caixa inferior. Os mestreiros que ficaram nas duas caixas já estavam fechados. Viso verificar em qual deles se iniciárá primeiro a postura, se será no de cima que tem menos população como é minha hipótese.
Nesta colónia fiz a minha selecção de mestreiros. Esta selecção terá algum impacto na qualidade das rainhas? A minha hipótese é que pouco ou nada adianta esta selecção pelo apicultor. As abelhas quando em bom número criam as condições para construírem mestreiros de qualidade assim como seleccionarão os melhores. Ver um aspecto particular desta hipótese na foto em baixo.
Na minha opinião, uma condição inicial para que os mestreiros de emergência sejam de qualidade é serem construídos o mais possível na vertical. Esta condição permite que a larva se alimente facilmente da geleia real logo por cima no topo do mestreiro. O que tenho visto recorrentemente é que uma colónia órfã bem povoada rebaixa a cera no local de construção de alguns dos mestreiros por forma a permitir essa verticalidade.
Nesta colónia assim como numa outra não fiz qualquer manipulação. Assim seguirão sem qualquer manipulação até terem passado cerca e 30-35 dias. Irão criar rainhas de qualidade? Irão enxamear com as rainhas virgens que nascerão? Lançarão garfos sucessivos e a sua população ficará muito reduzida? Esta é a minha maior dúvida, tenho algum receio que sim, que lancem garfos. Assim acontece nos processos naturais de enxameação, a seguir ao enxame primário seguem-se os enxames secundários. Neste caso, o enxame primário foi artificialmente provocado com a orfanação e os mestreiros são de emergência, não de de enxameação. Estou muito curioso para verificar se estes enxames orfanados artificialmente irão mimetizar o processo de enxameação natural e lançar garfos.

sobre o ritmo de crescimento das colónias: uma realidade reconfirmada

Nesta época, no meu território, em condições regulares, as minhas colónias com 5 quadros de abelhas crescem a um ritmo de um a dois quadros por semana — reconfirmo uma vez mais o que li descrito pelo enorme apicultor Randy Oliver, como referi nesta publicação, publicação que foi um marco pessoal, quando há 5 anos atrás me permiti sumariar, estruturar e tornar inteligível num texto feliz um conjunto de observações que tinha vindo a fazer nos anos anteriores).

No passado dia 19 de março, nesta publicação, descrevi a transferência de alguns enxames para caixas-colmeia (modelo Langstroth).

O enxame no núcleo e a caixa-colmeia para onde foi transferido.
Como escrevi na publicação original “Devido às temperaturas relativamente baixas previstas para os próximos dias não me atrevi a desfazer este bloco denso intercalando quadros vazios.

Passados 16 dias e sem qualquer outro maneio neste intervalo de tempo, anteontem, dia 3 de abril, os enxames tinham passado dos iniciais 5 quadros com abelhas para os 9 quadros com abelhas e 7 quadros com criação. Deixo em baixo as fotos de uma destas colónias.

Anotação da data de transferência.
Os quadros levantados indicam a periferia da zona de criação: 7 quadros com criação.
Padrão de postura da rainha desta colónia, representativa da realidade da grande maioria das minhas colónias.
Como os adolescentes, estas colónias precisam de muito alimento para medrarem bem.

Nota: São enxames como estes que tenho a coragem de vender aos meus clientes. Nem menos nem mais, simplesmente e transparentemente como estes.