o trabalho num apiário e a sua dimensão investigatória

Há cerca de um ano atrás fiz esta publicação que intitulei “o trabalho num apiário e a sua dimensão lúdica”. Ontem, no mesmo apiário, o meu trabalho teve uma orientação predominantemente investigatória — não deixando de ter a dimensão lúdica.

Dado que o trabalho previsto para um dos meus apiários a 900m foi adiado para o dia seguinte considerando as baixas temperaturas, voltei ao apiário onde no passado sábado utilizei uma solução de antecipação para prevenir e para controlar a enxameação em seis colónias como relatei aqui. Nesse sábado, das seis colónias orfanadas, uma apresentava mestreiros de enxameação. As outras cinco tinham 8 ou mais quadros com criação e não lhes vi mestreiros de enxameação.

Tendo este pequeno grupo de seis colónias orfanadas aproveitei para iniciar um teste muito informal sem cariz científico — sei o suficiente das exigências método científico para o reconhecer —, e me permitirá confirmar a título meramente indicativo e pessoal se algumas das minhas crenças e cepticismos têm ou não algum chão para se sustentarem. Entre outras:

  • uma colónia orfanada, desde que com muitas abelhas jovens e bem nutrida, tem todas as condições para criar rainhas de emergência com grande qualidade;
  • com boas condições iniciais, muitas abelhas e nutrição suficiente, os mestreiros de emergência são seleccionados pelas abelhas, isto é, aqueles iniciados com larvas mais velhas acabam por ser eliminados pelas abelhas (ver aqui);
  • uma colónia, ainda que artificialmente orfanada, se tiver muitas abelhas pode ainda assim enxamear com uma ou mais das rainhas virgens que emergirem;
  • uma colónia orfanada, com uma grande população e que crie várias rainhas virgens pode tardar em ficar resolvida, até ter uma só rainha fecundada e em postura;
  • uma colónia orfanada, com uma grande população, numa época de fluxo de néctar pode ficar parcialmente bloqueada no ninho no período que medeia a orfandade e o momento em que consegue que uma rainha inicie a postura.

Para testar informalmente estes aspectos decidi fazer o quer relato e ilustro em baixo. A questão do bloqueio não me interessa testar porque tem uma solução expedita e simples.

Caso de uma das colónias orfanadas, excepcionalmente povoada.
Decidi dividi-la por dois núcleos que ficaram a partilhar o local original…
… com as abelhas a encherem as duas caixas. Cada um deles tem as condições que considero necessárias, muitas abelhas, para criar excelentes rainhas de emergência.
Neste outro caso dividi esta colónia verticalmente com recurso ao velhinho tabuleiro divisor. Deixei mestreiros nas duas caixas, a de cima como ficou com a entrado orientada para o lado oposto ao da entrada original irá ficar muito menos povoada que a caixa inferior. Os mestreiros que ficaram nas duas caixas já estavam fechados. Viso verificar em qual deles se iniciárá primeiro a postura, se será no de cima que tem menos população como é minha hipótese.
Nesta colónia fiz a minha selecção de mestreiros. Esta selecção terá algum impacto na qualidade das rainhas? A minha hipótese é que pouco ou nada adianta esta selecção pelo apicultor. As abelhas quando em bom número criam as condições para construírem mestreiros de qualidade assim como seleccionarão os melhores. Ver um aspecto particular desta hipótese na foto em baixo.
Na minha opinião, uma condição inicial para que os mestreiros de emergência sejam de qualidade é serem construídos o mais possível na vertical. Esta condição permite que a larva se alimente facilmente da geleia real logo por cima no topo do mestreiro. O que tenho visto recorrentemente é que uma colónia órfã bem povoada rebaixa a cera no local de construção de alguns dos mestreiros por forma a permitir essa verticalidade.
Nesta colónia assim como numa outra não fiz qualquer manipulação. Assim seguirão sem qualquer manipulação até terem passado cerca e 30-35 dias. Irão criar rainhas de qualidade? Irão enxamear com as rainhas virgens que nascerão? Lançarão garfos sucessivos e a sua população ficará muito reduzida? Esta é a minha maior dúvida, tenho algum receio que sim, que lancem garfos. Assim acontece nos processos naturais de enxameação, a seguir ao enxame primário seguem-se os enxames secundários. Neste caso, o enxame primário foi artificialmente provocado com a orfanação e os mestreiros são de emergência, não de de enxameação. Estou muito curioso para verificar se estes enxames orfanados artificialmente irão mimetizar o processo de enxameação natural e lançar garfos.

sobre o ritmo de crescimento das colónias: uma realidade reconfirmada

Nesta época, no meu território, em condições regulares, as minhas colónias com 5 quadros de abelhas crescem a um ritmo de um a dois quadros por semana — reconfirmo uma vez mais o que li descrito pelo enorme apicultor Randy Oliver, como referi nesta publicação, publicação que foi um marco pessoal, quando há 5 anos atrás me permiti sumariar, estruturar e tornar inteligível num texto feliz um conjunto de observações que tinha vindo a fazer nos anos anteriores).

No passado dia 19 de março, nesta publicação, descrevi a transferência de alguns enxames para caixas-colmeia (modelo Langstroth).

O enxame no núcleo e a caixa-colmeia para onde foi transferido.
Como escrevi na publicação original “Devido às temperaturas relativamente baixas previstas para os próximos dias não me atrevi a desfazer este bloco denso intercalando quadros vazios.

Passados 16 dias e sem qualquer outro maneio neste intervalo de tempo, anteontem, dia 3 de abril, os enxames tinham passado dos iniciais 5 quadros com abelhas para os 9 quadros com abelhas e 7 quadros com criação. Deixo em baixo as fotos de uma destas colónias.

Anotação da data de transferência.
Os quadros levantados indicam a periferia da zona de criação: 7 quadros com criação.
Padrão de postura da rainha desta colónia, representativa da realidade da grande maioria das minhas colónias.
Como os adolescentes, estas colónias precisam de muito alimento para medrarem bem.

Nota: São enxames como estes que tenho a coragem de vender aos meus clientes. Nem menos nem mais, simplesmente e transparentemente como estes.

cura radical da enxameação: o ensaio

Em território de urgueiras, que começam a expressar-se também no interior das minhas colmeias por via do magnífico cheiro do seu néctar que começou a ser armazenado nos ninhos, dei início a uma nova etapa no meu maneio. Utilizei pela primeira vez esta técnica: cura radical da enxameação.

Em duas colónias encontrei sinais inequívocos de preparação de uma das últimas etapas do processo de enxameação: o surgimento de mestreiros de enxameação.

Um dos vários quadros com mestreiros de enxameação.
Confirmei a presença da rainha em cada uma destas duas colónias.

Apliquei a técnica como prescrito pelo seu autor com recurso a um garfo de desopercular, tipo “rasca la cria”.

Apliquei esta técnica como “último recurso”, uma vez que já tinha doado os quadros com criação às poucas colónias um pouco mais atrasadas do apiário e, aqui chegado, ou criava duas novas colónias, ou aplicava a técnica Demaree, ou avançava para esta cura radical. Nenhuma das duas primeiras me são oportunas por constrangimentos que nada têm a ver com a apicultura. A eficácia desta solução será avaliada na próxima visita e caso se confirmem as garantias que o autor deu há mais de 100 anos, esta passará a ser uma técnica a juntar-se a outras que utilizo nesta época de prevenção e de controlo da enxameação. Esta não será privilegiada em relação a outras e muito menos as excluirá. Haverá um tempo e um momento próprio para cada uma delas.

das verdades que comunguei e dos desmentidos das minhas abelhas

Como todos, houve uma altura em que fui um iniciante de apicultor. Como bom iniciante apetrechei o meu pensamento com as proclamações de verdades absolutas que alguns dos meus companheiros debitavam nos fóruns e redes sociais de grupos de apicultores. Como todo o iniciante foi-me reconfortante ouvir estas certezas absolutas numa actividade que estava a iniciar! E assim, com o pensamento conformado por essas proclamações, me iniciei no maneio das minhas colónias em 2009-2010. E logo em 2010, as minhas abelhas desmentiram algumas dessas proclamações. De lá para cá continuam a desmentir umas e outras, quase todas.

Chegado ao dia de hoje, confirmo uma vez mais que as verdades proclamadas são desmentidas pelas minhas abelhas à frente dos meus olhos. Tive hoje oportunidade e vontade de fotografar para partilhar com os meus leitores dois exemplos desses desmentidos acerca das seguintes proclamações:

  • 1) é errado aproveitar mestreiros de enxameação porque perpetua a genética de enxameação — na verdade o que é isso de genética de enxameação? é determinada por um gene herdado da mãe? por um conjunto de genes herdados da mãe e dos vários genes dos pais presentes nas várias sub-famílias da colónia? o comportamento de enxameação da rainha é determinado por ela só ou também e sobretudo é determinado pelas suas filhas, filhas de vários pais? é determinado sobretudo por factores hereditários ou predominantemente por factores ambientais/contextuais?;
  • 2) se quero encontrar a rainha numa colónia devo-a procurar nos quadros com ovos porque de certeza é ali que ela anda, porque como todas as boas mães anda junto da sua prole — na verdade quem é a mãe das abelhas? a rainha que só as pariu ou as abelhas operárias que as amamentam e criam? se por acaso anda longe do quadro com ovos, isso faz dela uma má mãe? quando todos os quadros de uma colónia já foram utilizados para dois ou três ciclos de criação ainda se encontrará um quadro só com ovos? todos os quadros da colónia não terão neste caso uma mistura de ovos, criação aberta e criação fechada? se sim, em qual deles andará a rainha que tanto me interessa encontrar para realizar aquele maneio específico que me obriga a descobri-la?

Como estas muitas outras proclamações me passam pela cabeça. Um terceiro exemplo: os apiários não devem ter mais que 20-30 colónias por encabeçamento — interrogo-me se em todos os locais? só em alguns, e como saber quais? não há condições para ter 100 colónias num apiário rodeado sobretudo por giestas? e quando essas 100 colónias num apiário rodeado sobretudo por giestas produz uma média de 20 kgs por colónia, ano após ano, caso tivesse apenas 30 colónias produziria as mesmas 2 toneladas de mel?

Sobre esta terceira proclamação deixo uma foto de um apiário meu com capacidade para assentar 100 colónias, onde já estiveram 100 colónias e me deram vários anos seguidos 1600 kgs de mel.

Vista privilegiada de um apiário inverosímil.

Sobre a segunda proclamação deixo esta foto de hoje onde encontrei uma rainha não a cuidar dos ovos, mas num quadro com uma imensa mancha de criação fechada.

Sobre a primeira proclamação deixo este conjunto de fotos de uma rainha emergida de um mestreiro de enxameação que enxertei o ano passado (ver aqui). Hoje o núcleo cheio como um ovo, nem sinais de cálices reais lhe vi quanto mais mestreiros de enxameação.

Foto de hoje do núcleo e do mestreiro de enxameção de onde saiu a rainha.
O que mais me surpreendeu nos quadros deste núcleo de uma rainha com a dita genética de enxameação foi não ver um único cálice real.
Ali anda a rainha, bem misturada no meio de suas filhas. Quando fará justiça à fama que tem e enxameará?

Desde que me conheço, que sempre procurei a opinião dos mais experimentados, mas também me lembro de sempre o fazer sem desligar o cérebro. Procurei e procuro cada vez mais intensamente ter a humildade e a capacidade de me manter um observador o mais possível neutro dos fenómenos naturais. Sempre que o consigo, a natureza amiúde encarrega-se de me dizer que não se move pelas linhas rectas que em determinada altura, no início do meu processo de aprendizagem, me cheguei a convencer existirem por ouvir tantas proclamaçãos cheias de certezas.

uma solução de antecipação

Hoje, no apiário das Lusitanas a 600m de altitude, o rosmaninho está a desabrolhar. Como no ano passado, assim como nos anteriores, antes de 15 de abril as abelhas pouco ou nada tirarão dele.

No entanto as colónias, como habitualmente, estão à frente do rosmaninho. Nunca foi do pólen e do néctar do rosmaninho que elas dependeram para crescer. Sim de diversas flores subsidiárias presentes no campo já em fevereiro. À entrada de abril as colónias, formadas por 20 mil ou um pouco mais de indivíduos , estão a atingir a maturidade. Algumas iniciam os últimos preparativos para se reproduzirem, enxameando. Ora como este ano vou ter menos disponibilidade para fazer a prevenção da enxameação nos moldes em que a tenho feito em anos anteriores, decidi queimar algumas etapas e antecipar-me. Em termos práticos isto significa que estou a isolar desde já rainhas de colónias que têm 8 quadros com criação e 10 quadros com abelhas. Isolo a rainha-mãe com 2 a 3 quadros e abelhas retiradas da colónia-mãe. Coloco-os em núcleo. Os núcleos são deixados num outro local do mesmo apiário, e por esta razão sacudo mais um ou dois quadros de abelhas, contando que uma parte delas regressará à colónia-mãe.

Para lá da identificação de boas colónias para entregar a um outro cliente, da verificação do estádio sanitários de todas as colónias, da alimentação de algumas e colocação de sobreninhos sobre umas poucas, foi o maneio de isolamento de rainhas o que mais tempo me levou e, simultaneamente, o mais prazeroso. Encontrar uma rainha entre 20 mil indivíduos e em menos de 5 minutos é um jogo que gosto de jogar comigo mesmo. Evitar que estas rainhas e abelhas, nas quais despendi tempo e recursos nos meses de outono-inverno, enxameiem e vão para um canto qualquer nesta altura do ano e que, ao contrário, as mantenho nas minhas caixas é uma recompensa que muito me agrada. Hoje neste apiário procurei seis rainhas, encontrei 6 rainhas e vi muitas dezenas de milhar de abelhas a passarem-me diante dos olhos e… não me cansei. No final da tarde entreguei os enxames ao meu cliente. Trabalho feito por hoje.

1ª rainha.
No núcleo.
Juntei mais 2 quadros com abelhas suas filhas e sacudi umas quantas mais.
Deixei alimento.
Anotei.
5 dos 6 núcleos onde isolei as rainhas-mãe.
A 2ª rainha.
A 3ª rainha.
A 4ª rainha.
A 5ª rainha.
A 6ª rainha.

As 6 colónias orfanadas vão levar a cabo a criação de novas rainhas. Esta realidade não precisa de mim.

Uma das colónias orfanadas.
Com tanta mão de obra o que falta fazer será bem feito… assim estou convicto.

primeira inspecção depois do equinócio da primavera

Hoje, a 900 m de altitude, entrei no apiário por volta das 13h30. A temperatura rondava os 11ºC, o vento era fraco e o sol ía aparecendo por detrás de algumas nuvens ocasionais. As colónias estão saudáveis e a crescer.

A 900 m de altitude, o meu apiário mais lindo e mais antigo, com 13 anos.

Os objectivos centrais desta inspecção eram dois: (i) alimentar as colónias com pasta de açúcar; (ii) identificar colónias fortes, com pelo menos 7 quadros com criação e 9 quadros bem cobertos de abelhas, para entregar amanhã a um dos meus clientes. Como habitualmente tirei umas fotos.

Uma das colónias seleccionadas para entregar ao meu cliente. Pronta para receber meia-alça ou um sobreninho.
Uma colónia representativa da maior parte das minhas colónias no que respeita ao comportamento. Abelhas agarradas ao quadro que quase não levantam voo quando as trabalho sem fumo e calmamente. A rainha saiu virgem da empresa apícola Vale do Rosmaninho. Foi fecundada em junho do ano passado num dos meus apiários.
Um pormenor a observar. Larvas bem alimentadas a nadar em geleia de operária.
Uma senhora rainha, esta criada e nascida nos meus apiários.

o maneio dos núcleos à saída do inverno: a palmerização

Trabalhei o apiário das urgueiras ontem. Alimentei, coloquei dois sobreninhos sobre duas colónias fortes e procedi à palmerização de um núcleo com vista a dar apoio a uma colónia zanganeira.

Apesar da floração vistosa as abelhas ainda pouco ou nada tiram destas urgueiras que cobrem o território nas redondezas. Ainda não aqueceu o suficiente para estes arbustos iniciarem a exsudação de néctar.
Uma das duas colónias fortes onde coloquei sobreninho (modelo Langstroth).
Quadro que retirei deste sobreninho colocado uns momentos antes. Este quadro irá ser utilizado na palmerização de um núcleo.

Voltando a exemplificar esta técnica que denominei de palmerização, em homenagem e tributo ao apicultor que primeiro ouvi falar da sua utilização, Michael Palmer.

Núcleo muito bem povoado que palmerizei.
Quadro com criação nos três estádios que retirei do núcleo no âmbito da sua palmerização.
Quadro que retirei do sobreninho e que foi colocado na posição 4 deste núcleo alvo da palmerização.

Porque retirei o quadro com criação do núcleo? Por duas razões: (i) como medida de prevenção da enxameação; (ii) porque este quadro me foi necessário para iniciar a reversão do estado zanganeiro de uma colónia ali ao lado.

Colónia zanganeira bem povoada. Estas colónias por regra são alvo de um processo de reversão do seu estado. Resulta frequentemente.
Quadro com criação nos três estados que retirei do núcleo em cima é colocado no coração desta colónia. Em especial as larvas e suas feromonas vão inibir o surgimento de mais abelhas poedeiras.
No dia de ontem (19-03) coloquei o primeiro de três a quatro quadros que inserirei nesta colónia para reverter o seu estádio. Na próxima visita, dentro de 8-10 dias, colocarei o segundo quadro com criação e que muito provavelmente retirarei de um outro núcleo que será palmerizado.

o maneio dos núcleos à saída do inverno: a transferência

Cerca de 10 dias depois retorno aos apiários para mais uma ronda de alimentação — é nesta época que mais se justifica este cuidado em diversas zonas do nosso país —, para colocar sobreninhos sobre as colónias mais fortes, para fazer a última inspecção a um conjunto de núcleos a entregar a um dos meus clientes e para transferir algumas colónias em núcleos de 5 quadros para colmeias de 10 quadros.

Acerca da inspecção de ontem a um conjunto de núcleos do modelo Lusitana que entreguei hoje a um cliente, as fotos em baixo ilustram o padrão que sigo: colónias saudáveis, com uma população a ocupar densamente os 5 quadros e com uma rainha com um padrão de postura compacto e extenso.

Quadro 1 de um núcleo Lusitana coberto de abelhas. Quando o quadro 1 está assim densamente ocupado fico tranquilo acerca da qualidade do que vendo.
Padrão de criação compacto e extenso. Uma vez mais tive a oportunidade de ver a satisfação do comprador com o material vivo que levou. Correndo tudo normalmente o cliente vai duplicar este ano ainda o valor do investimento feito.

Relativamente à transferência de colónias em 5 quadros para caixas de 10 quadros este maneio permitir-lhes-á continuar a crescer e, de forma concomitante, mitigar e atrasar o surgimentos do impulso enxameador.

Um dos núcleos Langstroth que transferi para colmeia.
Caixa de 10 quadros pronta para albergar este enxame.
Devido às temperaturas relativamente baixas previstas para os próximos dias não me atrevi a desfazer este bloco denso intercalando quadros vazios.
Colmeia estacionada no apiário com quadros puxados vazios. Esta e outras colmeias foram trazidas para o apiário há cerca de 10 dias atrás para servirem objectivos diversos. No caso este banco de quadros apoiou a transferência de enxames para caixas de 10 quadros.
Tratei de alimentar generosamente, porque em nenhuma outra época do ano se combina um tão grande consumo de hidratos de carbono com a sua relativa escassez no campo. Quando assim acontece a alternativa a alimentar é a morte do enxame por fome.
A anotação no telhado permite-me avaliar com mais rigor o ritmo de desenvolvimento do enxame e prognosticar a data em que terei de iniciar as medidas de prevenção da enxameação conformando-a à regra não mais de seis — correndo tudo normalmente iniciarei estas medidas lá para 20-25 de abril.

Nota: estou vendedor de enxames com 5 e 10 quadros nos modelos Langstroth e Lusitana. Os interessados podem contactar-me através da caixa de comentários com todo o sigilo, pois não serão tornados públicos.

uma inspecção em tempo de guerra

Hoje, entre as 13h00 e as 16h30m, andei debaixo deste céu límpido em torno das minhas abelhas — esqueci-me por momentos das atrocidades que avançam à velocidade de um míssil de metal frio pelos campos e urbes da fértil e desgraçada Ucrânia, país onde se conjugam grandes planícies e grandes apicultores.

Os objectivos desta visita aos meus dois apiários a 600m de altitude foram:

  • acautelar a alimentação, considerando as condições metereológicas previstas para a próxima semana;
  • verificar a eficácia do primeiro tratamento anual da varroose, considerando que atingiu o final da primeira metade do período de 8 semanas que vai estar presente no coração do ninho destas colónias;
  • avaliar o estado de desenvolvimento dos enxames e o seu estado sanitário geral;
  • avaliar com atenção e cuidado o padrão de postura de rainhas e sanidade em vários enxames com a intenção de identificar os muito bons para os fornecer aos meus clientes durante as próximas 4 a 6 semanas.
Enxames fortes comem fortemente.
No geral, o padrão de postura é como o que se vê em cima e multiplicado por 5 a 6 quadros (modelo Langstroh).
Sabendo que é nesta época do ano que as varroas mostram uma acentuada preferência pela criação de zângãos, desopercular alguns pode dar-nos informação pertinente para avaliar a eficácia do primeiro tratamento anual. Neste caso em concreto, como se vê em cima, as tiras de Apistan aparentam estar a ser eficazes.
Nas colmeias que invernaram com ninho e sobreninho (modelo Langstroh) as rainhas já andam em postura no nível superior.
Nesta colónia com 6 quadros com criação, passei este quadro da posição 1 (lado esquerdo) para a posição 9. A intenção é dar espaço para o presumível avanço desta rainha para o lado quente da colmeia (lado direito). Nos próximos dias será colocada uma alça igual ao ninho com quadros puxados nesta colónia.
Padrão de postura num quadro do modelo Lusitano de um dos enxames que será entregue dentro de dois dias a um cliente amigo.
Aspecto de pormenor do quadro em cima. Confirmação da prolificidade da rainha: pouco após a emergência das abelhas os alvéolos são de novo utilizados para oviposição.

Nota: estou vendedor de enxames com 5 e 10 quadros nos modelos Langstroth e Lusitana. Os interessados podem contactar-me através da caixa de comentários com todo o sigilo, pois não serão tornados públicos.

um caso muito raro seguido de outro mais raro ainda

Hoje entre as 11 e as 16 horas tratei e alimentei as colónias do apiário mais densamente povoado dos quatro que tenho à data.

Também neste apiário, a 900 m de altitude, as abelhas vinham do campo bem carregadas de pólen.

No entanto o que justifica esta publicação é a apresentação de um caso muito raro.

Seguindo a linha do tempo dos eventos, no dia 14 de novembro do ano passado ao fazer o maneio de um dos núcleos neste apiário, vejo a rainha marcada a levantar voo. Este evento é muito raro na minha experiência e anotei-o no telhado do núcleo para o acompanhar em visitas futuras: a rainha voltaria ou não ao núcleo? iria ficar órfão?.

O núcleo, na data em que a rainha levantou voo, estava muito bem povoado.

Nas visitas seguintes confirmei que a rainha marcada não voltou. Nestas circunstâncias, e como o núcleo continuava bem povoado, deixei-o ficar no local. Estando bem povoado em fevereiro/março tinha o plano de lhe ir colocando um quadro com criação emergente semanalmente ou quinzenalmente. Com este maneio recupero frequentemente estas colónias órfãs.

Hoje, neste núcleo verifico duas coisas espantosas:

  1. pequena mancha com criação de obreira em vários estádios;
Desde o dia 14 de novembro que não via criação nova e ovos nesta colónia.

2. uma rainha não marcada.

A rainha que levantou voo estava marcada. Esta não está; é seguramente outra rainha. Como é possível? A colónia nas vistorias que lhe fui fazendo, desde que a rainha levantou voo e não regressou, nunca lhe vi mestreiros. Colocando possibilidade que tal me tivesse passado desapercebido, e que possa ter criado uma rainha, lembro que não há zângãos neste território desde setembro/outubro.

Durante alguns momentos fiquei perplexo… até que fiz as ligações entre este evento e um outro que me tinha dado conta uns momentos antes. Uns minutos antes tinha observado que um núcleo muito fraco nas visitas anteriores, hoje estava completamente despovoado. Não vi abelhas, rainha, criação, reservas, e não vi sinais de pilhagem a este núcleo. Os quadros estavam impecáveis, ainda que completamente vazios e limpos.

Vista de cima do núcleo vazio.

Na foto em baixo, mostro a localização destes dois núcleos um relativamente ao outro.

Em primeiro plano o núcleo que hoje encontrei completamente vazio; em cima o núcleo onde encontrei hoje a rainha em postura. Os dois estão relativamente próximos como se pode ver pela seta, mas não são os mais próximos. Logo ao lado do núcleo hoje vazio e no mesmo assento está um núcleo mais próximo, mas este está funcional com rainha e bem povoado.

A melhor explicação que encontro para este caso muito raro na minha experiência é a seguinte: a rainha e as pouca abelhas presentes no núcleo fraco (no primeiro plano) migraram e foram aceites pelo núcleo órfão e mais povoado (em segundo plano, no assento de cima).

Fica para a nossa imaginação os meandros acerca de como estas duas colónias perceberam que cada uma delas tinha exactamente os recursos críticos que faltavam à outra e como o conjunto de instintos, que todos nós conhecemos e levantam obstáculos à fusão de duas populações estranhas, foi desligado de forma aparentemente síncrona e consensual pelas duas colónias. Há dias em que a apicultura me traz perguntas que sinto que me puxam para cima e estes são dias que muito aprecio.