pobres rainhas de emergência: à frente dos meus olhos

Quem me lê assiduamente já conhece a minha posição sobre as rainhas de emergência: criadas num ambiente com muitas abelhas e boas fontes de nutrição nada ficam a dever a rainhas de translarve.

Hoje decidi fotografar alguns detalhes numa das minhas colónias que ilustram alguns aspectos do processo de criação de rainhas de emergência, e que aparentam refutar a tese de que as rainhas de emergência são de qualidade inferior porque provêem de larvas demasiado velhas e deficientemente nutridas. A linha do tempo dos acontecimentos descrevo-a agora e as fotos ilustram os aspectos que me importa realçar.

No passado dia 2 de abril decidi orfanar algumas colónias como descrevi aqui.

Ontem, numa destas colónias vi duas rainhas virgens em vigorosas correrias sobre os quadros. Desde o dia da sua orfanação e até ao dia de ontem esta colónia não tinha sido inspeccionada. E até ao dia de hoje não foi sujeita a qualquer tipo de maneio. É inquestionável que o último ovo fertilizado foi posto no dia 2 de abril. E hoje, para satisfazer uma curiosidade, voltei a abrir esta colónia. A razão esteve no facto de ontem ter visto 4 mestreiros fechados. Como sabemos a literatura é consensual acerca do período de tempo médio que medeia desde o primeiro dia do ovo e a emergência da rainha: 16 dias.

Como já haviam passado 19 dias desde que o último ovo foi posto fiz questão de, com ajuda de um x-acto, abrir cuidadosamente os 4 mestreiros para verificar o seu conteúdo à frente dos meus olhos. Um deles estava vazio, num outro estava uma rainha atrofiada e morta. Nos outros dois, depois da pequena incisão que fiz na ponta dos mestreiros, emergiram duas rainhas vigorosas e com muito bom aspecto.

Um dos dois mestreiros do qual ajudei a emergir uma rainha viva e com muito bom aspecto. Este mestreiro foi criado numa condição de emergência.
Fiz uma pequena incisão para confirmar a presença de uma rainha viva. Entre a incisão, pegar no telemóvel e tirar a foto já a rainha andava em correria pela quadro…
… e focá-la melhor foi impossível.
O segundo mestreiro de onde ajudei a emergir uma rainha viva e com muito bom aspecto. Neste consegui fotografar a rainha prestes a sair do mestreiro. Também este mestreiro foi criado numa condição de emergência.

Com esta publicação reconfirmo o seguinte:

  • uma vez mais a primeira rainha a nascer não eliminou as irmãs ainda nos mestreiros — lembro que ontem vi duas rainhas virgens nesta mesma colónia (ver aqui);
  • aparentemente alguns mestreiros são defendidos e protegidos pelas abelhas das investidas das rainhas já emergidas;
  • as rainhas criadas numa condição de emergência não são necessariamente criadas a partir de larvas demasiado velhas — ver estudo aqui;
  • neste caso, que descrevi e ilustrei, o mais provável é que estas duas rainhas tenham tido origem em larvas que à data da orfanação ainda eram ovos;
  • sendo assim, acredito que desde o primeiro minuto estas larvas tiverem acesso à melhor alimentação que as abelhas podem dar a uma futura rainha;
  • aparentemente a emergência das rainhas não é um processo automático e independente da vontade e acção das abelhas;
  • parece que abelhas conseguem atrasar a emergência de rainhas por horas ou até por dias.
Isto tudo com as moitas de rosmaninho com as suas habituais inflorescências nesta época do ano.

Um comentário em “pobres rainhas de emergência: à frente dos meus olhos”

  1. De repente parecia que estava a ver uma emissão do Attenborough! A descrição é deveras naturalista!
    Publicação muito interessante.

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