No próximo domingo, dia 11, pelas 9h00, estarei em Fazendas do Cortiço, a convite dos representantes da Junta de Freguesia e da Montemormel, para uma palestra sobre a preparação das colónias para o inverno, no âmbito da 19ª Feira do Mel. Partilharei algumas ideias e critérios de maneio para ajudar a avaliar as colónias e a preparar a sua entrada no inverno.
Agradeço à Montemormel o convite, na pessoa do seu presidente, Sr. Ermenegildo Charrua, do técnico da associação, Dr. Paulo Varela, e dos restantes membros da direção.
Sinto-me muito honrado com este convite e com a oportunidade de revisitar a bela cidade de Montemor-o-Novo e reencontrar os apicultores da região, que tão bem me acolheram há cerca de dois anos.
Regressei recentemente às proximidades do rio Aguedão para uma segunda visita técnica a uma exploração apícola que tinha visitado no ano passado, então numa verdadeira situação de emergência. Nessa altura, várias colónias apresentavam taxas de infestação por varroa muito elevadas e foi necessário recorrer ao Protocolo Inovador (PI). A intervenção permitiu salvar uma parte considerável das colónias.
Desta vez encontrei, de uma forma geral, colónias num estado sanitário claramente melhor.
Colónias maioritariamente com 2 e 3 quadros com boas áreas de criação. (foto do autor)
O objetivo da visita deste ano foi sobretudo esclarecer e aperfeiçoar alguns aspetos de detalhe relacionados com a aplicação do PI para controlo da varroose.
Trata-se de um casal de apicultores com mais de 150 colmeias distribuídas por três apiários, numa exploração com dimensão profissional. Uma das coisas que mais me agradou observar foi a forma como trabalham em conjunto. Contaram-me que, durante os maneios, trocam frequentemente impressões entre si antes de tomar decisões, procurando chegar à solução que lhes parece mais adequada para cada colónia e para a gestão global dos seus apiários.
Casal de apicultores em trabalho colaborativo durante a aplicação do PI (foto do autor, 2026)
E esse cuidado percebe-se no terreno. Os apiários estão muito bem cuidados e organizados e possuem uma unidade de produção primária com um nível de qualidade que raramente encontro.
Uma paisagem de outono… e um oceano de eucaliptos
A envolvente apresentava já alguns sinais claros do outono. Nas proximidades do apiário observava-se bastante magoriça (Calluna vulgaris) em floração.
Magoriça (Calluna vulgaris) em floração nas proximidades do apiário. (foto do autor)
Mas há outra imagem que caracteriza imediatamente aquela paisagem. De um dos pontos mais elevados, o olhar perde-se num verdadeiro oceano de eucaliptos, cobrindo montes sucessivos até onde a vista alcança.
A paisagem envolvente do apiário: um extenso contínuo florestal dominado pelo eucalipto. (foto do autor)
Velutina: soluções diferentes em apiários diferentes
O controlo da Vespa velutina é outra área a que estes apicultores têm dedicado bastante atenção. Em dois dos apiários utilizam Cavalos de Tróia, enquanto noutro recorrem às harpas elétricas.
Esta diversidade de soluções mostra uma realidade que encontro muitas vezes no terreno: os apiários não são todos iguais e uma mesma técnica não tem necessariamente de ser a melhor solução para todos eles.
Várias rainhas criadas por métodos naturais
Durante a visita tive também oportunidade de observar várias belas rainhas criadas por métodos naturais pelas próprias colónias.
Questionei-os sobre a razão de estarem atualmente a trabalhar apenas com rainhas criadas por métodos naturais. Relataram-me então que, há cerca de três anos, tiveram uma experiência pouco satisfatória com rainhas adquiridas a um criador situado a sul de Lisboa. Desde então, têm dado preferência às rainhas produzidas localmente e pelas próprias colónias.
Uma das várias belas rainhas criadas por métodos naturais e observadas durante a visita. (vídeo do autor)
Naturalmente, uma experiência negativa com um determinado lote de rainhas não permite retirar conclusões gerais sobre a criação comercial de rainhas. Mas, neste caso concreto, ajuda a compreender a opção que estes apicultores passaram a seguir.
Da cresta até setembro: os números da varroa
Depois da cresta, realizada em meados de julho, os apicultores avaliaram a infestação por varroa em algumas colónias. Os valores encontrados eram muito baixos, situando-se aproximadamente entre 0,3% e 0,6%.
Logo depois aplicaram um tratamento homologado, que permaneceu nas colmeias durante as oito semanas preconizadas na bula.
Terminadas essas oito semanas, fizeram aquilo que considero essencial: voltaram a medir.
E os números já eram muito diferentes.
Em algumas colónias encontraram 15 varroas em 300 abelhas adultas, correspondentes a uma taxa de infestação de 5%.
É precisamente este tipo de situação que mostra por que razão não considero suficiente colocar um tratamento na colmeia e presumir que o problema ficou resolvido. É a avaliação realizada depois do tratamento que nos diz onde estamos realmente. Seja por uma eficácia insuficiente nas condições concretas de utilização, por reinfestação posterior ou por uma combinação de diferentes fatores, uma coisa é objetiva: 5% nesta altura do ano exige intervenção.
Afinar alguns detalhes do Protocolo Inovador
Foi neste contexto que trabalhámos alguns pormenores da aplicação do PI. Não se tratava agora de aprender o protocolo de raiz, mas de aperfeiçoar a sua execução, corrigindo pequenos detalhes que podem fazer diferença no resultado final.
Durante esta visita iniciámos a primeira ronda do Protocolo Inovador. Se tudo decorrer como espero, aproximadamente 12 dias depois será realizada uma segunda ronda, já autonomamente pelos apicultores.
O objetivo é chegar às próximas semanas com uma pressão de varroa muito mais baixa e com maior tranquilidade relativamente ao estado sanitário das colónias.
São as abelhas de inverno que agora interessam
As colónias estão neste momento a preparar e criar as abelhas que irão atravessar o inverno.
Estas abelhas não são simplesmente mais uma geração. São fisiologicamente diferentes das abelhas típicas da primavera e do verão, apresentam maior longevidade e terão um papel determinante na manutenção das colónias durante os períodos mais críticos dos meses seguintes.
É por isso que controlar a varroa agora tem uma importância tão grande.
Um ano depois
Um ano depois da primeira visita, o cenário é diferente. Na altura encontrei uma situação de emergência que exigia atuar rapidamente. Agora encontrei uma exploração onde os apicultores monitorizam, tratam, voltam a medir e procuram perceber aquilo que aconteceu depois de cada intervenção.
Desta vez o meu trabalho foi, por isso, sobretudo um trabalho de afinação: observar, discutir e melhorar alguns procedimentos.
E ficou novamente uma impressão que considero importante. Para além de instalações muito cuidadas e apiários muito organizados, encontrei dois apicultores que conversam entre si, observam, questionam e procuram tomar em conjunto as melhores decisões para as suas colónias.
Com mais de 150 colmeias, pequenas decisões repetem-se muitas vezes. E, por isso, pequenos aperfeiçoamentos nos procedimentos podem acabar por fazer uma diferença muito grande no conjunto da exploração.
Nota: No canto superior direito do blogue, clique em «Menu» → «Manuais» para conhecer o manual Cavalos de Tróia contra a Vespa velutina — Manual prático para o apicultor e consultar as respetivas condições de aquisição. Entretanto, recebi feedback de clientes que aplicaram as técnicas lá descritas e estão a observar reduções assinaláveis na pressão de Vespa velutina nos seus apiários. É uma oportunidade para reduzir essa pressão e devolver às abelhas maior liberdade de voo e de forrageio, tão importantes nesta época do ano.
Nos últimos tempos tenho recebido muitos pedidos de apicultores amigos e antigos formandos que enfrentam uma pressão muito forte da Vespa velutina nos seus apiários. Em alguns casos, a predação é tão intensa que condiciona claramente a actividade das colónias e obriga a procurar respostas que vão além das medidas habituais.
Foi para responder a esses pedidos que decidi preparar o manual com 58 páginas que intitulei “Cavalos de Tróia contra a Vespa velutina — Manual prático para o apicultor”. Nele procurei organizar, sistematizar e enquadrar a informação disponível sobre estas técnicas, apresentando-a numa sequência clara, prática e didáctica.
O manual não substitui a necessária prudência, o respeito pela legislação nem a avaliação de cada caso concreto. Pretende, isso sim, ajudar o apicultor a compreender melhor as possibilidades, os limites e os cuidados associados a duas abordagens que têm sido discutidas e experimentadas em diferentes contextos.
No início de julho, logo depois da cresta, um apicultor que frequentou as sessões de formação que ministrei on-line sobre o Controlo efectivo da varroose, iniciou o controlo da varroa nas suas colónias. Realizou nas semanas seguintes dois tratamentos caseiros à base de amitraz. Poderia ter considerado o assunto resolvido e seguido em frente. Felizmente não o fez, e como recomendei no curso, no início de agosto pegou em amostras de aproximadamente 300 abelhas adultas e fez aquilo que considero indispensável depois de qualquer intervenção cuja eficácia não conhecemos: mediu o que tinha ficado.
O resultado não deixou grande margem para tranquilidade. Em algumas das lavagens contou mais de 15 Varroas em cerca de 300 abelhas, apesar dos dois tratamentos com amitraz já realizados. O tratamento tinha sido feito; o controlo da varroa, claramente, não. Esta distinção é importante. Colocar um produto numa colmeia é uma ação; conseguir que a população de Varroa destructor desça para os valores que pretendemos é um resultado. Só a monitorização nos permite saber se esse resultado foi alcançado.
Não retiro deste episódio a conclusão de que o amitraz deixou de funcionar naquele apiário. Tratava-se de tratamentos caseiros e uma falha desta natureza pode ter várias explicações, desde a dose e a forma de aplicação até à quantidade de criação existente ou à própria sensibilidade da população de Varroa ao amitraz. O que sabemos objetivamente é mais simples: depois de dois tratamentos, a infestação continuava demasiado elevada.
Perante estes valores, este apicultor decidiu contactar-me e perguntou-me concretamente se poderia utilizar o Formic Pro, um dos vários medicamentos referidos por mim no curso. A sua principal preocupação, naquele momento, eram as temperaturas. Estávamos no início de agosto e as previsões apontavam para máximas bastante elevadas. Perante aquelas condições aconselhei-o a proceder de forma mais conservadora, aplicando apenas uma placa/tira de Formic Pro de cada vez, e não as duas simultaneamente previstas na bula. Foi assim que procedeu, seguindo esta orientação para as condições existentes naquele momento.
Aplicação de uma placa de Formic Pro em colónias com temperaturas elevadas (Scientific Beekeeping, 4a)
O ácido fórmico tem uma característica que o distingue de muitos outros acaricidas utilizados contra a varroa: consegue atuar também sobre uma parte dos ácaros presentes no interior da criação operculada. Esta vantagem é especialmente relevante quando existe quantidade apreciável de criação, mas não significa que o produto seja insensível às condições de aplicação. Pelo contrário, a temperatura, a ventilação, a força da colónia e a velocidade de libertação do ácido influenciam simultaneamente a eficácia e a tolerância das abelhas ao tratamento.
Terminadas as duas rondas, indiquei-lhe que avaliasse o resultado 12 a 15 dias depois, através de lavagens de aproximadamente 300 abelhas. Foi exatamente o que fez.
Já na segunda metade de setembro voltou a contactar-me com os resultados. Tinha avaliado várias colmeias e nenhuma das amostras ultrapassara duas Varroas. Duas Varroas em 300 abelhas correspondem aproximadamente a 0,7% de infestação. Comparando estes números com a situação encontrada no início de agosto, quando uma das lavagens revelara mais de 15 ácaros, o quadro era agora muito diferente.
Perguntei-lhe se tinha observado efeitos negativos sobre as rainhas, a que me respondeu que não, apenas deu conta de substituição de rainha numa colónia das muitas dezenas que tratou.
Não transformaria estes números numa estimativa experimental da eficácia do Formic Pro. Não estamos perante um ensaio desenhado para esse fim, nem todas as medições antes e depois correspondem necessariamente às mesmas colónias. Mas, para aquilo que interessa ao apicultor no terreno, a informação obtida era suficientemente útil: depois da intervenção, as amostragens mostravam níveis de infestação substancialmente mais baixos.
Nesta mesma conversa perguntou-me então se, perante amostras que não ultrapassavam duas Varroas em 300 abelhas, seria necessário voltar a tratar até ao final do ano. Respondi-lhe que, antes de lhe dar uma indicação, queria olhar para aquele valor através dos “olhos” do simulador de Varroa de Randy Oliver, fazendo uma projeção da evolução provável da população de ácaros até ao final de dezembro.
Referi-me que neste território não existe uma verdadeira interrupção da postura em novembro e dezembro, por efeito de recursos de néctar e pólen disponíveis durante uma parte importante do outono. E enquanto existe criação existe também oportunidade para a reprodução da Varroa.
Introduzi então os valores no simulador, procurando aproximar a dinâmica da criação daquilo que este apicultor me descreveu. A projeção foi bastante esclarecedora. Partindo de um nível atualmente baixo, se não fosse realizada uma nova redução da população de Varroa, o modelo projetava um crescimento muito acentuado durante o outono, chegando ao final de dezembro a uma população estimada em cerca de 2.500 Varroas por colónia. Um valor desta ordem de grandeza muda completamente a leitura das duas Varroas encontradas agora numa lavagem.
Resultados da simulação que fiz
Foi por isso que lhe respondi que, neste caso, considerava aconselhável prever um novo tratamento, preferencialmente até ao final da primeira quinzena de novembro, data até à qual a infestação não deverá superar, estimadamente, os 2%. A partir daí, mantendo-se criação e não havendo nova redução da população de ácaros, a progressão torna-se bastante mais acentuada.
Utilizo muito frequentemente o simulador de Randy Oliver, mesmo que não o considere uma máquina capaz de prever exatamente quantas Varroas teremos numa colmeia numa determinada data. Também não foi concebido para isso. É um modelo que integra aquilo que sabemos ou estimamos acerca da população de abelhas, quantidade de criação, crescimento da população de Varroa, imigração de ácaros e eficácia dos tratamentos e que permite visualizar trajetórias plausíveis. Para mim é sobretudo uma ferramenta de apoio à decisão.
Neste caso tornou visível algo que uma leitura estática das duas Varroas poderia esconder. O valor de hoje é baixo; a trajetória das semanas seguintes pode não ser. Uma colónia que mantém criação durante novembro e dezembro oferece sucessivos ciclos reprodutivos à Varroa. Assim, o mesmo nível de infestação medido em setembro pode ter consequências muito diferentes numa colónia que entra rapidamente numa pausa de postura ou noutra que continua a criar durante praticamente todo o outono.
Este caso acaba, portanto, por reunir várias ideias que tenho repetido muitas vezes neste blogue.
A primeira é que um tratamento não deve ser avaliado pelo produto que colocámos na colmeia, mas pelo número de Varroas que ficaram depois dele. Neste caso, depois da cresta do início de julho tinham sido realizados dois tratamentos caseiros com amitraz e, no início de agosto, uma lavagem continuava a revelar mais de 15 Varroas. Se este apicultor não tivesse monitorizado, poderia facilmente ter seguido pelo verão convencido de que o problema estava resolvido.
A segunda é que uma infestação baixa não significa necessariamente que podemos deixar de pensar na varroa durante vários meses. Duas Varroas hoje são poucas; a descendência dessas Varroas, somada aos ácaros que entretanto possam entrar na colónia, pode produzir uma realidade muito diferente algumas semanas depois. Neste caso, o simulador ajuda a tornar essa diferença particularmente visível: de um valor inferior a 1% em setembro para uma população potencial de cerca de 2.500 ácaros no final do ano, se a progressão não for interrompida.
E a terceira talvez seja aquela que melhor resume a maneira como atualmente procuro gerir a varroose: monitorizamos, intervimos quando necessário, voltamos a medir e utilizamos aquilo que sabemos sobre a dinâmica da colónia e da Varroa para antecipar o passo seguinte. Mais importante do que a fidelidade a determinado princípio ativo é saber onde estamos, verificar onde ficámos depois do tratamento e decidir com antecedência onde queremos estar quando se criam as abelhas que terão de atravessar o inverno.
Neste apiário o resultado conseguido até agora é bom. Mas é precisamente porque a infestação foi reduzida para valores baixos que faz sentido tentar conservá-la baixa, em vez de esperar que volte a atingir níveis que nos obriguem novamente a correr atrás da Varroa.
Referências — literatura científica e técnica
1. Direção-Geral de Alimentação e Veterinária — DGAMV (2025). Formicpro 68,2 g tiras para colmeia de abelhas melíferas — Resumo das características do medicamento, rotulagem e folheto informativo. Última revisão do texto: dezembro de 2025.
2. Bertola, M. & Mutinelli, F. (2025). Sensitivity and Resistance of Parasitic Mites (Varroa destructor, Tropilaelaps spp. and Acarapis woodi) Against Amitraz and Amitraz-Based Product Treatment: A Systematic Review. Insects, 16, 234.
3. Kosch, Y., Mülling, C. & Emmerich, I. U. (2025). Assessment of Resistance of Varroa destructor to Formic and Lactic Acid Treatment—A Systematic Review. Veterinary Sciences, 12, 144.
4. Oliver, R. & Harness, T. (2022). An Online Model for Varroa Management. Scientific Beekeeping.
4a. Randy Oliver (2023). Formic Pro and Queens in Hot Weather. Scientific Beekeeping.
Referências — Abelhas à Beira
5. Gomes, J. E. (2026). Qual é o melhor tratamento contra a varroa?Ler
6. Gomes, J. E. (2026). Varroa e muita criação: será a lavagem de abelhas adultas menos fiável?Ler
7. Gomes, J. E. (2026). Resistência ao amitraz: uma mutação não chega para contar toda a história.Ler
8. Gomes, J. E. (2023). Varroose: 4 tratamentos/ano serão suficientes?Ler
9. Gomes, J. E. (2026). Ácido fórmico: em que estado ficaram as varroas que não matou?Ler
Ontem, dia 16 de setembro, fiz a minha primeira visita técnica a um apiário nas proximidades de S. João da Madeira. O motivo principal que levou o apicultor a contactar-me foi muito concreto: apesar de estar a utilizar tratamentos caseiros à base de amitraz, não estava a conseguir controlar a varroose e pediu-me ajuda para aprender a preparar e aplicar o Protocolo Inovador (PI).
A observação das colónias confirmou rapidamente a gravidade da situação. Se, por um lado, a pressão de Vespa velutinaestava relativamente bem controlada através da utilização de Cavalos de Tróia por via cuticular, por outro, a varroose estava, em várias colónias, numa situação que só posso descrever como muito preocupante. Algumas das colónias estavam já profundamente enfraquecidas, com populações de abelhas muito abaixo daquilo que seria desejável nesta altura do ano.
Uma parte importante da visita foi, por isso, muito prática. Mostrei ao apicultor como preparar e utilizar corretamente o PI, desde a preparação dos materiais até à sua aplicação nas colónias. Nesta fase, mais do que discutir tratamentos em abstrato, interessava-me que saísse do apiário sabendo exatamente aquilo que deveria fazer nos dias seguintes.
Ainda há colónias onde vale a pena investir o nosso empenho
Entre as colónias observadas havia diferenças importantes. Algumas mantinham uma população equivalente a aproximadamente um quadro e meio de abelhas ou mais. Apesar de serem colónias já bastante fragilizadas, estou relativamente confiante na possibilidade de se aguentarem, sobretudo pela rapidez de atuação do PI. Nesta altura, cada dia conta: é preciso reduzir rapidamente a pressão da varroa e dar às abelhas que ainda restam condições para manter a colónia em funcionamento.
Quadro de colónia muito parasitada, mas onde acredito que o PI venha a ser muito útil para a sua recuperação (foto do autor)
Noutras, contudo, a situação era muito mais difícil. Encontrei colónias com menos de meio quadro de abelhas. Nesses casos, o meu prognóstico é bastante mais reservado. Mesmo que consigamos reduzir rapidamente a população de varroas, já não estamos apenas perante um problema de controlar o parasita; estamos perante colónias que ficaram com uma população tão pequena que a sua própria capacidade de recuperação pode estar seriamente comprometida.
Esta diferença é importante. Um tratamento pode matar varroas rapidamente, mas não consegue devolver à colónia, de um dia para o outro, as abelhas que entretanto perdeu.
Velutina controlada, mas ainda com margem para aperfeiçoar
O apicultor já estava a utilizar Cavalos de Tróia cuticulares contra a Vespa velutina e, pelo que pude observar, estava a conseguir manter a pressão das vespas razoavelmente controlada. Aproveitámos, ainda assim, para rever alguns aspetos da técnica e deixei-lhe várias recomendações destinadas a melhorar a preparação e utilização dos Cavalos de Tróia.
Disse-me, contudo, que a captura e preparação das vespas para aplicação cuticular lhe consumia bastante tempo. Por essa razão, vou enviar-lhe também informação fundamentada sobre a produção de Cavalos de Tróia por ingestão, para que possa conhecer uma alternativa potencialmente menos exigente em mão de obra e decidir, com informação suficiente, qual das abordagens melhor se adapta ao seu apiário.
Marcar uma rainha também se aprende fazendo
Houve ainda tempo para um maneio mais simples, mas que considero igualmente importante numa visita deste género. Encontrámos uma rainha e aproveitámos para fazer a sua marcação, mostrando ao apicultor os diferentes passos do procedimento e os cuidados a ter.
Etapa do processo de marcação de uma rainha (foto do autor)
São pequenos gestos técnicos, mas a melhor maneira de os aprender continua a ser vê-los fazer e depois repeti-los.
Flora de outono, mas pouco pão de abelha recente
Na envolvente do apiário observavam-se algumas florações outonais, nomeadamente de Calluna vulgaris — magoriça— e de tágueda (Dittrichia viscosa). Havia, portanto, recursos florais disponíveis na paisagem.
Calluna vulgaris — magoriça — em floração nas proximidades do apiário (foto do autor).
Tágueda (Dittrichia viscosa) em floração na envolvente do apiário (foto do autor)
Apesar disso, encontrei pouco pão de abelha recentemente armazenado nas colónias.
A minha leitura, no contexto concreto deste apiário, é que isso poderá estar relacionado com dois fatores que estavam bem presentes: por um lado, a fraqueza populacional de vários enxames, que naturalmente limita o número de abelhas disponíveis para o forrageio; por outro, a pressão de Vespa velutina, que, mesmo quando não paralisa completamente a atividade das colónias, pode condicionar as saídas e reduzir a intensidade do forrageio.
Há flores no campo. Isso não significa necessariamente que todas as colónias tenham população e liberdade de voo suficientes para as aproveitar.
Agora, reduzir rapidamente a pressão da varroa
Saí deste apiário com sensações diferentes conforme as colónias observadas. Nas que ainda mantêm cerca de um quadro e meio de abelhas, há uma janela de oportunidade que me parece ainda aproveitável. O PI começa a atuar rapidamente e, nesta fase, essa rapidez pode fazer uma diferença importante.
Nas colónias reduzidas a menos de meio quadro de abelhas, o caminho será muito mais difícil. A varroa pode ser controlada; resta saber se ainda existe população suficiente para reconstruir aquilo que entretanto se perdeu.
Foi precisamente para distinguir estas duas situações que a visita me pareceu particularmente útil. Tratar é necessário. Mas há um momento em que já não basta matar varroas: é preciso que ainda exista colónia suficiente para responder ao tratamento.
Esta visita junta-se a outras que tenho vindo a relatar neste blogue, em diferentes regiões do país e fora da minha zona habitual de trabalho em Coimbra: de Oliveira do Hospital, a Cardigos, passando por Torre de Moncorvo, Marco de Canaveses, Pombal e, muito recentemente, por um pequeno apiário junto ao rio Sabor. São territórios, apicultores e problemas diferentes, mas o propósito destas visitas é sempre muito semelhante: observar as colónias no seu contexto real, identificar os problemas concretos de cada apiário e deixar ao apicultor conhecimento e procedimentos que possa depois aplicar autonomamente. abelhas à beira
Mais uma vez, fui recebido com grande simpatia e disponibilidade. É algo que tenho encontrado habitualmente nestas deslocações e que não quero deixar de agradecer. Para além do trabalho técnico realizado dentro das colmeias, fica também esse lado humano das visitas, que tantas vezes torna o dia tão interessante como aquilo que encontramos quando levantamos a tampa de uma colmeia.
Publicações relacionadas — Abelhas à Beira
Por Oliveira do Hospital: visita técnica a apiário (2024). Ler
Visita técnica a apiário: sobre a autonomia, a estética e abelhas surpreendentes (2025). Ler
No terreno, ao lado dos apicultores, com resultados para apresentar (2025). Ler
Visita técnica junto ao Sabor: duas colónias, dois percursos e aquilo que a varroa não mostra (2026). Ler
No passado dia 9 de setembro, regressei a um pequeno apiário nas proximidades do rio Sabor. São apenas duas colmeias, mas isso não torna o acompanhamento menos interessante. Pelo contrário. Quando conhecemos o historial de cada colónia, regressamos ao mesmo apiário e vamos acumulando observações e números ao longo dos meses, duas colmeias podem contar uma história bastante completa.
A primeira colónia tem uma rainha do ano passado, que marquei na visita anterior, no início de abril. Encontrei-a agora muito bem povoada para esta altura do ano, com cerca de nove quadros ocupados por abelhas, cinco bons quadros com reservas e cinco quadros com criação. Observavam-se também sinais de armazenamento recente de pão de abelha.
Esta colónia produziu cerca de 25 kg de mel este ano.
No dia 2 de abril, a testagem indicou 1% de infestação. Aplicámos para exemplificar o Protocolo Inovador (PI). Passados mais de quatro meses, em 16 de agosto, o apicultor avaliou a taxa de infestação e encontrou 4,7% de varroas nas abelhas adultas. Introduzi estes valores no simulador do Randy Oliver e indica que este tratamento de abril teve uma eficácia de 96%. Nesse mesmo dia, a 16 de agosto, aplicou a primeira ronda do PI.
Realizou a segunda ronda em 2 de setembro. No dia 9 de setembro avaliámos a taxa de infestação e estava em 1%. Quando as duas rondas são consideradas em conjunto, o simulador de Randy Oliver estima uma eficácia global de 93%. 93%, numa altura do ano em que muitos tratamentos apresentam resultados bastante mais irregulares [3].
Como ali estávamos e queremos que esta colónia entre no período de criação das abelhas de inverno com a infestação tão baixa quanto possível, decidimos realizar uma terceira ronda do PI — cada ronda tem um custo próximo dos 10 cêntimos por colónia. Confiamos que a infestação possa ficar em valores não detetáveis na próxima amostragem. Mas isso é o que esperamos. Só as 300 abelhas testadas daqui a cerca de dez dias nos dirão onde realmente ficámos.
A segunda colónia seguiu outro caminho
A segunda colónia tem uma história diferente.
Quando a visitei em 2 de abril, já tinha enxameado e apresentava mestreiros de enxameação. Deixámos o processo seguir o seu curso. Nessa ocasião aplicámos também o PI, mas, ao contrário da primeira colónia, não voltou a receber qualquer tratamento desde então.
No dia 9 de setembro, cinco meses depois, a amostragem realizada durante esta visita revelou 20 varroas em 300 abelhas, ou seja, uma taxa de infestação de aproximadamente 6,7%.
Resultado da amostragem de 300 abelhas adultas da segunda colónia: 20 varroas, correspondentes a uma taxa de infestação de 6,7%. (foto do autor)
A utilização de amostras de aproximadamente 300 abelhas adultas para estimar a infestação por varroa é um procedimento há muito estabelecido e utilizado tanto em investigação como no acompanhamento das colónias no terreno [2]. É o procedimento que me dá mais garantias de reflectir mais aproximadamente a população global de varroas nas colónias — assunto para uma publicação futura.
Mas aquilo que tornou esta colónia particularmente interessante foi colocar esse 6,7% ao lado daquilo que os nossos olhos viam quando a abríamos.
Estava muito povoada, com aproximadamente nove quadros ocupados por abelhas. Tinha cinco bons quadros com reservas e cinco quadros com criação.
Durante o maneio, as abelhas acumularam-se desta forma sobre alguns dos quadros. Apesar dos 6,7% de infestação encontrados na amostragem, esta era uma colónia muito povoada para a época, ocupando cerca de nove quadros com abelhas. (foto do autor)
A criação apresentava um padrão bastante compacto e sólido e, de uma forma geral, as abelhas aparentavam estar saudáveis. Durante toda a inspeção encontrei apenas uma abelha com uma varroa visível sobre o dorso.
Um dos quadros de criação desta colónia. A criação apresentava um padrão globalmente compacto e as abelhas aparentavam estar saudáveis. Durante a observação encontrei apenas uma abelha com uma varroa visível sobre o dorso. (foto do autor)
Noutra fotografia percebe-se igualmente bem a população que esta colónia mantinha.
Vista da colónia durante a inspeção. A população distribuía-se por aproximadamente nove quadros, uma força bastante boa para esta altura do ano. (foto do autor)
Temos, portanto, diante de nós uma colónia com 6,7% de infestação, nove quadros de abelhas, boa criação, boas reservas e praticamente sem sinais de varroose que fossem evidentes a olho nu. É por esta “cegueira”, esta incapacidade de descortinar uma infestação demasiado alta, que continuo a medir.
Procurei depois a rainha, encontrei-a e marquei-a com a cor deste ano. É a rainha criada pela própria colónia depois da enxameação da primavera.
Marcação da rainha, nascida este ano na sequência da enxameação. Em 2 de abril a colónia tinha enxameado e apresentava mestreiros; em setembro encontrámos a nova rainha em postura e aproveitámos para a marcar. (foto do autor)
Esta colónia produziu cerca de 15 kg de mel este ano.
Aplicámos agora a primeira ronda do PI. A segunda ficará para aproximadamente 10 a 12 dias depois e, naturalmente, voltaremos também aqui a medir.
Velutina e crabro à frente das colmeias
Durante a visita havia ainda uma pressão moderada de Vespa velutina e Vespa crabro junto aos alvados.
Não estávamos perante uma situação de bloqueio das colónias, mas a presença das vespas era já suficientemente evidente para justificar alguma intervenção. Recomendei ao apicultor que reduzisse parcialmente os alvados, diminuindo a frente de entrada que as abelhas têm de vigiar e defender.
Para o caso de a pressão de Vespa velutina vir a aumentar, deixei-lhe também um pequeno manual, muito prático e prescritivo, que preparei com informação fundamentada para a produção de Cavalos de Tróia com elevado potencial de eficácia.
Vespa velutina junto ao alvado durante a visita. A pressão de velutina e também de Vespa crabro era moderada, mas já suficientemente evidente para aconselhar a redução parcial das entradas das colmeias. (foto do autor)
São apenas duas colmeias e muito mais
Há finalmente uma parte destas visitas que não cabe nas percentagens de infestação, no número de colónias, nos quadros de criação ou nos quilos de mel.
Mais uma vez fui recebido com enorme simpatia por este apicultor. E mais uma vez encontrei nele um enorme empenhamento em acompanhar as suas duas colónias e fazer o que estiver ao seu alcance para não perder nenhuma delas.
São apenas duas colmeias. Mas são as suas duas colmeias.
À sua volta conhece apicultores, com dezenas e centenas de colmeias, que têm passado por mortalidades elevadas, alguns repetidamente, com a frustração e o desânimo que isso acaba por trazer. Nalguns casos, esse percurso terminou mesmo com a desistência da apicultura.
Neste apiário ficaram, por agora, duas colónias fortes, muito povoadas, com reservas e criação, sobreviventes também porque o apicultor é atento. E ao apicultor ficam as competências para continuar a trilhar este caminho. Essas, ninguém lhas tira.
Referências — Abelhas à Beira
Gomes, J. E. (2025). A eficácia e consistência de um protocolo inovador de controlo da varroose (revisitado).Ler
Gomes, J. E. (2024). Na prática e no terreno: o controlo da varroose ao longo de mais de 8 meses.Ler
Gomes, J. E. (2026). Qual é o melhor tratamento contra a varroa?Ler
Referências — literatura científica e técnica
[1] Oliver, R. (2026). Randy’s Varroa Model. Scientific Beekeeping.
[2] Dietemann, V., Nazzi, F., Martin, S. J., Anderson, D. L., Locke, B., Delaplane, K. S. et al. (2013). Standard methods for varroa research. Journal of Apicultural Research, 52(1), 1–54. DOI: 10.3896/IBRA.1.52.1.09.
[3] Jack, C. J., Boncristiani, H., Prouty, C., Schmehl, D. R. & Ellis, J. D. (2024). Evaluating the seasonal efficacy of commonly used chemical treatments on Varroa destructor population resurgence in honey bee colonies. Journal of Insect Science, 24(3), 11. DOI: 10.1093/jisesa/ieae011.
Acredito que durante as últimas semanas muitos apicultores da região Centro olharam para a paisagem e fizeram a mesma pergunta: “Como é possível existir tanta vegetação, tanta floração e tão pouca entrada de néctar?”
As flores estavam presentes. As abelhas nas colónias voavam e enchiam os capta-pólen.
Ainda assim, as balanças permaneciam quase imóveis e muitos ninhos de criação consumiam praticamente todo o néctar que recolhiam no campo. Muitas colónias necessitaram, inclusivamente, de alimentação açucarada de manutenção.
Depois, bastaram poucos dias de calor mais intenso e céu limpo para o cenário mudar abruptamente. Subitamente apareceu néctar. As colónias aceleraram. Algumas começaram mesmo a “explodir” em actividade.
Este fenómeno ajuda a desmontar uma das ideias mais simplistas e repetidas na apicultura: “se há flores, há néctar”.
Não. A presença de flores e a produção efectiva de néctar são coisas completamente diferentes. Na realidade, o néctar é o resultado de uma equação fisiológica extremamente complexa onde entram diversos factores.
Este assunto é bastante mais profundo do que parece à primeira vista.
Por exemplo, poucas pessoas compreendem verdadeiramente:
porque certas florações “abrem” quase de um dia para o outro;
porque dois apiários separados por poucos quilómetros podem ter entradas radicalmente diferentes;
ou porque determinadas condições atmosféricas aparentemente excelentes resultam afinal em fluxos decepcionantes.
E aqui começamos a entrar num território onde a apicultura tradicional raramente vai: a ecofisiologia nectarífera.
Quem compreender verdadeiramente estes mecanismos ganha uma vantagem enorme:
na previsão de fluxos,
na interpretação do comportamento das colónias,
na localização e transumância de apiários,
e até na tomada de decisões nutricionais e sanitárias.
Porque uma colónia que entra em stress nutricional durante uma falsa primavera nectarífera pode sofrer consequências importantes semanas mais tarde.
Muitas vezes o problema não é falta de flores. É falta de compreensão da fisiologia por trás das flores.
Nas próximas semanas pretendo aprofundar precisamente este tema numa sessão pré-gravada que disponibilizarei através da plataforma Gumroad. Será o início de uma nova modalidade de formação, criada para fazer chegar informação apícola tecnicamente sólida, prática e directamente aplicável aos apiários, com enfoque não apenas na biologia das colónias, mas também numa gestão mais eficiente, previsível e economicamente sustentável da actividade apícola.
Ao mesmo tempo, este formato permitirá algo que muitos apicultores valorizam cada vez mais: total flexibilidade no acesso aos conteúdos. Cada participante poderá assistir às sessões no momento, ritmo e condições que lhe forem mais convenientes, conciliando a formação com a realidade do trabalho, da vida familiar e da própria gestão do apiário.
Os interessados poderão efectuar uma pré-inscrição nesta sessão pré-gravada. A simples manifestação de interesse — sem qualquer pagamento antecipado e sem compromisso de inscrição definitiva — permitirá beneficiar de um desconto de 50% sobre o valor final da sessão caso posteriormente decidam avançar com a inscrição. O pedido de pré-inscrição é obrigatória e deve ser enviada exclusivamente para meu novo endereço de e-mail: eduardogomesapi@outlook.com
Nas últimas semanas, nas visitas técnicas que tenho realizado, tenho vindo a enriquecer um arquivo cada vez mais extenso de imagens de mestreiros/alvéolos reais que expõem aquilo que realmente se passa dentro das colónias — longe dos esquemas simplistas e das “receitas universais” que continuam a circular.
A realidade é esta: nem todos os alvéolos reais significam a mesma coisa. E interpretar mal estes sinais continua a ser uma das principais causas de erros de maneio nesta fase de crescimento acelerado das nossas colónias.
As imagens abaixo, entre outras, servirão de base para a análise técnica e para o ensino das intervenções que podemos — e devemos — aplicar, partindo sempre de uma interpretação rigorosa de cenários reais como os aqui ilustrados.
O curso Zoom “Criação de rainhas por métodos naturais e desdobramentos” será o palco destas aprendizagens, nos próximos dias 17 e 24 de abril.
Últimas vagas disponíveis. Os interessados devem entrar em contacto para o email: jejgomes@gmail.com
Nesta edição que se vai iniciar hoje, a 16ª do curso “Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano”, vamos reflectir de forma séria e sustentada acerca do que andamos a fazer de errado e do que devemos mudar para entrar no caminho adequado no que respeita ao controlo da Varroose . Hoje um dos focos será o ácido oxálico e será um daqueles momentos na apicultura em que é preciso parar e perguntar: estamos a usar o equipamento certo da forma certa?
Um estudo científico recente, publicado no Journal of Insect Science, comparou três formas de aplicação de ácido oxálico: gotejado, vaporização (sublimação) e nebulização com fogger/fureto. O resultado é claro e incómodo para alguns hábitos instalados.
À pergunta o ácido oxálico é um acaricida eficaz o estudo responde: Não é apenas o produto que conta. É o método, a dose e o intervalo. O mesmo ácido oxálico pode ter eficácia nula (sim 0%… ou eficácia muito elevada, cerca de 95%).
É precisamente aqui que o curso “Controlo Efectivo da Varroose ao Longo do Ano” se posiciona.
Este não é um curso baseado em opiniões, fóruns ou “ouvi dizer”. É um curso sustentado cientificamente, que levanta questões fundamentadas sobre certas técnicas amplamente utilizadas com ácido oxálico — e que aponta caminhos claros para uma utilização correcta, racional e biologicamente coerente deste acaricida.
Vamos reflectir sobre:
Porque falham certos equipamentos
Porque os intervalos afectam a eficácia
Como alinhar o protocolo com o ciclo da varroa
Quando o ácido oxálico é ferramenta principal e quando deve ser complementar
Que erros técnicos comprometem tratamentos aparentemente “bem feitos”
Este curso vai muito além do ensino do Protocolo Inovador. É uma abordagem eclética, estratégica e racional da gestão da varroa ao longo de todo o ano apícola.
Integra:
Biologia da varroa
Dinâmica populacional das abelhas e sua relação com a doença
Pressão sazonal
Integração de métodos
Momento ideal de intervenção
Sustentabilidade a médio e longo prazo
Porque controlar varroa não é aplicar um produto. É construir uma estratégia.
Se pretende compreender o “porquê” e depois o “como”, este curso foi pensado para si.
Vou abrir uma nova edição do curso, a 17ª, que apresentará naturalmente novidades e actualizações, porque o saber e a vontade de melhorar continuam a animar-me, com datas agendadas para: 23, 30 de março e 10 de abril. Para mais informações enviar e-mail para jejgomes@gmail.com
Com muito gosto agradeço o convite para participar nesta ação de divulgação dirigida aos apicultores, integrada no PNASA 2026, que terá lugar já no próximo sábado, 7 de fevereiro, em Vouzela.
Será uma sessão dedicada à prevenção e controlo da enxameação e à multiplicação de enxames, dois pilares fundamentais para quem pretende colónias mais equilibradas, produtivas e sustentáveis ao longo da campanha.
Fica o convite a todos os apicultores da região para marcarem presença, aproveitarem este momento de partilha de conhecimento técnico aplicado e clarificarem dúvidas com impacto direto no maneio dos seus apiários.