controlo da enxameação ou a lição com 100 anos: solução tipo 2

Recentemente descrevi o maneio que utilizo mais frequentemente para fazer o controlo da enxameação. A técnica descrita é muito adequada para quem quer impedir a enxameação, quando ela já é praticamente irreversível se nada for feito e, ao mesmo tempo, deseja aumentar o número do seu efectivo apícola.

A publicação de hoje visa ilustrar um outro tipo de solução para fazer o controlo da enxameação. Utilizo-a menos frequentemente, apesar de eficaz, e é muito adequada para os apicultores que desejam evitar a enxameação mas não desejam aumentar o número de colónias de abelhas.

Em baixo deixo o foto-filme dos sinais que considerei para o diagnóstico de preparação de enxameação, procedimentos principais para o seu controlo e sua sequência.

Encosta prenhe de erica australis. O período da enxameação reprodutiva está associado ao arranque das boas condições edafoclimáticas.
Ontem nesta colónia, com ninho e sobreninho separados por uma excluidora de rainhas desde o passado dia 15 de março, encontrei alguns sinais que me levaram a crer que nos próximos 10 dias iria enxamear.

O primeiro sinal: verificar que dos dois quadros com cera laminada que coloquei na semana passada no ninho apenas um deles foi aproveitado pela rainha para fazer oviposição.

Quadro que a rainha aproveitou para encher com ovos.
Quadro que tudo indica iria ser aproveitado para armazenar néctar.

O segundo sinal: após a emergência das novas abelhas os alvéolos são utilizados para armazenar nectar e/ou pão-de-abelha (backfilling).

Área central de um quadro onde se vê claramente o backfilling.

O terceiro sinal, o mais inequívoco dos três: a presença de ovos em alguns cálices reais.

Quando vejo cálices reais com cera nova/clara nas suas paredes em geral faço a sua inspecção. Encontrando ovos parto do princípio que aquela colónia vai enxamear. Sabendo que os sinais inequívocos de enxameação são os mestreiros, isto é alvéolos reais com larvas assentes em quantidades generosas de geleia real, prefiro agir logo que presencie ovos em cálices reais.

Estes sinais concomitantes não me deixaram dúvidas que esta colónia iria enxamear em breve. Assim sendo, decidi utilizar uma das medidas de controlo da enxameação que faz parte do meu catálogo. Em baixo ilustro e descrevo as principais etapas do procedimento.

1º passo: encontrar a rainha. Como nesta colmeia a rainha estava confinada ao ninho por uma grelha excluidora encontrá-la foi… um passeio no parque!

Uma vez que não tinha levado a mola para a apanhar, o quadro foi colocado no chão. 99% das vezes as rainhas não saem dos quadros onde estão.

2º passo: retirar os restantes quadros do ninho juntamente com as abelhas aderentes, com excepção de um quadro com reservas. Feito isso coloquei o quadro onde andava a rainha ao lado do quadro com reservas.

3º passo: preencher os espaços restantes do ninho com quadros com cera laminada.

4º passo: colocar grelha excluidora de rainhas entre o ninho e o sobreninho.

5º passo: colocar os quadros com criação e abelhas aderentes no sobreninho.

Foto representativa dos quadros colocados no sobreninho.
Em resumo: a rainha está confinada ao ninho com poucas abelhas; já o sobreninho está cheio de abelhas e quadros com criação em todos os estádios de desenvolvimento e… sem rainha.

Ontem, 12-04, para controlo da enxameação não inventei nada, procurei apenas dar curso às lições com mais de 100 anos do ilustre apicultor Demaree. E assim, aos ombros de gigantes, vou fazendo o meu maneio o melhor que posso e sei!

8 comentários em “controlo da enxameação ou a lição com 100 anos: solução tipo 2”

  1. Olá, bom dia Sr Eduardo, mas no sobre ninho já não estava cheio de criação, assim nao vai haver quadros excedentes? Os que tira do ninho! Este método que descreve, as abelhas vao puxar realeiras no sobre ninho? Se sim, o que fazer, destruí ou aproveitas para desdobra? Se eu não quiser mais enxames, só para produção de mel, qual o procedimento? Obrigada, eu fiz isso no ano passado para experiência, não tive bons resultados, se bem que o ano foi péssimo! Com um resalva, na colmeia que fiz esse método, não tinha sobreninho. Obrigada. Boa API. Abraço. Jose

    1. Bom dia, José! O sobreninho tinha 5 quadros com criação e o ninho tinha 7. No ninho deixei um quadro com criação, onde andava a rainha. No sobreninho deixei 6. Os restantes quadros com criação distribuí pelos desdobramentos presentes no apiário. Sim, provavelmente vão puxar realeiras. Passados 7 dias o sobreninho deve ser inspeccionado. As realeiras podem ser aproveitadas ou destruídas, de acordo com a vontade e necessidades do apicultor. Se desejar não aumentar o número dos enxames é esta técnica que recomendo. Se depois a colónia dará mel ou não depende mais de outros factores que da técnica em si, na minha opinião. Um abraço

  2. ok, muito obrigado, tenho algumas colmeias nessa situação, com indícios de enxamear, vou utilizar esta técnica. Tenho outras mais adiantadas, onde faço semanalmente a destruição dos alvéolos e introdução de lamina de cera para arrefecer o ninho, o que me torna cansativo. Abraço. José

  3. Bom dia
    Se não conseguisses encontrar a rainha e sacudisses as abelhas todas para baixo elas não sobem depois para cima!!!
    Assim não há apreensão dos zângãos!!!
    Cumprimentos.
    Bom trabalho 🙂

    1. Boa tarde, Paulo! Quando não encontro a rainha é a minha opção, sacudir as abelhas. Contudo prefiro procurar sempre a rainha e colocá-la no ninho por debaixo da excluidora. É uma trabalho mais certo e mais bem feito, na minha opinião! Por outro lado estou constantemente a treinar o olhar, como o cirurgião que necessita de operar com regularidade para não perder a “mão”. Os zângãos são muito poucos os que morrem aprisionados nas excluidoras dada a regularidade com que faço o maneio das colónias. Abraço.

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