a humidade no interior de uma colmeia quando faz frio cá fora

Na sequência desta publicação, com uma das mensagens centrais a frisar que as abelhas, quando aglomeradas/em cacho nos dias mais frios, se aquecem entre si e nada fazem/conseguem para aquecer o espaço vazio da colmeia, vejamos agora com algum detalhe o que se sabe acerca da produção de humidade/água e da condensação do vapor de água no interior de uma colmeia nos dias frios de outono/inverno.

No inverno, as abelhas geram calor “queimando” o mel que armazenaram, ou seja, digerindo-o e usando a energia resultante para flectir os seus músculos de voo, para produzir e emitir calor. Nos dias frios, elas formam um aglomerado compacto (cacho invernal de abelhas) para manter o calor dentro do mesmo; elas não aquecem a colmeia, apenas o seu cacho.

Para muitos apicultores, é uma prática comum colocar uma camada espessa de algo* no topo da colmeia, no interior, para “absorver a humidade” que é produzida pela respiração das abelhas durante o inverno. O objetivo dessa camada absorvente é evitar que a água se condense no topo da colmeia, pingando e molhando as abelhas, resfriando-as e destruindo a colónia por congelamento.

A água vem da ‘combustão’ do mel; os produtos da combustão são dióxido de carbono (CO2) e água (H2O). A água é exalada como vapor e condensa-se nas paredes frias e no topo da colmeia.

Na opinião de vários apicultores com experiência a água produzida pelo processo digestivo das abelhas durante o inverno é tanta que nenhuma quantidade razoável de material absorvente poderá absorvê-la. Em vez disso, o que acontece é que a camada espessa de “algo” actua como isolamento, evitando a condensação no topo da colmeia, de modo que o condensado se forma apenas nas paredes da colmeia, onde congela ou escorre pelas paredes, sem prejuízo neste caso. […]

As abelhas ao consumir cerca de 18 kgs de mel geram cerca de 12 litros/Kgs de água. As abelhas metabolizam os açúcares, de acordo com o seguinte equação: C6H12O6 + 6 O2 → 6 CO2 + 6 H2O.

Quando fazemos as contas, o metabolismo do açúcarpor cada quilograma de mel produz 6/10 de Kgs de água. Adicionemos a isso 17% de água líquida já presente no mel, e acabamos com aquele quilograma de mel transformando-se em 2/3 de Kgs de água (inicialmente mantida no interior do corpo das abelhas). As abelhas no cacho não podem conviver com este excesso de água por um longo período de tempo sem prejuízo para a sua saúde — está associado a desinteria e nosemose — e têm de lidar com ele de alguma maneira.
Sabemos que as abelhas reciclam cerca de ¾ deste excesso de água
na saliva para diluir o próximo quilo de mel para seu consumo, mas isso
não resolve completamente o excesso ganho a cada semana e que ainda precisa para ser tratado de alguma forma.


Lembremo-nos que que esta água é produzida na forma de vapor, ao longo de vários meses de inverno. Presumivelmente, grande parte dele é removido da colmeia com a saída do ar, pois é substituído por ar fresco. No entanto, se o vapor de água entrar em contato com uma superfície interna fria antes de sair da colmeia, ele se condensará, se liquefará e talvez congele.

A superfície interna da colmeia é fria no inverno; não há como evitar isso, e o vapor de água se condensará em superfícies frias. Se essa condensação fria pingar sobre o cacho invernal formado pelas abelhas, será bastante prejudicial. Podemos evitar isto tendo um pequeno orifício de ventilação próximo do topo da colmeia para permitir que o ar carregado de humidade se escape e isolando fortemente o topo da colmeia para que a humidade se condense nas paredes da colmeia, não no seu topo.

fontes:

  • https://www.beeculture.com/wait-much-water/
  • Randy Oliver (Bee-L (11-10-2020))

* Alguns apicultores utilizam como absorventes da humidade, por exemplo, cobertores, ou jornais, ou serradura colocados em tabuleiros dedicados no lugar das pranchetas convencionais.

5 comentários em “a humidade no interior de uma colmeia quando faz frio cá fora”

  1. Boa tarde…

    Se permanecer na colmeia o alimentador, este não ajuda à extracção dessa água por acumulação no interior do alimentador?

    1. Boa tarde, Manuel! A minha opinião geral sobre a utilização deste ou aquele maneio/equipamento/solução é a de que cada um deve avaliar o melhor que puder em função do território que ocupa. Acho que deve haver diferenças notáveis entre locais. Na minha opinião uma colónia forte consegue regular bem a temperatura e a humidade relativa no interior da colmeia. Os enxames mais fracos/pequenos opto por passá-los para caixas núcleo (não sou adepto de juntar enxames fracos a enxames fortes). Quando não é possível ter só enxames fortes (e quase nunca o é) ou passar os enxames fracos para caixas mais pequenas, o alimentador vazio julgo que pode dar uma ajuda porque retém a água no seu interior. Não sou adepto de aumentar a ventilação superior porque no meu distrito, que é muito frio, dificulta muito a regulação da temperatura. O meu pai colocava jornais entre o tecto e a prancheta. Julgo que fazia bem. Era uma forma de minimizar a condensação da humidade na prancheta. O fondant/pasta colocado sobre o óculo da prancheta ou mesmo sobre os quadros também me parece que ajuda a absorver parte da humidade. Devo dizer que sobre a ventilação e regulação da humidade sei muito menos do que desejava sobre como fazer bem nas minhas colmeias. Cumprimentos e muita saúde!

    1. Bom dia, Daniel! Alguns apicultores utilizam como absorventes da humidade, por exemplo, cobertores, ou jornais, ou serradura colocados em tabuleiros dedicados no lugar das pranchetas convencionais. Cumprimentos!

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