concluindo o primeiro tratamento contra a varroose em 2020

Tendo iniciado o tratamento de final de inverno/início da primavera com as tiras de Apivar na passagem da 2ª para a 3ª semana de fevereiro, de acordo com o calendário que fui afinando e com resultados muito positivos nos últimos 4 a 5 anos, esta semana estou a proceder à sua retirada, ao fim de cerca de 10 semanas. Terei sido, tanto quanto sei, dos primeiros apicultores em Portugal a referir e estender o tratamento para além das habituais 6 a 8 semanas. Actualmente o fabricante (Veto Pharma) também recomenda 10 semanas para a duração do tratamento em colónias com muita criação. É o meu caso nesta altura do ano, assim como o caso de larga maioria dos apicultores nas zonas temperadas do hemisfério norte.

É um excelente sinal esta coloração amarelo-acastanhado nas tiras, sinal inequívoco que foram tocadas e calcorreadas pelas abelhas inúmeras vezes..

Em casa junto-as, para depois as entregar na minha associação de apicultores, que por sua vez as entregará à Valormed, para que procedam à sua destruição em condições devidamente controladas

Neste período de tempo perdi uma colónia, em cerca de 200 tratadas, para o Varroa (0,5%). Não sendo um utilizador convicto e frequente de nenhuma das várias técnicas de controlo da taxa de infestação, faço o controlo por observação a olho nú das abelhas e criação com muita regularidade, durante o maneio do ninho nestas 10 semanas. Contudo hoje fiz um controlo pouco habitual na minha prática.

Por uma razão específica e pouco habitual, no maneio de hoje tive de cortar este favo com criação de zângão, que tinha sido construído por debaixo do travessão do quadro de meia-alça que habitualmente coloco no ninho.
E aproveitei para re-confirmar a elevada eficácia deste primeiro tratamento da varroose deste ano.
Zângãos limpos de varroa.

No quadro do meu maneio, tendo em conta o timing, duração e eficácia do tratamento, é um disparate estar a fazer o designado “corte de zângão”. Caso o fizesse, estaria a eliminar maioritariamente zângãos limpos com impacto pouco significativo na infestação, mas que consumiram uma quantidade apreciável de recursos da colónia até serem operculados. Neste quadro estou convicto que a colónia ganha mais deixando os “boys” nascer.

vírus da paralisia crónica

A infecção/síndrome do vírus da paralisia crónica da abelha (VPCA), que não deve ser confundido com o vírus de paralisia lenta ou vírus da paralisia aguda, afeta geralmente as abelhas adultas da Apis mellifera e causa uma paralisia crónica que se pode espalhar facilmente entre os membros da uma colónia. As abelhas infectadas com VPCA começam a apresentar sintomas após 5 dias e morrem alguns dias após. A infecção pelo vírus da paralisia crónica das abelhas é um fator que pode contribuir ou causar o colapso repentino das colónias de abelhas, e por vezes é confundida com a intoxicação por envenenamento.


Embora o VPCA infecte principalmente abelhas adultas, o vírus também pode infectar abelhas em estágios mais precoces de desenvolvimento, embora as abelhas mais novas tenham cargas virais significativamente mais baixas em comparação com suas companheiras mais velhas.


As abelhas que foram infectadas com VPCA podem abrigar milhões de partículas virais. O vírus possui atividade neurotrópica, isto, é afecta o processamento sensorial, memória, aprendizagem, o controle motor, a locomoção, a orientação corporal e excitação.

A infecção apresenta-se de duas maneiras distintas: a infecção/síndrome tipo I e a infecção/síndrome tipo II, a mais frequente na Europa.

Uma abelha infectada tipo I apresenta um abdómen inchado devido ao saco de mel estar cheio de líquido e asas fracas ou trémulas. As abelhas infectadas do tipo I tendem a gatinhar no chão ou aglomeram-se perto da entrada da colmeia, pois suas asas enfraquecidas levam à incapacidade de voar.

Uma abelha infectada tipo II apresenta uma completa perda do pêlo (alopécia), fazendo com que pareça preta e oleosa. Essas abelhas ainda conseguem voar 2-3 dias após o aparecimento dos sintomas, mas perdem a capacidade de voar pouco antes de sucumbir à doença.

As abelhas doentes são consideradas intrusas na colmeia e são atacadas pelas abelhas saudáveis da colónia. Em poucos dias, ficam incapazes de voar, apresentam tremores e acabam por morrer, alguns dias após o início da infecção. Embora estas duas síndromes sejam descritas, elas não são exclusivas porque podem estar presentes na mesma colónia.
Portanto, uma síndrome geral foi definida, agrupando os principais sintomas dos 2 tipos. A síndrome é caracterizada pela presença de abelhas trémulas, incapazes de voar, rastejando, algumas são negras e depiladas; finalmente, essas abelhas às vezes são rejeitadas da colónia e são encontradas moribundas ou mortas à entrada da colmeia.

Pequeno vídeo que mostra uma abelha com infecção tipo II a ser agredida pelas suas irmãs, com vista à sua expulsão da colmeia.

Actualmente não há tratamento conhecido para a doença. Frequentemente, as abelhas infectadas pelo vírus da paralisia crónica morrem por si próprias, mas as abelhas infectadas, se detectadas, devem ser removidas da colmeia imediatamente para diminuir as chances de o vírus se espalhar através da trofalaxia ou do atrito com abelhas saudáveis. A suplementação de uma colmeia enfraquecida, que foi severamente afetada pelo vírus, com abelhas saudáveis de outra colónia pode impedir o seu colapso.

Fotografia do vírus

fontes: https://www.semanticscholar.org/paper/Le-virus-de-la-paralysie-chronique-de-l’abeille-%3A-à-Chevin/5113959269f1929356593da1d3dd69e3d8b39c04; https://en.wikipedia.org/wiki/Chronic_bee_paralysis_virus

maneio a 900m de altitude

No meu apiário a 900 m de altitude, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, aproveitei o passado dia 22.04 com boas temperaturas máximas, a rondar os 17ºC, para transferir algumas colónias das caixas-núcleo, onde foram criadas, para colmeias onde continuarão o seu desenvolvimento.

Núcleo com 5 quadros já bem cobertos de abelhas e com 4 quadros com criação.
Nova casa para que a família se expanda.

Hoje, 26.04, e depois consultada e analisada a previsão meteorológica do IPMA para a semana que se inicia, e face à promessa de temperaturas máximas baixas (entre 10ºC e 12ºC), vários dias com chuva e aguaceiros, entendi ir ver como estavam de reservas. E a grande maioria estava no “osso”. Não as alimentasse hoje e no fim desta semana uma boa parte das colónias estaria morta (alimentei cerca de 80% das colónias).

Colónia com as abelhas a cobrir os 10 quadros e com 7 quadros com criação… e muito seca.
Saco anteriormente colocado e igualmente seco. Interessante constatar a água condensada no plástico. Boa parte desta humidade resulta da respiração de cada uma das cerca de 20 mil abelhas desta colónia. Esta, entre outras, é uma das razões que me leva preferir a pasta… absorve boa parte desta humidade.
Cerca 1,25 kgs de pasta que deverá chegar até à próxima sexta-feira, dia em que se prevê uma máxima a rondar os 14ºC e algum sol.
A marcavala, à espera de dias mais quentes, e que muito em breve estará a alimentar as minhas abelhitas.

mudam-se os tempos…

Nos últimos dois anos passei de 13 apiários para três. Esta evolução/involução do meu contexto está a modificar as minhas opções quanto aos desdobramentos/divisões. Se antes, e para evitar a drenagem de abelhas campeiras, optava por levar a(s) caixa(s) com a rainha e/ou órfãs para outro apiário, actualmente estou a deixar a caixa com a rainha e a segunda ou até a terceira caixa, resultantes das divisões, no mesmo apiário.

Colónias armazém com ninho e sobreninho são divididas em 4. Num núcleo coloco a rainha sempre que a encontro (cerca de 95% das vezes).
Podes esconder-te mas não podes fugir!
O quadro onde encontro a rainha é colocado num núcleo juntamente com mais um quadro ou dois, com mais alguma criação operculada e reservas.
Núcleo com quadro com rainha e um ou dois quadros com criação operculada/reservas e mais dois ou três quadros com cera laminada.
Núcleo com alimento suplementar não vá o diabo tecê-las, até porque vai perder campeiras durante os próximos dois ou três dias!
Neste momento estou a colocar o núcleo com a rainha em cima da colmeia mãe com a entrada orientada no sentido inverso ao da entrada da colmeia (num post futuro conto explicar a razão para aqueles que ainda a não descortinaram).
Ninho de uma colmeia armazém depois de desdobrada.
Para além do núcleo onde coloquei a rainha e para além do ninho ilustrado em cima, dividi ainda esta colónia para estas duas caixas.
Porque razão haveria de trocar uma rainha com esta prova da sua qualidade, eliminando-a, por uma nova rainha sem provas nenhumas da sua qualidade?

Novos tempos… novas opções!

detalhes…

Ilustro, com as fotos em baixo, alguns detalhes observados nestes últimos dias de trabalho nos apiários.

Rosmaninho praticamente só com a espiga e sem flores. Com fluxo lento de néctar as colónias não entram em modo de armazenamento e o modo de enxameação contagia um número mais elevado .
Pela dimensão do buraco este mestreiro foi provavelmente roído pelas abelhas.
Abelha a emergir do alvéolo.

Cálice real à esquerda a evoluir para mestreiro, com larva e geleia real depositados no fundo.
Quando soldo a cera a tocar no travessão inferior do quadro, as abelhas aproveitam com frequência as três ou quatro filas de alvéolos junto a esse travessão para fazerem criação de zângão. Acredito que tal se deve ao facto das temperaturas oscilarem mais nessa zona do quadro. Está estabelecido que a criação de zângão tolera melhor essas oscilações que a criação de obreira.
Cada vez acontece menos, mas ainda vai aparecendo um ou outro.
Ferramentas que utilizo para, logo ali, solucionar este contratempo.
Resolvido, porque um quadro destes não se desperdiça, é colocado na colmeia.
Para o evitar, os quadros comprados nos últimos anos vêm com aquele agrafo lateral.

Randy Oliver animado com o evoluir das suas linhas resistentes

“… nós criadores de abelhas e rainhas, aqui na Califórnia, continuamos nosso trabalho diário no campo [em tempos da Covid 19].

Estamos a fazer várias centenas de núcleos por semana, e estamos em plena produção de rainhas.
Estou a dividir a um ritmo louco as nossas colmeias criadoras de rainhas para as impedir de enxamear.

A boa notícia é que a nossa criação de linhas selectivas resistentes ao ácaro varroa parece estar a ganhar força.
Começámos em 2017 com uma rainha resistente a servir de matriarca (juntamente com algumas colmeias com contagens baixas de ácaros).
Em 2018, cerca de 20 colónias atingiram uma boa classificação (mantendo menos de 1% de taxa de infestação em 5 amostragens com lavagem com álcool e ao longo do ano; permitimos um aumento até 3% na lavagem de novembro quando elas param a criação, mas devem baixar de novo para 1% ou menos até março).

Em 2019, 30 tiveram uma boa classificação. Nesta primavera e até agora, 56 atingiram uma boa classificação (depois de excluir colónias que apresentavam resistência mas que não estavam à altura por outras razões), com mais 25 colónias ainda para serem submetidas à lavagem com álcool quando retornarem da polinização das amendoeiras.

Sete colónias estão a desenvolver-se bem sem nenhum tratamento contra a varroa durante dois anos completos.

Todos os anos, renovamos as rainhas de todas as nossas colónias apenas com filhas de mães resistentes. O progresso é lento, mas é muito emocionante ver
colónias bonitas e fortes com contagem de ácaros a zeros após um ano inteiro sem tratamento.

Nesta temporada, irei utilizar um número maior de rainhas matriarcas para evitar um excessivo afunilamento da diversidade genética.
Estou ansioso para ver se a nossa porcentagem de colónias resistentes continua a aumentar.”

Randy Oliver
Grass Valley, CA
www.ScientificBeekeeping.com (Bee-L, 02.04.2020)

trabalho de oficina

Com o dia enevoado, frio e chuvoso aproveitei para soldar umas ceras laminadas, que planeio utilizar em desdobramentos a efectuar nos dias mais próximos.

O incrustador, que tem durado mais que as pilhas duracell, e o carretel de arame inox.
A cera, rígida, e por essa razão é necessário muito cuidado para não a quebrar logo ali no momento de a tirar para a colocar no quadro.
Lâmina de cera pronta a soldar.
Um dos detalhes que mais me importa ver nos quadros.
Qual é a pressa?… com tranquilidade preparei 12 caixas com quadros para os próximos dias.
Aproveitei para arrumar algumas coisas e, sem as procurar, vieram parar-me às mãos estas gaiolas de rainhas encomendadas a 4 criadores diferentes.
Algum do material armazenado na oficina, pré-preparado para ir para o campo nas duas próximas semanas.

4 dias depois, as saudades que eu já tinha das minhas abelhas

Neste post referi que a 14.04 encontrei 4 colmeias com sinais de enxameação. Em três delas encontrei alguns cálices reais com ovos e numa mestreiros abertos com larvas. Logo nesse dia realizei um conjunto de procedimentos tendo em conta os materiais que tinha à disposição e os meus objectivos para este ano, mais focados na duplicação de enxames e na verificação/confirmação da efectividade de algumas técnicas para adiar ou mesmo impedir a enxameação reprodutiva. Passo a descrever os procedimentos e no final os resultados alcançados.

Uma das colmeias em que encontrei cálices reais com ovos. O que fiz foi retirar 3 quadros com criação e nos espaços vazios intercalei 3 quadros com ceras laminadas (a pensar no checkerboarding de Walt Wright).
A aplicação do mesmo procedimento numa outra colónia.
Quadro com cera laminada que foi introduzido num dos espaços livre criado.
Anotação no tecto do estado da colmeia (a data errada revela bem que o calendário nem sempre está de acordo comigo).

Hoje, 18.04, passados 4 dias voltei ao apiário, para durante 5 horas realizar diversos procedimentos, entre os quais verificar se estas 4 colónias, identificadas 4 dias antes com ânimo para enxamearem, viram os seus ímpetos cerceados pelos procedimentos acima descritos. Nas três colmeias que tinham cálices reais com ovos o procedimento foi eficaz, por enquanto. Atentamente inspeccionadas nenhuma delas apresentava cálices reais com ovos ou mesmo mestreiros. As três rainhas destas colónias iniciaram postura nesses quadros.

Localizada a “walli”! Rainha muito calma, que pousou para a foto (com as luvas de apicultor levo em regra 30 a 50 segundos a tirar uma foto). Pelo seu comportamento esta rainha tem pelo menos 2 anos. Se, contudo, tivesse que apostar dinheiro, e porque andou calmamente por “ali”, dava-lhe três anos.
Este é um dos seus quadros de postura. Há rainhas que me lembram o que se diz acerca do vinho do Porto.

Na colmeia que 4 dias antes apresentava mestreiros abertos com larvas (não mestreiros rotos) a técnica não resultou. Hoje fui encontrar mais mestreiros abertos com larva. Encontrada a rainha dividi/desdobrei esta colónia. Num post próximo conto descrever o procedimento mais detalhadamente.

Conclusão temporária: O número de casos aqui descritos é demasiado pequeno para me atrever a tirar conclusões mais sólidas, contudo os sinais motivam-me a continuar a utilizar esta técnica, desde que os sinais de pré-enxameação não tenham evoluído já para o estádio mestreiros abertos com larva. No estádio cálices com ovos pretendo continuar a utilizar este procedimento para o avaliar melhor, sempre que o equipamento necessário esteja às mãos e o objectivo seja atrasar ou evitar a enxameação.

Uma nota final para referir que outra da tarefas de hoje foi passar colónias de núcleos para colmeias. Estas colónias resultam de desdobramentos mais tardios do ano passado (realizados em meados de junho) e que passaram o outono/inverno em caixas de 5 quadros. Em baixo fica espelhado o padrão de postura destas rainhas de emergência.

Pobres rainhas de emergência!

os mais visitados em 2019

Ultrapassada, com o contributo inestimável do meu filho, uma dificuldade técnica que me impedia de aceder às estatísticas anuais dos posts mais visitados, ao número de visitas anuais e à caixa de comentários, venho finalmente repor a tradição de elencar os posts mais visitados no último ano (ainda que neste caso os valores incluam também os meses decorridos neste ano de 2020). Nos últimos 12 meses (abril de 2019 a abril de 2020) estão registadas quase 200 mil visitas (198462 visitas em rigor). Este valor, que me surpreendeu, deixa-me com uma certa tremedeira nos joelhos. Com o crescer do número de visitas cresce também a responsabilidade de partilhar coisas tão apaixonantes mas tão incertas e locais como é próprio da natureza das abelhas e da actividade apícola. Agradeço aos leitores e comentadores (a estes últimos peço desculpa e compreensão, pois só hoje, depois de ultrapassada a dificuldade referida em cima, fui capaz de publicar os comentários dos últimos meses, sempre muito bem-vindos e muito estimulantes) que são parte desta realidade. Aqui ficam os posts que mais visitas receberam.

10º mais visitado;

9º mais visitado;

8º mais visitado;

7º mais visitado;

6º mais visitado;

5º mais visitado;

4º mais visitado;

3º mais visitado;

2º mais visitado;

1º mais visitado.

pobres rainha de emergência revisitado

Por feitio e defeito procuro conhecer o mais e melhor possível o que a perspectiva científica me pode dar acerca das minhas opções no domínio da minha profissão de apicultor. Assim o faço em relação à sanidade dos enxames, em particular a varroose, à criação de rainhas de qualidade sem recurso ao translarve, entre mais uns poucos de assuntos. Relativamente à criação de rainhas de qualidade sem recurso ao translarve coloca-se frequentemente a questão da idade das larvas que as abelhas seleccionam para criar as suas rainhas. Existe em muitos apicultores uma arreigada convicção que numa condição de orfanação súbita do enxame promovida pelo apicultor através, por exemplo, da divisão/desdobramento do enxame as abelhas escolhem larvas com 6 ou mais dias de idade, contados a partir da oviposição. Serão estas rainhas de má qualidade, que nascerão antes de todas as outras, matarão as suas irmãs ainda dentro dos mestreiros, que serão as rainhas entronadas. Apicultores de renome como por exemplo Jay Smith, C.C. Miller, Michael Bush, com base nos seus muitos anos de experiência e observações feitas nos seus apiários, não alinham com esta ideia-feita. Segundo eles, as abelhas escolhem e seleccionam os melhores mestreiros e as melhores rainhas de emergência disponíveis naquele enxame em concreto. Bem, pode sempre dizer-se que apesar dos atributos destes perspicazes apicultores, faltou-lhes condições mais controladas e verificáveis para dar outra confiabilidade às suas conclusões. Certo e pertinente.

E esses estudos controlados e verificáveis têm vindo a surgir… e, saliento, a confirmar as ideias destes ilustres apicultores. Por exemplo este estudo, publicado em 1999, deixa bem claro que as abelhas numa condição de emergência criaram apenas rainhas a partir de ovos/larvas que, no momento da orfanação, tinham 1 a 5 dias de idade. Com mais detalhe, a maioria das rainhas foram criadas a partir de indivíduos que eram ovos  no dia da orfanação (69,2%), e cerca de metade destes eram ovos de 48-72 horas de idade (34,1 %).

Este outro estudo, que conheço há uns anos (http://www.cyfronet.krakow.pl/~rotofils/Tofilski_Czekonska2004.pdf), publicado em 2004 na prestigiada revista Apidologie, tornou-se uma referência nesta linha de investigação pelo rigor e a elegância metodológica. Em boa medida confirma os dados recolhidos do estudo anterior: a idade média dos indivíduos a partir da qual os mestreiros foram construídas foi de 3,0 dias. A idade da criação que deu origem a rainhas nascidas/emergidas foi de 3,4 dias (a idade é contada a partir do dia em que se deu a oviposição). Apenas um número residual de mestreiros foram construídos a partir de larvas com 6 dias, a contar da oviposição, e acabaram por ser destruídos mais adiante pelas abelhas.

Duas notas muito interessantes e importantes que expressam bem o comportamento selectivo das abelhas para garantir as melhores rainhas possíveis em situação de emergência:

  • A maioria dos mestreiros (60,3%) foi destruída pelas abelhas, 17,6% antes da sua operculação e 42,7% após a sua operculação;
  • Enquanto as rainhas abrem um pequeno buraco na parede lateral do mestreiro para picar a sua irmã concorrente antes desta emergir, as obreiras abrem um buraco muito maior na parede lateral e, em vez de picarem a rainha, removem-na do mestreiro. Noutras circunstâncias as abelhas não permitem que rainhas recém-emergidas andem livremente pelo ninho e destruam as suas irmãs concorrentes por emergir.

Tenho para mim que a eventual falta de qualidade das rainhas de emergência se deve em grande medida à incompetente acção do apicultor (e tantas vezes já cometi acções incompetentes com as minhas abelhas) ao deixar um número insuficiente de abelhas, com a idade inadequada e numa caixa com poucas reservas/alimento a criar essas rainhas.