Quando um apicultor pergunta qual é o melhor tratamento contra a varroa, provavelmente está a fazer uma pergunta demasiado simples para um problema que não é simples. Todos gostaríamos de ter um produto suficientemente eficaz, barato, fácil de aplicar e independente da temperatura, da quantidade de criação, da época do ano e da resistência que as varroas possam ter desenvolvido. Aplicá-lo-íamos quando chegasse a altura e o problema ficaria resolvido. Infelizmente, a varroa não nos facilita assim a vida.
Um estudo publicado este ano por Mazur e colaboradores ajuda a perceber porquê [1]. Os investigadores analisaram 8.655 apicultores da Áustria, Chéquia, Polónia e Eslováquia, correspondentes a 171.756 colónias, relacionando as estratégias de controlo da varroa com a mortalidade. O resultado que considero mais interessante não é a vitória de determinado produto. Essa vitória, simplesmente, não aparece. As práticas variavam bastante entre países e entre explorações de diferentes dimensões. E as estratégias associadas às menores perdas combinavam, em diferentes momentos, métodos biotécnicos, ácidos orgânicos e acaricidas sintéticos [1].

Talvez seja, portanto, mais útil deixarmos de pensar apenas em tratamentos e começarmos a pensar em estratégias de controlo. Um tratamento excelente pode produzir um resultado insuficiente no nosso apiário. Pode ter sido aplicado demasiado tarde; pode existir demasiada criação operculada para um produto que actua sobre as varroas expostas; a temperatura pode ser inadequada; ou as varroas podem apresentar resistência à substância utilizada. O medicamento não mudou. Mudou aquilo que estava à volta dele.
E há uma variável que me parece particularmente importante: o timing. Não é uma ideia nova neste blogue. Em janeiro de 2017 publiquei «o timing do tratamento contra a varroa: juntando as peças». A partir dos dados dos meus apiários, da dinâmica populacional da varroa e da literatura então disponível, concluía que tratar tarde podia significar chegar depois do momento em que deveríamos estar a proteger as abelhas que atravessariam o inverno. Escrevia então que «mais tarde poderá ser tarde demais». [2]
Oito anos depois voltei ao assunto em «uma das principais causas da falha dos tratamentos contra a varroa». Um estudo baseado em 4.339 apicultores e 18.700 colónias de Inglaterra e País de Gales encontrava menores perdas de inverno associadas ao momento correcto da aplicação do tratamento e não simplesmente ao facto de este ter sido realizado [3]. Entretanto a evidência foi-se acumulando, mas a ideia essencial pouco mudou. Uma infestação de 2% não significa exactamente a mesma coisa em março, em julho ou quando estamos a produzir as abelhas de inverno. Enquanto existe criação, a população de varroa pode crescer rapidamente. O modelo clássico de Stephen Martin mostrou bem como uma população inicialmente modesta pode transformar-se numa população muito diferente alguns meses depois [4].
Há aqui uma diferença importante entre matar varroas e controlar a varroa. Matar varroas é relativamente fácil. Controlá-las durante um ano inteiro obriga a pensar no momento das intervenções, na sequência dos tratamentos, na existência de criação, na reinfestação e naquilo que pretendemos proteger em cada momento.
É aqui que entram as janelas de oportunidade. Uma interrupção natural ou provocada da criação, por exemplo, expõe uma proporção muito maior da população de varroa à acção do ácido oxálico. O produto é exactamente o mesmo; aquilo que mudou foi a oportunidade que lhe demos para actuar. Com criação presente e nas condições adequadas, o ácido fórmico oferece outras possibilidades. E haverá circunstâncias em que um acaricida sintético autorizado, correctamente utilizado e perante varroas sensíveis ao princípio activo, será a ferramenta mais adequada. A estratégia começa quando deixamos de perguntar qual destas ferramentas é a melhor e passamos a perguntar quando cada uma delas nos pode ser mais útil.
E o timing não é tudo. Já em 2017, numa publicação sobre mortalidade de colónias e maneio, referi dados apresentados por Dennis vanEngelsdorp mostrando associações importantes entre as opções tomadas pelo apicultor e a sobrevivência das colónias [5]. Um grande estudo epidemiológico pan-europeu publicado nesse mesmo ano, envolvendo 5.798 apiários de 17 países, encontrou igualmente uma associação forte entre sobrevivência, experiência/formação do apicultor e controlo das doenças [6]. O novo trabalho de Mazur e colaboradores acrescenta agora uma peça particularmente interessante. As melhores estratégias variaram entre países e entre explorações de diferentes dimensões [1]. Os autores admitem que diferenças de experiência, formação, fontes de conhecimento e organização do maneio possam ajudar a explicar por que razão estratégias diferentes conseguem resultados satisfatórios.
Isto interessa-me particularmente porque reforça uma ideia que tenho repetido neste blogue: não podemos separar completamente o tratamento do apicultor que o utiliza e do sistema de maneio em que ele é utilizado.Curiosamente, no estudo de Mazur as explorações maiores apresentaram consistentemente mortalidades inferiores. Isto não significa que ter muitas colmeias faça morrer menos abelhas. Pode reflectir, entre outras coisas, maior experiência, organização e disciplina na execução das estratégias [1].
E isso leva-nos à monitorização. Um tratamento não é eficaz simplesmente porque o aplicámos. Só sabemos se foi suficientemente eficaz quando verificamos o que ficou depois dele.

Entre outros aspectos, a rapidez ou lentidão de acção do acaricida ajuda a perceber por que razão aquilo que «sempre resultou» pode deixar de resultar em contextos de elevada infestação.
Por isso a procura do «melhor tratamento» me parece cada vez menos interessante. Para perceber por que razão um tratamento resultou ou falhou temos de saber quando foi aplicado, qual era a infestação, quanta criação existia, qual a sensibilidade das varroas, que eficácia se conseguiu e o que foi feito a seguir. O nome escrito na embalagem conta apenas uma parte da história.
Também não retiraria daqui a conclusão confortável de que «cada apiário é um caso» e, portanto, cada um pode fazer o que entender. Há princípios que continuam válidos. Uma população elevada de varroa é perigosa; tratar demasiado tarde tem consequências; e uma substância perante a qual as varroas desenvolveram resistência não recupera eficácia por mudarmos a nossa filosofia de maneio. O que muda é a maneira de aplicar esses princípios às circunstâncias concretas.
Talvez seja essa a principal utilidade do estudo de Mazur e colaboradores. Não nos oferece a receita que muitos gostariam de encontrar. Mostra que os melhores resultados estão associados a estratégias, ao momento e à combinação das ferramentas, e não simplesmente à escolha de um produto [1]. A pergunta deixa então de ser apenas «qual é o melhor tratamento contra a varroa?» e passa a ser:
quanto tenho agora, para onde poderá caminhar esta população, que abelhas preciso de proteger, que janela de oportunidade tenho à minha frente e que ferramenta faz mais sentido utilizar neste momento?
Parece apenas uma mudança na pergunta. Na prática, é uma maneira bastante diferente de controlar a varroa.
Referências bibliográficas
[1] Mazur, E., Biemann, O., Brodschneider, R., Chlebo, R., Gajda, A., Iller, M., Vencálek, O., Brus, J. & Danihlík, J. (2026). Varroa control strategies of different beekeeper groups and corresponding honey bee colony mortality in Central Europe. Journal of Advanced Research. DOI: 10.1016/j.jare.2026.06.003.
[2] Gomes, E. (2017). O timing do tratamento contra a varroa: juntando as peças. Abelhas à Beira, 30 de janeiro de 2017.
[3] Gomes, E. (2025). Uma das principais causas da falha dos tratamentos contra a varroa. Abelhas à Beira, 7 de setembro de 2025. Baseado em A large-scale study of Varroa destructor treatment adherence in apiculture.
[4] Martin, S. J. (1998). A population model for the ectoparasitic mite Varroa jacobsoni in honey bee (Apis mellifera) colonies. Ecological Modelling, 109, 267–281. DOI: 10.1016/S0304-3800(98)00059-3.
[5] Gomes, E. (2017). Mortalidade de colónias de abelhas nos EUA: que relação com o maneio. Abelhas à Beira, 27 de dezembro de 2017.
[6] Jacques, A., Laurent, M., Ribière-Chabert, M., Saussac, M., Bougeard, S., Budge, G. E. et al. (2017). A pan-European epidemiological study reveals honey bee colony survival depends on beekeeper education and disease control. PLOS ONE, 12, e0172591. DOI: 10.1371/journal.pone.0172591.
[7] Bertola, M. & Mutinelli, F. (2025). Sensitivity and resistance of parasitic mites (Varroa destructor, Tropilaelaps spp. and Acarapis woodi) against amitraz and amitraz-based product treatment: a systematic review. Insects, 16, 234. DOI: 10.3390/insects16030234.
Outras publicações relacionadas no Abelhas à Beira
— Programas de tratamento do ácaro varroa.
— Acaricidas rápidos e acaricidas lentos.
— Inventário da susceptibilidade do Varroa destructor ao amitraz e tau-fluvalinato em França, 10 de novembro de 2020.
— Resistência ao amitraz e ao tau-fluvalinato em regiões de França.
— Publicações sobre monitorização da taxa de infestação e verificação da eficácia dos tratamentos.