enxameação: sensores bio-orgânicos da predisposição para enxamear

Quem deseja indicadores, estratégias e procedimentos que resultam 99% das vezes não deve vir para a apicultura. Aceitando desde já que esta é a única verdade com um grau de confiança de 99% que conheço em apicultura, vou procurando aprender,… ouvindo outros companheiros, lendo, através da minha experiência, as três combinadas… o abelhês que as minhas abelhas falam.

Desejando que num futuro próximo surjam dispositivos/sensores artificiais/electrónicos que nos permitam compreender e antecipar o comportamento das abelhas, neste caso em particular o da enxameação, vou que ter que viver com o que sei e com o que posso fazer, como todos nós.

Neste caso da enxameação vou arriscar a apresentar uma hipótese, com base em algumas observações que tenho vindo a fazer nos últimos anos, e que ontem re-confirmei e aproveitei para documentar em fotografias.

Como já referi, para cumprir a regra que me auto-impus “não mais de seis” tiro um ou dois quadros com criação no período de pré-enxameação e de enxameação reprodutiva sempre que a colónia atinge 7 a 8 quadros com criação compacta e extensa. Este período vai sensivelmente de meados de março a meados de maio na minha zona, e obriga-me a fazer esta intervenção 3 a 4 vezes. No lugar destes quadros coloco um ou dois quadros com cera laminada ou semi-puxada na posição 2 e/ou 9.

Ninho que ficou na última revisão (há 10 dias atrás) com 6 quadros com criação de obreira mais um com criação de zângão (o que tem a mancha verde) e um quadro com cera laminada na posição 2 (o mais claro a contar da esquerda).
Foto de ontem (14.o4) de outro ninho onde fiz exactamente a mesma intervenção na visita anterior e em cima descrita.
Foto de ontem desta colónia e do quadro colocado na posição 2, há 10 dias.
Foto aproximada do mesmo quadro. Pode observar-se que a rainha iniciou há poucos dias a utilização deste quadro para fazer postura.

Nas 34 colónias deste apiário que tinham sido todas elas trabalhadas da mesma forma na visita de há 10 ou 18 dias atrás (conformação à regra e colocação de cera laminada ou semi-puxada na posição 2 e/ou 9) 28 tinham criação neste quadro. Nas restantes 6 não vi nem um ovo colocado neste quadro.

Quadro de uma das 6 colónias na qual a rainha não colocou um só ovo. Aproveitei para o colocar dentro da câmara de criação/no seio de quadros com postura.

E que tem isto a ver com os sensores bio-orgânicos para avaliar a predisposição da colónia para enxamear ou não num futuro próximo, de 10 a 15 dias?

Das 34 colmeias que vi neste apiário, todas elas com boa profundidada e atenção para despistar indícios de enxameação, nas 28 colmeias em que as rainhas tinham feito postura no quadro 2 e/ou 9 não vi sinais de pré-enxameação, isto é, não vi cúpulas reais com ovos e/ou backfilling, e mestreiros com larvas. Nas restantes 6 colmeias, em duas delas também não vi sinais de pré-enxameação e/ou enxameação, mas nas restantes 4 vi esses sinais. Em três delas vi cúpulas com ovos e numa vi mestreiros com larvas no interior.

Conclusão, a merecer mais confirmação e melhor quantificada:

no período de enxameação desconfiar que todas as colmeias podem enxamear, em especial aquelas em que as rainhas aparentemente abrandam o ritmo de postura, em particular aquelas que não aproveitam os quadros novos com cera laminada, que as abelhas puxam, para aí fazer postura de um travessão ao outro.

Os sensores electrónicos ou biológicos tem duas vantagens principais: (i) alertarem-nos para sinais que nos permitem prever e antecipar o “estado de ânimo” das abelhas e agir de acordo; (ii) poupar tempo e esforço no maneio, neste caso aceitar que se virmos postura recente neste quadros, não necessitamos de despender mais tempo a ver atentamente cada um dos 10 quadros do ninho para concluir que a colónia não se prepara para enxamear nos próximos 10 a 15 dias.

Quadro de uma outra colónia, que me levou a aceitar o princípio que não está com ânimo de enxamear nos próximos 10 a 15 dias, dispensando-me de mais esforço e tempo na sua inspecção. Com mais de 100 colónias em três apiários diferentes para alimentar e inspeccionar ontem, estes sensores biológicos valem bem o dinheiro que gastei neles.

2 comentários em “enxameação: sensores bio-orgânicos da predisposição para enxamear”

  1. Boas!Eu tambem ja reparei que muitas vezes ñ fazem postura nos qd novos!
    Mas se os enxames estão fortes pk ñ os põe um pouco mais no meio da criação?

    1. Viva, Eduardo! Tenho reparado que as minhas rainhas muitas vezes fazem postura nos quadros novos, como indicam os números que apresento. Não coloco os quadros no meio da criação por três razões: na minha zona ainda é precoce (temperaturas baixas e pouco fluxo de néctar); algumas colónias levam 10 dias ou mais a puxarem a cera; com os quadros novos colocados na posição 2 ou 9 consigo controlar melhor o comportamento descrito no post e fazer um melhor diagnóstico e prognóstico do estado da colónia relativamente ao seu ânimo para enxamear. Um abraço!

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