erros frequentes do apicultor pouco experiente (e não só!)

Serão estes os erros mais frequentes do apicultor pouco experiente (e não só!)?  Façam a vossa lista e publiquem-na nos comentários.

  • Desvalorizar o impacto da varroa;
  • Pouco ou nada fazer para prevenir ou controlar a enxameação;
  • Não ser capaz de reconhecer o estado de orfandade de uma colónia;
  • Deixar poucas reserva numa colmeia para a invernagem;
  • Não tirar notas acerca das suas colmeias;
  • Não ter um plano e objectivos claros para as intervenções a realizar no apiário (pode decorrer de não ter notas das colmeias);
  • Colocar as colmeias em locais problemáticos;
  • Não estar devidamente protegido quando vai ao apiário;
  • Iniciar o hobby apícola só com uma colmeia;
  • Estar satisfeito com os poucos conhecimentos que tem sobre a apicultura;
  • Não se aconselhar quando as coisas não correm bem com as colmeias;
  • Guiar as suas intervenções pelo que vê no youtube, por apicultores de locais distantes e com outra raça de abelhas;
  • Preocupar-se excessivamente com as abelhas, quase no pólo oposto do ponto 1 e 2 por ex.;
  • Não levar o material e equipamento necessário para o apiário;
  • Realizar as tarefas no apiário de forma apressada, a contra-relógio;
  • Desejar ser um apicultor profissional, mas não trabalhar aos fins-de-semana, feriados, no dia de anos dos primos, …
  • Não ter o material necessário com antecipação no armazém (por ex. colmeias e/ou cera);

Para fazer esta lista comecei por olhar para mim e olhar para os erros que cometi!

a colmeia está zanganeira?

Sabemos que 3 a 4 semanas depois de uma colónia ter ficado órfã, caso não consiga criar uma nova rainha, começam a surgir abelhas poedeiras e a colónia fica zanganeira.

As causas do aparecimento de colmeias zanganeiras são várias, podendo decorrer de uma tentativa das próprias abelhas de substituição de uma rainha velha e/ou esgotada e, por alguma razão, a nova rainha não é gerada ou morre durante os seus vôos de fecundação. Este acontecimento pode decorrer também de uma intervenção do próprio apicultor. Sobretudo quando na vistoria de novos núcleos, provoca na rainha recém fecundada um elevado estado de nervosismo. Este nervosismo súbito pode provocar uma acção de pelotagem/asfixiamento da rainha pelas abelhas mais velhas. Apicultores veteranos recomendam que se evite, ou se reduza ao mínimo, a inspecção de núcleos onde se presume que possa haver uma rainha que tenha iniciado há poucos dias a sua postura. Como fazer  então uma análise de um núcleo ou colmeia que nos permita, com uma observação muito pouca intrusiva, recolher alguma informação confiável da presença ou não de uma rainha fecundada?

O apicultor experimentado tem alguma facilidade de identificar se uma colónia tem ou não uma rainha fecundada ou se está zanganeira (isto levantando apenas a prancheta e observando atentamente o comportamento das abelhas nos travessões superiores dos quadros). Se as abelhas estão claramente mais nervosas, com passeios erráticos, mal definidos quanto ao sentido ou orientação, como que sem objectivo e mais defensivas que o habitual, podemos desconfiar que ainda não têm uma rainha fecundada. Se a juntar a estes sinais, as abelhas estiverem dispersas em pequenos grupos por todos os quadros do núcleo ou da colmeia, podemos desconfiar que estão no estado zanganeiro, com obreiras poedeiras. Se as abelhas apresentarem tranquilidade, até alguma indiferença à nossa presença, se estiverem sobretudo aglomeradas sobre dois ou três quadros (caso dos núcleos) ou sobre os quadros centrais (caso das colmeias), se nos cheirar a muita criação aberta (o cheiro da geleia real e papa larvar) o melhor é deixar a colónia tranquila por mais 2 a 3 semanas, até que a nova rainha adquira a “liderança serena” daquela colónia.

Alguns apicultores há que afirmam e reafirmam que observando o movimento de abelhas no alvado (entrada) da colmeia é suficiente para diagnosticar se a colónia está zanganeira ou não. Ainda não cheguei a esse nível de perícia. Para alguns, a entrada de pólen é um sinal de uma colónia com rainha em postura. O que tenho observado é que a entrada de abelhas com pólen não chega para garantir que a colmeia não esteja zanganeira. Já observei inúmeras vezes as abelhas a entrarem com pólen em colmeias zanganeiras. Para mim, faz sentido que assim seja. No fim de contas elas têm larvas para alimentar, as larvas de zângão fruto da postura das abelhas!

Se a observação dos sinais atrás referidos nos leva a suspeitar que a colónia está zanganeira há que o confirmar. A confirmação passa pela observação dos quadros, observação esta que nos permite identificar um conjunto de sinais inequívocos do estado disfuncional da colónia. As colónias zanganeiras apresentam, quase universalmente, um conjunto de sinais bem conhecidos que passo a elencar pensando nos apicultores que estão a dar os primeiros passos neste mundo das abelhas.  Alguns dos sinais indicam um estado inicial ou recente de “zanganisse”, outros um estado mais avançado. São estes os sinais:

  • postura de vários ovos no mesmo alvéolo (seja de obreira, seja de zângão);

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  • postura significativa de zângãos em alvéolos de obreira em áreas bem definidas (surge habitualmente no estádio inicial e/ou em colónias populosas);
  • postura mais reduzida de zângãos em alvéolos de obreiras em pequenas áreas mal definidas de alguns quadros (surge habitualmente num momento mais tardio e/ou em colónias menos populosas);

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  • vários ovos surgem colados na parede dos alvéolos (as abelhas poedeiras por terem o abdómen mais curto que a rainha nem sempre conseguem depositar os ovos no fundo do alvéolo);
  • acumulam pólen em excesso;
  • mais tarde aparecem falsas realeiras, muito largas e compridas (4 a 5 cm), com uma forma cilíndrica, com uma larva de zângão e com muita geleia real.

O que o apicultor pode e deve fazer com uma colmeia zanganeira depende de vários aspectos, entre os quais destaco: força do enxame e altura do ano.

Se a altura do ano for propícia, com um fluxo de néctar próximo, se o enxame for valente, por norma, não sacudo as abelhas. Por norma, procuro reverter a situação o que exige alguma persistência. Aos enxames zanganeiros nas condições atrás descritas coloco um quadro com muita criação larvar e alguma criação fechada, com poucos ou nenhuns ovos, durante  duas ou três semanas a um ritmo de um por semana. Na terceira ou quarta semana, coloco um quadro sobretudo com criação fechada e ovos, de preferência numa cera nova mais flexível, ou caso tenha disponível, uma ou duas realeiras abertas ou fechadas. Com este maneio tenho revertido esta situação tão indesejável numa percentagem muito aceitável.