a transmissão do conhecimento tácito e o encontro de gerações

As organizações procuram com as ferramentas de “gestão do conhecimento”, que os seus empregados mais experientes de saída da empresa, por reforma ou mudança para outro local de trabalho, por exemplo, capturar o conhecimento tácito destes para o transmitir aos mais novos. Entre outras medidas, como o recurso a entrevistas, gravações do desempenho no terreno, umas das mais utilizadas passa por colocar o aprendiz ao lado do seu colega mais experiente acompanhando-o no desempenho da suas funções. Esta experiência visa dar oportunidade a que um conjunto de detalhes do modo de fazer, do momento de o fazer e do contexto em que os fazer, não escritos e capturados nos manuais dos descritivos de funções e de procedimentos, sejam apreendidos pela observação “natural”, em local, pelo aprendiz.

Vem isto a propósito da mais recente visita do meu amigo Marcelo Murta, que me acompanhou e ajudou na realização de diversas operações de maneio em dois dos meus apiários. Tendo o Marcelo lido boa parte do que escrevo no blog, o local onde verto o meu conhecimento explícito, achei por bem que viesse ver como trabalho, para que pudesse aceder a uma parcela do conhecimento tácito que uso no maneio das colónias e das diversas componentes que o envolvem.

O Marcelo Murta à minha esquerda.

Para terminar o Marcelo, que tem idade para ser meu filho, também partilhou comigo os seus conhecimentos, opiniões e sugestões. Julgo que tal se originou na boa relação que temos os dois, por não o oprimir com as minhas opções e narrativas, por me manter disponível e receptivo aos seus contributos e saberes.

O encontro de gerações não sendo uma impossibilidade metafísica, exige uma escuta atenta, uma apreciação justa, uma atitude equilibrada de ambas as partes. Relevam-se os pontos comuns e analisam-se tranquilamente as divergências. Assim se estabelece uma relação serena e produtiva.

Que a diferença de idades seja um motivo para as diferentes gerações erguerem pontes, não muros. Que o conhecimento tácito flua como o néctar flui entre as plantas e as abelhas…

3 comentários em “a transmissão do conhecimento tácito e o encontro de gerações”

  1. Eduardo infelizmente nem todos pensam como o SENHOR!
    Tenho pena de ser de longe, se não um dia também gostava de lhe fazer uma visita.
    Um bem haja pela partilha do seu conhecimento!

  2. Olá meu caro. Sem dúvida que foi um privilégio acompanhar-te. Os teus conhecimentos sobre apicultura são de uma grandeza e detalhe inqualificável. Com o teu conhecimento tácito poderíamos facilmente escrever outro blog, “Abelhas à beira, vol.2”.

    Nestes últimos dias ficou muito claro que por mais que tenhamos os objetivos alinhados, a apicultura não tem um maneio definido, é verdadeiramente “50% ciência e 50% arte”, e é nesta última que a magia acontece. É nestes 50% de arte que temos a liberdade de agir consoante o que a colónia nos oferece e nos pede, a liberdade de podermos agir consoante as nossas sensações e as nossas percepções; é a liberdade de podermos improvisar, de experimentar, de acertar e errar; é a possibilidade de podermos aprender. Que piada teria se tudo isto se resumisse a 2+2? Muitos de nós já estavam noutras paragens. Posto isto, acredito que em cada colmeia podemos compor a nossa própria canção. O momento perfeito para colocar um pouco de nós.

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