Inspirado em “To see a World in a Grain of Sand And a Heaven in a Wild Flower,
Hold Infinity in the palm of your hand, And Eternity in an hour.” por William Blake.







Fotos de Júlia Gomes
blog de Apicultura
Inspirado em “To see a World in a Grain of Sand And a Heaven in a Wild Flower,
Hold Infinity in the palm of your hand, And Eternity in an hour.” por William Blake.







Fotos de Júlia Gomes
Ontem arrisquei carregar 10 meias alças que tinha crestado uns dia antes e rumar ao apiário onde convivem castanheiros e azinheiras. A esperança de ainda as encherem com a melada dos azinhos é pequena, mas suficiente para me ter motivado. Feita a inspecção às 16 colónias Langstroth em produção lá estacionadas, acabei por decidir colocar meias-alças em 5 colónias.


É neste apiário que se encontra a colónia que passou pelo processo Demaree para controlar a enxameação — ver aqui e aqui. Ontem o seu sobreninho apresentava estes quadros:

Aproveitei a deslocação para iniciar o terceiro e último tratamento do ano nos núcleos presentes.

Procedi à recolha de abelhas adultas para efectuar o cálculo da taxa de infestação por varroa neste apiário.

Em casa e de acordo com os procedimentos descritos na publicação anterior encontrei 3 varroas numa amostra de cerca de 550 abelhas.


Aqui e ali, nas redes sociais, recebo umas “bocas” a chamarem a minha atenção para o facto de na apicultura “2+2 não serem 4” e “a apicultura não ser uma ciência exacta”. Este tipo de comentários revela pelo menos duas coisas aos meus olhos: 1) não me conhecem nem conhecem o que escrevo, ainda que julguem que sim; 2) mais grave, desconhecem que todos os fenómenos naturais têm uma tradução matemática.

Vem isto a propósito de umas contas que vou passar a apresentar. Na publicação anterior identifiquei a taxa de infestação pelo ácaro varroa em abelhas adultas nas colónias de um apiário. Fui interpelado por um amigo se tinha ideia da taxa de eficácia das tiras de ácido oxálico que coloquei em finais de junho. Respondi que sim, isto apesar de não ter feito um teste de campo. Esta resposta assenta nos cálculos que realizei. De acordo com estes cálculos, a taxa de eficácia rondará os 65%. Como cheguei e este valor?
Em conclusão, o tratamento com as tiras de oxálico está perfeitamente justificado na minha estratégia de tratamentos da varroose:
Ainda que a minha apicultura assente em dados numéricos, muito úteis para avaliar o caminho que estou a fazer, é óbvio —para quem me conhece e lê com olhos de ler as minhas publicações — que esta apicultura não se resume a números. Trabalho, observações, leituras, reflexões, hipóteses, cálculos, avaliações e tomada de decisões serão um resumo mais justo e completo.
Hoje, com minha esposa, realizei os procedimentos necessários e adequados — assim o espero — para obter uma ideia precisa da taxa de infestação das abelhas adultas num dos apiários onde pretendo iniciar nos próximos dias o tratamento de verão da varroose, com recurso às tiras de Apivar.
Tendo efectuado neste ano, e até à data, dois tratamentos, o primeiro com recurso a tiras de Apivar, colocadas na última semana de janeiro, o segundo com recurso a tiras com ácido oxálico colocadas em finais de junho, pretendo iniciar este terceiro e último tratamento com uma taxa de infestação das abelhas adultas abaixo dos 3%. Sei por intermédio de leituras e observações pessoais que todos os medicamentos, ou quase, são muito menos eficazes quando a taxa de infestação ultrapassa esta percentagem. Sei também que o medicamento deve ser colocado em agosto para garantir que as abelhas de inverno, que vão começar a ser criadas nas duas a três semanas seguintes, devem ser nutridas num ambiente saudável, com poucas varroas e poucos vírus.
Assim sendo, munidos dos conhecimentos e equipamentos para fazer este teste à infestação por varroa, a minha esposa e eu passámos à acção.
Em baixo fica o foto-filme das etapas, procedimentos e equipamentos utilizados para este propósito.

No apiário, identifiquei 6 colónias que ao longo da época estiveram fortes, com muita criação ao longo dos últimos 4 meses. Nessas 6 colónias sacudi abelhas dos quadros com criação, isto depois de ter posto de lado o quadro onde andava a rainha.




De regresso a casa, procedi à lavagem e coagem de abelhas e ácaros.








Análise retrospectiva e análise prospectiva: Com uma taxa de 1,1% de infestação pelo ácaro varroa olho para trás e confirmo a validade e adequação da estratégia de tratamentos que estou a seguir este ano. Por outro lado, e olhando agora para a frente, esta taxa permite-me estar muito confiante, pois antevejo que o tratamento de verão tem tudo para correr bem, uma vez que a taxa de infestação está bem abaixo dos 2 a 3%. Este é o limiar máximo que os mais conhecedores e mais cuidadosos apicultores que conheço recomendam para iniciar o tratamento. Isto se os apicultores meus vizinhos também estiverem a fazer o que devem fazer e na altura em que o devem fazer. Quando os ouriços se começam a formar nos castanheiros, pode ser a mnemónica?

Dou inicio à comercialização do mel de minha produção de 2021 na modalidade enfrascado. A origem: flores silvestres na fronteira do Parque Natural da Serra da Estrela. Destino: consumidor que valoriza a qualidade do mel que coloca à sua mesa. Os frascos ao dispôr são de 1Kg, 0,5Kg e 0,25 Kg.
Deixo a tabela de preços* aos interessados:
1 Kg = 6,40 €;
0,5 Kg = 3,70 €;
0,25 Kg = 2,30 €.
* (ao qual acresce o IVA à taxa de 6%)
Aceitam-se encomendas para quantidades não inferiores a 36 Kg, a entregar dentro dos limites do distrito da Guarda e/ou distrito de Coimbra. Para quantidades inferiores e/ou para fora dos limites destes dois distritos os encargos com o transporte são da responsabilidade do comprador.
Estou disponível neste endereço electrónico para receber as encomendas e detalhar o que entenderem necessário: jejgomes@gmail.com
As fotos em baixo foram tiradas na minha UPP em 26.07.2021 e retratam etapas do processo de extracção e enfrascamento.










Composição de Júlia Gomes.
Ontem continuei, com a ajuda do Frederico Passas, a cresta dos meis claros no apiário das Langstroth a 600m de altitude.
Hoje, com a ajuda de minha mulher, voltei ao apiário das Lusitanas, para continuar a cresta iniciada a 3 de julho.

As colónias que serviram aos desdobramentos, às quais já crestei um sobreninho, hoje crestei-lhes uma meia-alça (alça) como a da foto em baixo.



Depois de tantas malfeitorias, a pior delas obrigar a rainha a manter-se no ninho desde praticamente o início de março, estas colónias acabam a produzir cerca de 40 kgs de mel.

Nota: Fred poderá haver quem pense “bo bem mou finto”, apesar de ontem teres testemunhado o mesmo no apiário das Langstroth.
Ontem, com a ajuda do Pedro Miguel, continuei a cresta das colmeias situadas no território das marcavalas e dos castanheiros. Verifiquei que coexistiam quadros em três estágios de progressão: quadros maduros, com mel operculado de travessão a travessão (os que trouxe para a extracção), quadros com mel verde por opercular e que pingavam néctar quando sacudidos e quadros com parcelas de criação operculada (os que ficaram nas colmeias para cresta futura, dentro de duas a três semanas).

Hoje, com a ajuda de minha mulher, terminei a primeira fase da cresta deste apiário. Como habitualmente, surgem favos adventícios entre as meias-alças, utilizados frequentemente para criação de zângãos. Nestes casos aproveito para trazer alguns para casa para fazer uma análise mais atenta da presença/ausência de varroa.





Este tipo de análise é meramente indicativo, muito falível e porventura enganador acerca do nível de infestação por varroose. Contudo, o facto de em 30 pupas de zângãos não ter encontrado uma única varroa indica que alguma coisa estarei a fazer bem no que ao tratamento da varroose concerne. Convém-me, mesmo assim, manter os pés bem assentes no chão e não desrespeitar os timings de verão para o tratamento principal e o mais crítico da varroose. Na esperança que o relativo fracasso do ano passado no controlo da varroose me tenha ensinado o que de substantivo tinha que aprender para fazer melhor este ano. Até ao momento, os sinais são encorajadores, na luta contra o pior e mais previsível inimigo das abelhas — previsível porque a varroa não faz prisioneiros, ou a controlamos a tempo e horas ou ela massacra os seus hospedeiros.

Randy Oliver escreveu recentemente no Bee-L acerca dos progressos, lentos, e dos obstáculos inesperados e inexplicados com que o seu programa para seleccionar e propagar linhas de abelhas resistentes ao ácaro varroa se está a confrontar. Atentem ao elevado número de lavagens de abelhas que são realizadas, em todas ou quase todas as colónias, para monitorar o nível de resistência de cada. Este caso de progressão lenta ilustra bem o relativo fracasso de tantos e tantos programas levados a cabo nestas duas últimas décadas para seleccionar, preservar e massificar linhas de abelhas resistentes ao varroa, e isto apesar de todo o investimento feito. Realisticamente, uma solução simples e rápida, que possa ser passada de apicultor em apicultor, de apiário em apiário, de território em território está longe de ser encontrada, é um objectivo ainda longínquo, mas o sonho permanece… sempre!
(Randy Oliver escreve:) Este tópico está muito na minha mente, já que estamos a meio de nossa primeira rodada de lavagem de ácaros nesta temporada para identificar quais são as colónias, com novas rainhas filhas de colónias resistentes. Estamos a realizar entre 1000 e 1500 lavagens de ácaros para selecionar as criadoras com potencial, que então serão submetidas a lavagens uma vez cada mês para confirmar [a resistência].
Já fazemos isso desde 2017, substituindo todas as nossas rainhas a cada ano
apenas com rainhas filhas de mães de colónias rigorosamente comprovadas
como resistentes aos ácaros. O que aprendi é que existe uma falta frustrante
de herdabilidade. Só porque a colónia mãe era completamente à prova de ácaros, não significa que as filhas da rainha daquela colónia resistente irão liderar colónias resistentes.
Estamos progredindo e, ao longo dos anos, passámos de menos de 1%
de colónias exibindo resistência para mais de 7%, mas longe de 95%. E
isto [acontece] com um programa de seleção rigoroso de acasalamentos amplamente controlado. Neste verão, planeamos realizar acasalamentos em alguns locais de grande altitude, onde não há zângãos externos.
Estou surpreso, depois de criarmos facilmente abelhas com esta ou aquela cor, temperamento, comportamento higiénico, ou resistência do ácaro da traqueia, com o quão difícil é preservar o traço resistência à varroa.
Randy Oliver
Grass Valley, CA
530 277 4450
ScientificBeekeeping.com
Nota: sobre os avanços e perspectivas na seleção de características de resistência ao ácaro Varroa destructor em abelhas melíferas ver também aqui.
É alto, ventoso, abundante o território do apiário onde me entretenho no maneio na companhia de minha mulher.









