Há alguns dias começou a circular nas redes sociais uma notícia com todos os ingredientes para despertar simultaneamente curiosidade e desconfiança: um jovem de 17 anos, na Florida, teria desenvolvido um aparelho que utiliza dióxido de carbono para eliminar a Varroa destructor, sem acaricidas, a um custo quase insignificante e com resultados extraordinários em dezenas de colmeias. Como frequentemente acontece, os títulos vão mais depressa do que a ciência. Seria fácil colocar tudo isto na gaveta das notícias demasiado boas para serem verdade. Neste caso, porém, seria igualmente precipitado fazê-lo. Por detrás do exagero existe um trabalho real, desenvolvido ao longo de vários anos, assente numa hipótese biologicamente plausível e que já chegou a ensaios de campo com dezenas de colónias.

O jovem chama-se Aakash Manaswi e o princípio que explora é relativamente simples: abelhas e Varroa não toleram da mesma maneira atmosferas muito enriquecidas em dióxido de carbono. Trabalhos anteriores já tinham mostrado que concentrações elevadas de CO₂ podem provocar o desprendimento das varroas das abelhas e aumentar a sua mortalidade. A originalidade de Manaswi está sobretudo na tentativa de transformar este fenómeno fisiológico num método utilizável numa colmeia.
De uma experiência de estudante a 60 colónias
O percurso começou há cerca de três anos. Em 2024, Manaswi procurou determinar se existia uma combinação de concentração e tempo de exposição ao CO₂ capaz de afetar fortemente a Varroa sem provocar danos equivalentes nas abelhas. Em 2025 o projeto passou para 45 colónias e é desta fase que provém a alegação, divulgada pelo Young Scientist Lab, de uma redução da Varroa superior a 96%. Desenvolveu também um sistema de visão artificial para identificar e contar os ácaros caídos.
Em 2026 deu outro salto: no Regeneron International Science and Engineering Fair apresentou um ensaio com 60 colónias durante dez semanas, comparando o CO₂ com acaricidas convencionais e avaliando também indicadores de saúde das abelhas. O projeto recebeu o primeiro prémio na categoria Animal Sciences e o Peggy Scripps Award for Science Communication.
Portanto, não estamos perante alguém que colocou CO₂ numa colmeia, viu cair algumas varroas e publicou um vídeo na Internet. Existe um programa experimental continuado. Mas também não estamos ainda perante um tratamento cientificamente validado. É entre estas duas afirmações que convém colocar esta história.
O «Mite Blower»
Uma entrevista recente de Manaswi ao Beekeeping Today Podcast permitiu conhecer alguns pormenores importantes. O dispositivo, a que chama Mite Blower, coloca-se sobre a colmeia e distribui o gás através de nove tubos perfurados posicionados sobre os quadros. Depois de testar dez concentrações, Manaswi chegou a uma mistura com aproximadamente 30% de CO₂, aplicada a cerca de 2 litros por minuto durante aproximadamente um minuto.
Não se trata simplesmente de «sufocar a Varroa». O interesse está na diferente susceptibilidade fisiológica do ácaro e da abelha à hipercapnia: aparentemente existe uma janela em que a Varroa é fortemente afetada enquanto a abelha ainda tolera a exposição.
Há, contudo, uma pergunta que qualquer apicultor familiarizado com a biologia da Varroa fará imediatamente: e as varroas que estão dentro da criação operculada?
O opérculo continua no caminho
Esta talvez seja a informação mais importante de toda a história. Questionado diretamente, Manaswi reconhece que o método atua essencialmente sobre as varroas foréticas; não resolve o problema das varroas protegidas dentro dos alvéolos operculados.
Isto obriga a olhar com prudência para o número mágico dos 96%. Numa colónia com criação abundante, uma grande proporção da população de Varroa pode encontrar-se precisamente onde o tratamento não chega. Eliminar 96% das varroas presentes sobre as abelhas adultas não significa necessariamente eliminar 96% da população total existente na colónia.
Manaswi reconhece, aliás, que ainda não experimentou o sistema numa colónia sem criação. Essa poderá ser uma das experiências mais esclarecedoras: qual é a eficácia do CO₂ quando praticamente toda a população de Varroa está exposta?
O investigador propõe aplicações aproximadamente de quatro em quatro semanas. Também aqui haverá muito para esclarecer, porque a Varroa transita continuamente entre a fase protegida na criação e a fase de dispersão sobre as abelhas. Se o CO₂ atuar essencialmente sobre esta última, o intervalo ótimo deverá resultar dessa dinâmica. Pode mesmo acontecer que esta tecnologia venha a ter particular interesse durante uma interrupção de criação, natural ou provocada, quando praticamente todas as varroas ficam temporariamente expostas. Por enquanto, é apenas uma hipótese, mas uma hipótese que me parece particularmente interessante.
Resultados promissores, mas ainda não publicados
O projeto de 2026 comparou também indicadores de saúde das abelhas submetidas a CO₂ com os das colónias tratadas com acaricidas, recorrendo inclusivamente a análise histológica. Segundo os resultados apresentados no ISEF, o CO₂ conseguiu um controlo da Varroa comparável ou superior aos acaricidas utilizados no ensaio, enquanto as abelhas tratadas com CO₂ apresentaram melhores indicadores de saúde. Estas colónias teriam produzido também mais mel.
São resultados interessantes, mas há uma palavra que importa conservar: apresentados.
Até à data, não consegui localizar uma publicação científica sujeita a revisão por pares que descreva estes ensaios. O próprio Manaswi afirmou que pretende publicar os resultados. Não podemos ainda, portanto, escrutinar os dados completos, a análise estatística, a variabilidade entre colónias e, sobretudo, a forma exata como foi calculada a eficácia anunciada. Isto não diminui o mérito do trabalho; apenas coloca a evidência no lugar onde atualmente se encontra.
E um tratamento pode mesmo custar quase nada?
Este é outro aspeto da notícia que merece atenção porque os números são impressionantes. Manaswi refere ter utilizado uma garrafa com cerca de 200 libras de gás, adquirida por aproximadamente 200 dólares, estimando que permita cerca de 15 500 tratamentos. A divisão é simples:
200 dólares ÷ 15 500 = cerca de 0,013 dólares por tratamento, pouco mais de um cêntimo de dólar por colmeia.
Considerando apenas o gás consumido, é um custo extraordinariamente baixo e explica as comparações com acaricidas que podem custar vários dólares por colmeia.
Mas o custo do gás não é o custo do tratamento.
É necessária uma garrafa, um regulador de pressão e caudal, mangueiras e o dispositivo de distribuição. A garrafa tem de ser comprada ou alugada, transportada e recarregada; há ainda o tempo necessário para colocar o equipamento, tratar a colmeia e passar à seguinte. Uma garrafa de 200 libras também dificilmente será prática num apiário, razão pela qual o próprio Manaswi aponta garrafas de 15–20 libras como solução mais adequada no campo.
E falta uma variável decisiva: quantas aplicações serão necessárias por ano? Se forem feitas de quatro em quatro semanas durante o período de criação, o custo económico terá de considerar várias intervenções.
Não será, portanto, correto concluir que tratar uma colmeia custa um cêntimo. O que estes números mostram é algo diferente e ainda assim muito interessante: o CO₂ consumido em cada tratamento poderá custar apenas alguns cêntimos por colmeia. Equipamento, amortização, transporte e mão-de-obra terão depois de ser acrescentados. Mesmo assim, um equipamento reutilizável associado a um consumível tão barato poderá apresentar uma economia muito favorável, particularmente quando utilizado em muitas colónias.
Uma ideia que não nasceu do nada
Há outra razão para não descartarmos o projeto. A sensibilidade da Varroa ao dióxido de carbono já tinha sido observada por outros investigadores. Kozak e colaboradores estudaram os efeitos de atmosferas enriquecidas em CO₂ sobre abelhas e Varroa. Bahreini e colaboradores publicaram em 2015 The Potential of Bee-Generated Carbon Dioxide for Control of Varroa Mites. Mais recentemente, Onayemi e colaboradores mostraram que concentrações elevadas de CO₂ durante o inverno aumentavam a mortalidade de Varroa destructor.
Existe, portanto, uma sequência científica anterior ao Mite Blower:
CO₂ elevado → Varroa particularmente sensível → diferença de tolerância entre parasita e hospedeiro → possibilidade de transformar essa diferença num tratamento.
É nesta última etapa que entra Manaswi.
Nem milagre nem curiosidade
Talvez a pior maneira de olhar para este trabalho seja escolher um dos dois extremos que habitualmente dominam estas discussões. Num deles, um adolescente descobriu um gás quase gratuito que elimina 96% das varroas e vai substituir os acaricidas. No outro, tudo não passa de mais uma história sensacionalista sem interesse para a apicultura.
A informação disponível não sustenta nenhuma destas conclusões.
Há um mecanismo biologicamente plausível, investigação independente anterior, três anos de desenvolvimento e ensaios com 45 e depois 60 colónias. Há ainda uma característica economicamente muito atraente: o consumível poderá custar apenas alguns cêntimos por aplicação. Mas faltam a publicação científica, os dados completos e a reprodução independente dos resultados. E falta separar inequivocamente a eficácia sobre a Varroa forética da eficácia sobre a população total existente na colónia.
Aos 17 anos, Aakash Manaswi ainda não demonstrou que encontrou uma nova solução para a varroose. Mas fez algo suficientemente importante para merecer atenção: transformou uma observação fisiológica numa hipótese de tratamento e levou essa hipótese até dezenas de colmeias.
Agora vem a parte mais exigente: publicar os dados, permitir que sejam escrutinados e conseguir que outros investigadores repitam a experiência.
Se passar essas provas, voltaremos a falar do CO₂. E provavelmente já não como uma curiosidade.