colocação das primeiras excluidoras de rainhas: alguns procedimentos

Na passada sexta feira (06-03), a seguir ao almoço, voltei ao meu apiário mais pequeno. A temperatura rondava os 17ºC e o vento mal se sentia. Quando sai de casa tinha dois objectivos: transferir dois núcleos para colmeias de 10 quadros e colocar duas excluidoras de rainha em duas colónias muito fortes. Acerca dos procedimentos para alcançar o primeiro objectivo fiz esta publicação. Vou agora identificar alguns procedimentos que procuro seguir aquando da colocação de grelhas excluidoras de rainha.

A carga depressa se arrumou!
Uma das duas colónias — modelo Lusitana— onde vim a colocar a excluidora. Tinha 13 quadros com criação e 20 quadros preenchidos por abelhas.
O meu dilema inicial era se devia procurar a rainha para a deixar no ninho como pretendia, ou se devia colocar a excluidora, sem a procurar, e numa visita seguinte, passados 4 dias, confirmar em que caixa andava pela presença de ovos. Decidi procurá-la.
Talvez nem tivessem passado 5 minutos até a encontrar. Andava na caixa de cima — na outra colónia, onde coloquei a segunda excluidora, também encontrei a rainha na caixa superior. Estava no quadro que coloquei na posição 3. Era também essa a posição que o quadro ocupava na caixa superior.
O quadro com a marca amarela também foi transferido para a caixa inferior por conter muita criação de zângão. Assim não ficarão presos por cima excluidora quando emergirem.
E pronto, depois de tudo organizado no ninho foi altura de colocar a excluidora de rainha.
Um bom exemplo de uma foto indevidamente centrada. Pretendia mostrar as datas também! Então fica legenda: no dia 01-03 a colónia tinha 12 quadros com criação distribuídos pelo ninho e sobreninho. No dia 06-03 coloquei a excluidora com a rainha em baixo, no ninho.

Para a semana conto colocar mais cerca de cinco excluidoras num outro apiário, desta feita em colmeias muito fortes do modelo Langstroth. Numa publicação a surgir num futuro próximo pretendo explicitar a estratégia que persigo com a colocação destas excluidoras nas colónia mais fortes e tão cedo na época. Em 2018 e para atingir o fim que pretendo atingir este ano também assim fiz e correu muito bem. Se não tiver desaprendido, com trabalho e uma pitada de sorte, acho que irei alcançar os objectivos que pretendo, e uma parte dever-se-á a esta estratégia. Este pequeno passo hoje dado vai revelar-se fundamental.

as primeiras transferências para colmeias das colónias que invernaram em núcleos

Anteontem à tarde (06-03) fiz as primeiras transferências para colmeias das colónias que invernaram em núcleos. Uma boa parte destes núcleos resultaram das piores razões. Em finais de agosto/início de setembro cerca de 20% das minhas colónias apresentavam sinais óbvios de PMS. Por uma razão que não está suficientemente clara, o tratamento iniciado em finais de julho/início de agosto não foi eficaz nestas colónias. Debilitadas, com uma quebra populacional enorme e com a longevidade das abelhas sobreviventes comprometida decidi passar estas colónias para núcleos com a intenção de aumentar a sua densidade e agregação. Alguma coisa terei feito bem dado que a maioria ultrapassou esta dura prova. Gradualmente começam a atingir o volume que exige a transferência para uma caixa de dez quadros. Em baixo apresento o foto-filme dos procedimentos que utilizo habitualmente nestas circunstâncias.

Colónia-núcleo a ser transferida, com 3 quadros com criação e 5 quadros de abelhas.
Colmeia que vai receber os quadros do núcleo. Habitualmente (não sempre) utilizo esta disposição dos 5 quadros vazios. Nas próximas visitas os quadros à esquerda irão sendo colocados regularmente ao lado do último quadro com criação. O lado direito é o lado quente da colmeia.
Dada a boa população de abelhas decidi que “aguentaria” com mais um quadro com abelhas a emergir, e abri este espaço adjacente à zona de criação para o colocar.
Foi a este “monstro”, com 13 quadros com criação, que fui tirar o quadro com abelhas a emergir. Do lado direito da colmeia está o quadro vazio com cera puxada que irá ocupar o espaço vazio criado.
Quadro com abelhas a emergir, o melhor e mais rápido estimulante que conheço.
Foto em plano picado da colónia transferida, com quatro quadros com criação e dois quadros com reservas de mel e pão-de-abelha .
Pasta nova, a ver como corre… não havia outra no meu fornecedor. Ai as saudades que tenho do velho e bom Apifonda!

orientação cardeal das colmeias: uma experiência pouco ortodoxa

Na publicação do passado dia 4, o José Cardoso reparou que nesta foto surgem colmeias — as três colocadas no primeiro assento do lado direito da foto — com a orientação do alvado para o lado oposto das outras e perguntou-me se havia alguma razão para tal.

Esta disposição dos assentos teve como principal objectivo permitir-me colocar as colmeias com os alvados virados a nascente.

Antes de ir à resposta em concreto, devo dizer que, em todos os treze apiários que já construí, aquando da sua construção/preparação acompanhavam-me sempre dois objectos: uma bússola e um nível. A bússola para me auxiliar a determinar com exactidão a orientação cardeal do local relativamente a nascente. Os assentos eram depois posicionados no terreno relativamente a este ponto cardeal. Por ex., neste apiário da foto em cima a disposição dos assentos é a que se pode ver pela razão de que foi a que me permitiu colocar as colmeias com o alvado voltado o mais possível a nascente. Relativamente ao nível, este foi um utensílio inestimável para construir os assentos com um muito ligeiro desnível descendente no sentido nascente, para garantir que as colmeias ficariam com o lado frontal ligeiramente mais baixo relativamente ao lado posterior. Desta forma alguma água que entrasse escorria facilmente para o exterior da colmeia.

Abordando agora a razão de algumas colmeias estarem com os alvados orientados para um ponto cardeal tão pouco ortodoxo, entre poente e norte. Como em várias outras coisas, as minhas opções de maneio têm consequências inicialmente não previstas. Neste caso em concreto, a rotação das colónias durante o processo de desdobramento vertical, leva a que as colónias no final do processo fiquem com o alvado para o lado oposto ao original. Destas, as que não são transumadas, acabam por passar o outono-inverno com o alvado virado a poente-norte. Esta orientação tão pouco ortodoxa dos alvados não foi uma decisão planeada e intencional. Surgiu como um “sub-produto” do maneio de desdobramentos por divisão vertical.

Imagino que neste momento a questão que paira na cabeça da maior parte dos leitores desta publicação seja: e que tal, como se portam as colónias com o alvado de costas para nascente? O que posso dizer, e do que consigo observar até agora, é que se desenvolvem como as outras, nem mais nem menos. Umas mais fortes, outras mais fracas, tal e qual como observo nas que estão orientadas a nascente-sul.

Neste assento a colmeia com ninho e sobreninho está direccionada para nascente-sul. O núcleo e a colmeia sem telhado estão orientadas a poente-norte (foto de ontem, 05-03).
Imagem aproximada da colmeia. Pela posição das tiras de apivar, ajustadas ontem, tem criação do quadro na posição 3 ao quadro na posição 8.
Mancha de criação do quadro na posição 3. Os restantes 5 quadros com criação estão melhores que este, como não podia deixar de ser sendo este o quadro de uma das extremidades da zona de criação.

Dito tudo isto, vou continuar a orientar a entrada das colónias para o nascente-sul por duas razões: a ligeira inclinação dos assentos que referi em cima; ter o mais possível todas as colónias orientadas para o mesmo lado por simplicidade de maneio. Contudo soubesse na altura que fiz os assentos o que sei hoje e em alguns teria colocado os assentos com outra disposição para interagir melhor e mais facilmente com o perfil do terreno.

introdução de rainhas fecundadas: as causas da sua substituição precoce

A minha experiência com a introdução em gaiola de rainhas fecundadas é relativamente pequena. Nestes mais de dez anos de actividade apícola terei introduzido perto de 40 rainhas fecundadas. A taxa de aceitação inicial rondou os 100%, dos dados que registei na memória — como fiquei satisfeito com o facto dos procedimentos que me ensinaram e apliquei com o melhor rigor que me foi possível terem dado tão bons resultados! Contudo, mais adiante, cerca de 30% destas rainhas vieram a ser substituídas. Sei muito bem que a minha experiência é pouco representativa, a amostra é muito pequena, mas foi expressiva o suficiente para me elucidar que por vezes as abelhas também mudam de ideias, e aquela relação que começa bem evolui e termina mal.

Introdução de rainhas em gaiola.

Na altura não me empenhei em perceber melhor as causas do sucedido, o trabalho era muito e tinha de seguir em frente. Intimamente achei que tal se deveria a uma deficiência qualquer presente nestas rainhas, difícil ou até impossível de corrigir, fruto de uma certa aleatoriedade natural inultrapassável. E fui andando com a minha vida sem investir muito tempo neste assunto. Afinal introduzir rainhas fecundadas não é a minha praia; há mais de 5 anos que não o faço, já passaram mais de dois anos desde que introduzi massivamente rainhas virgens, tirando duas excepções que resultaram da oferta generosa de dois amigos de umas poucas rainhas virgens. Este não era, e continua a não ser, um assunto do meu interesse imediato. Apesar disso tal não me impede de reconhecer a sua importância para o sector apícola nacional, dado que vários companheiros recorrem à introdução de rainhas fecundadas pelos mais diversos motivos. Estava eu a preparar esta publicação e, nem de propósito, um companheiro contactou-me a solicitar uma opinião para o ajudar a entender, entre outras coisas, a razão da elevada taxa de substituição precoce das rainhas fecundadas que tem introduzido. Mal irei, e este blog comigo, quando me auto-centrar exclusivamente nas minhas práticas. Ficarei mais pobre e limitado nos conhecimentos, o blog menos abrangente e diversificado, enfim correria o risco de o tornar um diário, desinteressante e auto-proclamatório.

Será então adequada e actual a hipótese de que a substituição precoce de rainhas, 2 a 4 meses após a sua introdução e aceitação inicial, é uma situação inultrapassável própria de uma situação natural, da qual conhecemos, dominamos e controlamos pouco as diversas variáveis envolvidas? Não, nem a hipótese é actual nem é adequada. Hoje sabemos mais que isso. Hoje estão identificadas as variáveis que condicionam a taxa de sucesso deste processo.

Neste pequeno vídeo Bob Binnie identifica as principais causas da não aceitação ou substituição precoce de rainhas fecundadas introduzidas em gaiola e afirma que os criadores de rainhas podem melhorar o processo a montante. Recorre às reflexões e observações do Irmão Adam (o enorme apicultor alemão da Abadia de Buckfast) e aos estudos controlados levados a cabo por Doug Summerville (o autor da obra fundamental Fat Bees, Skinnie Bees).

Hoje, tudo leva a crer que os factores de sucesso/insucesso se encontram a montante, e uma vez mais os timings são muito relevantes. Bob Binnie afirma e identifica as principais condicionantes e factores de insucesso do processo: “a maioria dos problemas com rainhas e com pacotes, como fraca aceitação e substituição precoce deve ser atribuída a:

  • rainhas colhidas demasiado novas;
  • rainhas criadas demasiado cedo;
  • rainhas armazenadas em banco por demasiado tempo.“

Bob Binnie, apicultor norte-americano com cerca de 2000 colónias na Geórgia, e criador de rainhas.

Também nesta publicação da prestigiada revista apícola Bee Culture — https://www.beeculture.com/requeening/— referem os mesmos motivos subjacentes à elevada taxa de substituição precoce de rainhas fecundadas.

serra abaixo: a primeira transumância do ano

Hoje realizei a primeira transumância de colónias deste ano. A distância percorrida foi pouca, cerca de 15 km a descer, as colónias passaram dos 900m de altitude para os 600m e para uma zona edafo-climática cerca de 5ºC mais quente — hoje por ex. cá em cima esteve uma máxima de 12ºC e lá em baixo a máxima chegou aos 17ºC.

Tendo identificado e pré-preparado ontem as 12 colónias a transumar, hoje às 8h15 lá estava para acabar de as fechar — foi só empurrar o resto de esponja. As abelhas como previ estavam todas ainda ao quente, e por companhia só tive as vaquinhas que por ali pastavam.

Partilhando o território.
Ontem, ao final da tarde pré-preparei as colónias e hoje, foi só empurrar o resto da esponja. As abelhas nem sequer assomam ao alvado quando assim faço.
Carreguei as colmeias debaixo de olhares muito interessados e curiosos… bem nem todos… ali atrás, no centro da fotografia, está o boi que pouco me ligou, pois embezerrou com uma jovem vaca. A Natureza sendo Natureza.
Pronto a arrancar, serra abaixo!
Acabado de chegar ao local de destino.
Cerca de 1h30 depois do início da jorna as colónias estavam nos novos assentos. Como gosto deste hábito adquirido de transumar cedo pela manhã!

meias-alças com cera puxada: vendo

Estou vendedor de 100 meias-alças com quadros com cera puxada do modelo Langstroth.

Vendo em lotes mínimos de 20 meias-alças.

O valor unitário de cada meia-alça é de 13 €.

Este valor é fixo, não é negociável.

As meias-alças são pintadas e na sua maioria são de 8 quadros (ver fotos em baixo representativas).

Os interessados deverão entrar em contacto comigo através da caixa de comentários. Os contactos não serão tornados públicos, para manter a privacidade dos interessados.

o meu apiário mais pequeno: um balanço no primeiro dia do mês de março

Antes de ontem, no primeiro dia do mês de março, fui trabalhar as colónias do meu apiário mais pequeno. Neste apiário, onde já estiveram assentes 80 colmeia nos idos 2014-2019, e anos houve em que nos terrenos em redor estiveram cerca de 60 núcleos de fecundação, hoje estão 5 colmeias do modelo Lusitana e 3 núcleos. Das 5 colmeias duas delas passaram o outono e inverno na configuração ninho e sobreninho. No final da ronda, quando saí do apiário, tinha deixado mais duas colmeias nessa configuração. Contas feitas, 4 das 5 colónias Lusitanas do apiário estão muito fortes. A menos forte apresentava 5 quadros com criação e mantém-se por enquanto só no ninho.

As duas colónias que passaram o outono-inverno com ninho e sobreninho.
As duas colónias que passaram para a configuração ninho mais sobreninho. Uma delas apresentava 7 quadros com criação e a outra 8.

Das duas colónias que passaram o outono-inverno na configuração ninho mais sobreninho, uma apresentava 10 quadros com criação — 6 no ninho e 4 no sobreninho — e a outra 12 quadros com criação — 6 no ninho e 6 no sobreninho.

Colónia que apresentava 6 quadros com criação no ninho e 6 quadros com criação no sobreninho.
A mesma colónia “desmontada”.
Um dos 6 quadros com criação presentes no ninho.
Quadro de meia-alça para criação concentrada de zângãos (com uma marca de tinta amarela no topo superior). Um favo com alvéolos largos foi construído por debaixo do travessão inferior no ano passado. Por mero acaso acabou por ficar este outono-inverno no sobreninho. Nesta inspecção fui encontrá-lo repleto de nova criação de zângão.

Dos 3 núcleos — dois do modelo Lusitana e o terceiro do modelo Langstroth — os dois do modelo português, albergam duas colónias que consegui salvar do PMS que sofreram em agosto/setembro do ano passado. Conto passá-los para colmeias de 10 quadros na próxima semana.

Um dos três quadros com criação deste núcleo.
Foto do quadro na posição 5, no lado quente do núcleo.

Em regra, neste apiário as colónias estão muitos fortes para a época. Por que razão? Pela alimentação líquida estimulante não é; não que lhes forneci nem sequer meio quartilho. Pela suplementação proteica também não é porque não que lhes forneci nenhuma. Pela qualidade das rainhas produzidas de forma orgânica por mim? Em parte sim, mas não é suficiente. Por as abelhas estarem saudáveis? Sim, muito isso. Pelo pólen presente no campo? Sim, muito isso também. Pela sintonia do trinómio rainhas pujantes, abelhas locais e saudáveis e campo abundante de pólen? Ah sim, de certeza esta combinação.

No primeiro dia do mês de março, uma pequena moita de rosmaninho ali perto, cuja floração dá origem ao primeiro fluxo importante do território. A minha amiga Filipa Almeida aposta que irão começar a florir lá para dia 15 de abril.

quadros com cera puxada: um “must have” nesta época

Tendo estado cerca de 15 dias sem visitar as minhas colónias, por motivos que vão desde as fracas condições climatéricas, uma ida à clinica dentária e alguns compromissos familiares, estou a planear mentalmente o maneio que irei fazer, nesta semana que vai entrar, em parte das minhas colmeias.

Sabendo que as colónias começam a planear o comportamento enxameatório cerca de um mês antes da enxameação efectivamente se dar, as medidas de prevenção da enxameação devem ser iniciadas, mais semana menos semana, nesta época, isto no território onde tenho os apiários e com mais ênfase nos que se situam a 600 m de altitude.

Uma das formas mais eficaz e expedita de atrasar, diminuir ou mesmo eliminar o impulso de enxameação passa por fazer acreditar ao superorganismo, o enxame, que o ninho não está completamente utilizado, concluído, nem constringido. O apicultor pode através do maneio criar artificialmente um ninho “por acabar” e assim confundir o enxame, levando este a acreditar que ainda não estão reunidas as condições óptimas para levar a cabo a sua reprodução natural por enxameação.

O que deverá fazer o apicultor? Basicamente, remover a restrição das abóbadas/arcos de mel em redor das áreas de criação/postura. Uma das formas de alcançar este objectivo é colocar gradual e regularmente quadros vazios com cera puxada, ou quadros com cera laminada, no ninho/sobreninho ou meias-alças, durante a época de pré-enxameação — no meu território esta época inicia-se no final de fevereiro/início de março, com a criação de zângãos —e durante a época de enxameação.

Nesta altura do ano, em que as condições para puxar cera não estão todas reunidas, a minha opção passa por utilizar quadros com cera puxada para criar nas abelhas esta sensação de ninho inacabado. Estes quadros, um por semana, serão colocados ao lado do último quadro com criação, preferencialmente do lado quente da colmeia, ou logo a seguir ao quadro com pólen nos casos de enxames um pouco menos fortes. O meu pai há 11 anos atrás, quando comecei, ensinou-me a fazer este maneio, e chamava-lhe expandir o ninho ou abrir o ninho.

Colocar, nesta altura e no território que as minhas abelhas pisam, cera laminada é, na minha opinião, um erro (não me perguntem como o sei!). As abelhas não a vão puxar, servirá mais de muro para a rainha e abelhas, criando provavelmente uma sensação de maior constrangimento no enxame, precisamente aquilo que pretendo evitar. O mesmo se passa com a adição de meias-alças com cera laminada. Não tendo condições para puxar a cera, as abelhas não irão reconhecer aquele espaço como um espaço para expansão da criação e/ou um espaço para transferir parte do mel e néctar de forma a preservar o ninho de um bloqueamento. O espaço está lá aos olhos do apicultor, contudo aos olhos das abelhas não está.

Como não tenho a certeza absoluta da data em que as minhas abelhas vão começar a puxar cera opto por colocar a primeira meia-alça com cera puxada e o mesmo para os quadros no ninho/sobreninho. Mais adiante, quando as abelhas estiverem inequivocamente a puxar cera, iniciarei a colocação de quadros com cera laminada no ninho e/ou sobreninho e nas meias-alças. Até que essa época chegue, os quadros com cera puxada é um objecto que desejo muito possuir porque as minhas abelhas assim me o têm dito, como já diziam também as abelhas do meu velho Mestre.

Algumas meias-alças do modelo Langstroth, com quadros com cera puxada, armazenadas e disponíveis para serem colocadas sobre as colmeias tão cedo quanto o necessário.

must have: designa um objeto que muitas pessoas desejam possuir.

tudo bons rapazes…

No território onde tenho os apiários começam a emergir os primeiros zângãos. Parece-me oportuno traduzir um excerto do artigo de revisão Factors affecting the reproductive health of honey bee (Apis mellifera) drones—a review (2019) acerca destes bons rapazes.

Emergência de um zângão

Clima, nutrição e outros fatores ambientais afectam o tempo de maturação sexual dos zângãos. As estimativas da idade em que os zângãos atingem a maturidade sexual variam de 6 a 12 dias pós-emergência. Nos primeiros dias depois da emergência, os jovens zângãos interagem com as operárias perto da área de criação para serem alimentados. Os voos de orientação, que ajudam os zângãos a conhecer os marcos locais e a localização precisa do ninho/colmeia, começam aproximadamente 5 a 8 dias após a emergência. Identificados os principais marcos e localização da colmeia, o seu ciclo de vida culmina quando se junta a outros numa área de congregação de zângãos (“ACZ”) com um diâmetro de 30 a 200 m, onde se juntam até 11.000 zângãos no ar entre 10 e 40 m acima do solo. Os zângãos emitem feromonas odoríferas produzidos pela glândula que modulam as interações sociais entre eles e provavelmente ajudam à formação de ACZs. Quando as rainhas virgens entram numa área de congregação, elas atraem os zângãos com feromonas e fornecem pistas visuais de curto alcance, que ajuda os zângãos a encontrá-las e acasalar. As rainhas virgens normalmente visitam ACZs num ou vários voos de acasalamento que podem acontecer num ou vários dias. Os ACZs são compostos por zângãos de até 240 colónias localizadas de até 5 km de distância entre si. Embora esta seja a distância máxima de vôo registrada até agora, a maioria dos zângãos tendem a reunir-se em ACZs localizados a apenas algumas centenas de metros de sua colmeia de origem, numa estratégia que se presume maximizar a quantidade de tempo que eles podem passar na ACZ para aumentar sua oportunidade de acasalar. Outra explicação: os zângãos também se podem reunir perto de suas colónias de origem para evitar o acasalamento com rainhas aparentadas, visto que a maioria das rainhas virgens voa a vários quilómetros de distância de suas colónias de origem em busca de parceiros (ver esta publicação a este respeito), numa estratégia que supostamente ajuda a evitar o cruzamento genético endogâmico.

fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s13592-019-00684-x

introdução de rainhas: a vantagem de colocar um quadro com criação aberta

No artigo Influence of brood pheromone on honey bee colony establishment and queen replacement (2021), R. Tarpy — um dos mais prolíficos investigadores na área das abelhas rainha — conclui que a aceitação de rainhas em pacotes de abelhas aumenta significativamente com a colocação de um quadro com criação aberta. No grupo de controle (grupo de colónias onde não se colocou um quadro com criação aberta), verificou-se a aceitação da rainha em 33,3% dos casos, considerando a sua rejeição nas primeiras 5 semanas, ou a sua substituição entre a 5ª e a 12ª semana após a introdução. No grupo experimental (grupo de colónias onde foi colocado um quadro com criação aberta) a aceitação das rainhas foi de 86,7%.

fonte: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00218839.2020.1867336

Larvas por opercular ou criação aberta.

Ainda que a experiência tenha sido realizada com pacotes de abelhas, acho que no processo de introdução de rainhas engaioladas em núcleos de abelhas, geralmente formados com dois quadros com reservas e dois ou três com criação, não perdemos nada, à luz destes dados, em acautelar que um destes quadros contenha um bom número de larvas por opercular.

Sobre outras orientações que visam aumentar a aceitação de rainhas introduzidas em gaiola, ver aqui.