orientação cardeal das colmeias: uma experiência pouco ortodoxa

Na publicação do passado dia 4, o José Cardoso reparou que nesta foto surgem colmeias — as três colocadas no primeiro assento do lado direito da foto — com a orientação do alvado para o lado oposto das outras e perguntou-me se havia alguma razão para tal.

Esta disposição dos assentos teve como principal objectivo permitir-me colocar as colmeias com os alvados virados a nascente.

Antes de ir à resposta em concreto, devo dizer que, em todos os treze apiários que já construí, aquando da sua construção/preparação acompanhavam-me sempre dois objectos: uma bússola e um nível. A bússola para me auxiliar a determinar com exactidão a orientação cardeal do local relativamente a nascente. Os assentos eram depois posicionados no terreno relativamente a este ponto cardeal. Por ex., neste apiário da foto em cima a disposição dos assentos é a que se pode ver pela razão de que foi a que me permitiu colocar as colmeias com o alvado voltado o mais possível a nascente. Relativamente ao nível, este foi um utensílio inestimável para construir os assentos com um muito ligeiro desnível descendente no sentido nascente, para garantir que as colmeias ficariam com o lado frontal ligeiramente mais baixo relativamente ao lado posterior. Desta forma alguma água que entrasse escorria facilmente para o exterior da colmeia.

Abordando agora a razão de algumas colmeias estarem com os alvados orientados para um ponto cardeal tão pouco ortodoxo, entre poente e norte. Como em várias outras coisas, as minhas opções de maneio têm consequências inicialmente não previstas. Neste caso em concreto, a rotação das colónias durante o processo de desdobramento vertical, leva a que as colónias no final do processo fiquem com o alvado para o lado oposto ao original. Destas, as que não são transumadas, acabam por passar o outono-inverno com o alvado virado a poente-norte. Esta orientação tão pouco ortodoxa dos alvados não foi uma decisão planeada e intencional. Surgiu como um “sub-produto” do maneio de desdobramentos por divisão vertical.

Imagino que neste momento a questão que paira na cabeça da maior parte dos leitores desta publicação seja: e que tal, como se portam as colónias com o alvado de costas para nascente? O que posso dizer, e do que consigo observar até agora, é que se desenvolvem como as outras, nem mais nem menos. Umas mais fortes, outras mais fracas, tal e qual como observo nas que estão orientadas a nascente-sul.

Neste assento a colmeia com ninho e sobreninho está direccionada para nascente-sul. O núcleo e a colmeia sem telhado estão orientadas a poente-norte (foto de ontem, 05-03).
Imagem aproximada da colmeia. Pela posição das tiras de apivar, ajustadas ontem, tem criação do quadro na posição 3 ao quadro na posição 8.
Mancha de criação do quadro na posição 3. Os restantes 5 quadros com criação estão melhores que este, como não podia deixar de ser sendo este o quadro de uma das extremidades da zona de criação.

Dito tudo isto, vou continuar a orientar a entrada das colónias para o nascente-sul por duas razões: a ligeira inclinação dos assentos que referi em cima; ter o mais possível todas as colónias orientadas para o mesmo lado por simplicidade de maneio. Contudo soubesse na altura que fiz os assentos o que sei hoje e em alguns teria colocado os assentos com outra disposição para interagir melhor e mais facilmente com o perfil do terreno.

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