termorregulação numa colmeia: alguns aspectos

Sabemos que as abelhas, em condições normais, são capazes de manter constante a temperatura interior da colmeia assim como um grau de humidade próximo da saturação.

No verão, com dias em que as temperaturas rondam frequentemente os 40ºC, as obreiras promovem a ventilação da colmeia colocando-se, estrategicamente, na rampa de vôo a bater energicamente as asas. Esta acção contribui para a evaporação da água contida no néctar e no mel desoperculado e, simultaneamente, para o refrescamento do ar no interior da colmeia. Quando tal acção não é suficiente um número apreciável de abelhas sai para o exterior da colmeia formando a conhecida “barba”.

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Fig. 1 — Abelhas à entrada de uma colmeia a fazerem a “barba” num dia quente

No inverno, o esforço das abelhas é dedicado a manter a sua temperatura corporal superior à do ambiente externo. As abelhas cuja temperatura corporal desce abaixo dos 9º-11º C ficam paralisadas e entram no chamado coma por esfriamento, ficando incapacitadas de se alimentar, acabando por morrer. Em Portugal encontramos regiões, sobretudo no interior centro e norte, com dias seguidos em que as temperaturas atmosféricas rondam os 0ºC. As abelhas, nestas circunstâncias, mantêm as temperaturas corporais formando o cacho invernal, agrupamento denso de abelhas em várias camadas sobrepostas. O enxame ou super-organismo consegue, com este comportamento colectivo, manter a temperatura corporal dos seus indivíduos entre os 13ºC e 20ºC. O mecanismo pelo qual as abelhas conseguem esta façanha é conhecido, e passa por uma sequência de etapas, que se inicia pela ingestão do mel presente na colmeia, a combustão do mesmo no seu corpo, o movimento intenso dos músculos das asas, a geração de calor corporal tão necessário ao aquecimento das abelhas e do cacho de abelhas, que se forma no interior da colmeia sempre que as temperaturas no exterior baixam a 10ºC ou menos.

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Fig. 2 — Vista de topo do cacho invernal numa colónia de abelhas 

Nos invernos mais rigorosos, em muitas zonas do interior do nosso país, as rainhas param a postura. Nesta condição o enxame não necessita de manter uma temperatura no cacho acima dos 13-20ºC. O consumo de mel é baixo, porque o isolamento térmico conseguido pela estrutura do cacho invernal, com uma reduzida superfície externa, diminui as perdas de calor.

Isto num outono-inverno como manda a tradição.

menos abelhas consomem mais…

Quanto consomem as nossas abelhas no período de escassez? Será que têm reservas em quantidade suficiente? Imagino que estas questões e outras do género passem pela cabeça de todos nós com alguma frequência nestes dias frios em que, semana após semana, não abrimos as nossas colmeias para verificar o nível de reservas disponíveis.

Um artigo de John Harbo, o pai das rainhas VSH (Varroa Sensitive Hygiene), refere o consumo de mel diário por abelha, obtido com base nos dados que recolheu numa das suas investigações (fonte: Worker-Bee Crowding Affects Brood Production, Honey Production and Longevity of Honey Bees, 1993).

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Fig. 1 — John Harbo preparando uma rainha para ser inseminada artificialmente

John Harbo verificou que o consumo diário varia um pouco, dependendo da densidade da população na colmeia. Para colmeias mais densamente povoadas, o consumo diário é aproximadamente de 7 mg por abelha. Para colmeias menos densamente povoadas, o consumo diário por abelha ultrapassa um pouco os 12 mg.

Para estarmos em condições de fazer os cálculos do consumo por colmeia, temos que estimar o número aproximado de abelhas por colmeia. Aceitando como correcta a estimativa de que um quadro bem coberto de abelhas comporta 1000 abelhas em cada uma das suas faces (ver http://www.dave-cushman.net/bee/beesest.html), obtemos os elementos necessários à nossa contabilidade.

Proponho 3 cenários diferentes para esta altura do ano (e nos meus apiários na beira interior): um para uma colmeia forte, outro para uma colmeia média e um terceiro para uma colmeia fraca.

Colmeia forte) – colmeia com 12000 abelhas que cobre 6 quadros de abelhas: 12000 x 7 mg = 84 gr/dia, isto é, uma colmeia com cerca de 12000 abelhas consome 588 gr/semana e 2520 gr/mês;

Colmeia média) colmeia com 9000 abelhas que cobre ente 4 e 5 quadros de abelhas: 9000 x 10 mg = 90 gr/dia, isto é, uma colmeia com cerca de 9000 abelhas consome 630 gr/semana e 2700 gr/mês;

Colmeia fraca) colmeia com 7000 abelhas que cobre 3 a 4 quadros de abelhas: 7000 x 13 mg = 91 gr/dia, isto é, uma colmeia com cerca de 7000 abelhas consome 637 gr/semana e 2730 gr/mês.

Espero que estes cálculos vos possam ser úteis e alertem para que, às vezes, menos é mais.

Tendo em conta que cada caso é um caso, pois que na apicultura raramente 2+2=4, e que a apicultura é sempre local, cada um de nós deve ter presente que se as abelhas perdoam muitos dos nossos erros, sem alimento é que elas não passam!

equalização de colónias de abelhas

A equalização de colmeias permite atingir vários objectivos em simultâneo, e era uma das ferramentas muito utilizada pelo irmão Adam, na abadia de Buckfast, para atingir elevadas produções nas suas colmeias.

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Fig.1 — “Brother” Adam a inspeccionar uma colmeia, com a velha abadia de Buckfast ao fundo

De uma forma sumária, a equalização de colónias de abelhas consiste em fortalecer as colmeias mais despovoadas à saída do inverno, fornecendo-lhes quadros com criação operculada prestes a nascer ou abelhas, sobretudo abelhas jovens ou ambos os recursos simultaneamente.

Que colmeias fortalecer? Como já foi referido são as colmeias mais despovoadas. Contudo, nem todas as colmeias justificam este esforço e este custo. Só faço esta equalização em colmeias saudáveis, com rainhas com um bom padrão de postura e com uma razoável massa crítica, isto é, com 4 a 5 quadros bem cobertos por abelhas.

Nos meus apiários da beira alta, no final do inverno, ou seja, na primeira quinzena de março, uma colónia com 7 a 8 ou mais quadros cobertos com abelhas e pelo menos 4 quadros com boas áreas de criação é considerada uma colónia forte. Pelo contrário, uma colónia com 4 a 5 quadros de abelhas é classificada como uma colmeia susceptível de ser “apoiada”.

A partir de meados de abril, nas terras baixas da beira alta onde tenho parte dos apiários, uma colónia forte terá 10 a 15 quadros cobertos com abelhas e, pelo menos, seis quadros repletos de criação, com muitas forrageiras a fazer os seus vôos e a fazer crescer as reservas de pólen e de néctar. Pelo contrário, uma colónia com 6 a 8 quadros coberto com abelhas e 3 a 4 quadros de criação é classificada como uma colmeia susceptível de ser “apoiada”.

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Fig.2 — Colmeia forte que pode ser utilizada como doadora

Vantagens da equalização para o apicultor

  • Obtém colónias mais ou menos iguais em força para o fluxo de néctar;
  • Estimula as colónias menos povoadas e não afeta as colónias doadoras, pois estas rapidamente recuperam;
  • É um método eficaz de prevenção da enxameação, porque reduz o congestionamento nos enxames mais populosos;
  • Contribui para uma maior produção de mel;
  • Contribui para que todas as colónias se tornem produtivas;
  • Minimiza a possibilidade de pilhagem no apiário.

Desvantagens da equalização

  • Pode transmitir doenças e ácaros entre colónias no apiário;
  • Pode causar esfriamento da criação se não for feita com cuidado.

O apicultor deve ter um grande cuidado para não distribuir quadros com criação e abelhas a partir de colónias doentes. Deve verificar sempre se as colónias não apresentam sinais de doença antes da equalização.  A concluir, deve ter cuidado para não colocar muita criação em colónias fracas, pois estas não conseguirão dispor de abelhas em número suficiente para manter a criação quente durante as noites mais frias, ainda frequentes na primeira metade da primavera no interior do nosso país.

a expressão do impulso sexual nas abelhas

Walter Wright, conhecido apicultor norte-americano, pai da técnica checkerboarding, faleceu há poucos dias atrás. Como forma de o relembrar, aproveito este momento para divulgar as suas ideias, muito próprias, acerca do fenómeno enxameação. Um dos textos mais provocadores (no sentido de provocar a nossa reflexão) que lhe conheço intitula-se Is it Congestion (fonte http://www.beesource.com/point-of-view/walt-wright/is-it-congestion/) e do qual vou traduzir alguns excertos.

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Walter Wright

“A mentalidade desculpadora é a minha frase para classificar a teoria de que a enxameação é “causada” pelo congestionamento, e de que a grande aglomeração de abelhas limita a distribuição da feromona da rainha. A limitação da distribuição da feromona da rainha é considerada como o ponto de partida na criação de realeiras.  A intenção deste artigo é mostrar que esta teoria da “congestão do ninho” não resiste a uma análise atenta.

Temos visto colónias de enxames que não estão muito congestionadas de abelhas e que enxameiam e, inversamente, colónias muito congestionadas que não enxameiam.  O congestionamento do ninho surge de duas formas. Uma através de uma grande aglomeração de abelha, que é o que associamos frequentemente ao termo. Um segundo tipo de congestionamento é provocado pelo armazenamento de reservas, pólen e mel, no espaço que tinha sido anteriormente usado para a criação. O néctar é usado para reduzir a área disponível para a criação antes de se iniciar a construção de realeiras. Se o néctar não abunda no campo, a colónia, por vezes, usa o pólen para iniciar a redução da câmara de criação.

Existem dois tipos principais de enxames gerados na estação da primavera. O enxame reprodutivo, que é anterior e menor do que o enxame derivado da superlotação de abelhas. Para se construir uma população de abelhas a um nível intolerável demora-se um pouco mais e o enxame é geralmente maior. A literatura não faz distinção entre estes dois tipos de enxames, o que leva a uma confusão quanto à “causa” de ambos. No entanto, as causas são diferentes para cada um deles.

As abelhas não precisam de uma desculpa para se reproduzirem através do único método que têm disponível. A sua motivação para se reproduzirem será tão intenso quanto o impulso sexual entre mamíferos. Duvido que alguém, lendo este artigo, considerou alguma vez ser necessário fabricar uma desculpa, uma razão, ou uma “causa” para seu desejo sexual. Por que temos de inventar uma justificação para o processo reprodutivo da abelha do mel?

Os passos para a enxameação reprodutiva fazem parte de um processo deliberadamente controlado pelas abelhas. A partir do fim do inverno, o acúmulo da população tem uma finalidade específica: a divisão por enxameação reprodutiva. Controles naturais das próprias abelhas e integrados no processo evitam a superpopulação, como a redução da área de criação pelo armazenamento de néctar, que serve vários propósitos, e um deles é evitar a sobrepopulação. Se há uma “causa” para a enxameação de reprodução, a causa é o impulso da colónia para se reproduzir.

Os enxames causados pela superlotação de abelhas também ocorrem. Eles são criados pela intromissão do apicultor. O apicultor que deliberadamente interfere no processo controlado da reprodução pode causar superlotação. Por exemplo, invertendo os corpos da colmeia de forma periódica, o apicultor mantém quase duas caixas cheias de criação. Ele adiciona mais espaço para as abelhas geradas por esta enorme quantidade de criação. Contudo as abelhas foram privados de seu controle natural de redução da área de criação. Vemos a enxameação por superlotação como um mecanismo de defesa para proteger a sobrevivência da colónia existente.

Em resumo, com estes dois tipos de congestionamento e estes dois tipos de enxameação, a teoria da “enxameação por congestão”, avançada na literatura, não se aplica a todas as circunstâncias. Podemos dizer com segurança que a enxameação por superlotação é “causada” pelo congestionamento, mas a origem está no mau maneio do apicultor. Ela termina aí.

Nenhum tipo de congestionamento está na “causa” da enxameação reprodutiva. Precisamos  de reconhecer que enxameiam simplesmente pelo que é: um esforço deliberado para perpetuar a espécie. Sem outras desculpas.

Os traços de sobrevivência discutidos desviam-se consideravelmente da sabedoria convencional. Eles são o resultado das minhas observações pessoais. É da natureza humana rejeitar qualquer conceito que difere do que nós pensamos e que julgamos ser verdadeiro. A aceitação do que vejo acontecer numa colmeia será difícil, se não impossível, para alguns, com uma forte convicção do contrário.”

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Gostava de saber se me pode esclarecer umas dúvidas em relação à renovação que faz dos quadros de ninho.
Quando começa a fazer essa renovação logo em Fevereiro e prolonga-se por quanto tempo? Ou a renovação é feita o mais rápido possível? Tira 3Q por ninho, que serão aqueles mais antigos com ceras mais escuras certo? E que ainda não tenham criação da rainha, logo terão que estar mais nas laterais da colmeia certo? Nos quadros que pretende renovar mas que ainda tenham mel e pólen também os tira? E que faz com eles?” João Oliveira

Procurando responder às questões do João Oliveira, começo pela primeira.

A renovação dos quadros de cera nos ninhos é uma das tarefas mais importantes do apicultor. Para que o seu trabalho seja efetivo necessita de ter em atenção dois pré-requisitos fundamentais: o timing em que deve fazê-lo e a qualidade da cera laminada.

Relativamente ao timing, a colocação dos primeiros quadros de cera laminada no ninho varia de zona para zona e de ano para ano. Devemos olhar para as colmeias e observar o que as abelhas nos dizem. A cera nova branca é o sinal. Quando as abelhas começam a fazer cera nova nos rebordos dos quadros e /ou nas pranchetas está na altura de iniciarmos a renovação de quadros de cera no ninho.

 

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Fig. 1 — Cera branca nas colmeias

Em geral este período de produção de ceras novas está associado aos seguintes factores:

  • fluxo razoável a bom de néctar;
  • temperaturas máximas acima dos 16-18º C e abaixo dos 26-28ºC;
  • bons níveis de humidade no ar atmosférico;
  • expansão assinalável da criação no ninho/rainha vigorosa.

Nos meus apiários na beira alta começo a renovar as ceras nos ninhos entre meados de março e meados de maio. Na beira litoral começo a renovar a cera, em regra, a partir de meados de janeiro, sendo que aqui os timings são mais oscilantes.

Relativamente à segunda parte da primeira questão “por quanto tempo” são também as abelhas a responder. Por norma nos apiários da beira alta as abelhas puxam muito bem a cera nos meses primaveris, até à entrada de junho, e isto nos apiários localizados nas terras mais baixas. Nos apiários localizados nas terras mais altas puxam muito bem a cera a partir de meados de maio e até finais de julho. Nos apiários da beira litoral a partir do início de abril praticamente deixam de puxar a cera.

Na minha opinião as abelhas deixam de puxar a cera quando os factores atrás referidos deixam de coexistir. Dito de outra forma, cada factor per si não é suficiente para estimular a produção de cera nova.

João as restantes questões não ficaram esquecidas.

efeitos colaterais adversos de alguns acaricidas

Para dar substância a uma afirmação em que escrevi “os tratamentos orgânicos não serão os bons assim como os tratamentos sintéticos não serão os maus. Todos os tratamentos, sintéticos ou orgânicos, são bons desde que cumpram o objectivo da sua utilização…” importa conhecer os vários ângulos desta problemática em torno dos acaricidas utilizados na apicultura.

O apicultor deve ser capaz de fazer informada e conscientemente as suas opções, deve evitar opções maniqueístas, e maximizar a oportunidade de utilizar um leque alargado de possibilidades para tratar as suas colmeias. Neste momento o que sabemos seguramente é que todas as opções têm efeitos colaterais, uns são dum tipo, outros são de outro. Não há opções ideais, quando muito apenas há boas opções.

“Os tratamentos contra a varroa utilizam-se generalizadamente em toda a UE e nos EUA para controlar esta praga nas abelhas. Como parte da avaliação de tais tratamentos são determinados os seus efeitos em colónias de abelhas. O timol é o óleo essencial mais tóxico usado no controle varroa, com uma DL50 do óleo aplicado diretamente sobre larvas de 150 μg/abelha e em adultos 210 μg/ abelha, ao passo que a toxicidade de mentol para larvas foi 383 μg/abelha e em adultos 524 μg/abelha (Gashout et al. 2009). Relativamente ao apiguard (acaricida com uma base de timol) foram observados efeitos como uma elevada mortalidade em larvas jovens (0-3 dias de idade) em colónias tratadas, com sobrevivência de 74-87%, comparada com 90- 95% verificada nos controles (Mattila et al. 2000). No entanto, estes níveis de mortalidade da criação não resultaram em relatos generalizados de menor sobrevivência das colónias após o uso o que sugere que existem capacidade nas colónias para compensar essas perdas na criação. Duff e Frugala (1992) avaliaram os efeitos do mentol e fluvalinato em colónias sem de ácaros para determinar impactos sobre a criação, aceitação rainha, sobrevivência da rainha e produtividade da colónia. A toxicidade da tau-fluvalinato em larvas é de 192 μg/ abelha e toxicidade para as abelhas obreiras adultas é 194 μg/ abelha (Gashout et al 2009). A área ocupada pela criação nas colónias tratadas com mentol era significativamente mais baixa, e foi observada um efeito de repelência na zona de tratamento. Embora a aceitação e sobrevivência de rainhas não tenham sido significativamente diferentes a perda de rainhas só ocorreu nas colónias tratadas (22% em colónias tratadas com o fluvalinato e 33% em colónias tratadas com mentol). A perda de rainhas tinha sido documentada pelos autores num estudo anterior com mentol. Westcott e Winston (1999) investigaram os efeitos dos acaricidas fluvalinato e ácido fórmico no crescimento da população, a longevidade das obreiras e a atividade de forrageamento. Acerca do ácido fórmico, amplamente usado no controlo da varroa,  é bem conhecido os seus efeitos associados a elevados níveis de mortalidade da criação. Eles demonstraram que o ácido fórmico diminuiu a área da criação operculada em 25%, comparado com o controle, e causou alguma perda da criação, enquanto esses efeitos não foram observado com o fluvalinato.”

Fonte: http://fera.co.uk/news/resources/documents/chem-reportPS2367.pdf

Notas:

  1. o fluvalinato ou o tau-fluvalinato é o princípio activo presente no Apistan.
  2. DL50 é a dose necessária de uma dada substância ou tipo de radiação para matar 50% de uma população em teste.
  3. μg (micro-grama) é um milhão de vezes menor que 1 grama.

 

quantas lâminas de cera vou necessitar

Um dos erros frequentes dos apicultores, sobretudo dos menos experientes, é não fazerem uma previsão e aquisição atempada de material e equipamentos necessários ter mais à mão. Quando a velocidade das diversas operações no apiário passa do ponto morto, ou de uma primeira velocidade, para a 5ª ou 6ª velocidade, e muitas vezes em menos de três semanas (o que acontece habitualmente no final do inverno/início da primavera), ter o material e os equipamentos preparados ou disponíveis, traz um ganho de tempo assinalável na prontidão da resposta e na execução da mesma. Importa ter sempre presente que todo o apicultor que deseja ser efetivo no seu maneio deve estar uma meia-alça à frente das abelhas.

Vem isto a propósito de uma chamada que o meu fornecedor habitual de cera me fez nesta manhã, a pedir-me que fizesse a reserva de cera laminada para as minhas necessidades de 2016. A cera laminada é um produto de primeiríssima necessidade para o exercício de uma série de operações apícolas da maior importância.

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Fig. 1 — Cera laminada pronta a colocar em quadros de colmeia

Importa-me agora, no entanto, mais que descrever e qualificar  a utilização de cera laminada nova, quantificar as suas necessidades. Esta quantificação permite-nos adquirir a cera laminada, presumivelmente necessária, em tempo útil. Apresento os meus cálculos, e mais importante a forma de os fazer. Assim, todos os que os entenderem como adequados, poderão ajustá-los à sua dimensão apícola.  Naturalmente, não me arrogando dono da verdade, estou humildemente disposto a que, através dos comentários que acharem por bem fazer, melhorar e rectificar o que haja a rectificar nestes cálculos.

1.Partindo do meu cenário com 500 colmeias, vou identificando as etapas e os factores dos meus cálculos. Inicio pelo cálculo das necessidades de cera laminada para os ninhos das 500 colmeias:

1.1. — renovar em média 3 quadros do ninho de cada colmeia: 500 x 3 = 1500. Necessito de ter 1500 lâminas de cera para os ninhos;

1.2. — em média 12 ceras laminadas (quadros Langstroth e Lusitanos) pesam cerca de 1Kg: 1500/12 = 125 Kg. Necessito de 125 kg de cera laminada para suprir as necessidades de cera nos ninhos das minhas colmeias.

  1. Cálculo das necessidades de cera laminada para as meia-alças meleiras, tendo em conta que tenho cerca de 300 meias-alças armazenadas com cera puxada:

2.1 — colocar em média 1,5 meia-alças por colmeia e por fluxo de néctar: 750 meia-alças a que subtraio as 300, resulta que vou ter que laminar 450 meia-alças;

2.2. — estimo necessitar de laminar cerca de 200 meias-alças Langstroth. Cada meia-alça leva 8,5 quadros (algumas meias-alças são de 9 quadros e outras são de 8). Necessito laminar 200 x 8,5 = 1700 quadros de meia-alça Langstroth. Em média 24 lâminas de meia-alça Langstroth pesam cerca de 0,9 Kg. Para suprir as minhas necessidades de cera laminada para as minhas meia-alças Langstroth necessito de cerca de 65 Kgs de cera (1700/24 x 0,9 = 63,75 Kgs);

2.3. — Estimo necessitar de laminar cerca de 250 meias-alças Lusitana. Cada meia-alça leva 8,5 quadros (algumas meias-alças são de 9 quadros e outras são de 8). Necessito laminar 250 x 8,5 = 2125 quadros de meia-alça Lusitana. Em média 24 lâminas de meia-alça Lusitana pesam cerca de 0,75 Kg. Para suprir as minhas necessidades de cera laminada para as minhas meia-alças Lusitana necessito de cerca de 65 Kgs de cera (2125/24 x 0,75 = 66,40 Kgs).

No fim destes cálculos quero realçar o óbvio: são cálculos aproximados, são os da minha realidade e são feitos tendo em conta o peso específico das lâminas de cera que vou adquirir. Em relação a este último ponto, nunca é de mais enfatizar, que dependendo do fabricante/moldador de cera, o número de lâminas por Kg pode variar um pouco.

A terminar desejo a todos que consigam adquirir cera de qualidade, que sendo de qualidade ajuda o trabalho das nossas abelhas.

ciclo reprodutivo do ácaro varroa nos alvéolos de obreira (versão simplificada)

1) Ovo posto pela rainha no fundo do alvéolo 

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O alvéolo está aberto.

2) 8 dias depois de o ovo ter sido posto (5º dia do estádio larvar) 

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Uma varroa fêmea fecundada entra no alvéolo 15 horas antes deste ser operculado.

3) 9 dias depois de o ovo ter sido posto

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O alvéolo é operculado, a varroa fêmea fecundada fica fechada no interior e alimenta-se da hemolinfa da larva.

4) 11 dias depois de o ovo ter sido posto

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A varroa fêmea põe um ovos a cada 30 horas: o primeiro é de um macho e os seguintes são de fêmeas.

5) 20 dias depois de o ovo ter sido posto

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A varroa mãe continua a por ovos a cada 30 horas. Logo que atingem a maturidade sexual (5 a 6 dias) as varroa filhas são fecundadas pelo macho no interior do alvéolo.

6) 21 dias depois de o ovo ter sido posto

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A jovem abelha sai do opérculo carregando 2 varroas fecundadas. As varroas fêmeas imaturas e a varroa macho morrem no interior do opérculo.

tratamentos

Abro esta nova categoria intitulada tratamentos. A que tratamentos me estou a referir?

Sabemos que, no nosso país, os tratamentos que estamos autorizados a aplicar nas nossas colmeias são acaricidas, com vista a controlar os níveis do ácaro varroa. Por exemplo nos EUA, China e outros países, é permitido e até aconselhado o uso de antibióticos no tratamento da loque americana ou da loque europeia.  Como por cá não são permitidos tratamentos para as outras doenças das abelhas, esta categoria será dedicada quase inevitavelmente aos acaricidas.

Ao apicultor de hoje, como disse anteriormente, é tão importante conhecer a biologia da varroa como a biologia da abelha melífera. No seguimento deste raciocínio é igualmente fundamental estar bem fornecido de informação clara, credível e válida acerca dos vários tratamentos disponíveis. Importa que cada um de nós  esteja especialmente bem informado dos acaricidas que fazem parte da lista dos tratamentos homologados pela DGAV, onde se agrupam 4 acaricidas de natureza sintética e 5 de natureza orgânica. Uma lista muito equilibrada, que satisfaz as diversas opções dos apicultores e garante, ao mesmo tempo, a possibilidade de fazer a rotação de princípios activos sempre que o desejar ou necessitar.

Este blog pretende fazer uma abordagem actual, eclética e fundamentada dos diversos assuntos relacionados com as abelhas, assim como da relação que o homem tem com elas no exercício das suas actividades apícolas. Também nesta categoria os princípios não poderiam ser outros. Aqui não haverá, da minha parte, lugar para categorizações ideológicas, e frequentemente mal fundamentadas, dos tratamentos: os tratamentos orgânicos não serão os bons assim como os tratamentos sintéticos não serão os maus. Todos os tratamentos, sintéticos ou orgânicos, são bons desde que cumpram o objectivo da sua utilização: manter as varroas em níveis toleráveis, sem impacto económico significativo no desenrolar da actividade apícola e que, ao mesmo tempo, garantam produtos da colmeia dentro das normas estabelecidas pelos especialistas do comité europeu de produtos médico-veterinários.

Decorrendo desta perspectiva também não considero que haja mel bom e mel menos bom, mais sendo esta classificação feita com base nos tratamentos utilizados. Todo o mel puro é bom até prova em contrário. Para se fazer essa prova, existem análises credíveis feitas por laboratórios credenciados aos lotes de um determinado ano e da produção de um determinado apicultor. Todas as classificações do mel que não sejam suportadas por estas análises são especulações, ingénuas a maioria, com agendas ocultas algumas outras.

Lembro, a terminar, que os apicultores ligados a uma associação apícola podem em geral (julgo que há algumas excepções) aceder aos acarícidas homologados com preços fortemente co-financiados. Não nos devemos esquecer ainda que o tratamento da varroose é obrigatória no nosso país. Apelo a todos os que me lerem que tratem atempada e eficazmente a varroa para que não percam as suas colmeias e não contribuam para a infestação dos apiários vizinhos.

efeito do número e distribuição dos enxertos de criação de rainhas na qualidade e quantidade de rainhas criadas nas colmeias criadeiras

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Fig. 1 — Quadro preparado para 63 enxertos no total, com três barras de 21 cúpulas cada uma

“O efeito do número enxertos com larvas introduzidas (15, 24, 48, 66), do nível da barra de suporte das cúpulas (barra superior, barra do meio, barra inferior) e da posição das cúpulas com larvas no quadro com os enxertos (no meio ou na periferia) na percentagem das realeiras seladas e no nascimento de rainhas, no seu tempo de desenvolvimento, e no peso das rainhas recém-nascidas, foram observados durante as estações da primavera e do verão.

Os resultados indicam que a percentagem de realeiras seladas foi afectada pelo número de enxertos introduzido, mas não pelo nível da barra no quadro ou pela posição das cúpulas no quadro com os enxertos, durante as duas estações. A percentagem de rainhas nascidas na primavera foi afectada de forma significativa pelos três factores, mas no verão apenas foi verificado impacto em função do número do enxertos introduzidos. Também, quer o tempo de desenvolvimento quer o peso das rainhas recém-nascidas foi afectado pelos três factores.

A qualidade das rainhas, baseada no peso das mesmas, foi também avaliado. Na primavera quando foram introduzidas 15 cúpulas com enxertos só apareceram rainhas pesadas (190-200mg), mas a percentagem destas rainhas pesadas foi mais baixa quando foram introduzidas 24 ou 48 cúpulas com enxertos, e estas rainhas pesadas desapareceram completamente com a introdução de 66 cúpulas de enxertos. As rainhas que nasceram em cúpulas localizadas no travessão do meio e no meio de cada um dos travessões apresentaram uma frequência maior de rainhas mais pesadas quando comparadas com aquelas criadas no travessão superior ou inferior e localizadas na periferia dos travessões.”

fonte: http://www.jas.org.pl/Quality-and-quantity-of-honeybee-queens-as-affected-by-the-number-and-distribution-of-queen-cells-within-queen-rearing-colonies,0,249.html

Nota: ver posts relacionados aqui e aqui