varroa e muita criação: será a lavagem de abelhas adultas menos fiável?

Há vários anos que, quando quero saber o nível de infestação de uma colónia e tomar decisões sobre o controlo da varroose, a minha técnica preferida é a contagem de Varroa em abelhas adultas. Tenho boas razões para isso. Consigo fazer recolhas relativamente padronizadas, repetir o mesmo procedimento ao longo do ano e comparar os resultados entre colónias e entre datas. Há também referenciais de intervenção melhor estabelecidos para este método e, no meu caso, uma vantagem adicional: os resultados podem ser introduzidos diretamente no simulador de Varroa de Randy Oliver, permitindo enquadrar a infestação observada na dinâmica previsível da população de ácaros.

De vez em quando observo também a presença de Varroa na criação. Já o mostrei algumas vezes neste blogue. Quanto à queda natural de ácaros no fundo da colmeia, não costumo utilizá-la como técnica de monitorização, a não ser por razões didáticas. Isso não significa que não forneça informação útil. Fornece-a naturalmente. A questão que me interessa aqui é mais limitada: porque considero a amostragem de abelhas adultas particularmente adequada para acompanhar a infestação e apoiar as decisões de tratamento?

Lindo quadro de cera nova com criação fechada (foto do autor)

O princípio da técnica que utilizo é simples. Recolho aproximadamente 300 abelhas adultas da zona de criação, depois de localizar a rainha e afastar o quadro onde se encontra. Sacudo abelhas de um ou dois quadros com bastante criação aberta para um recipiente largo, deixo levantar voo parte das abelhas mais velhas e recolho aproximadamente 125 ml das que permanecem. São cerca de 300 abelhas. Faço depois a lavagem em álcool e conto as Varroas libertadas. Já descrevi este procedimento detalhadamente numa publicação anterior deste blogue [3].

Com esta dimensão de amostra as contas são simples. Uma Varroa corresponde aproximadamente a 0,33%; três a 1%; seis a 2%; nove a 3%. Naturalmente não estou a contar todas as Varroas existentes na colónia, nem sequer todas as que naquele momento se encontram sobre as abelhas adultas. Estou a trabalhar com uma amostra. A vantagem está precisamente em conseguir fazer uma recolha relativamente padronizada e repetir posteriormente a avaliação em condições semelhantes.

Varroas caídas no álcool e sua filtragem para contagem (vídeo do autor, Zona Centro, 2026)

Há uma ideia que pretendo discutir nesta publicação. É frequente ouvir que, quando uma colónia tem muita criação, a lavagem de abelhas adultas deixa de representar adequadamente a infestação, porque uma grande parte das Varroas se encontra dentro dos alvéolos operculados. Daqui retira-se muitas vezes uma segunda conclusão: nessas circunstâncias, a avaliação da Varroa diretamente na criação é um método mais fiável e representa melhor a infestação real da colónia. A primeira parte deste raciocínio tem fundamento biológico. O que importa perceber é se a segunda também se confirma quando olhamos para os dados.

Um dos trabalhos clássicos sobre esta questão é o de Lee et al. (2010) [1]. Os investigadores trabalharam em 31 apiários comerciais e fizeram uma amostragem particularmente intensiva em 62 colónias. Procuraram perceber até que ponto a infestação encontrada nas abelhas adultas podia representar aquilo que se passava na população global de Varroa.

O resultado foi bastante claro. A infestação encontrada nas abelhas adultas estava fortemente relacionada com a quantidade de Varroa existente no conjunto das abelhas adultas e pupas. Utilizando apenas a infestação medida nas adultas, o modelo explicava cerca de 83% da variação observada na densidade global de ácaros (R² = 0,83) [1]. Dito de forma simples, quando a lavagem encontrava mais Varroa nas abelhas adultas, isso correspondia, na maior parte dos casos, a uma população global de Varroa também mais elevada na colónia. Não era uma medida perfeita, mas acompanhava bastante bem aquilo que se passava no conjunto da colónia.

O contraste com a avaliação da criação torna-se particularmente interessante num estudo de dinâmica populacional publicado em 2024 [2]. Durante dez meses, os investigadores acompanharam dez colónias, estimando repetidamente a população total de Varroa e medindo, entre outras variáveis, a infestação nas abelhas adultas, a infestação da criação e a quantidade de criação existente.

A infestação nas abelhas adultas apresentou uma correlação de r = 0,73 com a população total estimada de Varroa. Na criação, a correlação foi bastante mais baixa, apenas r = 0,40. [2].

Dito de forma simples: quando encontramos mais Varroa nas abelhas adultas, isso tende a corresponder também a mais Varroa no conjunto da colónia. Na criação, essa correspondência é bastante menos consistente.

E é aqui que surge o ponto que considero particularmente importante. A quantidade de criação, tantas vezes apresentada como uma fragilidade da lavagem de abelhas adultas, influenciava de facto essa medição: quanto mais criação existia, menor tendia a ser a infestação encontrada nas adultas, com uma correlação de r = −0,30. Mas esse efeito era muito mais forte precisamente na avaliação da própria criação: r = −0,65 [2]. Os autores referem a este propósito um «efeito de diluição»: aumentando a quantidade de criação disponível, os ácaros ficam distribuídos por um número maior de alvéolos e a percentagem de criação infestada tende a baixar. E os próprios dados mostram que este efeito de diluição se manifestou de forma bastante mais marcada na criação do que nas abelhas adultas.

Há ainda outra dificuldade na avaliação da criação: a Varroa não está distribuída por igual em todos os alvéolos. Um estudo de 2020 encontrou diferenças de infestação entre diferentes zonas do mesmo favo e também entre favos [3]. Na prática, isto significa que o resultado pode depender bastante da zona de criação que decidimos abrir. A avaliação da criação, apesar de parecer uma observação mais direta, também está sujeita a uma variabilidade de amostragem importante.

Isto significa que passar da lavagem de abelhas adultas para a avaliação da criação não elimina o problema da quantidade de criação nem da variabilidade de amostra.

Um exemplo simples ajuda a perceber porquê. Imagine duas colónias com o mesmo número de Varroas. Se uma tiver muita criação operculada, os ácaros ficam distribuídos por milhares de alvéolos e a percentagem de criação infestada pode parecer baixa. Se a outra tiver pouca criação, os mesmos ácaros ficam concentrados num número muito menor de alvéolos e a percentagem sobe. Portanto, uma percentagem baixa de alvéolos infestados não significa necessariamente uma população baixa de Varroa. Pode significar também que aquela população de ácaros está distribuída por uma quantidade muito maior de criação disponível e de forma irregular.

A isto soma-se outra dificuldade. Se abrirmos criação de zângão, normalmente encontraremos muito mais Varroa do que na criação de obreira da mesma colónia. A percentagem que obtemos depende, portanto, não apenas da população de ácaros existente, mas também da quantidade e do tipo de criação que decidimos observar.

Corte dos opérculos em criação de zângão para posterior observação da infestação (foto do autor)

Há naturalmente variabilidade também nas adultas. A Varroa não está distribuída uniformemente por todas as abelhas de uma colónia. Se recolhermos abelhas das meias-alças, da entrada ou de zonas afastadas da criação obtemos uma amostra diferente daquela que retiramos junto da criação. Por isso, padronizar o local de recolha é quase tão importante como padronizar o número de abelhas recolhidas.

A objeção da muita criação não é, portanto, falsa. Em períodos de extensa criação, uma parte muito grande da população de Varroa está dentro dos alvéolos operculados e não aparece na lavagem. Já mostrei neste blogue uma simulação em que, entre fevereiro e março, a população total de Varroa quase triplicava, passando de aproximadamente 165 para 461 ácaros, enquanto a lavagem continuava a revelar apenas uma Varroa em cerca de 300 abelhas [4].

É precisamente por isso que não faz sentido utilizar o mesmo limiar de intervenção em todas as épocas do ano. Quando há muita criação e sabemos que uma proporção maior dos ácaros está nos alvéolos, podemos trabalhar com um limiar de intervenção mais baixo. A limitação deixa assim de ser uma razão para abandonar a amostragem nas adultas e passa a ser uma razão para interpretar melhor o número que ela nos dá.

O que significa «correlação»?

Uma correlação diz-nos simplesmente até que ponto duas coisas tendem a variar juntas.

Se as colónias onde encontramos mais Varroa nas adultas são também, em geral, as colónias onde existe mais Varroa no conjunto da colónia, a correlação é forte.

Quanto mais o valor de r se aproxima de 1, mais forte é essa relação. Assim, 0,73 representa uma relação bastante mais forte do que 0,40. Quando o valor é negativo, como −0,65, significa que uma variável tende a diminuir quando a outra aumenta: neste caso, quanto maior era a quantidade de criação, menor tendia a ser a percentagem de criação infestada.

Isto não significa que possamos converter exatamente uma medida na outra. Significa apenas que uma acompanha melhor a outra.

É precisamente isso que procuro numa técnica de monitorização. Não preciso de saber exatamente quantas Varroas existem em toda a colónia. Preciso de uma medida suficientemente consistente para perceber se a infestação está baixa, a aumentar ou já entrou numa zona em que devo intervir.

Conclusão (por enquanto)

A presença de muita criação não torna a lavagem de abelhas adultas perfeita. Mas também não constitui, por si só, um argumento para a substituir pela abertura e avaliação da criação. Os dados não sustentam a ideia de que, quando há muita criação, seja mais fiável procurar a Varroa na própria criação. Pelo contrário, quando havia muita criação, a testagem na própria criação dava uma imagem menos fiel da infestação real da colónia; por outro lado, a infestação nas abelhas adultas retratou melhor as variações da população total de Varroa.

O efeito de diluição é particularmente importante para mim porque a minha estratégia não é esperar que a infestação se torne elevada para decidir tratar. Procuro tomar essa decisão quando os valores ainda são baixos, precisamente numa fase em que uma leitura menos fiel pode fazer diferença entre intervir a tempo ou deixar a população de Varroa continuar a crescer. Quando a infestação já é muito elevada, praticamente qualquer método acabará por mostrar que existe um problema. É nas infestações baixas ou intermédias, quando ainda estamos a decidir se devemos intervir e em que momento, que se torna mais importante saber qual é o indicador que melhor retrata a evolução da população de Varroa.

Por isso, o efeito de diluição não é uma limitação que eu ignore quando utilizo a lavagem. É uma limitação que tenho em conta na interpretação do resultado e também na escolha dos limiares de intervenção. Mas os dados que vimos mostram que esse problema não desaparece quando passamos para a avaliação da criação e pode, aliás, ser ainda mais marcado aí. Entre esta razão e as outras já referidas — padronização da amostra, repetibilidade, possibilidade de comparar resultados ao longo do tempo e boa relação com a infestação global — continuo a preferir a monitorização através da lavagem de abelhas adultas.

Referências — literatura científica e técnica

[1] Lee, K. V., Moon, R. D., Burkness, E. C., Hutchison, W. D. & Spivak, M. (2010). Practical Sampling Plans for Varroa destructor (Acari: Varroidae) in Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae) Colonies and Apiaries. Journal of Economic Entomology, 103(4), 1039–1050. DOI: 10.1603/EC10037.

[2] Medina-Flores, C. A., Saucedo Rojas, A., Guzman-Novoa, E. & Alaniz Gutiérrez, L. (2024). Population Dynamics of the Mite Varroa destructor in Honey Bee (Apis mellifera) Colonies in a Temperate Semi-Arid Climate. Insects, 15(9), 696. DOI: 10.3390/insects15090696.

[3] Floris, I., Pusceddu, M. & Satta, A. (2020). How the Infestation Level of Varroa destructor Affects the Distribution Pattern of Multi-Infested Cells in Worker Brood of Apis mellifera. Veterinary Sciences, 7(3), 136. DOI: 10.3390/vetsci7030136.

Referências — Abelhas à Beira

[3] Testagem de taxa de infestação por varroa em abelhas adultas: os nossos procedimentos (2024). Ler.

[4] Das limitações da monitorização e sua superação (2025). Ler.

Autor: Eduardo Gomes

Apicultor, formador e consultor apícola e autor do blogue Abelhas à Beira. Escreve a partir da prática no apiário, procurando cruzar a observação de campo com a melhor informação científica e técnica disponível, sobretudo nas áreas da sanidade, Varroa, nutrição, Vespa velutina e maneio das colónias.

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