Neste vídeo Rudi Peters, apicultor norte-americano, apresenta um conjunto de dados e conclusões acerca dos efeitos de certas opções para invernar colónias de abelhas. O autor aborda o efeito negativo das oscilações no ambiente interno da colmeia, a vantagem de ter colmeias com bom isolamento e as desvantagens de entradas superiores na colmeia. Sendo dados de uma realidade climatérica diferente da nossa, com abelhas de outro ecotipo, as conclusões aqui apresentadas, ainda assim, podem fazer sentido para alguns de nós que invernam colmeias em zonas com oscilações frequentes de temperatura, como é o meu caso.
Aspectos que destaco:
- as colónias que melhor conseguem manter a estabilidade/consistência das condições do seu meio ambiente interno têm mais hipótese de sobreviver;
- nas zonas com muitas oscilações de temperatura durante o dia as abelhas têm maior dificuldade na manutenção da estabilidade/consistência das condições do seu meio ambiente interno;
- cachos de abelhas que se expandem por efeito de algum calor exterior (efeito termogénico dos raios de sol) podem perder um número apreciável de abelhas se estas ficarem subitamente isoladas do cacho principal por um brusco abaixamento da temperatura;
- com oscilações de temperaturas diurnas superiores a 10º (Celsius? ou Fahrenheit? não fica claro para mim) as abelhas podem começar a morrer nas zonas das camadas exteriores por isolamento;
- colmeias melhor isoladas diminuem a frequência de oscilações de temperatura no ambiente interior;
- o apicultor pode minimizar este fenómeno melhorando o isolamento das colmeias, em especial nas suas zonas superiores (tecto e pranchetas no nosso caso);
- por outro lado um melhor isolamento diminui a condensação do vapor de água no interior da colmeia;
- a causa de mortalidade de colónias é a condensação (gotas de águas) não a humidade (vapor de água);
- colmeias com entradas superiores obrigam as abelhas a mais trabalho e a um consumo de energia maior que as colmeias só com entrada inferior;
- colmeias com apenas entrada inferior apresentam maior humidade mas baixa condensação se estiverem bem isoladas no topo;
- colmeias sem entrada superior e bem isoladas apresentam mais 3 a 4 quadros com criação à entrada da primavera;
- no início do inverno as colmeias com entrada superior consomem mais (maior necessidade de energia para manterem o clima interno estável);
- no final do inverno as colmeias com apenas entrada inferior consomem mais porque têm mais criação que as colmeias com entrada superior;
- as colmeias de Rudi Peter têm uma entrada inferior com 5cm de largura; têm estrado com rede mas fechado; não estão directamente no chão (diz que é um apicultor e não um produtor de cogumelos);
- Rudi Peters tira o isolamento quando os dias começam a aquecer para que o calor do sol (efeito termogénico) contribua para o aquecimento do ambiente interno e estimule o aumento de postura da rainha.
Como conclusão geral retiro que não é o frio e/ou a humidade que colocam as abelhas em perigo no período da invernagem. O verdadeiro inimigo está nas oscilações bruscas de temperatura no ambiente interno da colmeia que originam dois fenómenos com impacto negativo: o isolamento de abelhas e o consequente coma térmico; a condensação do vapor de água existente no interior da colmeia em contacto com superfícies frias. Colmeias melhor isoladas ajudam as nossas abelhas e para o conseguir o apicultor tem aos seu dispor alguma variedade de equipamentos no mercado de produtos apícolas. Cabe a cada um fazer as escolhas.
