pobres rainha de emergência revisitado

Por feitio e defeito procuro conhecer o mais e melhor possível o que a perspectiva científica me pode dar acerca das minhas opções no domínio da minha profissão de apicultor. Assim o faço em relação à sanidade dos enxames, em particular a varroose, à criação de rainhas de qualidade sem recurso ao translarve, entre mais uns poucos de assuntos. Relativamente à criação de rainhas de qualidade sem recurso ao translarve coloca-se frequentemente a questão da idade das larvas que as abelhas seleccionam para criar as suas rainhas. Existe em muitos apicultores uma arreigada convicção que numa condição de orfanação súbita do enxame promovida pelo apicultor através, por exemplo, da divisão/desdobramento do enxame as abelhas escolhem larvas com 6 ou mais dias de idade, contados a partir da oviposição. Serão estas rainhas de má qualidade, que nascerão antes de todas as outras, matarão as suas irmãs ainda dentro dos mestreiros, que serão as rainhas entronadas. Apicultores de renome como por exemplo Jay Smith, C.C. Miller, Michael Bush, com base nos seus muitos anos de experiência e observações feitas nos seus apiários, não alinham com esta ideia-feita. Segundo eles, as abelhas escolhem e seleccionam os melhores mestreiros e as melhores rainhas de emergência disponíveis naquele enxame em concreto. Bem, pode sempre dizer-se que apesar dos atributos destes perspicazes apicultores, faltou-lhes condições mais controladas e verificáveis para dar outra confiabilidade às suas conclusões. Certo e pertinente.

E esses estudos controlados e verificáveis têm vindo a surgir… e, saliento, a confirmar as ideias destes ilustres apicultores. Por exemplo este estudo, publicado em 1999, deixa bem claro que as abelhas numa condição de emergência criaram apenas rainhas a partir de ovos/larvas que, no momento da orfanação, tinham 1 a 5 dias de idade. Com mais detalhe, a maioria das rainhas foram criadas a partir de indivíduos que eram ovos  no dia da orfanação (69,2%), e cerca de metade destes eram ovos de 48-72 horas de idade (34,1 %).

Este outro estudo, que conheço há uns anos (http://www.cyfronet.krakow.pl/~rotofils/Tofilski_Czekonska2004.pdf), publicado em 2004 na prestigiada revista Apidologie, tornou-se uma referência nesta linha de investigação pelo rigor e a elegância metodológica. Em boa medida confirma os dados recolhidos do estudo anterior: a idade média dos indivíduos a partir da qual os mestreiros foram construídas foi de 3,0 dias. A idade da criação que deu origem a rainhas nascidas/emergidas foi de 3,4 dias (a idade é contada a partir do dia em que se deu a oviposição). Apenas um número residual de mestreiros foram construídos a partir de larvas com 6 dias, a contar da oviposição, e acabaram por ser destruídos mais adiante pelas abelhas.

Duas notas muito interessantes e importantes que expressam bem o comportamento selectivo das abelhas para garantir as melhores rainhas possíveis em situação de emergência:

  • A maioria dos mestreiros (60,3%) foi destruída pelas abelhas, 17,6% antes da sua operculação e 42,7% após a sua operculação;
  • Enquanto as rainhas abrem um pequeno buraco na parede lateral do mestreiro para picar a sua irmã concorrente antes desta emergir, as obreiras abrem um buraco muito maior na parede lateral e, em vez de picarem a rainha, removem-na do mestreiro. Noutras circunstâncias as abelhas não permitem que rainhas recém-emergidas andem livremente pelo ninho e destruam as suas irmãs concorrentes por emergir.

Tenho para mim que a eventual falta de qualidade das rainhas de emergência se deve em grande medida à incompetente acção do apicultor (e tantas vezes já cometi acções incompetentes com as minhas abelhas) ao deixar um número insuficiente de abelhas, com a idade inadequada e numa caixa com poucas reservas/alimento a criar essas rainhas.

melhoramento de abelhas: facto ou ficção?

O Dr. Keith Delaplane, investigador da Universidade da Geórgia, pergunta nesta palestra dada a 9 de fevereiro de 2013, na Associação de Apicultores do Estado de Indiana, se o melhoramento de abelhas é um fato ou uma ficção.

K. S. Delaplane vai apresentando ao longo desta palestra um conjunto de questões e afirmações relativamente surpreendentes/provocatórias (porque provocam reflexão). Destaco estas:

  • pergunta quão bem sucedido tem sido a selecção e melhoramento de abelhas nas últimas décadas?
  • pede à sua audiência para comparar a tinta que foi gasta, o tempo gasto a pensar, falar, escrever, a investigação que foi levada a cabo com o produto final do processo de melhoramento (a abelha) para solucionar os maiores problemas da apicultura actual;
  • refere, que o que vemos e ouvimos é que “estamos a caminho”, “estamos a caminho”, “estamos a caminho”… e que um dia destes chegaremos lá (ironicamente!);
  • anuncia que não está ali para denegrir os programas de melhoramento de abelhas, e que concorda que se deve investir nestes programas, mas questiona-se se estes programas não estão a ignorar áreas importantes da biologia da abelha?
  • a biologia actual é cada vez mais uma “ciência dura”, sustentada na investigação genética e na estatística, e que visa responder a questões muito simples como esta: quando o gene G1 está presente ocorre “sempre” aquele comportamento C1?
  • O estudo da biologia das abelhas nos dias de hoje é muito isto: que genes estão presentes nos cromossomas e como esta “informação” é expressa no comportamentos das abelhas, como por ex. comportamento higiénico, comportamento defensivo, comportamento de forrageamento, comportamento anti-varroa, …?
  • na ordem himnoptera (onde estão incluídos os insectos em geral e as abelhas em particular) há indivíduos hemozigóticos com apenas metade do genoma, no caso que nos interessa os zângãos;
  • existem basicamente três programas diferentes de melhoramento de abelhas: a) selecção materna/com acasalamento livre (do tipo “eu gosto desta colónia, vou seleccionar/melhorar a partir das suas larvas”); b) melhoramento através do acasalamento de indivíduos híbridos (heterozigóticos) com indivíduos puros (homozigóticos); c) melhoramento pelo acasalamento de populações próximas/fechadas (o programa mais sofisticado dos três );
  • os dois primeiros programas funcionam até um certo ponto mas não são suficientemente poderosos para seleccionar para um traço específico, como por ex. a resistência à varroa;
  • para seleccionar para traços específicos o programa mais adequado é o c (melhoramento pelo acasalamento de populações próximas). É um programa de compromisso entre seleccionar para um traço, sem correr o risco de estreitar demasiado o “pool” genético; contudo é um programa que funciona até 20 gerações para a frente… depois começam a surgir os problemas com a homozigose recessiva/consanguinidade (por ex. criação em mosaico);
  • K. Delaplane levou a cabo um programa de melhoramento pelo acasalamento de populações próximas e ao longo de 5 anos para conseguir o que ele chama uma abelha perfeita para os dias de hoje: uma abelha prolífica e ao mesmo tempo muito resistente a doenças e ao ácaro varroa;
  • refere que este programa é muito exigente e complexo a vários níveis se feito de forma séria: envolve equalização rigorosa das colónias no início do programa, medições rigorosas dos comportamentos desejados, priorizar os comportamentos desejados, transformar dados de escalas diferentes numa escala única (“z score”); criar um índice de seleção;
  • No final dos 5 anos do programa de melhoramento com a estratégia acasalamento de populações próximas Delaplane apresenta as conclusões: para o traço comportamento higiénico os resultados foram inconsistentes; para o traço área de criação os resultados foram bons com melhoria leve mas consistente; para o traço compacticidade da criação os resultados mantiveram-se estáveis ao longo dos 5 anos, não melhoraram mas também não pioraram; para o traço resistência à varroa os resultados foram muito desanimadores, não se verificaram melhorias consistentes, verificaram-se avanços e retrocessos ao longo dos 5 anos;
  • K. S. Delaplane acaba a dizer com algum desânimo que passados 5 anos de um trabalho muito sério, utilizando o programa de melhoria de abelhas mais sofisticado que dispomos na actualidade… selecionar para uma abelha melhor não conseguiu mostrar grande coisa, não conseguiu uma abelha geneticamente melhorada;
  • O investigador está a pensar numa outra hipótese/estratégia de trabalho: assentar o programa de melhoria numa característica da espécie, o acasalamento poliândrico. O caminho não é estreitar o “pool genético”, é alargar a diversidade genética. Os genes que desejamos são raros e recessivos, e podem estar presentes de forma homozigótica/recessiva em várias sub-famílias de abelhas numa colónia naturalmente poliândrica;
  • K. S. Delaplane conclui a sua apresentação afirmando: é possível seleccionar para o melhoramento de determinados traços nas abelhas; reter e propagar esses traço ao longo de várias gerações tem-se mostrado muito difícil; o produto (abelha) alcançado com os programas de melhoramento não tem sido suficientemente interessante; a poliandria é central na história evolutiva da abelha melífera; os dois programas de melhoramento, o poliândrico (natural) com a selecção para traços (o manipulado pelo homem) são compatíveis.

Pelo menos assim o deseja K. S. Delaplane, que nesta apresentação complexa apresentou os limites dos actuais programas de melhoramento de abelhas, a falta de resultados interessantes para os apicultores. Deixa, contudo, uma porta aberta para um caminho que se está a iniciar. Sem marketing ilusório, sem garantias que a “abelha perfeita” está logo ali ao virar da esquina, apenas a promessa de trabalho sério e honesto pela frente.

por quê é tão difícil criar abelhas melhores? parte 1.

“Aqueles que são novos na apicultura perguntam frequentemente por que razão não criamos melhores abelhas. Esta é uma questão lógica porque a reprodução tem sido a resposta para muitos problemas agrícolas. Quando eu digo “procriação”, não quero dizer técnicas modernas de manipulação de genes que nos permitam criar gatos que brilham no escuro, mas o tipo antiquado/tradicional de reprodução em que cruza indivíduos selecionados a fim de amplificar suas melhores características.

Este método tradicional produziu plantas e animais maiores, mais gordos, resistentes a doenças e de maior rendimento, que são a espinha dorsal da agricultura moderna. Com o passar dos anos, obtemos mais leite, cerejas maiores, maçãs mais doces, tomates resistentes à ferrugem, narcisos rosados e cachorros sem pêlos.

Por que não criamos melhores abelhas?
Então por que não criamos melhores abelhas? A resposta é simples: nós já as temos. Criadores conseguiram todos os tipos de maravilhas com abelhas. Eles “construíram” abelhas que são gentis, abelhas que hibernam bem, abelhas com maior produção de mel e até mesmo abelhas que lidam com ácaros varroa. A criação não é o problema.

O problema com as abelhas ocorre depois que as rainhas deixam o criador. Os traços criados em rainhas de abelhas melíferas em programas de criação cuidadosamente controlados desaparecem logo quando as filhas dessas rainhas podem acasalar em campo aberto. Dentro de uma geração ou duas, os descendentes dessas super abelhas estão de volta à estaca zero. A questão é: “Por que isso continua acontecendo?”

Os bloqueios na estrada para manter melhores abelhas
Existem três bloqueios principais na estrada para manter populações bem controladas – haplodiploidia, poliandria e panmixia – além de algumas outras pequenas complicações.

Fig.1. Acasalamento natural de abelhas rainha.

Poliandria
As abelhas são poliândricas. Poliandria significa “muitos homens” e refere-se ao fato de que uma abelha rainha acasala várias vezes com “companheiros” diferentes. Ter muitos companheiros não é incomum por si só, mas uma abelha rainha armazena todo o esperma em seu corpo para o resto de sua vida de postura. Então, quando ela põe seus ovos, os ovos são fertilizados por sémen proveniente de uma variedade de machos. Cada um desses diferentes acoplamentos representa uma subfamília diferente no ninho, no coração da colónia.

As obreiras de qualquer subfamília que têm a mesma mãe e pai são chamados de super-irmãs porque compartilham cerca de 75% de seus genes. As obreiras pertencentes a diferentes sub-famílias têm a mesma mãe, mas pais diferentes. Estas são conhecidas como meias-irmãs e compartilham cerca de 25% de seus genes. Quando as pessoas perguntam: “Por que minhas abelhas são todas de cores diferentes?”, Esta é a resposta: elas representam diferentes subfamílias no mesmo ninho. É mais visível se uma rainha acasalar com os zângãos italianos (amarelo) e carniolanos (preto).

Mas a cor não é a única diferença. Como as subfamílias são descendentes de diferentes zângãos, elas variam de várias maneiras, como a capacidade de invernagem, resistência a doenças, temperamento ou força de forrageamento. Ainda mais importante, as subfamílias tendem a estabilizar uma colónia. Se a rainha teve um acasalamento com um zângão de má qualidade – ou mesmo dois – a descendência deste mau acasalamento é apenas uma pequena proporção da colónia inteira, significando que a colónia pode sobreviver mesmo que alguns indivíduos não o façam.

Panmixia
Além de haplodiploidia e poliandria, as abelhas são famosas por um traço chamado panmixia. Panmixia refere-se ao acasalamento totalmente aleatório, resultando numa mistura completa de genes na população. Áreas de congregação de zângãos – locais onde, como o nome indica, um grande número de zângãos se reunem até que uma rainha virgem chegue – foram projetados com panmixia em mente. Eles garantem uma excelente mistura de genes, porque os zângãos de grandes áreas geográficas encontram-se nestas reuniões e competem pelo direito de acasalar.

Embora a poliandria por si só assegure múltiplos acasalamentos, a panmixia garante que os parceiros não são todos “garotos” locais. Em vez disso, uma área congregacional de zângãos representam uma população diversificada. Panmixia tem uma influência estabilizadora numa população, fornecendo um controlo contra a deriva genética e depressão endogâmica, um termo chique que indica uma redução nas aptidões devido à partilha de muitos dos mesmos genes. Ele fornece um amortecedor contra a tragédia genética, a menos, claro, que você seja um criador tentando selecionar certas características.”

fonte: https://honeybeesuite.com/why-is-it-so-hard-to-breed-better-bees/

Notas:

  • Num post que publicarei em breve irei detalhar o 3º “bloqueio da estrada”, a haplodiploidia. 
  • Neste post ficam apresentados dois dos três mecanismos que dificultam a seleção de abelhas. Pela natureza destes mecanismo vemos facilmente como não passa de ilusão ou marketing despudorado afirmar-se que se está a criar melhores abelhas em programas que de programa só têm o nome. Por ex. dizer-se que se está a criar abelhas mais resistentes/tolerantes à varroa, ou linhas menos enxameadoras quando mais se não faz que uma avaliação “a olho” do comportamento da colónia como um todo ou é ignorância do criador ou, pior, é vender ilusões. Como se as obreiras presentes na colónia fossem todas filhas do mesmo zângão, como se as larvas sujeitas a translarve e de onde vão sair as futuras rainhas fossem todas fecundadas pelo sémen de um único e “bom” zângão. E sabemos que esta “bela história” não adere nem respeita a realidade.

perspectivas actuais sobre o sistema imunológico nos insectos e sua vacinação

  • Os componentes do Sistema Imunitário

Nos mamíferos, o sistema imunitário (SI) é composto de dois componentes, um inato e outro adquirido. Ambos reconhecem microrganismos invasores como não-próprios, e ativam respostas para eliminá-los. E nos insectos qual é a arquitectura do seu sistema imunitário? Nos aspectos fundamentais  os mecanismos de resposta do SI nos insectos  é semelhante ao dos mamíferos.

Agentes infecciosos ameaçam qualquer organismo. Portanto, mamíferos e insetos desenvolveram uma complexa rede de células e fatores humorais denominados sistema imunológico capazes de controlar e eliminar patógenos. A imunidade varia entre diferentes grupos de animais, mas sempre contém um sistema imunológico inato que pode agir rápido e freqüentemente eficaz contra uma ampla gama de patógenos distintos (ou seja, vírus, bactérias, fungos e parasitas eucarióticos). Em mamíferos e insetos, a comunicação entre a regulação das células do sistema imunológico é realizada por citocinas que orquestram a defesa contra os invasores. O maior desafio para reconhecer e combater patógenos é o mesmo para qualquer hospedeiro  Em insetos e mamíferos, os patógenos são reconhecidos como não-próprios pelo reconhecimento de padrões moleculares associados aos patógenos. Além disso, receptores similares de reconhecimento de patógenos e vias de sinalização ativam a resposta imune em insetos e mamíferos. ” (in https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18511854)

 

  • A mudança de paradigma e as possibilidades de vacinação dos insectos

Contudo, até há pouco tempo, a comunidade científica não dispunha de evidências robustas que os insectos pudessem construir a componente adquirida/não inata do seu SI. Julgava-se que os insectos apenas dispunham  de um sistema imunitário inato, e por essa razão algumas terapias, como por ex. a vacinação de insectos contra determinadas doenças, não era objecto de estudo. Contudo como disse Bob Dylan “os tempos estão a mudar” e cada vez surgem mais evidências que também os insectos constroem a componente adquirida dos seu sistema imunitário. Esta mudança de paradigma científico abre o campo a mais investigação fundamental, ao mesmo tempo que abre avenidas à investigação aplicada, como o caso da investigação na criação de vacinas para determinados insectos que nos são benéficos, e naturalmente estou a pensar aqui nas abelhas.

Descobertas recentes forneceram evidências para a existência
de imunidade adquirida não vertebrada. […] Isto é
oposto ao paradigma de que apenas os vertebrados manifestam
as duas formas de mecanismo imunológico; […] Nós pensamos que ambas as formas de imunidade são
similarmente antigos, e co-evoluíram em resposta a
estilo de vida, compensações custo-benefício e simbiose versus
parasitismo. No entanto, diferentes espécies construíram
diferentes soluções imunológicas que não são necessariamente
geneticamente relacionados, mas têm uma função geral semelhante
permitindo que os indivíduos aprendam com a experiência dos seus próprios sistemas imunológicos; a sobrevivência da espécie depende da
experiência imune adquirida dos seus indivíduos.” (in http://www.weizmann.ac.il/immunology/NirFriedman/sites/immunology.NirFriedman/files/uploads/rimer_cohen_friedman_-_2014_-_do_all_creatures_possess_an_acquired_immune_system_of_some_sort.pdf)

  • A investigação aplicada ao caso das abelhas

Como já publiquei anteriormente, alguma investigação específica, está a analisar os mecanismos de transmissão de informação adquirida pelo SI da abelha rainha à sua descendência. Os resultados para já são promissores e o caminho está a fazer-se.

O sistema imunológico dos insetos pode reconhecer patógenos específicos e estimular a imunidade da prole. A alta especificidade da imunização transgeracional pode ser alcançada quando as fêmeas dos insetos transferem elicitores imunes para o desenvolvimento de oócitos. O mecanismo molecular por trás dessa transferência tem sido um mistério. Aqui, nós estabelecemos que a proteína vitelogenina presente na gema do ovo dos insectos é o portador de elicitores imunológicos. Utilizando a abelha, Apis mellifera, demonstramos com microscopia e [?] que a vitelogenina se liga a bactérias, tanto a larva de Paenibacillus – a bactéria gram-positiva causadora da doença Loque americana – quanto a Escherichia coli que representa bactérias gram-negativas. […] Estas experiências identificam a vitelogenina,  amplamente presente nas espécies ovíparas, como o portador de sinais imunológicos. Este trabalho revela uma explicação molecular para a imunidade transgeracional em insetos e um papel anteriormente desconhecido para a vitelogenina.” (in  https://journals.plos.org/plospathogens/article?id=10.1371/journal.ppat.1005015)

Os autores deste último artigo estão a trabalhar na vacina contra a loque americana. Espero que cheguem a bons resultados e que estes bons resultados animem e iluminem o caminho a outros. A vacinação é uma ferramenta tremendamente eficaz na luta contra patógenos em espécies que se organizam em sociedades colectivas com um largo número de indivíduos a partilharem o mesmo espaço, como é o caso das abelhas melíferas com que trabalhamos.

 

 

abelhas produtivas e sua selecção: algumas ideias de C. L. Farrar

Se tivesse que indicar três nomes grandes da apicultura do sec. XX, o norte-americano C. L. Farrar faria parte da minha lista. Não é de estranhar, portanto, que volte a traduzir excertos do que ele escreveu, como já  fiz aqui.

No que concerne à selecção de uma raça/linhagem de abelhas produtivas Farrar escreve:

“… há maiores variações na eficiência da produção entre linhagens de abelhas dentro das três raças comuns (italiana, caucasiana e carniola) que existem entre as raças.

[…] Abelhas híbridas geneticamente controladas são desenvolvidas por endogamia seletiva e recombinação das linhas puras para obter vigor híbrido numa linhagem que se pretende mais produtiva e que expresse as características mais desejáveis do que a estirpe comum.

[…] Híbridos geneticamente controlados não devem ser confundido com abelhas resultante de uma mistura geral e desorganizada de raças que não tenham sido submetidas a seleção para características específicas.

[…] Rainhas capazes de produzir grandes ninhadas e de boa qualidade devem ser a primeira consideração nos programas de selecção. Um bom stock irá produzir e manter grandes populações na colónia no momento em que os principais fluxos começam. Uma rainha prolífica irá exigir o equivalente de 12 a 18 quadros, dependendo da quantidade de mel e pólen na colmeia, embora teoricamente toda a sua ninhada possa ser equivalente a apenas 5 – 6 quadros.

[…] A qualidade da postura é melhor avaliada quando observamos criação não selada (larvas de tamanho uniforme e sem interrupções dentro de uma área do quadro) do que quando nossa observação incide sobre a criação selada.

[…] Diferenças nas tendências para a enxameação de estirpes ou raças não estão bem estabelecidos e geralmente o  fenómeno é controlado por uma gestão adequada por parte do apicultor.

[…] Os apicultores desejando novas linhagens devem obter rainhas de vários criadores de rainhas para as comparar devidamente. Deve-se reconhecer que rainhas deficientemente criadas de linhagens produtivas em geral serão inferiores a rainhas criadas de forma correcta provenientes de linhagens menos produtivas.

fonte: http://beesource.com/resources/usda/productive-management-of-honey-bee-colonies/

Nota: no continente americano, do norte ao sul, a espécie apis mellifera é exótica e foi introduzida pelos europeus que foram habitar aquele continente.

abelhas de inverno

As abelhas de inverno são diferentes das abelhas de verão. Enquanto uma abelha de verão vive cerca de 35-40 dias, as abelhas de inverno, também designadas abelhas gordas, vivem cerca de 100-150 dias (ver aquiaqui como se faz a rotação entre estes dois grupos de  abelhas). Com a aproximação do inverno a colónia/super-organismo cria as abelhas gordas. Estas abelhas estão bem adaptadas às exigências do inverno.

Um composto muito importante na diferenciação destes dois grupos de  abelhas é chamado vitelogenina. Este composto ajuda as abelhas a armazenar reservas alimentares (açúcar e gordura) no seu corpo. Esta função é muito menos necessária no verão, quando podem sair da colmeias e consumir comida livremente nas suas zonas de pasto.

De uma forma resumida uma abelha de inverno quando comparada com uma abelha de verão apresenta:

  • mais vitelogenina;
  • níveis hormonais mais baixos;
  • glândulas alimentares mais ampliadas;
  • nível de açúcar e gordura no sangue/hemolinfa mais elevado.

fonte: https://www.perfectbee.com/learn-about-bees/the-life-of-bees/fat-bees-and-the-winter-cluster/

a dinâmica populacional de uma colónia de abelhas entre março e setembro

Não são muitos os estudos credíveis e com dados quantificados que eu conheço em torno do crescimento e declínio populacional de abelhas adultas no período que vai do fim do inverno até à entrada do outono, isto é, de março a setembro. Para as abelhas da nossa península não conheço nenhum. Contudo, juntando dados de várias fontes e cruzando-os com as observações que tenho feito nos meus apiários na beira alta, avanço com a proposta que agora apresento.

Qual o número máximo de abelhas adultas presentes por colmeia quando trabalhamos com a nossa abelha ibérica? Segundo António Pajuelo, nas jornadas do Vale do Rosmaninho, em regra não passam das 45 000. Na altura em que o ouvi pareceu-me pouco, dado as várias referências que conheço de populações de 60 000  e mais abelhas… mas em locais diferentes (EUA e Canadá) e com outras raças de abelhas. Decidi  fazer alguns cálculos em casa e cruzá-los com as minhas observações. Os quadros do ninho Langstroth, em regra, apresentam 7 000 alvéolos. Sabemos que uma abelha adulta ocupa uma área que corresponde, grosso modo, a 3 alvéolos, portanto um quadro bem preenchido de abelhas tem cerca de 2 300 abelhas (7000/3= 2333). Feitos os cálculos um ninho Langstroth, com 10 quadros bem cobertos de abelhas, comporta cerca 23 000 abelhas. Uma colmeia Langstroth, com un ninho e uma alça igual ao ninho (ou cerca de 2,5 meias alças), bem cheia de abelhas tem cerca de 46 000 abelhas. Nas minhas colmeias é este máximo que em regra tenho observado. Para mim, é agora claro que Pajuelo tem razão.

Fig. 1: Exemplo de um ninho e um quadro bem cheio de abelhas

Em que altura do ano as colónias atingem o pico populacional? Segundo os dados do investigador canadiano Harris o ritmo de ovodeposição de uma rainha vai em crescendo até 60 dias após o início do aumento linear de postura. Quando as rainhas atingem o máximo de ovodeposição as colónias apresentam cerca de 16 000 alvéolos operculados (de acordo com as medições de Nolan e Harris). Estes valores são relativos a outras “raças” de abelhas, mas vou considerá-los fidedignos no caso das rainhas de raça ibérica (desconheço se existem dados para o nosso caso). Outro dado muito interessante apresentado por estes investigadores é que neste momento a colónia atingiu cerca de metade da sua população máxima, isto é cerca de 30 000 abelhas (ver mais aqui). Como já referido em cima a população máxima das minhas ibéricas, em regra, situa-se nos 45 000 indivíduos. O crescimento linear das minhas colmeias na beira alta inicia-se, em regra, no início de março. Chega ao seu topo 60 dias depois, no início de Maio, coincidente com o período de enxameação, e a população máxima de abelhas adultas (45 000) acontece  2 a 3 semanas depois, por volta da 3ª semana de Maio. Estou convicto que a partir desta altura, inevitavelmente, a população de abelhas adultas começa a decrescer.

Fig. 2: Exemplo de um quadro típico de uma rainha no pico da postura

A  que ritmo e quais os números a que declina a população de abelhas a partir dos finais de maio. O declínio de uma população de abelhas resulta da diferença entre o número de abelhas nascidas e o número de abelhas que morrem no período de tempo analisado. Como já vimos no período de crescimento de uma colónia ela aumenta, em regra, dois quadros de abelhas por semana, o equivalente a cerca de 4600 abelhas por semana no modelo Langstroth (ver mais aqui).

As minhas observações têm confirmado que, em condições normais, as rainhas mantêm a postura, ainda que em  declínio, entre os meses de maio e novembro. Entre finais de maio e finais de novembro continuam a nascer abelhas, mas a uma taxa que não permite compensar as abelhas que vão morrendo no mesmo período.  Sabendo que a colónia cresce a um ritmo de dois quadros de abelhas até atingir o número máximo da sua população, parece-me razoável propor que a partir do início de junho morrem cerca de 4600 abelhas por semana (o equivalente a dois quadros de abelhas).

A minha proposta é credível? Entre finais de maio e finais de setembro, período das abelhas de verão, a colónia perde por semana o equivalente a 4600 abelhas e ganha nesse mesmo período de tempo, presumo, cerca de 3000 novas abelhas. A perda líquida de abelhas entre início de junho e finais de setembro é de cerca de 1500 abelhas por semana, isto é, 6000 abelhas por mês. Sustentado nestes valores calculo a seguinte população aproximada de abelhas adultas entre finais de maio (pico da população) e finais de setembro:

  • final de maio= 45 000 abelhas adultas;
  • final de junho=39 000 abelhas adultas;
  • final de julho=33 000 abelhas adultas;
  • final de agosto=27 000 abelhas adultas;
  • final de setembro =21 000 abelhas adultas.

Estes são números elaborados através de cálculos indiretos e de uma presunção baseada no que observo nas minhas colmeias. Nos últimos anos tenho terminado a cresta dos méis claros na última semana de julho. Nesta altura, crestadas as meias-alças, por norma deixo ficar as colmeias com uma meia-alça, para as abelhas armazenarem ainda alguns néctares/meladas mais tardios. Tenho verificado que as abelhas se acomodam bem nesta configuração de colmeia: ninho + meia-alça. Se o ninho albergar 23 000 abelhas e a meia-alça metade dessa população não ultrapassamos em muito as 33 000 abelhas referidas no cálculos anteriores. No final de setembro, em regra a configuração das minhas colmeias apresenta apenas o ninho, espaço mais do que suficiente para albergar as abelhas existentes, que ocupam 8 a 10 quadros, observação que não diverge das 21 000 abelhas atrás calculadas.

critérios para o estabelecimento de estações de acasalamento

Em território continental, as estações de acasalamento/fecundação dirigida, com o objectivo de garantir o isolamento indispensável à execução de um programa criterioso de seleção e melhoria de raças de abelhas, devem cumprir um conjunto de critérios. Elenco agora alguns dos mais importantes critérios:

  • Ausência ou presença mínima de colónias de “outras” abelhas num raio de pelo menos 6 km;
  • A zona circundante deve ter abundantes recursos de pólen e néctar;
  • A temperatura ambiente deve ter longos períodos superiores a 20 ° C e a velocidade do vento não superior a 24 km/h;
  • A paisagem deve ser ondulada e apresentar áreas abrigadas para o posicionamento de caixas de fecundação. Pedras, árvores, arbustos ou objetos especialmente instalados ajudam a minimizar a deriva das rainhas;
  • As colónias dedicadas à criação de zângãos devem ser em número suficiente para garantir uma forte população de zângãos selecionados para os acasalamentos. De acordo com Tiesler e Englert (1989) deve haver uma colónia de zângãos por cada 25 rainhas a fecundar;
  • Baixa presença de outras espécies predadoras de abelhas.

Fonte: http://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.3896/IBRA.1.52.1.07?needAccess=true

Notas breves sobre os períodos de vida dos zângãos

Os zângãos atingem a sua maturidade cerca dos 16 dias da sua vida adulta (D0 + 16 dias), e tornando-se menos férteis ou até inférteis após os 28 dias de idade (D0 + 28 dias). A duração média da vida de um zangão é de 55 dias (D0 + 55 dias), variando com condições do contexto.

Fig. 1: Eclosão de um zângão ou dia zero (D0)

a seleção e melhoria de abelhas: uma estratégia para a Península Ibérica

Neste post expressei a minha descrença na possibilidade de um apicultor isoladamente conseguir fazer de forma assinalável uma seleção e melhoria genética das abelhas. O esforço deverá ser colectivo e cumprir pelo menos uma destas duas condições: estações de acasalamento isoladas e/ou inseminação instrumental. Lembro que foram estas duas condições que o Irmão Adam, o melhor criador de rainhas do séc. XX, teve necessidade de garantir para levar o seu trabalho de apuramento genético ao patamar que que todos conhecemos. Se o melhor de entre nós o fez desta maneira, não estou bem a ver como um qualquer de nós o poderá fazer com menos.

Nestes programas sérios, com décadas de trabalho rigoroso na melhoria genética  de uma raça de abelhas, gostaria de destacar dois pontos:

  • qualquer programa de melhoria genética deve procurar garantir sempre a manutenção de um nível desejável de variabilidade genética. A seleção genética, como sabemos, implica jogar alguma coisa fora, eliminar esta ou aquela característica. Esperamos que aquilo que eliminamos no presente não seja valioso no futuro próximo ou distante. Mas este é um risco inerente à seleção e temos de viver com ele, se de facto desejarmos avançar e fazer essa seleção;
  • não devemos esquecer que a seleção é feita também e através da seleção de zângãos. Não é suficiente selecionar a linha materna para alcançar os melhores resultados. O uso de inseminação instrumental ou estações de fecundação (ilhas, vales profundos) não é de fácil alcance. Este caminho e a prossecução destes objectivos, em minha opinião, depende do desenvolvimento de equipes institucionais a trabalhar em rede e dedicadas a este trabalho, sejam elas de natureza publica, sejam de natureza privada (responsáveis por organismos públicos ligados ao sector e/ou associações de apicultores, entre outros). Estas equipas seriam as fornecedoras das rainhas melhoradas/selecionadas aos apicultores e por seu turno receberiam dos apicultores abelhas/genética nova para manter a necessária diversidade genética para o prosseguimento do seu programa. Não estou a inventar este modelo, ele já é levado a cabo em alguns países europeus.

Mas enquanto não for assim, e na esperança que esse dia chegue, podemos e devemos ir fazendo a selecção que nos for possível fazer, de acordo com as muitas limitações que temos. Num próximo post avançarei com um pequeno conjunto de propostas, julgo que ao alcance de todos nós, que nos permitirão pelo menos não “estragar”o que a natureza nos ofereceu: uma abelha autóctone bem adaptada ao seu meio ambiente.

a seleção de abelhas: condições gerais

A selecção de abelhas é um dos temas mais presentes nas conversas entre apicultores. Contudo, com alguma frequência estas conversas derivam dos aspectos essenciais para se focarem no acessório, com frequência também me parece que confirmam o dizer do nosso povo “que em terra de cegos quem tem um olho é rei”. O propósito deste post é o de apresentar um pequeno conjunto de noções e reflexões que me parecem essenciais e que visam contribuir para a nossa literacia apícola, numa área onde a confusão e a desinformação abundam.

O Irmão Adam sublinhou nas suas obras o interesse que a seleção de abelhas tem para todos os apicultores. No entanto os “pequenos” apicultores não podem fazer nada ao seu nível de acção individual, a menos que se reúnam em torno de um projeto coletivo com o estabelecimento de estações de acasalamento ou através da utilização de inseminação artificial/instrumental.

Podemos afirmar que o valor de uma colónia é a síntese da ação de todas as abelhas. Podemos ir mais longe e afirmar que o comportamento de cada abelha depende seus próprios genes, ou seja: os genes + os seus alelos sexuais + o seu ADN mitocondrial (este é 100% idêntico ao da mãe. Sabe-se que esta parte do seu genoma está envolvido, entre outros aspectos, na potência de voo) .

Cada ovo fecundado posto por uma rainha apresenta uma recombinação dos seus genes com os genes de um espermatozóide provenientes de um zângão. A abelha tem 16 cromossomas, e há para cada ovo mais de 65 000 combinações possíveis (2 elevado a 16). Se a rainha é fecundada por vários zângãos de origens diferentes, facilmente vemos que a diversidade genética dentro de uma colónia é enorme.

Além disso, muitos comportamentos dependem da combinação de vários genes. Determinadas combinações de alelos ativam mais do que outros o comportamento (por exemplo, o carácter higiénico é determinado por pelo menos 7 genes, que dirigem por um lado a detecção e desoperculação de uma larva doente e por outro lado a remoção dessa larva). Resulta deste fato que as rainhas fecundadas naturalmente pelos zângãos “que andam por aí” não fornecem resultados homogéneos nem estáveis ​​ao longo do tempo.

Teoricamente, numa “raça pura” os ovos de onde provêm todas as obreiras são semelhantes (o caso de 0% de hibridação). No entanto, esta situação não existe na realidade. Pode-se, contudo, por seleção, obter linhas menos híbridas, mais homogéneas, que serão utilizados para a produção das rainhas desejadas. Escolhida a linhagem destas colónias, denominadas “F0”, esta deve ser mantida. Se as rainhas filhas das rainhas F0 são fecundadas “naturalmente” (sem controle dos zângãos) produzem uma geração ‘F1’ que já perdeu 50% da homogeneidade presente na F0. Todos as obreiras serão híbridas, o que é bom para o apicultor (o conhecido “vigor híbrido”, também chamado “efeito da heterozigose“), mas sem nenhum interesse para o criador de rainhas selecionadas. Se por ex. apenas um zângão “agressivo” fecunda alguma destas rainhas cerca de 20% das obreiras serão agressivas. Se nós fizermos a reprodução destes F1, obtemos F2, com características muito diferentes entre si: portanto as colónias F1 híbridas são inúteis para a reprodução selectiva.

Os zângãos (resultam dos os ovos não fecundados) espelham as características de sua mãe (mas não todas, há sempre algumas diferenças genéticas). Os criadores experientes conhecendo isto, que é mais fácil introduzir as características através dos zângãos, preocupam-se e procuram ter o máximo de controlo sobre a origem dos zângãos. Assim, quando encontram uma rainha com boas características no seu apiário, criam um bom número de filhas para, em seguida, e a partir destas criar muitos zângãos. Na fecundação dirigida (estações de fecundação/acasalamento) são utilizados zângãos de várias rainhas irmãs, originadas de uma avó com as características desejadas pelo criador.

Sobre as estações fecundação importa realçar que as rainhas virgens emitem feromonas, atraindo os zângãos presentes no ambiente próximo, aqueles que “andam por ali”. Para evitar isso, um certo isolamento é necessário para “orientar” a fecundação (por ex. ilhas ou vales profundos isolados por montanhas). O ideal é colocar estas estações numa ilha. Se está isolada num raio de 2 km já é bom. É possível testar a “estanquicidade” de estação de fecundação colocando rainhas virgens em núcleos sem zângãos. Se se fecundarem a estação não é estanque, se não se fecundarem a estação apresenta as características de estanquicidade desejadas.

Importa no caso português realçar que os zângãos iberiensis tendem a dominar naturalmente outros com origem linhas estrangeiras/exóticas na “corrida” para a fecundação das rainhas. O zângão “negro” parece mais eficiente nos voos de fecundação.

Como facilmente se conclui entre dizer que se está a selecionar as abelhas e estar de facto a fazê-lo a distância pode ser aproximadamente a mesma que vai entre as promessas eleitorais e o seu (in)cumprimento quando depois no governo do país.