desoperculador de rolos: uma solução à medida?

A Lega propõe este desoperculador  de rolos que poderá bem ser a solução à medida para as minhas necessidades dos próximos anos.

Nota: se algum companheiro tem experiência com este desoperculador ou outro semelhante agradeço que envie o seu comentário a referir as vantagens e desvantagens que encontrou.

vespa velutina: o caso de um apicultor viguês

Marcos Otero, apicultor da zona de Vigo, relata aqui a sua experiência recente no combate à velutina.

Este apicultor viguês elegeu duas técnicas para diminuir a predação das velutinas nos seus apiários este verão: armadilhas com xarope com mel e as harpas eléctricas.

 

Fig.1: Vespa velutina (espécie exótica) e Vespa Crabro (espécie autóctone). 

 

loque americana: a resistência dos esporos

A loque americana é uma doença bacteriana produzida pela bactéria Paenibacillus larvae, que ocorre em duas fases, uma bacilar em que se reproduz e outra esporular que lhe permite manter-se latente e defender-se das agressões externas. O perigo da loque americana está precisamente nestes esporos que são muito resistentes e difíceis de eliminar. A melhor imagem que me ocorre é a de um tanque com uma carapaça muito dura.

Estes esporos têm tolerância a temperaturas muito altas, resistem 30 minutos a 100 graus e 15 minutos a 120 graus. Resistem à ação de desinfetantes químicos, como cloro, produtos à base de iodo e radiação ultravioleta durante 20 minutos de exposição. Além disso, de acordo com as condições de conservação, eles podem sobreviver no meio ambiente durante muito tempo, e somente após 30 anos começam a mostrar uma diminuição na viabilidade. Infelizmente são máquinas quase perfeitas de perpetuação do seu ADN.

loque americana: um programa de acção para todos nós

Vou assumir neste post que todos nós somos capazes de identificar a loque americana e, mais arrojado ainda, todos estamos dispostos a fazer o melhor possível para resolver este problema quando ele surge nas nossas colmeias.  Tendo assumido a competência e a motivação (num mundo ideal claro) para erradicar a loque americana dos nossos apiários, resta-me deixar muito claro o que se deve fazer quando somos confrontados com este problema sanitário.

Fig. 1: Utilização do teste do palito para fazer de forma expedita o diagnóstico de loque americana

Como ponto de partida importa-nos reconhecer o seguinte: para a loque americana ainda não existe nenhum antibiótico verdadeiramente eficaz; a loque americana é uma doença extremamente infecciosa e que urge o mais rapidamente possível erradicar completamente. Os antibióticos utilizados não eliminam o problema, apenas o mascaram. O foco irá persistir através dos esporos e mais tarde ou mais cedo expandir-se a outras colmeias do apiário e colmeias de apiários vizinhos.

Para quem quer impedir o alastramento do contágio e assim preservar as suas colmeias e as colmeias dos vizinhos só tem um caminho: eliminar pelo fogo as fontes de loque americana. Isso implica matar as abelhas e queimar tudo: abelhas, quadros e caixas num buraco aberto no solo que depois deve ser bem coberto com terra para evitar que as abelhas nas redondezas se infectem em alguns restos mal queimados. Só o fogo elimina os esporos da loque americana, os antibióticos não o conseguem fazer.

Quem trata a loque americana com medicamentos está a iludir-se porque não elimina devidamente os esporos e ainda acaba por contaminar o seu mel e, eventualmente, o mel dos seus vizinhos. Na tentativa vã de salvar um ou mais enxames com a utilização de antibióticos pode estar a colocar em causa a sanidade/conformidade de centenas ou milhares de quilogramas de mel. A este propósito leia-se o que o especialista Miguel Maia escreve:

“A introdução de antibióticos no mel inicia-se com o intuito do apicultor prevenir /controlar as loques. As boas práticas indicam que no caso de loque americana, as colmeias devem ser destruídas em detrimento do controlo por antibióticos. […] Durante o armazenamento do mel, os antibióticos são estáveis e, mesmo que exista a sua degradação, os produtos de degradação são detectados. Devido à má utilização dos antibióticos, muitos lotes de mel podem ser rejeitados no comércio provocando enormes prejuízos na apicultura.” fonte: Os antibióticos no mel, Miguel Maia, Engº Zootécnico.

loque americana: uma vacina a caminho?

Este artigo científico dá-nos conta de uma descoberta que me parece das mais relevantes dos últimos anos no domínio do estudo das abelhas. Os seus autores defendem que conseguiram descobrir o mecanismo subjacente à criação do sistema imunitário das abelhas. Esta descoberta pode permitir encontrar caminhos para a vacinação das abelhas contra uma série de doenças, como a Loque Americana e a Loque Europeia.

Descrevo em baixo, e de uma forma mais acessível, o processo que desencadeia a criação do sistema imunitário das abelhas de acordo com os autores do artigo.

O pólen e néctar que as abelhas colectam contém frequentemente um conjunto de bactérias e outros microorganismos e acabam introduzidos na colónia por via destas cargas alimentares. No interior da colmeia estes microorganismos entram na cadeia alimentar, nomeadamente na geleia real produto resultante do processamento pela abelhas nutrizes desse pólen e néctar.

Este estudo veio confirmar que estes microorganismos ou seus fragmentos foram encontradas na geleia real consumida pela rainha. Os fragmentos destes microorganismo acabam na corrente sanguínea da abelha rainha e ligam-se a um composto proteico chamado vitelogenina. A vitelogenina é um elemento chave no desenvolvimento dos ovos. Os pesquisadores descobriram que a vitelogenina tem capacidade para transportar estes pequenos pedaços de microorganismos para os ovos que irão dar origem a novas abelhas. Estes ovos acabam assim por ser expostos a fragmentos de microorganismos alguns deles com uma natureza patogénica para as abelhas. Esta exposição às pequenas doses de agentes patogénicos poderá estar na génese  do sistema imunológico das abelhas. É este sistema assim construído que  permite às abelhas enfrentar mais adiante infecções potencialmente nocivas veiculadas por esses agentes patogénicos.

De forma resumida a transferência de imunidade da mãe às suas filhas  ocorre por meio da vitelogenina, presente desde logo nos ovos, e que funciona desta forma como uma vacina. Parece-me que este processo ilustra bem o conhecido adágio “aquilo que não me mata torna-me mais forte”.

Tanto quanto li, estes investigadores procuram agora dar um passo muito importante para todos os apicultores e suas abelhas: encontrar através deste mecanismo forma de vacinar as abelhas contra vários agentes infecciosos, como por exemplo o responsável pela Loque Americana e Loque Europeia.

Fig. 1: Opérculos furados muitas das vezes indicadores de criação afectada pela bactéria causadora da Loque Americana. 

abelhas de inverno

As abelhas de inverno são diferentes das abelhas de verão. Enquanto uma abelha de verão vive cerca de 35-40 dias, as abelhas de inverno, também designadas abelhas gordas, vivem cerca de 100-150 dias (ver aquiaqui como se faz a rotação entre estes dois grupos de  abelhas). Com a aproximação do inverno a colónia/super-organismo cria as abelhas gordas. Estas abelhas estão bem adaptadas às exigências do inverno.

Um composto muito importante na diferenciação destes dois grupos de  abelhas é chamado vitelogenina. Este composto ajuda as abelhas a armazenar reservas alimentares (açúcar e gordura) no seu corpo. Esta função é muito menos necessária no verão, quando podem sair da colmeias e consumir comida livremente nas suas zonas de pasto.

De uma forma resumida uma abelha de inverno quando comparada com uma abelha de verão apresenta:

  • mais vitelogenina;
  • níveis hormonais mais baixos;
  • glândulas alimentares mais ampliadas;
  • nível de açúcar e gordura no sangue/hemolinfa mais elevado.

fonte: https://www.perfectbee.com/learn-about-bees/the-life-of-bees/fat-bees-and-the-winter-cluster/

um outono de 2017 como o de 2015?

O outono deste ano começa a assemelhar-se muito ao outono de 2015. Aqui está descrito o que fui observando e fazendo nos meus apiários da Beira Alta e Beira Litoral nesse ano.

A necessidade de efectuar alimentação de manutenção de uma boa parte das colónias poderá surgir como surgiu nesse outono. Vou estar atento como o fiz nesse ano!

mais de 75% de diminuição em 27 anos na biomassa total de insetos voadores em áreas protegidas

Se os insectos são boas sentinelas da qualidade do ambiente/ecossistema os dados apresentados neste estudo, publicado há dias atrás, são uma vez mais muito preocupantes.

A diminuição global de insetos provocou um grande interesse entre cientistas, políticos e público em geral. A perda de diversidade e abundância de insetos deverá provocar efeitos em cascata nas cadeias alimentares e pôr em risco os ecossistemas. Até agora a nossa compreensão da extensão e das causas subjacentes a esse declínio baseou-se no estudo de espécies únicas ou grupos taxonómicos, e não nas mudanças ocorridas na biomassa de insetos, estudo este que é mais relevante para a compreensão do funcionamento ecológico.

Aqui, utilizamos um protocolo padronizado para medir a biomassa total de insetos usando armadilhas Malaise, implantadas ao longo de 27 anos em 63 áreas de proteção natural na Alemanha (96 combinações únicas de localização-ano) para inferir sobre o status e a tendência da entomofauna local. Nossa análise estima um declínio sazonal de 76% e declínio no meio do verão de 82% na biomassa de insetos voadores ao longo dos 27 anos de estudo. Mostramos que esse declínio é aparentemente independentemente do tipo de habitat, e que as mudanças no clima, uso do solo e características do habitat não podem explicar por si só este declínio geral. Esta perda até agora desconhecida de biomassa de insetos deve ser levada em consideração na avaliação de declínios na abundância de espécies, dependendo de insetos como fonte de alimento e funcionamento do ecossistema na paisagem europeia.

fonte: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0185809

Ainda que não pretenda arrogar-me como exemplo para ninguém, a verdade é que neste ano apícola, que está a terminar (outubro de 2016-outubro de 2017), e quando comparado com o anterior ano apícola, reduzi em cerca de 20% o número de quilómetros percorridos no exercício da minha actividade. Se por um lado a razão mais imediata está na procura da redução de custos (ver aqui), a redução da minha pegada ecológica alimenta também os meus motivos.

inquérito sobre a realidade das colónias queimadas em 2017 em Portugal

Recebi ontem no meu e-mail esta solicitação do Francisco Rogão para responder a este inquérito. Já o fiz porque me arderam algumas colmeias num dos meus apiários. Tomo a liberdade de colocar aqui o pedido do Francisco assim como o link para o inquérito.

“Bom dia

Caros colegas afectados pelos incêndios (ou quem tenha conhecimento efectivo dos que foram afectados), com o intuito de se ter uma ideia da quantidade de colónias ardidas este ano e fazer chegar esta informação às entidades responsáveis pelo sector, tomo a iniciativa de solicitar que preencham o inquérito que se segue. PF partilhem

Preencha aqui

 Cumprimentos

Francisco Rogão”

 

Apelo ao seu preenchimento por parte dos companheiros a quem arderam colmeias. Assim daremos a conhecer a quem de direito a real dimensão do quanto o sector apícola foi afectado pelos incêndios neste ano. Os resultados recolhidos por este inquérito serão certamente uma ajuda para os nossos representantes (FNAP, Associações e Cooperativas Apícolas) poderem apelar, junto dos organismos oficiais responsáveis, às ajudas ao sector, assim como fazerem parte dos grupos de trabalho que irão surgir no âmbito das prometidas reformas da nossa floresta. Acerca deste ponto remeto ainda para o conteúdo do post do João Tomé, no seu blog Vale do Rosmaninho (aqui), sublinhando esta afirmação: “Para isso, será importante no futuro, os apicultores fazerem parte dos grupos de trabalho com intervenção directa no território, apresentando propostas de gestão em complemento das que são apresentadas por outros sectores (ex. exploração florestal, conservação da natureza, etc.), favorecendo desta maneira o equilíbrio e manutenção das colónias de abelhas.