Nesta semana tenho repartido o tempo na realização de um conjunto variado de tarefas. Os dias têm começado cedo e têm terminado debaixo de um céu de fogo!








blog de Apicultura
Nesta semana tenho repartido o tempo na realização de um conjunto variado de tarefas. Os dias têm começado cedo e têm terminado debaixo de um céu de fogo!








Só tenho acesso ao sumário do estudo, e desconheço qual a proporção de açúcar em relação à água presente no xarope mais concentrado e no xarope menos concentrado**. Achei particularmente interessante os pontos 4 e 5 deste artigo de 1961, porque me parece confirmam as minhas observações e reflexões. Nos meus apiários tenho verificado que as colónias que alimento com pasta de açúcar aparentam ter mais área de criação à saída do inverno (fevereiro e março) do que as colónias que não alimento ou alimento menos frequentemente. E para o explicar já tinha colocado a hipótese que isso se deveria ao facto das colónias alimentadas a pasta poderem disponibilizar mais abelhas para a colecta de pólen. Assim sendo, estas colónias estarão em condições de fornecer uma dieta mais adequada tanto às abelhas amas como às larvas em desenvolvimento, porque têm acesso a uma maior quantidade e diversidade de aminoácidos.

fonte: https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-agricultural-science/article/effect-of-feeding-sugar-syrup-to-honeybee-colonies/4A944C6F558D3DB78C3801A03D33AD83
** actualização em 13-01-2021: o grupo A foi alimentado xarope de açúcar concentrado (62% de açúcar) e grupo B xarope de açúcar diluído (40% de açúcar).
Sempre gostei de ler, e de há 11 anos para cá iniciei a leitura intensiva do tema “abelhas” e “apicultura” aquando da minha profissionalização. E foram, e continuam a ser, as leituras a fonte de principal da minha aprendizagem, a par com as horas e horas passadas nos apiários a trabalhar e observar “in loco” colónia após colónia.
O que ganho com as leituras? Mais do que serei capaz de descrever. Na grande maioria das vezes a minha observação no local é orientada e afinada pelas leituras realizadas em casa. Como todos creio eu, geralmente presto atenção e procuro descodificar o que observo, porque estou municiado de uma grelha de observação que decorre de algo que li, e assim precavido, munido desse “olhar” intencional e não ingénuo ou desatento, dou um sentido e uma interpretação aos dados em bruto que uma colónia de abelhas me oferece.
Contudo estou também cada vez mais ciente que as abelhas são muito plásticas, que os seus comportamentos, ainda que relativamente bem conhecidos, seguem quase sempre os seus próprios desígnios, algumas vezes à margem do que está escrito. Vou constatando aqui e ali, pelas observações que vou fazendo, que por vezes as abelhas não leram os mesmos livros que eu li.
Vem isto a propósito de uma observação que fiz hoje no meu apiário a 900 m de altitude. Na literatura que eu conheço, vem referido de uma forma muito consensual que a abelha rainha sai com o enxame primário poucas horas após os primeiros mestreiros terem sido operculados. Contudo, com alguma frequência, tenho observado que nem sempre as minhas abelhas e nos meus apiários “seguem o livro”. Ainda hoje o constatei e ilustrei neste conjunto de fotografias em baixo.



Ora, se as minhas abelhas lessem os livros que eu leio sobre elas, no dia 06.06 os mestreiros que encontrei teriam sido operculados há poucas horas. Teriam portanto 9 a 10 dias a contar do dia da oviposição e as rainhas emergiriam cerca de 6 a 7 dias depois, lá para os dias 12.06 ou até 13.06. Mas parece que não lêem, ou por vezes algumas não lêem.

Voltando aos números e datas e para este caso, a rainha mãe encontrada no enxame a 06.06, não saiu com o enxame primário pouco após os primeiros mestreiros terem sido operculados. O que esta observação me diz é que as abelhas após a operculação deste mestreiro (assim como outros que vi neste enxame, em condições semelhantes) adiaram a enxameação primária. Por vezes este adiamento decorre de más condições meteorológicas, segundo alguns especialistas. Neste caso, sei que os dias 4 e 5 deste mês, os dias em que segundo os livros a enxameação deveria ter ocorrido, me pareceram dias agradáveis para enxamear, com temperaturas a rondar os 20-22ºC de máxima e com pouco vento. Mas como não sou eu que enxameio , são elas, a minha opinião nada conta. E elas lá terão tido as suas razões para não terem seguido o livro à letra.
Um jovem apicultor, amigo e cliente, colocou-me ontem a questão do título da publicação. Hoje respondi-lhe: alguns conseguem viver da apicultura e outros não. Eventualmente este jovem, assim como outros, desejam uma resposta sim ou não. Mas essas respostas de sim ou não para aspectos complexos, que dependem de inúmeras variáveis, sendo sedutoras para quem as ouve porque fica com o assunto resolvido logo ali, e tentadoras para quem as dá porque reforçam o seu estatuto de autoridade e conhecimento, são na realidade respostas parvas (do étimo pequeno).
Por exemplo, hoje saí de casa depois de tomar o café e comer uma barrita de cereais, estavam a bater as 9h30 no relógio da torre. A manhã esteve relativamente fresca e o trabalho corria bem e, quando dei por mim, eram 13h10. Parei um pouco para reflectir se deveria continuar ou parar e fazer 15 km de regresso a casa para almoçar e retornar depois de almoço. Decidi continuar o trabalho e concluí-o por volta das 14h00. Contudo e como ainda faltava uma tarefa que tinha mesmo que fazer hoje noutro apiário, a cerca de 4 km de distância, decidi castigar um pouco mais o corpo e ir fazê-lo, antes de regressar a casa para almoçar. Terminei por lá por volta das 16h00. Regressei a casa e almocei por volta das 17h00. Voltei de novo a esses dois apiários já próximo das 18h00 e conclui a principal tarefa que hoje me comprometi fazer, seriam cerca das 19h45. Agora, que já estou em casa, dou comigo a pensar que este está longe de ter sido um dos dias duros, dos muitos que já tive na apicultura. Alturas houve em que os dias duros vinham em cachos de 5 ou 6 dias seguidos ao longo de 4 a 5 meses.
Voltando à questão: sim para alguns é possível viver da apicultura e, acredito, que o factor decisivo, como não poderia deixar de ser, é o humano, isto é, é a ética profissional, o conhecimento, o pragmatismo, a vontade de superação, a resiliência e, para mim a mais importante na apicultura, a paciência. Paciência para esperar pela natureza, porque quem toca a música é a natureza, o ritmo é marcado por ela.


Não acredito nos “mecânicos/melhoradores da genética” da natureza, não acredito nos “criadores” de naturezas exóticas alternativas. Acredito e admiro os “amadores” da natureza local, aqueles que pacientemente a prescrutam e, sem lhe alterar a génese, ou introduzir exotismos, se apercebem dos carreiros mais escondidos por onde devem fazer o seu caminho. Tenho para mim cada vez mais certo que o apicultor que quer viver da apicultura em Portugal mais tarde ou mais cedo vai confirmar aquilo que já confirmei há algum tempo: não é sobretudo uma questão de genética, é mais uma questão de maneio. Mesmo que isso implique adiar a hora do almoço!

“Nas espécies que cuidam da sua prole/descendentes, o aprovisionamento de alimento disponível para o seu desenvolvimento tem efeitos profundos nas características da prole. O aprovisionamento é importante nas abelhas porque os aspectos nutricionais determinam se uma fêmea se torna uma rainha reprodutora ou operária estéril. Pensa-se que uma diferença qualitativa entre as dietas larvais de rainhas e operárias conduza a essa divergência (1); no entanto, nenhum composto isolado parece ser responsável pela diferenciação (2). A quantidade da dieta pode ter um papel durante a determinação das castas de abelhas, mas nunca foi formalmente estudada. Nosso objetivo era determinar as contribuições relativas da quantidade e qualidade da dieta para o desenvolvimento da rainha. As larvas foram criadas in vitro com nove dietas variando a proporção de geleia real e açúcares [aspecto qualitativo da dieta], e foram alimentados com oito quantidades diferentes [o que perfaz 72 regimes alimentares distintos] (3) . Para a dieta situada a meio da escala [na escala de proporção de proteína e açucares/carboidratos da dieta] (4), foi incluído um tratamento com quantidade ad libitum [à vontade]. Após a emergência, as características de rainha foram determinadas usando uma análise de componentes principais (CP) através de sete medidas morfológicas (5). Descobrimos que as larvas alimentadas com uma quantidade ad libitum de dieta eram indistinguíveis das rainhas criadas comercialmente, e que as características de rainha eram independentes da proporção de proteína e açucares na dieta (6). Nem o teor de proteínas nem os carboidratos tiveram influência significativa no primeiro componente principal (CP1), aquele que explicou 64,4% da diferença entre rainhas e operárias (7). Por outro lado, a quantidade total de alimento explicou uma quantidade significativa da variação no CP1 (8). Grandes quantidades de dieta no instar final [o que ocorre no 6º dia de desenvolvimento larvar] foram capazes de induzir os traços da rainha, contrariamente à sabedoria recebida de que a determinação da rainha só pode ocorrer até ao terceiro instar [o que ocorre no 3º dia de desenvolvimento larvar] (9). Estes resultados indicam que a quantidade total de dieta/alimento fornecida às larvas pode regular [condicionar] a diferença entre castas de rainhas e operárias nas abelhas. (10)”

(1) Desde a década de 1890, acredita-se que a qualidade da dieta determina casta nas abelhas através de uma ‘substância ativa biológica’ encontrada apenas na geleia real que ativa uma chave [epigenética] de desenvolvimento das rainhas.
(2) Embora os estudos tenham mostrado inicialmente que as proteínas eram reguladoras-chave da casta, os estudos de acompanhamento/aprofundamento falharam em reforçar estes dados iniciais.
(3) A menor quantidade de dieta (160 µl) foi adoptada a partir de métodos in vitro anteriores, porque essa quantidade produz abelhas operárias. A quantidade foi aumentada em incrementos de 30 µl de 160 µl até 370 µl para produzir os outros tratamentos. Houve um tratamento ad libitum adicional no qual as larvas eram alimentadas com um excesso acima do que podiam consumir. Todas as larvas foram alimentadas com a mesma quantidade durante os primeiros 5 dias de desenvolvimento: dia 1: 10 µl, dia 2: 10 µl, dia 3: 20 µl, dia 4: 30 µl e dia 5: 40 µl, totalizando 110 µl de dieta durante os 5 dias. Durante o sexto dia de desenvolvimento, as larvas foram alimentadas com quantidades diferentes, dependendo do tratamento da quantidade da dieta, de modo que a quantidade total da dieta variou de 160 µl a 370 µl. No tratamento ad libitum, as larvas foram alimentadas com 200 µl por dia até à purga intestinal. Os tratamentos com grande quantidade de alimento produziram uma alta proporção de rainhas. Por exemplo, o tratamento ad libitum produziu 100% (20 de 20) rainhas e o tratamento de 370 µl produziu 58% de rainhas (19 de 33). Nos tratamentos de menor quantidade de alimento (220, 190, 160 µl), apenas três rainhas foram produzidas.
(4) A dieta de referência (dieta com proteínas e carboidratos em níveis médios) foi baseada num estudo anterior que estabeleceu o desenvolvimento de operárias induzidas pela dieta. A geleia real continha 12,35% de proteína, 27% de carboidratos e 56% de água. Esses valores foram utilizados para calcular a percentagem de macronutrientes em cada dieta.
(5) A morfometria de adultos pode separar e classificar castas. As mandíbulas, o basitarso e a cabeça dos adultos foram dissecados e fotografados. As medidas morfométricas incluíram peso húmido corporal total, largura e comprimento do basitarso, largura e comprimento da mandíbula e largura e comprimento da cabeça.
(6) Os resultados indicam que esses componentes qualitativos parecem não determinar a casta quando a quantidade de alimentos é controlada. Dietas ricas em carboidratos produzem mais rainhas quando a quantidade da dieta não é controlada. Royalactin (MRJP-1) e Major Royal Jelly Protein-3 (MRJP-3) são considerados os principais componentes da geleia real que influenciam o desenvolvimento da rainha, mas nenhum estudo controlou a quantidade da dieta. Nossos resultados indicam que esses componentes qualitativos parecem não determinar a casta quando a quantidade de alimentos é controlada e esses fatores qualitativos devem ser reavaliados para determinar se desempenham ou não um papel importante no desenvolvimento da casta.
(7) Quando o conteúdo de proteínas e carboidratos é alterado em quantidades controladas na dieta, o desenvolvimento e a sobrevivência são afetados, particularmente em dietas com pouca proteína. Observamos um resultado semelhante de alta mortalidade em dietas com pouca proteína. No entanto, a proporção de proteínas e carboidratos não parece determinar a casta nas abelhas.
(8) Nosso estudo corrobora outros estudos que indicaram que o teor relativo de proteínas não controla a diferenciação da rainha. Nossos resultados indicam que a quantidade da dieta tem um papel maior no desenvolvimento da rainha do que a qualidade, e estudos futuros devem controlar a quantidade da dieta ao testar sistematicamente macronutrientes no desenvolvimento de castas.
(9) O terceiro dia foi considerado a janela crítica para a determinação da rainha, mas nossos resultados sugerem que o status reprodutivo pode ser mantido até ao sexto dia se houver comida suficiente.
(10) Os miRNAs e o ácido p-cumárico encontrados no pólen inibem o desenvolvimento dos ovários e estão presentes apenas na dieta de larvas destinadas às operárias. No nosso estudo, baixas quantidades de alimentos inibiram o desenvolvimento da rainha. Nos tratamentos com menor quantidade de alimento (220, 190, 160 µl), apenas três rainhas foram produzidas.
fonte: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2020.0614
Nota: este estudo, com um desenho experimental elegante e complexo, aprofunda uma linha de investigação, que visa identificar as variáveis independentes que melhor explicam a diferenciação de castas nas abelhas fêmeas. Do que entendi e procurando simplificar e resumir, a quantidade de alimento influencia de forma importante a diferenciação até ao 5º instar larvar, isto é, quantidades elevadas de dieta apropriada, mesmo que fornecidas no 6º dia do estádio larvar, contribuíram para que 58% dessas larvas tenham evoluído para abelhas-rainha. Este estudo reforça a ideia que tal como noutros insectos sociais (vespas e vespões, por ex.), também nas abelhas melíferas a quantidade de alimento, não apenas a sua qualidade, tem um papel decisivo na diferenciação entre fêmeas reprodutivas e fêmeas estéreis. Verificou-se também que dietas ricas mas em quantidades baixas não foram suficientes para fazer evoluir as larvas no sentido da formação de abelhas-rainha num número significativo de casos. Este estudo, e outros nesta linha, visam fornecer a indústria de criadores de rainhas (em especial a norte-americana) de conhecimentos que lhe permita melhorar a qualidade das rainhas que coloca no mercado e que tem sido alvo de críticas num passado recente.
Ontem, 25 de maio, percorridos os 150 km que me separam de Coimbra dos apiários na Beira Alta, cheguei ao local onde decidi iniciar o maneio esta semana. Dirigi-me ao único apiário que tenho, neste momento, a 900 m de altitude. Cheguei por volta da 14.30h e por lá andei até às 19.00h. Depois da última visita, a 18 de maio (ver aqui), data em que coloquei as primeiras meia-alças sobre as colmeias direccionadas para a produção de mel (este ano direccionei a maior parte das colónias para a produção de enxames), verifiquei que uma boa parte delas estava já a “pedir” outra meia-alça. Com a marcavala no auge, com boas temperaturas (entre os 23-28ºC), com a varroa controlada de forma muito decente, com boas populações de abelhas e com rainhas em “andamentos altos”, tudo se conjuga para uma armazenagem rápida e muito satisfatória. Para este resultado contribui também o facto de estar a fornecer meias-alças com ceras puxadas às colmeias.











Hoje, no dia mundial das abelhas, levantei-me cedo e fui, pelo fresco, fazer o que mais e melhor me apetece fazer: estar como profissional (porque é a actividade que me põe o pão na mesa) a trabalhar as minhas colónias com uma atitude descomprimida e sem pressões económicas. Este contexto permite-me fazer algumas coisas de forma diferente do passado, ensaiar e testar algumas ideias e avaliar, com o melhor rigor que me é possível, os resultados alcançados.
Uma das tarefas no apiário que me preencheu estas horas mais frescas, na manhã de um dia que se prevê atingir 28ºC (e mesmo sem t-shirt por baixo do fato este calor faz-se sentir com alguma violência), foi dar seguimento ao que tinha iniciado há cerca de 4 semanas atrás (aqui descrito) e “palmerizar” um conjunto de núcleos. Basicamente, o maneio passou por transferir um ou dois quadros com criação dos núcleos onde coloquei as rainhas das colónias anteriormente orfanadas, para as colónias actualmente orfanadas. A intenção deste maneio visa alcançar 4 objectivos em simultâneo:
Em baixo deixo o foto-filme do que me encantou fazer hoje com as minhas abelhas, no dia mundial das abelhas.







Neste dia, envio um abraço a todos os que gostam de passar umas horas junto das abelhas e/ou lhes reconhecem o importante serviço ecossistémico que prestam a todos nós.
Finalmente a primavera parece ter chegado aqui, ao lado norte da Serra da Estrela! No apiário que tenho a 900 m de altitude vejo, pela primeira vez neste ano atípico, que ao sacudir abelhas dos quadros para além das abelhas também cai néctar recente. Até aqui tem sido necessário suplementar com pasta. Estou certo que, caso o não tivesse feito regularmente, teria uma mortalidade por fome entre 90-95% das colónias. Consegui “aguentar o barco” e a mortalidade foi um redondo zero.
A primeira floração significativa, que dá néctar às abelhas e ao apicultor, neste apiário, o meu pai ensinou-me a chamar-lhe marcavala: uma “vaca leiteira” para as abelhas, nas suas palavras.


Entre outras tarefas do dia de hoje, coloquei as primeiras meias-alças sobre uma série de colónias que estou a dedicar de corpo inteiro à produção de mel. Como de há vários anos para cá, prefiro que as primeiras meias-alças sejam com quadros com cera puxada. Verifico que as abelhas reconhecem mais rapidamente esse espaço como seu, e tendem a assenhorar-se dele logo nas horas seguintes.



A terminar uma imagem do meu companheiro habitual dos últimos 5 anos. Há coisas que valem bem o “dinheirão” que se dá por elas, e este fato é um exemplo disso.

Publiquei no passado dia 27.04 um post sobre o síndrome provocado pelo vírus da paralisia crónica das abelhas. O blog The Apiarist, do qual sou subscritor, publicou ontem, dia 08.05, um post sobre este mesmo síndrome, a propósito da crescente mortalidade de colónias verificada na Grã-Bretanha nos últimos anos por esta causa.


Radiação 5 G, oh my god!!? Este síndrome foi documentada há mais 2300 anos por Aristóteles e não consta que há época, na Grécia, existissem antenas e radiações 5G. Enfim, a “realidade” é o que quisermos!!
Deixando estes “cientistas” conspirativos e alucinados, que se multiplicam exponencialmente nas redes sociais, atentemos sobre o que nos dizem os cientistas (os autênticos) que trabalham no campo, que observam de forma controlada e medem com o melhor rigor possível para depois, com humildade científica, retirarem conclusões circunstanciadas, verificáveis e refutáveis.
Fatores de risco da síndrome ao nível do apiário
“Os metadados associados aos registros do Beebase são relativamente esparsos. Detalhes de métodos específicos de gerenciamento de colónias não são registrados. Fatores ambientais locais – OSR, borragem, gap de junho etc. – também estão ausentes. Inevitavelmente, alguns dos fatores que podem estar associados ao aumento do risco não são registrados.
Uma doença relativamente rara que está agrupada espacialmente, mas não temporalmente, é um problema complicado para definir fatores de risco. Steve Rushton, o autor sénior do artigo, fez um excelente trabalho ao analisar os dados disponíveis.
Os dois fatores mais importantes ao nível apiário que contribuíram para o risco da doença foram:

Importação de abelhas não significa importação de doenças
Há bons registros de abelhas importadas pelos canais oficiais. Isso inclui rainhas, pacotes e colónias em núcleos. Entre 2007 e 2017, houve mais de 130.000 importações, 90% das quais foram rainhas.
Um risco aumentado deste síndrome em apiários com abelhas importadas não significa que as abelhas importadas foram a fonte da doença.
Com os dados disponíveis, não é possível distinguir entre as duas hipóteses a seguir:
Existem maneiras de separar essas duas possibilidades … o que obviamente é algo que queremos concluir.” fonte: https://theapiarist.org/aristotles-hairless-black-thieves/
Tendo iniciado o tratamento de final de inverno/início da primavera com as tiras de Apivar na passagem da 2ª para a 3ª semana de fevereiro, de acordo com o calendário que fui afinando e com resultados muito positivos nos últimos 4 a 5 anos, esta semana estou a proceder à sua retirada, ao fim de cerca de 10 semanas. Terei sido, tanto quanto sei, dos primeiros apicultores em Portugal a referir e estender o tratamento para além das habituais 6 a 8 semanas. Actualmente o fabricante (Veto Pharma) também recomenda 10 semanas para a duração do tratamento em colónias com muita criação. É o meu caso nesta altura do ano, assim como o caso de larga maioria dos apicultores nas zonas temperadas do hemisfério norte.

Em casa junto-as, para depois as entregar na minha associação de apicultores, que por sua vez as entregará à Valormed, para que procedam à sua destruição em condições devidamente controladas

Neste período de tempo perdi uma colónia, em cerca de 200 tratadas, para o Varroa (0,5%). Não sendo um utilizador convicto e frequente de nenhuma das várias técnicas de controlo da taxa de infestação, faço o controlo por observação a olho nú das abelhas e criação com muita regularidade, durante o maneio do ninho nestas 10 semanas. Contudo hoje fiz um controlo pouco habitual na minha prática.



No quadro do meu maneio, tendo em conta o timing, duração e eficácia do tratamento, é um disparate estar a fazer o designado “corte de zângão”. Caso o fizesse, estaria a eliminar maioritariamente zângãos limpos com impacto pouco significativo na infestação, mas que consumiram uma quantidade apreciável de recursos da colónia até serem operculados. Neste quadro estou convicto que a colónia ganha mais deixando os “boys” nascer.