um método muito simples para criar rainhas: a semi-orfanização

Um pequeno número de rainhas com qualidade pode ser criado numa câmara de criação orfanizada, criada pelo apicultor no topo de uma colónia forte. No final dos procedimentos descritos mais abaixo a disposição da colónia deve respeitar esta ordem vista debaixo para cima:

  1. Câmara de criação inferior com a rainha
  2. Grelha excluidora de rainhas
  3. Meia-alça
  4. Grelha excluidora de rainhas
  5. Câmara de criação superior orfanizada.

Neste arranjo da colmeia, a câmara de criação superior é utilizada para a criação de mestreiros e as meia-alças para o armazenamento do néctar. A presença da rainha, no ninho inferior, irá manter a força da colónia no decorrer do processo.

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Fig. 1 — Grelha/grade excluidora de rainhas

Procedimentos:

  • Retiramos os quadros com criação não operculada juntamente com as abelhas amas aderentes do ninho original que colocamos num corpo de colmeia vazio. A rainha deve ser encontrada e mantida no ninho original.
  • Substituímos os quadros retirados ao ninho por quadros de cera puxada ou laminada.
  • Colocamos uma grelha excluidora de rainhas no topo deste ninho por forma a confinar a rainha.
  • Colocamos uma meia-alça com quadros puxados ou laminados em cima da grelha excluidora de rainhas.
  • Uma segunda grelha excluidora de rainhas é colocada por cima da meia-alça.
  • O segundo corpo com os quadros e abelhas resultante da etapa 1 é colocada no topo desta colmeia, com dois quadros com mel e pólen. Coloca-se a prancheta, um alimentador com alimento e o telhado da colmeia.
  • Depois de 3 – 12 horas subsequentes aos procedimentos anteriores, colocamos um quadro com ovos e larvas muito jovens retirados de uma colónia que nos agrade e inserimo-lo no meio da câmara de criação situada no corpo superior. Devemos colocar uma marca neste quadro para o reconhecermos mais tarde.

O objectivo é que as abelhas amas produzam algumas realeiras nesta condição de semi-orfanização. Passados 8 a 9 dias inspecionamos os quadros deste ninho superior. Destruímos as realeiras que encontramos nos quadros não assinalados e/ou não nos agradem.

As etapas seguintes podem ser as mais variadas dependendo dos objectivos do apicultor. Esta técnica contribui ainda para a prevenção da enxameação e renovação de ceras no ninho. Utilizo frequentemente esta técnica, a partir do momento em que as temperaturas nocturnas rondem ou ultrapassem os 10-12º C, para produzir novos enxames.

8 thoughts on “um método muito simples para criar rainhas: a semi-orfanização”

  1. Muito obrigado pela informaçon.

    Dis que usas esta técnica (Demaree) nas tuas colmeias.

    -Algunha vez deixas nascer as novas raiñas e ainda se fecundar? Lin que bastaría disponer de uma piquera para que a raiña nova se fecunde, deste xeito o produto sería una colmeia plurireina. De ahí a xemelado vertical, renovación de raiñas ou obtençon do núcleo…

    -Que opinas de dividir a cámara da cima en dois o tres espazos con a suas piqueras a fin de obter tantos outros nucleos?

    1. Cfeni
      Quando utilizo esta técnica depois das realeiras iniciadas ou fechadas, e antes das rainhas nascerem, transfiro os quadros e abelhas para um núcleo ou colmeia fechada, que depois transporto para outro apiário. Quando existe oportunidade faço o enxerto de algumas realeiras para outros núcleos orfanizados.

      Não deixo as rainhas nascer porque ainda não tenho pranchetas modificadas com uma entrada/piquera. É um equipamento que pretendo construir tão rápido quanto possível. É muito útil para levar a cabo o que referes.

      Relativamente à tua segunda questão julgo que alguns apicultores são bem sucedidos com a técnica que referes. Nunca a utilizei.

  2. Boa noite Eduardo
    Parece ser uma excelente forma de desdobrar, creio que a utilização da 2ª grade excluidora por cima da meia alça apenas seja necessária se pretender chegar ao fim do processo ou seja deixar lá nascer as raparigas :-). O problema de quase todos os processos, para mim, é encontrar a rainha, ainda mais quando leio as várias formas de desdobrar todos falam em encontrar a rainha como fosse a coisa mais banal e fácil deste mundo. Quando preciso até parece que nem tem rainhas 🙂 pois só aparecem quando não as procuro e tenho procurado obviamente nos quadros com criação recente. Só pode mesmo ser falta de pratica , Cumprimentos

    1. Olá Fernando
      É verdade que às vezes as rainhas só aparecem quando não as procuramos.
      Eu e o meu empregado encontramos cerca de 80 a 90% das rainhas quando as procuramos. Não usar fumo ajuda e muito. Depois é procurar no quadro onde há ovos do dia ou no quadro adjacente. Não é garantido, mas as probabilidades são boas.
      Tenho um post já praticamente acabado com outra técnica de desdobramento em que não é necessário encontrar a rainha.

      A razão das duas grelhas excluidoras é para evitar que, caso me atrase por algum motivo, e não consiga fazer o desdobramento até ao 10º dia após o início da semi-orfanização, as rainhas que nasçam entretanto, não possam matar a rainha mãe. Com uma só grelha excluidora é possível, segundo os mais experimentados, as rainhas virgens matarem a rainha mãe lutando com ela e metendo o abdómen por entre as grades.

  3. Cumprimentos Sr. Eduardo
    O método utilizado pelo meu amigo André Halak responsável pelo melhoramento genético das nossas meninas na Lousamel.
    Criação de rainhas de modo continuo

    1 Utilizando uma colmeia lusitana 10 quadros.
    2 Dividir a colmeia em dois núcleos sobrepostos
    3 Grelha excluidora entre os núcleos
    4 Rainha no núcleo inferior.
    5 Câmara de criação superior orfanizada
    6 Colocação de quadro, criação de rainhas.
    7 Rodagem de quadros inferior/superior sempre que são retiradas as realeiras.(importante para impedir a enxameação).

    1. Viva Rogério!
      Parece-me muito bem este método com utilização de caixas núcleo. Desta forma aumentamos a densidade de abelhas no espaço disponível o que me parece dar boas garantia da qualidade das futuras rainhas.

      Como não sou muito dado ao faça você mesmo, pergunto se a Lousamel ou outra empresa comercializa excluidoras de rainhas em metal dedicadas a núcleos de 5 quadros do modelo Langstroth e do modelo Lusitana?

  4. Boa noite Eduardo.
    Há problema se nós colocarmos as Realeiras em núcleos no mesmo apiario, onde essas realeiras foram criadas?

    Cumprimentos,
    Carlos

    1. Carlos, está a pensar na ocorrência de consanguinidade?

      Julgo que não haverá problema se tiver um nível razoável de colmeias no apiário ou se houver apiários próximos. Eu já o tenho feito e não me tenho dado mal. Mas não tenho apiários com menos de 25 colmeias (com excepção do que tenho atualmente na zona de Coimbra) e a diversidade de famílias é grande. Por outro lado tenho apiários relativamente próximos uns dos outros (a poupança no gasóleo e no tempo são factores que cada vez mais me importam na sustentabilidade da minha operação). A somar a tudo junto ainda o facto de não realizar translarves o que tende a aumentar a diversidade. Se os realizasse o meu nível de preocupação seria outro, e procuraria trabalhar sempre com zângãos de outros apiários.

      Os translarves não têm só vantagens: são um factor de grande afunilamento genético. Hoje à tarde perguntava a mim mesmo quantos pequenos apicultores fizeram cursos de criação de rainhas por translarve e quantos destes os utilizam? Eu conheço uma mão cheia de apicultores que ainda “brincaram” durante uma temporada ou duas com o picking e o tranlarve e que deixaram de o fazer. Era bom ter estatísticas para avaliar com mais precisão o retorno do investimento nestes cursos e para avaliar a pertinência destes conteúdos em cursos direccionados a apicultores de pequena dimensão. É o Gilles Fert, um dos criadores de rainhas mais conhecido na Europa, que recomenda o translarve para quem deseje produzir mais de 200 rainhas ano. E assim vamos andando… atrás do canto da cigarra.

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