questões pós-tratamento contra a varroose

Como referi num post anterior este ano decidi antecipar os tratamentos de final de verão contra a varroose cerca de 2 a 4 semanas relativamente ao período utilizado nos dois anos anteriores. Como referi esta decisão advém de ter observado que em algumas colmeias os tratamentos colocados em finais de Agosto/início de Setembro eram já tardios (via aqui e ali abelhas com as asas deformadas, com criação calva e até um padrão de criação salpicada/dispersa nos quadros).

Este ano utilizei pela primeira vez o Bayvarol, coloquei as 4 tiras por colmeia como recomendado pelo fabricante. Na altura em que coloquei os tratamentos tive oportunidade de confirmar visualmente a ausência de danos na criação e abelhas pela varroose. Passados cerca de 2 a 3 semanas fiz uma inspecção visual às zonas de postura de algumas colmeias de vários apiários e não vi sinais de varroa. Fiquei relativamente descansado!

Cinco a seis semanas após a introdução das tiras tive a oportunidade de voltar a fazer a inspecção aos ninhos de algumas colmeias e com relativa surpresa encontro algumas colmeias com abelhas com asas deformadas. Decido fazer uma inspecção aprofundada a todas as minhas colmeias (cerca de 600) e encontro varroas em cima das abelhas em cerca de 20% das colmeias e nestas, em 4% a 5%, encontro um estado de infestaçãoo já bastante avançado (abelhas com asas deformadas e inúmeras abelhas com varroas agarradas ao seu corpo). Dos 11 apiários inspeccionados verifico que em dois deles tenho cerca de 30% a 40% das colmeias infestadas e em cinco apiários não vejo qualquer sinal de varroas nas colmeias. Nos restantes apiários encontro 10% a 15% de colmeias com varroas.

A minha questão inicial é:

  • se tenho apiários com 30 a 80 colmeias instaladas onde aparentemente o Bayvarol foi 100% eficaz como explicar que noutros apiários, com as mesmas dimensões, a eficácia tenha aparentemente sido de apenas 60% a 70%?

A outra questão é:

  • ­o que fazer diferentemente no próximo ano no tratamento do meio-final de verão?

Nota: comentando estes resultados com as técnicas da minha associação foi-me dito que outros apicultores associados apresentam resultados semelhantes aos meus (eficácia dos tratamentos numa boa parte das colmeias mas ineficácia em algumas outras) e com outros tratamentos e outros princípios ativos.

9 thoughts on “questões pós-tratamento contra a varroose”

  1. Boa tarde! A dois anos tratei com apistan, o ano passado usei o bayvarol e não resultou, passado um mês de ter tratado ainda via varroas em cima das abelhas!
    Tive que fazer outro tratamento com timol e resultou!

    1. Olá Eduardo!
      Este ano também acabei por fazer um segundo tratamento com amitraz e parece estar a dar muito bom resultado. Há dois anos e no ano passado tratei as colmeias no final de Agosto e no princípio de Setembro com Apivar. Em algumas colmeias fui encontrar duas a 3 semanas mais tarde varroas em cima das abelhas, tudo isto em apenas algumas colmeias (nunca encontrei até agora mais do que cerca de 20% de colmeias com varroa no pós-tratamento de final de verão). Voltei a aplicar Apivar nessas colmeias e passadas duas a três semanas deixei de ver varroas e o problema ficou resolvido. Este anos reflectindo sobre tudo isto fiquei convencido que teria começado demasiado tarde os tratamentos. Contudo este ano e vendo que se passou o mesmo e até de forma mais acentuada coloco muitas dúvidas a essa hipótese. Por outro lado a hipótese de ter varroas resistentes também não faz muito sentido no tratamento do ano passado, uma vez que o re-tratamento com o mesmo medicamento deu excelentes resultados umas semanas mais tarde. Este ano também me parece não fazer sentido pensar em varroas resistentes à flumetrina do Bayvarol uma vez que nunca a tinha utilizado.

      Uma constante que tenho verificado nos últimos 3 anos é que fazer um tratamento a meio/final do verão é indispensável nas minhas colmeias (são colmeias trabalhadas para produzirem bem e portanto desenvolvem muita criação na Primavera e início do Verão, e nestas condições a varroa tem boas oportunidades para aumentar substancialmente o seu número) mas começo a pensar que poderá não ser suficiente. Julgo que passarei a ter de fazer 3 tratamentos ano: dois tratamentos entre meados do verão e princípios do outono e continuar a tratar uma vez no final do inverno. Vou ter que analisar muito bem a informação que tenho acerca de todas as minhas colmeias para despistar conclusões apressadas e erradas e e esperar que consiga encontrar um padrão na aparente diversidade que me permita tirar as melhores conclusões, sempre as mais realistas e adequadas ao contexto em concreto e as menos orientadas por ideologias e/ou interesses comerciais.

  2. Pode acontecer é haver apiarios por perto muito afetadas e com a pilhagem tb transportam a varroa!
    Porque a maior parte dos apicultores ou ñ trata, ou se trata pensa que o problema ficou resolvido!
    E depois os enxames morrem e ficam admirados, e ñ encontram explicação para a sua morte!

  3. Olá Eduardo

    O seu problema e incertezas são as de todos nós .
    Há nas abelhas (colmeias) umas mais resistentes, outras menos, tal como as pessoas . As gripes e outras epidemias não afectam todos da mesma maneira.
    Atrevo-me a apresentar algumas das minhas convicções, que estão longe de ser verdades comprovadas :
    1 – Dos vários tratamentos procurar ir aplicando os melhores. A proliferação no mercado significa que, ainda, não se descobriu um tratamento verdadeiramente eficaz. Isto aconteceu com todas as doenças das abelhas e nossas, antes de serem dominadas .
    2 – Considerar que o ciclo de desenvolvimento das abelhas e das varroas estão relacionados, mas não se sobrepoem.
    De Jan/Fev até Maio/Junho, crescem abelhas e varroas, mantendo-se a % inicial, sensivelmente, igual.
    Em Julho o número de abelhas começa a diminuir e o número de varroas continua a aumentar até Novembro , aumentando a % destas . De Julho a Novembro é o período mais crítico. Um tratamento em Julho outro em Novembro parecem aconselháveis.
    De Novembro a Fevereiro , com fraco desenvolvimento de abelhas e varroas, a % de varroas mantêm-se estável .
    Em qualquer época colmeias , antes atacadas e debilitadas , podem morrer .
    3 – O ciclo de vida desde o ovo até adulta a pôr ovos é de cerca de 13 dias
    A eficácia do tratamento deve matar , pelo menos duas gerações sucessivas (~13 dias)) .
    4 – Penso que o uso excessivo de alimentação com açucar em substituição do mel, assim como a manutenção prolongada de colmeias fracas, reduzem o sistema imunitário expondo as abelhas a todo o tipo de doenças .
    Saudações e bons sucessos

  4. Olá Eduardo

    Aditamento :
    Sem pretender abusar do tempo de antena, venho acrescentar uma achega que me passou no comentário anterior e que, talvez, responda melhor às questões postas.
    Pierre Jean Prost, escritor, investigador e mestre de apicultura (recentemente falecido), descreveu muitas experiências científicas de apicultura, efectuadas no sul de França, com clima semelhante ao nosso e por isso, em boa parte, transponíveis.
    Numa recomendação breve, aconselha os apicultores a munirem-se de uma caixa de pronto socorro para as doenças das abelhas, quando das visitas de rotina aos apiários. Não sei se os apicultores que o leram seguiram o conselho.
    Eu, apliquei-o à escala reduzida. Nas visitas de rotina, fora dos tratamentos anuais contra a varroa (2 ou 3/ano), levo um frasco com solução de Timol + esponjas+seringa, para tratamento de eventuais colmeias que apresentem sintomas de Varrose.
    Muitas colmeias são salvas e outras, quando já é tarde, morrem.
    Será bom que os participantes do Blog façam ensaios e comuniquem os resultados. Todos ganharemos !
    Saudações

  5. José Marques
    Muito obrigado por ter enriquecido com os seus comentários este blogue.

    Infelizmente e com tristeza vejo que os nossos dois principais fóruns apícolas deixaram de ser um espaço partilhado/animado, e portanto reforço o apelo para que aqueles que entre nós desejarem tornar público no espaço deste blogue os resultados dos tratamentos contra a varroose que o podem fazer aqui.

  6. Bom dia! Eu este ano tratei com apitraz, ontem fui abrir as colmeias e estão limpas! Apenas em 2 uma abelha com as asas deformadas vão levar com timol!

  7. boas
    Fala-se sobre o melhor tratamento contra a varroa mas o principal tratamento e o tempo certo de fazer o tratamento e colocar o principio activo certo na hora certa que no entanto varia de ano para ano e de colmeia para colmeia, no entanto numa freguesia aqui perto de mim houve um apicultor ja velho-te que deixou a apicultura deixando cerca de 20 colmeias ao abandono resultado todos os apicultores dessa freguesia no espaço de 2 anos perderam cerca de 80% das colmeias e aos mesmo 100% ficando uma autentica confusão entre os apicultores, certo que esses apicultores teem em media cerca de 20 a 30 colmeias a partir desse caso aqui na minha zona fazemos os tratamentos todos na mesma altura ficando mais fácil na motorização das colmeias…Quanto ao comentário do Eduardo sobre timol é bom a matar a varroa e abelhas …. tratamento activo de acidos quando colmeia está muito contaminada actua mais rápido outro tratamento activo amitraz ja la vao mais de 10 anos nunca morreu mais de 5 colmeias

  8. boas
    Os tratamentos um tema muito complexo
    No entanto á enxames que combatem melhor a varroa que outros por isso a diferença entre uns e outros e claro vizinhos obcecados por não tratarem as seus enxames a tempo …
    Minha opinião

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