manipular a distribuição etária das abelhas para controlar a enxameação e preparar uma colónia produtiva

Neste post referimos que a distribuição desequilibrada da idade das obreiras é um dos factores despoletadores da enxameação. Julga-se que o número excessivo de abelhas nutrizes e abelhas cerieiras quando comparado com o número de forrageiras disponíveis pode ser o gatilho para o fenómeno da enxameação. Num outro post descrevemos um tabuleiro/prancheta especial que se pode utilizar para fazer o desdobramento vertical de uma colónia de abelhas (ver aqui) assim como os procedimentos para a sua utilização.

Neste post vamos analisar como a utilização deste tipo de tabuleiro (ou o seu sucedâneo mais sofisticado conhecido como tabuleiro de Snelgrove) permitem ao apicultor manipular a distribuição etária das abelhas de uma dada colónia, prevenindo a enxameação e, ao mesmo tempo, manter uma colónia produtiva.

A utilização deste tabuleiro simples tem assumido várias formas e objectivos, praticamente desde o surgimento da colmeia móvel, apresentada como nos diz a história da apicultura em meados da década 50 do século 19 (Langstroth patenteou a sua colmeia em 1852).

Com a utilização deste tabuleiro é possível desdobrar um enxame e simultaneamente prevenir a enxameação como já vimos. Para tal o timing desta operação deve ser escolhido com a maior atenção para que seja utilizado quando a colónia está muito desenvolvida, prestes a atingir o ponto do surgimento do impulso de enxameação, contudo antes de ter iniciado a construção de realeiras. Este procedimento serve perfeitamente a todo o apicultor que deseja aumentar o número de colmeias.

Para aquele apicultor que não deseja aumentar o número de colónias e procura primeiramente uma boa colheita de mel este tabuleiro também lhe pode ser muito útil. Este equipamento ajuda a manter uma colónia populosa estabilizada e preparada para um determinado fluxo importante de néctar. Tal é conseguido através de um conjunto de etapas que permitem num primeiro momento a separação parcial dos indivíduos de uma colónia e, mais tarde quando a febre da enxameação tiver abrandado, a sua posterior recombinação de modo a conseguir uma colónia poderosa, equilibrada e com um grande número de obreiras, garantia necessária para uma boa produção.

A teoria que nos permite compreender as razões deste tabuleiro funcionar defende que a enxameação resulta do excesso de abelhas nutrizes numa colónia em relação ao número de larvas que precisam de ser alimentados e favos a construir. Sabemos que este tabuleiro permite isolar parcialmente um número apreciável de abelhas nutrizes na zona superior da colmeia juntamente com a rainha. No andar debaixo do tabuleiro ficará um outro grupo de abelhas nutrizes juntamente com a maior parte das abelhas forrageiras. Como as abelhas da caixa inferior estão orfãs não enxamearão. Na caixa superior, todos os inputs que as abelhas recebem lhes indicam que enxamearam. Senão vejamos com mais detalhe: a sua população é largamente constituída por abelhas nutrizes com poucas forrageiras; o seu número é menor; estão numa casa com cheiro a novo, e têm a sua rainha. Com esta manipulação o apicultor simulou com grande aproximação os inputs que as abelhas recebem quando enxameiam. Se lhes parece que enxamearam vão acreditar que de facto enxamearam e, sendo assim, não enxamearão, pelo menos tão cedo.

Mais tarde, quando o apicultor entender oportuno, quando já se aproxima do fim a época da enxameação reprodutiva pode voltar a unir a colónia, bastando para isso remover o tabuleiro.

Nota: não esquecer que na zona inferior orfanizada, muito provavelmente, irão ser construídas realeiras que deverão ser aproveitadas ou destruídas de acordo com as necessidades de cada um.

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