como atrasar a enxameação

A enxameação é um processo natural, inevitável, com o qual, mais tarde ou mais cedo, todo o apicultor se vê confrontado. Estar preparado é a chave para prevenir e/ou controlar o processo da enxameação. Ainda que por vezes não consigamos evitar a enxameação, contudo é possível atrasá-la. Atrasar a enxameação pode ditar a diferença entre não colher mel nenhum na estação ou, caso sejamos bem sucedido, colher algum mel, o suficiente para pagar o que investimos durante o ano naquela colónia.

As diversas técnicas disponíveis para prevenir e/ou atrasar a enxameação, em grande parte giram em torno de fornecer espaço adequado à colónia, abrandar a velocidade de crescimento da sua população ou simular artificialmente a enxameação, com a aplicação de diversas técnicas, as mais conhecidas desenhadas por Demarée e por Snelgrove.

A chave para o sucesso da prevenção ou atraso da enxameação roda muito em torno do momento e da intensidade com que a intervenção do apicultor é exercida.

No caso dos meus apiários na beira, as colónias mais fortes atingem os 6-8 quadros de criação na primeira quinzena de março, graças à entrada abundante de pólen que se inicia em fevereiro a juntar a um fluxo lento de algum néctar que surge por esta altura. Estas colónias fortes convivem no mesmo apiário com algumas outras que saíram menos povoadas do inverno. Estou-me a referir a colónias que nesta primeira quinzena de março apresentam 4-6 quadros de abelhas e 2-4 quadros com criação. O facto de os meus apiários apresentarem estes desequilíbrios permite-me, através da equalização, retirar força às colmeias que me parecem prematuramente fortes e dar alguma dessa força às minhas colmeias mais fracas.

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Fig. 1 — Quadro com muita criação operculada a utilizar no processo de equalização

Assim as colmeias mais débeis que eu entendo que ganham com a equalização recebem um quadro com muita criação operculada, quadro este fornecido pelas mais fortes. As primeiras são reforçadas com 4000-5000 abelhas novas e as últimas ficam descongestionadas dessa população de abelhas que poderiam vir a ser o gatilho para uma enxameação precoce, ainda durante a primeira quinzena de abril. Em simultâneo ofereço espaço no ninho às rainhas destas colónias mais fortes. Em regra nas colónias mais fracas encontro pelo menos um quadro ainda vazio com muito boas áreas de postura. Este recurso inestimável, colocado no ninho das colmeias mais fortes, permite-me criar um novo espaços de postura tão necessário nestas colónias. A juntar a esta acção, no mesmo dia ou poucos dias depois, adiciono espaço no topo da colmeia, com uma alça ou meia-alça. Este espaço adicional será usado para armazenar o néctar quando necessário, evitando o bloqueio dos preciosos alvéolos nos quadros do ninho.

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Fig. 2 — Quadro vazio puxado com excelente área de postura

8 comentários em “como atrasar a enxameação”

  1. Boa tarde Sr. Eduardo!
    Este post pode parecer de menor importância, mas para quem se está a embrenhar nas atividades apícolas, ainda com baixo efetivo e curta experiência, revela-se de primordial importância, o seu conteúdo. Pratico o maneio aqui relatado e devo dizer que tenho tido bons resultados com isso. Para uma colónia à saída do inverno com 3 quadros de abelhas, poucas reservas, um pequeno disco de criação, ser acondicionada num núcleo ou aconchegada num lado da colmeia com um separador, ser ajudada com um quadro de criação operculada quase a nascer e alimentada, pode representar a sua salvação e recuperação. Deixo esta ideia: “afinal dá trabalho e despesa ter boas colmeias!”

  2. Viva Dias

    É com muita satisfação que recebi o seu comentário. Cada vez mais acho que o “bem fazer” apícola está em operar de forma simples.
    Para além disso o trabalho e a despesa são inevitabilidades para quem deseja ter colmeias sãs e produtivas. Exactamente como diz!
    Um abraço!

    1. Nós leitores é que temos de agradecer a disponibilidade do Eduardo para escrever sobre apicultura! Já agora, escrevo aqui umas palavras que me caracterizam como “apicultor”, para que se perceba melhor a minha forma de encarar a apicultura, por hobby. Iniciei-me nesta “arte” apenas há 3 anos, pelo que a experiência é muito curta. Não sou, nem pretendo, ser profissional, nem tenho nenhum projeto para receber apoios. Comecei por experimentar pela experiência, pela curiosidade, pela aprendizagem, pelo saber fazer, pelo património cultural que a apicultura encerra e pelo meu gosto pelo campo e outras atividades agrícolas. Um velho apicultor da minha terra disse-me numa conversa inicial: “olhe que quem se mete com as abelhas nunca mais as larga”, torna-se um vício, disse! É isso que está a acontecer comigo! Pelo que as leituras e conversas apícolas têm sido muitas e neste momento já é o meu principal hobby. Termino dizendo que é com grande prazer e satisfação que consulto o seu blog e leio as suas opiniões, experiências e conselhos.
      Um abraço Eduardo!

        1. Boa tarde, Sr. José Manuel!
          Na maior parte das vezes vai com as abelhas aderentes, após ter a convicção que a rainha não se encontra nesse quadro. Sabemos que as rainhas andam mais habitualmente nos quadros com ovos ou com espaço para ovoposição. Mas não há regra sem excepção. Para evitar dissabores procuro certificar-me que a rainha está noutro quadro ou, se pretender ser mais rápido, dou uma primeira sacudidela leve a este quadro para que as abelhas mais velhas caiam dentro da colmeia, depois deixo-o alguns segundos pendurado no levanta-quadros para algumas abelhas mais velhas levantarem vôo e faço por fim a sua inspecção até estar convicto que a rainha não está no quadro.No final introduzo este quadro com as abelhas aderentes, em regra as abelhas amas, na colmeia menos forte. Cumprimentos.

  3. Bom dia
    Para mim a apicultura é um “hobby”, com poucas colmeias e pouca experiência.
    Há tempos coloquei uma tela excluidora de rainhas, comprada numa loja de apicultura, sobre o ninho para evitar a postura na alça e criar as larvas aí existentes, para poder substituir os favos que já tinham alguma idade. Foi com espanto e tristeza que verifiquei na revisão seguinte (20 dias),que se encontravam muitas abelhas mortas sobre a grade excluidora cobrindo-a quase na totalidade.
    Não sei qual a razão, mas experimentando colocar a tela na entrada sobre o alvado, verifiquei a dificuldade que as campeiras tinham em entrar, não entrando, mas procurando a zona lateral para entrar.
    Será que a tela tem as aberturas muito estreitas? Gostaria que alguém conhecedor e experiente me pudesse esclarecer.
    Desde já obrigado, pois tenho aprendido muito com este blog e parabéns ao seu autor.
    Cumprimentos

    1. Boa noite, Abaptista!
      O mais provável é que as “abelhas” que encontrou mortas sobre a excluidora se tratassem de zângãos. Estes não passam através da grade excluidora, e se calham a nascer nas alças por cima da mesma muitos acabam por morrer. O espaço utilizado nas grades excluidoras e que permite a passagem das abelhas e impede a passagem da rainha é de 4,1mm a 4,3mm. Pode com estas medidas verificar se a grade excluidora que utilizou está bem construída. A grade/tela excluidora no alvado não se utiliza muito porque não permite a passagem de abelhas carregadas de pólen e impede a passagem dos zangãos para o exterior.
      Cumprimentos.

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