debaixo do sol: fim do inverno?

A cerca de um mês do fim oficial do inverno, nestes dias já cheira e bem a primavera.

Aproveito para fazer um breve balanço do estado das coisas nos meus apiários na beira alta e no meu apiário na beira litoral.

Acerca das minhas colmeias na beira alta:

  • em cerca de 600 colmeias a mortalidade até à data pouco ultrapassa os 2,5% (16 colmeias eliminadas até à data de hoje);
  • cerca de 60% destas colmeias apresentavam sinais de mortalidade por efeitos da varroa e, sobretudo, dos vírus por elas veiculados, em especial o vírus das asas deformadas;
  • as restantes 40% apresentavam sinais claros de orfandade, que nesta época do ano redunda inevitavelmente num estado zanganeiro;
  • cerca de 30% a 40% destas 600 colmeias estão a “pedir” espaço. Num primeiro momento irei colocar as primeiras meias-alças com ceras puxadas, por forma a garantir nestas colmeias mais desenvolvidas o espaço necessário para armazenarem os néctares iniciais,  assim como espaço para postura no caso das colónias com rainhas excessivamente prolíferas;
  • continuei a renovar a alimentação com fondant nas colónias que sinalizaram essa necessidade. A mortalidade no final do inverno/início da primavera está muito associada à falta de alimento em quantidade suficiente para suprir o crescimento explosivo de criação e abelhas, típico nesta altura do ano nos meus apiários na beira alta. Esperar o melhor mas estar preparado para o pior foi um lema há muito aprendido e que me tem trazido um bom retorno.

E na beira litoral… onde tenho 10 colmeias e um núcleo

Pouco mais de um mês depois da minha última visita, estive hoje neste pequeno apiário e venho de lá com um sentimento muito positivo, por ter feito tudo o que levava planeado fazer. Simultaneamente confirmei a excelente resposta das minhas abelhinhas ao apoio que lhes tenho dado, ainda que a intervalos relativamente longos. Passo a concretizar:

  • em todas as colmeias não vi sinais absolutamente nenhuns de varroa; as tiras de apivar colocadas à cerca de um mês estão a fazer o seu trabalho;
  • cerca de 70% das colmeias (7 em 10) aproximaram-se do pico máximo da população (40 000-45 000 abelhas), enchendo de abelhas o ninho e sobreninho igual ao ninho, nos dois modelos de colmeia que utilizo: langstroth e lusitana;
  • não vi sinais alguns de enxameação; a resposta positiva ao espaço que antecipadamente lhes dei nos últimos dois meses convencem-me cada vez mais que num fluxo longo e lento, como o que caracteriza o local em que as minhas colmeias estão, a enxameação é perfeitamente controlável (o mesmo não direi nos fluxos muito intensos e por norma curtos, como os da beira alta);
  • com recurso a 4 tabuleiros divisores e a 4 caixas núcleo iniciei hoje a formação de oito novas colónias neste apiário;
  • correndo tudo normalmente vou conseguir entregar em breve os primeiros 8 núcleos que me foram solicitados nos últimos dias por dois apicultores.

Voltando à beira alta: apesar dos dias primaveris não esqueço que o inverno ainda só vai a 2/3 e que a entrada da primavera, dentro de um mês, nem sempre traz dias primaveris. Todas as minhas colmeias que não morreram (98%) podem morrer em grande quantidade nestes dois próximos meses se as reservas forem escassas. Vencida a batalha na fase aguda da varroose, a minha atenção agora, mais do que noutra qualquer época do ano, está focada nos suprimentos (mel em particular) que as minhas colmeias têm ou não têm.

Debaixo do sol: fim do inverno? Quem sabe verdadeiramente?

14 thoughts on “debaixo do sol: fim do inverno?”

  1. Olá Eduardo,

    Pelo que observo do post vejo que a sua exploração corre de acordo com o esperado para a altura do ano. Só uma questão, devido ao tamanho da beira alta, e com tanta diferença em termos apícolas que pode existir dentro dela, tenho uma questão, os seus apiarios situam-se para o lado da beira interior ou para o lado beira litoral?

    Cpts,
    Bruno Silva

    1. Viva, Bruno!
      Enviei-lhe um e-mail com a resposta à sua questão.

      Estou certo que todos compreenderão que neste espaço não desejo ser mais detalhado do que o que tenho sido relativamente à localização dos meus apiários, mesmo considerando as medidas de segurança que tenho instaladas.

  2. Compreendo Eduardo, hoje em dia os (ini)amigos do alheio são uma das grandes preocupações da maioria dos apicultores. Relativamente à minha questão, prendia-se com facto de ainda estar a reforçar a alimentação ainda com pasta, mas agora entendo que estamos a falar de realidades diferentes.
    Na minha zona também na beira alta, abunda o eucalipto, no entanto, devido ao tempo que se fez sentir até agora não se fez notar grande coisa até porque os 500-600 metros de altitude tem os seus “q’s”.

    Porém com as previsões para os próximos dias, fazendo contas e ao olhar para o calendário, é tempo de puxar por as colmeias. Na minha zona agora começam-se a suceder as florações, as primeiras já começaram (eucalipto, tojo, mimosas, Saramagos, grelos etc) pelo que neste fim de semana retirei os sacos vazios que tinha colocado com pasta e comecei a estimular.
    É certo que as colmeias depois dos dias invernosos que passaram estão leves, e ao mínimo descuido podemos ter problemas de subnutrição, mas também é certo que olhando à dimensão média das colónias neste momento, serão precisos uns bons 45 dias, ou em alguns casos mais, para que entrem em modo produção. Desta feita, como o objetivo é produzir mel, queremos colónias fortes o suficientemente cedo para tirar proveito das florações, e não usá-las unicamente para puxar cera nas meias alças, e quando estão preparadas para “arrumar” néctar já não o há, ou as condições não o permitem! Então é uma decisão difícil, estimular ou não estimular? Riscos? Que os há, há! Não estivesse o tempo todo trocado.
    Resta não parar, alimentar, alimentar, alimentar, até que o São Pedro dê uma mãozinha, já que o ano passado foi tão madrasto (não para todos, mas para a maioria 🙂 )

  3. Boa noite Sr. Eduardo

    Estou a contacta-lo porque fui a uma formação de instalação e produção do maracujá roxo e quando foi abordado o tema polinização foi-me dito que faziam através de uma caixa de “bombus terrestris” por hectare. Na altura, perguntei à formadora porque não utilizavam outra raça de abelhas ao qual ela respondeu: ” não utilizamos porque estragam as flores e porque não fazem a polinização que pretendemos”.
    Claro que não fiquei totalmente esclarecido, daí lhe enviar este mail porque, com a sua experiência e conhecimento, talvez me consiga esclarecer.
    Agradeço resposta.
    Cumprimentos

  4. Boa noite,
    Tenho uma dúvida relativamente ao Apivar, em colmeias fortes com ninho e sobre ninho cheio de abelhas, quantas tiras de Apivar coloca, 2 no ninho ou coloca 1 no ninho outra no sobre ninho. Obrigado

    1. Pedro, de acordo com o fabricante devemos aplicar uma tira de Apivar por cada 5 quadros com abelhas. No caso de uma colmeia Langstroth ou Lusitana, com 20 quadros de abelhas (ninho e sobreninho) coloco 4 tiras de Apivar.

  5. Olá Eduardo

    Relativamente à questão posta por Bruno Vieira sobre a polinização do Maracujá Roxo, da consulta que fiz por curiosidade, tirei algumas conclusões pessoais. A planta é auto fértil, com flores grandes . Além das pétalas e filamentos tem 5 anteras ( pólen) e por cima, a alguma distância, 3 estigmas (parte feminina).
    A polinização é um dos aspectos melindrosos da cultura, sobretudo por a flor só estar receptiva apenas durante um dia e exigir a presença de elevado número de insectos ( abelhas, vespas, abelhões etc.).
    Conclusão final (para cada um a sua verdade) : Se for amador e tiver Maracujás no quintal, haverá insectos para os polinizar. Se for profissional e não quiser correr riscos, é melhor fazer contas e comprar ou criar abelhões ou mesmo preparar-se para fazer a polinização manualmente.
    Nota final as abelhas não retiram néctar, mas apenas pólen, sem grande contacto com os estigmas e por isso a polinização será menos eficaz do que a dos abelhões.
    Palavras de amador de abelhas e de maracujás .
    Saudações

    1. Obrigado José Marques. Com estes dados fica mais claro porque razão as abelhas não são o polinizador mais eficiente do Maracujá Roxo.

  6. Olá Sr. José.

    Obrigado pelo esclarecimento. No entanto, em relação a outras culturas… ex: mirtilo, framboesa, kiwi, entre outras… associar essas produções à apicultura, é possível/viável?
    Pergunto isto porque acho interessante associar as culturas agrícolas à apicultura e não tenho experiência nem informação a esse nível porque, tenho ideia, que em Portugal pouco se prática e gostaria de saber mais acerca deste tema em específico, daí ter colocado o post no blog do Sr. Eduardo.

    Agradeço resposta.

    Cumprimentos a todos.

  7. Olá Eduardo

    Gostava de dar uma resposta directa e satisfatória ao Senhor Bruno Vieira, mas não sendo especialista nas culturas de mírtilo, framboesa, Kiwi e outras, nem em polinização, nem em apicultura, limito-me a dar indicações gerais que possam servir para início de um conhecimento mais aprofundado.
    1 – Será possível via internet, fornecedores ou produtores saber se estas plantas são boas produtoras de nectar e/ou pólen. Isto é se são visitadas pelas abelhas.
    2 – A polinização, em geral, é feita pela queda dos grãos de pólen das anteras para os estigmas, pelo transporte pelo vento ou pela agitação dos insectos quando visitam as flores.
    A Naturesa é pródiga e produz por cada flor milhares de grãos de pólen quando na polinização basta um pequeno número.
    Na polinização industrial com abelhas, utilizada há muitos anos nos pomares dos países mais avançados, usam-se algumas regras que resultam :
    – Saturar o pomar com um certo número de colmeias, por hectare, dispostas em posições estratégicas.
    – ceifar as plantas mais melíferas dos arredores.
    – pulverizar as plantas a polinizar com água aromatizada e ligeiramente açucarada.
    – usar outros truques de mestre para iludir as abelhas e que por vezes resultam.
    3) As abelhas são muito selectivas na escolha das plantas. Isto é, em cada zona procuram, em primeiro lugar, as flores mais ricas em néctar (quantidade e concentração) e/ou pólen e mais próximas da colmeia .
    Há plantas que são visitadas numas regiões e noutras não, porque há nestas outras plantas mais apetecíveis.
    É aconselhável perguntar aos apicultores veteranos quais as plantas melíferas e datas de floração da zona.
    Em relação ao início de culturas novas é possível fazer ensaio/s à escala reduzida: cultivar algumas plantas, no local, e verificar se as abelhas as procuram. Se poisarem nessas flores o teste é positivo.
    Saudações e Votos de progressos.

  8. Bom dia Sr. Eduardo.

    Muito obrigado pela ajuda no esclarecimento e indicação na estratégia de pesquisa.
    Quando tiver mais informação acerca do tema “polinização”, partilharem com vocês.

    Saudações apicolas.

    Cumprimentos

  9. Olá Eduardo

    Não querendo exceder os limites, gostaria de acrescentar uma informação que me parece importante.
    Quando referi que a polinização tem resultado, há muitos anos, em países de agricultura avançada, estava a pensar nos países emergentes dos ex-impérios europeus ( Brasil, Argentina, USA etc. ), onde os pomares têm grandes dimensões e neles as abelhas ficam confinadas em raios superiores a 1,5 Km.
    Em Portugal, com pomares de menores dimensões, não basta eliminar as plantas melíferas sob as plantas, todas as zonas circundantes são concorrentes e os resultados da polinização são falíveis.
    Na polinização em estufas, em que esta diferença de escala não conta, talvez possamos competir, haja conhecimento, vontade e dinheiro.
    Saudações

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