tratamento intermédio contra a varroose: resposta a quatro questões

No decurso de duas das últimas publicações, onde refiro a execução de um tratamento intermédio contra a varroose, têm surgido no meu e-mail e na caixa de comentários do blog basicamente quatro tipos de questões e comentários:

  • que medicamento estou a utilizar;
  • onde adquiri esse tratamento;
  • por que razão faço este tratamento intermédio;
  • que resíduos deixa no mel se aplicado durante o fluxo e com meias alças nas colmeias.
Colocação das tiras de cartão com ácido oxálico impregnado em glicerina.

Resposta à primeira questão: estou a utilizar tiras de cartão com ácido oxalico impregnado em glicerina. Estas tiras são fabricadas pela empresa polaca Lyson.

Resposta à segunda questão: adquiri estas tiras na Golden Bee, situada em Mira.

Resposta à terceira questão: no plano de tratamentos contra a varroose deste ano achei que devia experimentar fazer um tratamento intermédio, com vista a manter a taxa de infestação baixa até à colocação do último tratamento do ano e, em simultâneo, eliminar eventuais varroas resistentes ao amitraz, princípio activo dos dois tratamentos principais com Apivar, tratamentos que inicio no final de janeiro e na primeira semana de agosto.

Resposta à última questão: sobre a questão dos resíduos deixados no mel por estas tiras, deixo a tradução de um excerto de um estudo científico, referenciado por mim em 2016 nesta publicação. “

Detecção de ácido oxálico em abelhas, mel e cera de abelha.
A Tabela III resume as medições de ácido oxálico (AO) em todas as amostras tiradas antes e depois do tratamento. O teor de ácido oxálico natural variou entre 2,5 e 33,8 mg / kg. Não houve aumento no teor de ácido oxálico do mel, cera e abelhas após os tratamentos, em todos os três ensaios (P> 0,05). Todas as amostras de abelhas e cera de abelha foram negativas antes e depois do tratamento com AO.
[…] A maioria dos vegetais contém quantidades muito maiores de ácido oxálico do que o mel, então a ingestão diária total é insignificante. Assim, do ponto de vista nutricional, o ácido oxálico deve, como o ácido fórmico, também ter um status geralmente reconhecido como seguro (GRAS — generally recognized as safe). Além disso, nenhum resíduo significativo é esperado após os tratamentos com ácido oxálico, conforme demonstrado em nossa pesquisa. Na verdade, não há risco de resíduos de mel após todos os tipos de tratamentos com ácido oxálico (Radetzki 1994; Mutinelli et al. 1997; Del Nozal et al. 2000; Bernardini e Gardi 2001; Radetzki e Barmann 2001; Bogdanov et al. 2002). — fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s13592-015-0405-7

Desde 2016 que conheço estes dados. Desde 2014 que acedi e acedo a informação, acessível a todos nós, reveladora da tremenda falta de informação no que concerne aos resíduos deixados pelas tiras de Apivar no mel. Tenho uma grande preocupação e sensibilidade para a questão dos resíduos dos acaricidas no mel; passei horas e horas a pesquisar, ler, comparar e reflectir sobre este assunto. Por esta razão peço a melhor compreensão para uma resposta eventualmente mais impaciente a um ou outro comentário no FaceBook, quando sou interpelado por alguém que “sabe tudo” sobre resíduos dos acaricidas, sem ter lido uma linha sequer sobre este assunto, repetindo acriticamente chavões. Sobre este e outros assuntos a minha opção é clara: na dúvida informo-me em fontes fidedignas e de preferência em fontes sustentadas em dados experimentalmente controlados; em fontes não influenciadas por interesses comerciais evidentes; em fontes que resistem à persuasão de seguir um “meme” acriticamente, que resistem a papaguear o que a maioria diz, que utilizam a sua cabeça para decidir o seu caminho e inspirar outros.

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
” Cântico Negro, José Régio

3 comentários em “tratamento intermédio contra a varroose: resposta a quatro questões”

  1. Viva!!

    Já estive a ler quer toda informação recomendada relativamente a este tratamento, assim como os estudos efectuados, que serviram na perfeição para complementar o meu conhecimento e a responder algumas das minhas dúvidas.
    Excelente!!

    Cumprimentos

  2. Obrigado!! Foi bastante didáctico e esclarecedor de muitas das minhas dúvidas!
    Gostei bastante do toque de poético dando beleza ao caminho…
    “…
    A minha vida é um vendaval que se soltou,
    É uma onda que se alevantou,
    É um átomo a mais que se animou…
    Não sei por onde vou,
    Não sei para onde vou
    Sei que não vou por aí!” Cântico Negro, José Régio

    Um abraço

  3. Lutando contra Varroa no verão sim
    Sim, especialmente no verão a luta contra Varroa é muito importante.
    Enquanto a população de Varroa no inverno é pequena, quanda a rainha começa a procriar e chegando ao verão depois de várias gerações de abelhas, as ′′ Varroas ′′ agora são demais.
    A desova da rainha diminui no verão, de modo que as Varroas agarram-se sobre as abelhas e espalham-se rapidamente e enfraquecendo a colmeia.
    Quando as abelhas estão fracas, então vem o próximo problema, chamado Nosemose.
    Então temos, Varroa e Nosemose juntos. Tratar no verão SIM

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