desvendando a intimidade de uma colónia em produção

Ontem, 28 de junho, fui ao meu apiário das lusitanas (a 600 m de altitude) aplicar o tratamento intermédio contra a varroa. Para tal tive de desmontar todas as colónias ali assentes para chegar ao ninho. Aproveitei a oportunidade para fotografar a intimidade da primeira colónia que desnudei.

Vista geral do apiário. Entre colónias só no ninho, enxames novos, estão as colónias dedicadas à produção. A colónia que fotografei na sua nudez é a que está mais à direita da imagem no assento mais próximo, com ninho, excluidora de rainhas, sobreninho e duas meias-alças/alças.

Do topo para a base vou expor gradualmente a sua intimidade, despindo-a suave e prazerosamente.

Meia-alça (alça) do topo, com ceras laminadas, à espera que uma espécie de milagre aconteça, e puxem a cera e ainda a encham com o que resta dos néctares da silva, cardos e dos néctares e melada do castanheiro.
Primeira meia-alça, logo por cima do sobreninho, cheia a três quartos. Esta meia-alça foi colocada com ceras laminadas.
Quadro lusitano com mel novo, operculado de travessão a travessão. Os outros 9 estão mais ou menos na mesma.
Grelha excluidora, que confinou a rainha ao ninho desde 15 de abril.
O quadro 10, com reservas, ainda que se não vejam ; ) ….
Um quadro representativo dos 8 quadros com criação presentes nesta colónia.
Ainda que o fabricante (Lyson) recomende a colocação de 4 tiras de cartão com ácido oxálico embebido em glicerina, estou a colocar apenas três… afinal este é visto por mim como um tratamento intermédio para evitar a subida da taxa de infestação e eliminar varroas eventualmente resistentes ao amitraz.
Depois foi voltar a vesti-la…
As datas históricas desta colónia: foi transferida do apiário PR (a 900 m de altitude) para o apiário RAT (a 600 m de altitude) em 09-03; em 29-03 coloquei-lhe o sobreninho; a rainha foi confinada ao ninho através de excluidora a 15-04. Foi utilizada diversas vezes para fornecer quadros e abelhas para os desdobramentos/multiplicação de colónias que efectuei. À data de ontem tem cerca de 40 kgs de mel para fornecer ao cuidador.

8 comentários em “desvendando a intimidade de uma colónia em produção”

  1. Parabéns!
    Como uma técnica tão bucólica se pode tornar numa linda metáfora do prazer! Afinal a apicultura é uma arte cheia de erotismo.
    Bela escrita!

  2. Muitos parabéns pela constante partilha deste tipo de maneio que me encanta, e sendo eu novato pretendo usar muito deste tipo de maneio num futuro próximo.

    Relativamente a esta publicação, gostaria de saber onde posso encontrar mais informação sobre este tratamento intermédio (cuja principal vantagem é evidente), referido como “recomendado” pela Lyson?

    Sendo executado durante a entrada de néctar na minha opinião é um pouco controverso a sua utilização!! Compreendo ainda que o ácido oxálico seja um ácido orgânico, presente em pequenas quantidades na constituição natural do mel, e que o tratamento implique um acréscimo insignificante e imperceptível para o consumidor, continua a ser um tratamento durante a entrada de néctar.

    Cumprimentos

    1. Viva, Elias! Acerca deste aspecto mencionado no seu comentário “Sendo executado durante a entrada de néctar na minha opinião é um pouco controverso a sua utilização!! Compreendo ainda que o ácido oxálico seja um ácido orgânico, presente em pequenas quantidades na constituição natural do mel, e que o tratamento implique um acréscimo insignificante e imperceptível para o consumidor, continua a ser um tratamento durante a entrada de néctar.” conto fazer amanhã uma publicação. Sobre o tratamento pode ler neste blogue introduzindo as palavras chave “Aluen CAP” no campo “pesquisar”. O Aluen CAP e o medicamento fabricado pela Lyson são idênticos. Cumprimentos.

    1. Viva Miguel! As tiras de cartão com ácido oxalico, fabricado pela polaca Lyson, são comercializados pela Golden Bee (Mira) do Bruno Cartaxo. Cumprimentos.

  3. Boa tarde, gostaria de saber como tem corrido a sua experiência com as tiras de cartão com ácido oxalico. Pergunto isto porque o ano passado experimentei utilizar este tipo de tratamento, mas misturado em xarope e os meus resultados foram desoladores, para além de não ter tido grande efeito na varroa, houve uma série de colmeias em que morreu muitas abelhas acabando por no Inverno o enxame morrer. Assim gostaria de saber como tem sido a sua experiência até aqui com este tipo de tratamento, e se não teve problemas com a utilização do mesmo. Desde já o meu obrigado, e parabéns pelo blog, acredito muito sinceramente ser uma enorme ajuda para quem se quer iniciar nesta arte.

    1. Boa noite, Daniel! Esta experiência está no inicio, ainda é muito cedo para fazer qualquer apreciação acerca deste tratamento. Muito obrigado. Cumprimentos!

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