perdas de colmeias em três regiões francesas no inverno de 2019-2020: dados, análise e discussão

Esta publicação, com a tradução de excertos do mais recente relatório da Chambre d’Agriculture d’Alsace acerca das perdas de colónias de abelhas ocorridas no inverno de 2019-2020 nas três regiões da região Grand Est (Alsace, Champagne-Ardenne et Lorraine), segue uma tradição já com vários anos de atenção dada aos excelentes relatórios produzidos por esta Câmara — seguindo as hiperligações encontram as traduções de sucessivos relatórios publicados em 2016, 2017 e 2018.

Aspectos gerais do relatório: 1) apresenta a quantificação objetiva da perda de colmeias no inverno 2019-2020, a partir das respostas recolhidas pelo inquérito enviado aos apicultores da região; 2) identifica os factores relacionados com perdas elevadas, a fim de sugerir cursos de ação para minimizá-los.

Ponto 1), responderam perto de 1 000 apicultores que invernaram perto de 40 mil colónias. Destas, morreram durante o inverno 9,3%; ficaram zanganeiras ou demasiado fracas para produzirem 9,2%. 81,5% estavam em boas condições à entrada da primavera de 2020.

Ponto 2), ao comparar as perdas sofridas pelos apicultores de acordo com alguns parâmetros, o relatório estabelece que há:

  • 2.1) correlações fortes entre as perdas e o medicamento escolhido contra o Varroa, assim como com a data de início do tratamento contra o Varroa;
  • 2.2) correlações fracas entre perdas e o número de colónias por apicultor, áreas geográficas dos apiários, transumância, renovação de rainhas, presença de sintomas de “varroa”, alimentação;
  • 2.3) correlações inexistentes entre perdas e número de colmeias na vizinhança, presença do vespão asiático, estado das colónias e recursos alimentares disponíveis.

Aspectos mais específicos do relatório: no decurso da minha experiência de uma relativa ineficácia do segundo tratamento anual com Apivar — esta ineficácia não significa necessariamente varroas resistentes; não tenho dados para o confirmar ou infirmar — vou procurar testar em 2021 uma estratégia mista, com utilização de princípios activos sintéticos e não-sintéticos (químicos todos são!). Neste contexto, os dados apresentados no relatório interessam-me mais que nunca, em especial os relativos à eficácia dos medicamentos não-sintéticos utilizados pelos apicultores desta região francesa.

Das três famílias de medicamentos não-sintéticos o MAQS (baseado em ácido fórmico) está associado ao menor número de perdas invernais (13,8%). Os medicamentos à base de timol e o Varromed estão associados a resultados menos bons, 38,4% e 40,2% de perdas invernais, respectivamente.

Talvez pelo facto de o Varromed ser um medicamento recente e, ao mesmo tempo, ter sido aquele que foi utilizado pelo maior número de apicultores em modo “bio”, no universo dos que responderam ao questionário, o relatório é mais pormenorizado e analítico, distinguindo estes dois cenários: entre os apicultores que referem que utilizaram o Varromed desde a primavera e utilizaram também no verão, como indicado pelo fabricante — fazer cerca de 10 aplicações ao longo do ano — as perdas invernais foram de 29%; entre os apicultores que o utilizaram somente no verão as perdas no inverno 2019-2020 foram de 54%. À luz destes dados os relatores recomendam que o Varromed não deve ser usado “no final da temporada” como se de um tratamento convencional se tratasse.

fonte: https://www.adage.adafrance.org/downloads/documents%20ressources/2020_synthese_enquetes_printemps_2020_grand_est_vfinale.pdf

Nota: uma vez mais importa-me realçar que uma correlação não implica causalidade.

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