desdobramento vertical de uma colónia de abelhas

Vou descrever um método simples e orgânico de desdobramento de colmeias que me parece estar ao alcance de todos nós. Nunca o utilizei mas conto passar a utilizá-lo este ano, entre outros métodos, para aumentar o meu efectivo. Fica em baixo a sua descrição para quem desejar experimentá-lo. Se alguém já o experimentou agradeço que nos dê o seu feedback. No final da época dos desdobramentos conto voltar a este tema, com uma avaliação acerca dos seus prós e contras.

O desdobramento vertical descreve a divisão de uma colónia de abelhas em duas — uma fica com a rainha mãe, a outra fica sem rainha, isto é, fica orfã — na mesma colmeia e sob o mesmo teto, com as condições e intenção de permitir que a parte orfã crie uma nova rainha . Se o processo for bem sucedido, acabaremos com duas colónias: a colónia original com a rainha mãe e a nova colónia com a rainha filha. Esta abordagem pode ser utilizada como um meio de prevenção da enxameação, como uma forma de renovar a rainha de uma colónia, ou como um modo fazer duas colónias a partir de uma.

Prancheta modificada

Para efectuar este tipo de desdobramento o apicultor necessita apenas de um equipamento novo, que vou designar “prancheta modificada”.

Para levar a cabo este método, relativamente simples, precisamos de ter uma maneira de dividir a colónia em duas e, ao mesmo tempo, fornecer uma entrada superior à colónia. Há muitas maneiras de fazer isso, como por exemplo através da prancheta multi-entrada de Snelgrove. Neste caso vamos utilizar uma prancheta mais simples, com  uma só entrada, como ilustra a imagem em baixo.

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Fig. 1 — Prancheta modificada

Esta prancheta modificada pode ser feita a partir de uma outra normal, desde que apresente uma moldura dos dois lados com 9-12mm de altura que respeite o “espaço abelha” em ambas as faces. De um lado (o lado “superior “, quando em uso) fazemos uma entrada articulada simples como mostra a imagem . No meio da prancheta vamos abrir um buraco quadrado com 10 cm de lado, tapado de cada um dos lado com uma rede de malha estreita para que as abelhas, e sobretudo a rainha, não a consigam ultrapassar (malha inferior a 3mm). Esta abertura permite que o odor das colónias se funda e, simultaneamente, que o calor se espalhe a partir da caixa inferior para a caixa superior.

Princípio da divisão vertical

A ideia geral é dividir uma colónia forte, saudável e de boa genética em duas e, em simultâneo, manter a sua capacidade produtiva. A colmeia é organizada de modo que a parte superior da divisão, com a rainha mãe, fique relativamente despovoado de abelhas. A maior parte da população deve ficar na parte inferior da colmeia, sem rainha, proporcionando assim as condições ideais para a uma construção de realeiras de emergência de qualidade. Chegado o dia em que as realeiras são seladas/operculadas a colónia é manipulada, uma segunda vez, para transferir as abelhas da parte inferior da colmeia sem rainha,  para a parte superior da colmeia onde se encontra a rainha mãe. Esta manipulação diminui o impulso para a enxameação e não afecta a recolha de néctar que continua sem interrupção se houver um bom fluxo. Tudo isto é conseguido através da manipulação da colónia no sétimo dia após a orfanização. Cerca de 3 semanas mais tarde, e correndo tudo bem, devemos ter uma rainha fecundada no lado orfanizado da colmeia.

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Fig. 2 — Esquema global das duas manipulações a realizar para levar a cabo este desdobramento vertical (dia zero, dia um e dia sete, da esquerda para a direita). 

Legenda do diagrama:

  • A preto: estrado da colmeia
  • A verde: prancheta modificada
  • Listas diagonais a preto: teto ou telhado da colmeia
  • Circulo vermelho: câmara de criação
  • Q: rainha
  • QC: realeiras
  • Seta negra: indica as entradas da colmeia e sua orientação
  • Seta quadrada azul claro: indica o local onde deverão ser colocadas as alças ou meia-alças meleiras
  • Dia zero (à esquerda): podemos efectuar este desdobramento numa colónia só com o ninho, mas também numa colónia com ninho e sobreninho.

A divisão vertical na prática

Só nos interessa criar rainhas a partir de colónias que exibem qualidades desejáveis para nós ​​— bom comportamento higiénico, bom arranque primaveril, boa produção, bom ajustamento da postura às condições locais, bom padrão de postura, baixa propensão para a enxameação, mansidão, entre outros critérios. Destas, eu diria que a higiene, a produção e o ajustamento da postura às condições locais, são características que muito me interessam. A avaliação destas características deve ser feita durante um período prolongado. A elaboração de registos e sua manutenção ao longo de um período alargado de tempo são uma ferramenta crucial para fazer uma melhor seleção das colmeias-mãe, as que mais nos interessam do ponto de vista genético. Como na computação se entra lixo o que sai é lixo. Se a colónia a desdobrar não tem as características desejáveis ​​necessárias existem maneiras de modificar o método descrito abaixo para criar rainhas de melhor genética… mas, neste momento, vamos pressupor que a colmeia a desdobrar apresenta uma genética que nos interessa.

 

Dia 1)

Abrir a colmeia suavemente e, se tiver que fumigar, faça-o com pouco fumo e na horizontal sobre os quadros, não para o interior da colmeia. Como precisa de encontrar a rainha, este maneio aumentará a probabilidade de encontrar a rainha no quadro com ovos do dia.

Encontrada a rainha coloque o quadro onde ela se encontra numa colmeia ou núcleo vazio com a entrada fechada e no centro da caixa, para evitar que ela se perca ou passe para as paredes interiores da mesma.

Se a colónia está instalada numa só caixa (não tem sobreninho) vai precisar de uma segunda caixa e 11 quadros com cera puxada (situação ideal) ou, caso não tenha cera puxada ao seu dispor, utilize quadros com cera moldada.

De seguida reorganiza os quadros nas duas caixas de modo que os quadros com larvas mais velhas e boa parte da criação operculada fiquem na caixa a colocar superiormente, onde colocaremos o quadro com a rainha mãe no centro dos mesmos no espaço que lhe fica reservado, juntamente com um quadro ou dois de provisões, a colocar nas laterais da câmara de criação.

Os quadros com ovos e larvas jovens devem ficar predominantemente na caixa inferior. Esta não é uma ciência exata, mas o princípio que nos orienta é a necessidade de colocarmos criação suficiente na caixa com a rainha mãe para que ela tenha as condições para construir uma nova colónia, e aos mesmo tempo, colocamos ovos em bom número e larvas muito jovens na caixa inferior, a zona orfanizada, para que as abelhas tenham uma boa provisão de ovos e larvas jovens que lhes permitam escolher as melhores à luz dos seus próprios critérios.

A terminar, colocar os quadros com criação no centro da caixa, ladeados por quadros com reservas de pólen e mel e completar a caixa inferior e superior com os novos quadros.

A ideia é criar dois ninhos com criação, um em cima do outro, aproximadamente centrados em relação ao buraco da prancheta modificada, tapado com rede de malha estreita. Coloque a caixa sem rainha sobre o estrado da colmeia original (piso inferior). Coloque a prancheta modificada em cima com a entrada aberta, virada para a direcção oposta ao da entrada original (a entrada da prancheta modificada deve ficar orientada para as costas da colmeia). Coloque a caixa com a rainha mãe em cima da prancheta modificada, em seguida, coloque a prancheta original e o telhado da colmeia.

Deixe a colónia tranquila durante uma semana.

 

O que acontece durante esta semana…

Durante esta semana as abelhas forrageiras saem da caixa do topo e vão entrar através da entrada que lhes é familiar na frente da colônia, e assim aumentam significativamente o número de abelhas na caixa inferior. As abelhas nesta caixa inferior vão perceber rapidamente que estão orfãs e iniciarão a construção das realeiras. A concentração de abelhas na caixa de fundo irá garantir que as larvas nestas realeiras serão bem alimentados e aquecidas. Na caixa superior a rainha mãe, continuará a sua postura de forma ininterrupta.

 

No dia 7

Retira a caixa superior juntamente  com a prancheta modificada para que a rainha não se perca, coloca a caixa superior à parte, roda 180º a caixa inferior de modo a que a entrada no estrado fique agora voltado para as costas da colmeia, em seguida, coloca a caixa superior com a entrada da prancheta modificada agora voltada para a frente da colmeia.

Se desejar inspecionar a colónia, nesta fase deverá encontrar uma rainha feliz em boa postura na caixa superior. Não deverá haver realeiras nesta caixa, a menos que haja alguma coisa errada com a rainha. Encontrará um número relativamente menor de abelhas nesta caixa do topo. Por contraste, a caixa no fundo estará muito mais cheia de abelhas e haverá várias realeiras presentes, umas fechadas outras ainda abertas. Poderá deixá-las a todas… as abelhas vão escolher as melhores oportunamente. Caso não confie na escolha das abelhas poderá destruir as que lhe parecem ter menor qualidade.

 

O que irá acontecer depois do dia 7…

Durante os próximos dias, a caixa inferior vai ficar com menos abelhas que saem pela entrada inferior e regressam para a “frente” da colmeia, onde acabarão por encontrar a entrada superior e reforçarão a caixa superior contendo a rainha em postura. Inicialmente, haverá uma considerável confusão, com centenas de abelhas em torno da entrada inferior original. Por esta razão, deve fazer a manipulação do dia 7 ao início do dia para dar tempo suficiente às abelhas para se reorientarem para a entrada superior. Esta reorientação vai occorer durante um par de dias — não se preocupe por ver muito mais atividade das abelhas em torno das entradas durante este período de tempo.

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Fig. 3 — Abelhas a reorientarem-se para a entrada superior da colmeia após a manipulação do dia 7 (reparar que o apicultor colocou agora a meia-alça meleira no topo da colmeia)

Um determinado número de rainhas virgens deve nascer cerca de 16 dias após a manipulação inicial mas o reduzido números de abelhas actualmente na caixa do fundo irá garantir que a colónia não irá produzir garfos/enxames. Se várias virgens emergirem, ao mesmo tempo, provavelmente vão lutar e ficará apenas uma ou duas, as mais vigorosas e saudáveis. Passados cerca de 5-6 dias , a virgem irá efectuar um ou mais voos de acasalamento, será fecundada e retornará para a caixa inferior onde iniciará a sua postura.

Nesta altura poderá dividir as duas colónias, caso o seu objectivo seja aumentar o efectivo ou, caso não deseje aumentar o efectivo, elimina a velha rainha na caixa superior e reúne as abelhas das duas caixas pacificamente retirando a prancheta modificada.

 

Principais vantagens (em nenhuma ordem particular):

  • não necessitamos de mais espaço horizontal nos nossos assentos;
  • quase nenhum equipamento adicional necessário;
  • a manutenção do odor na colónia permite fazer a reunião das abelhas se for necessário ou o desejarmos;
  • prevenção da enxameação;
  • aumento controlado do nosso efectivo com pouca intervenção;
  • combina a produção de mel com a produção de novas colónias;
  • produção mais natural de rainhas.

As desvantagens:

  • a elevação vertical de caixas é necessário (e podem ser pesadas);
  • se for necessário efectuar alguma inspeção à caixa inferior esta é mais trabalhosa;
  • algumas colónias não criam realeiras na caixa orfanizada.

Inspiração e fonte consultada: http://theapiarist.org/

razões para aprender a fazer desdobramentos/divisões de colónias de abelhas

Desdobrar/dividir uma colónia é uma competência básica que todos os apicultores devem possuir. Contudo, ainda hoje, alguns apicultores dependem exclusivamente dos enxames que apanham para aumentar o número das suas colónias.

Há várias razões para corrigir esta situação, quer ao nível do apicultor individual como ao nível sectorial/nacional. Identifico algumas:

Para o apicultor individual os desdobramentos são a oportunidade para:

  • aumentar o seu número de colónias (e a baixo custo);
  • substituir as perdas ocorridas no inverno;
  • fornecer colónias a outras pessoas — como por exemplo novos apicultores;
  • melhorar as características das suas abelhas — comportamento higiénico e produtividade, entre as mais importante;
  • aumentar o interesse e satisfação com a actividade apícola;
  • aumentar suas habilidades e competências apícolas.

Ao nível sectorial/nacional o desdobramento das melhores colónias justifica-se porque:

  • permite reduzir o número de rainhas que são importados e melhorar as abelhas nacionais localmente adaptadas;
  • a maioria dos problemas atuais na apicultura são o resultado da globalização, isto é, ter abelhas em movimento por todo o mundo;
  • diminui o potencial para introduzir novos problemas no sector apícola nacional, como a introdução de pragas exóticas (por exemplo o escaravelho das colmeias e o Tropilaelaps, ácaro tão ou mais perigoso que a varroa);
  • permite limitar a propagação de novas estirpes de virús com diferentes níveis de patogenicidade.

Ainda que os certificados veterinários tenham que acompanhar as importações legais, estes são uma salvaguarda relativamente limitada. Ainda não há muitos anos, uma importação de rainhas dos EUA, devidamente certificada, introduziu no nosso país o pequeno escaravelho das colmeias (Aethina tumida). Por um princípio de precaução devemos evitar o mais possível a importação de rainhas, ou qualquer outros animais/insectos, de outros países. Será paranóia colocar a possibilidade que aquela bonita rainha que acabámos de importar possa transportar consigo organismos ou microorganismos exóticos do sul de Itália ou do centro da Alemanha?

a termorregulação na criação de novas abelhas no período outono-inverno: aspectos específicos

A temperatura da criação no ninho é de extrema importância para a colónia de abelhas e é controlada com a maior precisão. As abelhas mantêm a temperatura da câmara de criação entre os 32°C e os 35°C, de modo a que a sua prole se desenvolva em condições óptimas. Quando a temperatura no ninho é demasiado elevada, as abelhas ventilam o ar quente para o exterior, ou usam mecanismos de arrefecimento por evaporação da água do néctar ou da água simples temporariamente colocada nos alvéolos. Quando a temperatura é muito baixa, as abelhas geram calor metabólico, contraindo e relaxando os músculos das asas. A vibração resultante gera calor nesses músculos. Muitos insetos aquecem os seus músculos de voo antes de levantar voo, mas as abelhas têm explorado essa função para termorregular o seu ambiente.

A investigação tem mostrado que mesmo pequenos desvios (superiores a 0,5°C) a partir das temperaturas óptimas tem influência significativa sobre o desenvolvimento da criação e a saúde das abelhas adultas resultantes. Abelhas criadas em temperaturas sub-ótimas são mais suscetíveis a certos pesticidas quando adultos. Curiosamente, a temperatura de desenvolvimento da pupa também afeta a atribuição de tarefas nas abelhas adultas resultantes.

Vejamos com maior detalhe como a termorregulação é levada a cabo pelas abelhas adultas, afim de originar condições de temperatura óptima para a criação da sua prole no período invernal. A termorregulação da temperatura no ninho e, especificamente, na área da criação, a qual é altamente sensível às flutuações na temperatura como referido em cima, é conseguido através das duas formas descritas de seguida:

  • a criação operculada é aquecida por abelhas que pressionam os seus tórax firmemente para baixo sobre os opérculos dos alvéolos e transferem o calor para as pupas no seu interior. Desta forma, apenas um alvéolo é aquecido por cada abelha aquecedor que consegue manter esta posição até 30 minutos e mantém a temperatura do seu tórax estabilizada em torno de 43° C. A fim de minimizar a dissipação do calor produzido por estas abelhas aquecedoras, as restantes abelhas estão densamente aglomeradas, sobrepondo-se em camadas, sobre esta área de criação a aquecer.
  • outra maneira mais eficiente ainda de aquecer a criação, é conseguido através da ocupação dos alvéolos vazios, aí deixados estrategicamente no seio da área de criação, pelas abelhas aquecedor. A área de criação operculada no favo normalmente contém 5-10% de alvéolos vazios. Esta percentagem varia de acordo com o clima exterior. Estes alvéolos vazios são ocupados pelas abelhas aquecedor que se inserem de cabeça para baixo no alvéolo e mantêm o seu abdómen a pulsar. Estas abelhas também mantêm uma temperatura média do tórax de cerca de 43°C.

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Fig. 1 — Abelhas-aquecedor no interior dos alvéolos nas proximidades de uma área com criação operculada

Estas abelhas aquecedor que actuam como descrito para aquecer a criação gastam enormes quantidades de energia na forma de mel maduro altamente concentrado. Ocasionalmente usam néctar não maduro, mas este combustível não é de tão alta qualidade como é a do mel maduro, que é transferida de boca em boca pelas abelhas (trofalaxia).

Para concluir realço os seguintes aspectos práticos:

  1. a colmeia deve estar bem povoada para aquecer as novas abelhas de inverno a criar, portanto é necessário fazer os tratamento da varroa atempadamente e evitar os desdobramentos tardios;
  2. os quadros centrais do ninho não devem estar bloqueados com mel e/ou pólen, devem ter um número razoável de alvéolos vazios, portanto devemos evitar o fornecimento excessivo de xarope no final do verão/início do outono.  

Fontes consultadas:

  • Medrzycki P, Sgolastra F, Bortolotti L, Bogo G, Tosi S, et al. (2009) Influence of brood rearing temperature on honey bee development and susceptibility to poisoning by pesticides. J Apic Res 49: 52–60.
  • Matthias AB, Holger S, Robin FAM (2009) Pupal developmental temperature and behavioral specialization of honeybee workers (Apis mellifera L.). Journal of Comparative Physiology A 195: 673–679
  • Tautz J (2008) The Buzz about Bees. Springer-Verlag, Berlin Heidelberg.
  • Winston ML (1987) The Biology of the Honey Bee. Harvard University Press, Cambridge Massachusetts.

aluen CAP para quando em Portugal?

Aluen Cap é um novo tratamento acaricida, formulado com ácido oxálico e desenvolvido por uma cooperativa de apicultores argentinos em estreita ligação com a Universidade local. Terei lido acerca deste novo tratamento há cerca de um ano. A propósito de uma questão do Bernardino, decidi fazer uma referência a este tratamento, que me parece muito promissor. Munido desta informação cada um de nós poderá falar do mesmo junto da sua Associação de Apicultores e estas, por sua vez, poderão fazer chegar os nossos anseios junto dos técnicos da DGAV, para que possam analisar a pertinência de iniciar o seu processo de homologação em Portugal, caso confirmem todas as características referidas pelos seus inventores e que transcrevo/traduzo em baixo.

“Aluen CAP” é um novo acaricida orgânico para combater a varroa, que elimina a necessidade de aplicação de produtos sintéticos, sem perder o potencial de produção. O tratamento, que atinge mais de 95% de eficácia e pode ser usado por décadas, foi recentemente aprovado pelo Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Alimentar (SENASA) para a sua produção e distribuição.

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Fig. 1 — Rótulo/logotipo actual do acaricida Aluen CAP

O Dr. Elian Tourn observa: “o Aluen CAP é a única formulação acaricida orgânica do mundo que é eficaz em colmeias com grande desenvolvimento da criação e sem restrições ambientais”. Além do mais, indica que a sua utilização não exige que as abelhas o consumam, evitando a sua intoxicação; reduz de cinco para uma as visitas necessárias para a sua aplicação, reduzindo em 20% o consumo de combustível fóssil em apicultura.

Como funciona?

O tratamento que acaba de ser aprovado pelo SENASA, é aplicado por meio de tiras de celulose de libertação lenta, impregnadas com uma solução acaricida à base de ácido oxálico. Essas tiras devem ser colocados entre os quadros com criação e deixam-se ficar durante 42 dias.

Resumo Técnico do tratamento

  • Requer uma única aplicação e a eficiência é superior a 95%, mesmo em colónias com muita criação;
  • É orgânico e não contamina o mel, mesmo que seja usado durante a melada;
  • Não gera resistência, pois é uma molécula (ácido oxálico) naturalmente presente em todos os seres vivos;
  • Não tem restrições ambientais na sua aplicação. O produto foi testado na Patagónia, no Litoral, Cuyo e nas Pampas húmidas e semi-áridas;
  • Não interfere no desenvolvimento da criação e/ou da abelha adulta.”

Fonte: http://inta.gob.ar/noticias/apicultura-aluen-cap-fue-aprobado-por-senasa

prevalência e persistência do vírus das asas deformadas (VAD) em colónias de abelhas melíferas infestadas, não tratadas ou tradadas contra o ácaro Varroa destructor

“O ácaro Varroa destructor é uma praga grave da abelha Apis mellifera. A ocorrência natural do vírus conhecido como Vírus das asas deformadas (VAD) tem sido associada ao colapso de colónias de abelhas infestadas pelo ácaro. Nós, pesquisámos a prevalência e persistência de VAD em quatro colónias altamente infestados não tratadas (Pesquisa 1), e cinco colónias altamente infestados que foram tratados com um acaricida (Pesquisa 2). A presença do VAD em amostras de abelhas adultas, criação operculada e ácaros foi detectada usando uma Enzima Linked Immunosorbent Assay (ELISA). Vinte indivíduos de cada amostra foram analisados mensalmente em cada colónia ao longo do estudo. Durante o verão, a proporção de adultos, criação operculada e ácaros em que o VAD foi detectado aumentou, até que a colónia ou morreu ou foi tratada. Quando as colónias foram tratadas, removendo assim os ácaros da colónia, o VAD deixou de se detectar na criação operculada a uma taxa semelhante à perda/eliminação dos ácaros. A velocidade com que o VAD se tornou indetectável em abelhas obreiras adultas dependia, no entanto, da estação do ano, verificando-se diferenças na esperança de vida entre as obreiras adultas emergentes no verão ou emergentes no inverno. Se o tratamento foi retardado até Outubro, o VAD ainda foi detectada em abelhas adultas durante o inverno, mesmo na ausência de ácaros. Para reduzir a carga viral da colónia, portanto, o tratamento de ácaros deve ser iniciado o mais tardar no final de agosto, a fim de remover os ácaros antes da criação das abelhas de inverno começar.”

fonte: https://www.researchgate.net/publication/229086938_Prevalence_and_persistence_of_deformed_wing_virus_DWV_in_untreated_or_acaricide-treated_Varroa_destructor_infested_honey_bee_Apis_mellifera_colonies

sumo de limão: um verdadeiro acaricida?

Ainda não há muitos dias vi, pela primeira vez, um vídeo no youtube onde um apicultor fazia a promoção da utilização do sumo de limão (ácido cítrico) no combate à varroa. Afirma que este tratamento na primavera e/ou no verão controla a varroa. Fiquei muito surpreendido que a simples aplicação do sumo de limão possa ser suficiente para controlar a varroa ao longo de um ano. A minha dúvida prende-se com o facto de na primavera/verão, na generalidade dos apiários do nosso país, haver muita criação operculada no ninho. Sabemos que, nestas condições, 90% das varroas estão abrigadas e protegidas dentro dos alvéolos operculados. Como pode a aplicação de sumo de limão permitir que a colónia siga saudável neste período e, em especial, entrar com níveis baixos de varroa no outono? Há algo que me está a escapar ou então a informação dada nesse vídeo é muito insuficiente. Se algo me escapa tenho a certeza que algum dos companheiros me irá elucidar. Se a informação do referido vídeo é incompleta é lamentável, porque com mais de 5500 visualizações (à data do meu visionamento),  e assumindo que apenas 1% dos que o viram decidiram seguir estritamente o que lá é recomendado, significa que mais de 50 apicultores poderão ter posto em risco as suas colónias de abelhas. Eu pessoalmente conheço um companheiro, que por ter sido crente, perdeu até agora 8 das 13 colmeias que possuía com os tratamentos com sumo de limão.

Tanto quanto sei os tratamentos com outros ácidos orgânicos obrigam a 3 a 4 aplicações intervaladas por 4-7 dias. E são ácidos com um efeito acaricida muito superior ao do ácido cítrico a acreditar em vários estudos devidamente controlados. Em baixo ficam alguns dados recolhidos por esses estudos.

Vários ácidos orgânicos que têm mostrado atividade acaricida têm sido utilizados na luta contra a varroa destructor. Os ácidos mais eficazes, desde que em concentrações não prejudiciais para as abelhas, são o ácido oxálico e o ácido fórmico.

O ácido cítrico tem actividade acaricida contra a varroa, mas em muito menor grau do que o ácido oxálico. Milani (2001) identificou no laboratório que uma dose letal de ácido citrico para varroa necessita de ser três vezes superior à de ácido oxálico e, especialmente, o ácido cítrico apresenta uma grande variabilidade na eficácia. Highes et al. (2006), comparando diversas soluções de açúcar com vários ácidos orgânicos, incluindo o cítrico, concluíram que o único ácido orgânico com uma eficácia apreciável, pelo método de gotejamento, foi o ácido oxálico. A solução de ácido cítrico, apesar de ter um pH menor do que a solução de ácido oxálico não induziu uma queda de varroa significativamente superior à das colónias não tratadas, o que sugere que não é só a acidez mas também outros mecanismos metabólicos os que podem estar na base de maior susceptibilidade da varroa ao ácido oxálico.

Em alguns países europeus é autorizado a utilização do produto austríaco Hive Clean enquanto acaricida. Este produto contém ácido cítrico e vários outros ingredientes, como o ácido oxálico. A sua eficácia média é semelhante ao de uma solução normal de açúcar com ácido oxálico (Howis e Nowakowski de 2009). Podemos, portanto, pensar que o ácido cítrico não acrescenta nada ao Hive Clean.

Há uns anos cheguei a comprar uma garrafa de Hive Clean, que acabei por não utilizar depois de alguns companheiros se terem mostrado muito insatisfeitos com os resultados que obtiveram com a sua utilização.

Com base nestes dados, e neste momento em que escrevo, para mim é pouco crível que o ácido cítrico possa ser considerada uma ferramenta adicional na luta contra a varroa. Por maioria de razão digo o mesmo em relação ao sumo de limão, dado que nestes não é possível uma dosagem precisa de ácido cítrico.

Ressaltamos, a concluir, que não existe em Portugal, qualquer produto autorizado à base de ácido cítrico e, portanto, a legislação dos acaricidas existente no nosso país não permite a sua administração nas colmeias para tratar a infestação pela varroa. Quando muito podemos dar-lho como uma bebida refrescante… juntamente com um acaricida de créditos comprovados!

Fontes consultadas:

  • Higes, M., R. Martin Hernandez, and A. Meana. 2006. “Effectiveness of Organic Acids in Varroa (Acarina: Varroidae) Mite Control.” Revista Ibérica de Parasitología 66 (1-4): 3–7.
  • Howis, Maciej, and Piotr Nowakowski. 2009. “Varroa Destructor Removal Efficiency Using Beevital Hive Clean Preparation.” Journal of Apicultural Science 53 (2): 15–20.
  • Milani, Norberto. 2001. “Activity of Oxalic and Citric Acids on the Mite Varroa Destructor in Laboratory Assays.” Apidologie 32 (2): 127–38.

humidade no ninho das abelhas: um prejuízo? uma benesse?

A humidade na câmara de criação é um factor crítico para a boa qualidade das condições físicas-ambientais tão necessárias a um desenvolvimento saudável das colónias de abelhas. Numerosos estudos demonstraram que os níveis extremos de humidade, sejam elevados, sejam baixos, afectam a saúde das abelhas e da sua criação. Por exemplo, a níveis inferiores a 50% de humidade relativa os ovos não eclodem (Doul, 1976), o que é particularmente impactante nos pequenos núcleos de abelhas. Outro exemplo, a humidade entre 68% a 87% aumenta a percentagem de mumificação das larvas em 8%, também conhecida por criação de giz. Um dado interessante, a taxa de reprodução da varroa destructor diminui com o aumento da humidade.

A humidade no ninho numa colónia forte e saudável situa-se entre os 50% e 60%. Raramente se encontra abaixo dos 40% ou acima dos 80%. Numa colónia forte e em condições normais, este valor é estável e não está dependente das condições ambientais. Pelo contrário, numa colónia fraca as condições internas são muito influenciadas pelas condições ambientais externas.

Um fator importante que influencia o nível de humidade no ninho é a quantidade de criação não operculada/selada. Sabemos que os ovos e as larvas são altamente sensíveis à dissecação. Pensa-se que as áreas de criação têm um microclima com uma humidade relativa significativamente maior que o conjunto do ninho. Isto é conseguido pela presença de geleia real, que tem um conteúdo de água alto. Por outro lado os casulos são higroscópicos e promovem a absorção de água (Human, 2006). Além disso, as abelhas nutrizes/amas que cobrem os quadros de criação limitam a quantidade de água que se evapora.

Sabe-se que as colónias de abelhas regulam a humidade interna do ninho pelo batimento das asas, pelo transporte e depósito de água para o ninho, e pelos dissipadores de humidade, como o néctar e os casulos (Ellis, 2008).

Ouvimos dizer frequentemente que durante o inverno é a humidade, não o frio, que mata as abelhas. O que pode o apicultor fazer nesta estação do ano para ajudar as abelhas a regular a humidade no ninho?

As orientações são variadas e há duas escolas principais de pensamento. Uma defende a ventilação assistida da colmeia, deixando orifícios de ventilação na zona superior da colmeia, quer através da inserção de palitos de fósforo ou cunhas nos cantos inferiores das pranchetas, ou deixando o óculo da prancheta semi-aberto. Este conselho é geralmente dado por apicultores que usam pisos sólidos.

Por outro lado, se as colmeias estão equipadas com estrados de rede, o pensamento é que os métodos de ventilação nas zonas superiores da colmeia são desnecessárias dado que o estrado de rede atua como um sistema de ventilação inferior.

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Fig. 1 — Exemplar de um estrado em malha de rede metálica

Portanto, o tipo de colmeia e, obviamente, o clima ambiente vai determinar se é necessário um sistema de ventilação ou isolamento que permita uma renovação mais rápida do ar saturado com humidade que se produz habitualmente no interior da colmeia.

Fontes consultadas:

  • Doul KM (1976) The effects of different humidities on the hatching of the eggs of honeybees. Apidologie 7 (1) 61-66
  • Ellis MB (2008) Homeostasis: Humidity and Water Relation in Honeybee Colony, Master Thesis (University of Pretoria)
  • Human H, Nicolson SW, Dietemann V (2006) Do honeybees, Apis mellifera scutellata, regulate humidity in their nest? Naturwissenschaften 93(8):397-401.
  • Tautz J (2008) The Buzz about Bees. Springer-Verlag, Berlin Heidelberg.
  • Winston ML (1987) The Biology of the Honey Bee. Harvard University Press, Cambridge Massachusetts.

 

Independentemente do tipo de estrado utilizado, acrescento estas orientações que têm ajudado as minhas abelhas a regular a humidade no ninho:

  • colocação das colmeias em assentos 15-30 cm acima do solo;
  • construir os assentos com uma ligeira inclinação descendente no sentido do alvado/entrada da colmeia;
  • substituir, particularmente no final do verão, as colmeias com rachas nas paredes, com a pintura estalada ou o óleo de linhaça já sumido, por outras devidamente restauradas;

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Fig. 2 — Exemplo de um assento que protege as colmeias da humidade do solo

… e outras medidas que se justifiquem localmente, e que os companheiros desejem acrescentar.

perigos de alimentar com açúcar invertido

O especialista espanhol António Pajuelo colocou recentemente na sua página de facebook considerações acerca da utilização do açúcar invertido na alimentação das abelhas. Fica aqui a tradução.

“Ultimamente na nossa apicultura está na moda alimentar com açúcar invertido. Existem diferentes fórmulas caseiras para o fazer e os fornecedores industriais cantam seus louvores.

O açúcar invertido é um produto para uso em padaria-pastelaria, para se conseguir algumas texturas interessantes. É uma sacarose, açúcar branco, submetido a um processo de acidificação, temperatura, e, industrialmente, é submetida à ação da enzima beta-frutofuranosidase , que divide a sacarose nos seus dois componentes, glicose e frutose.

Os vendedores deste produto descobriram há algum tempo este novo segmento de mercado, e entrou com um argumento de vendas: “está desdobrado, tornando-o mais fácil de assimilar”. De fato, a abelha e nós temos que dividir a sacarose em glucose e frutose, e em seguida, a glucose em frutose, para poder fragmenta-la e usá-la em outros compostos ou queimá-la para produzir energia. Para isso temos umas enzimas na saliva, elas e nós. Mas o organismo não vai parar de fabricar estas enzimas e colocá-los na saliva consuma-se o açúcar que se consumir. E as enzimas são não se “gastam”, são uma espécie de vai e vem que transportam as moléculas ao seu local de e ficam livres para voltar a atuar; embora haja uma certa perda de moléculas ao longo do tempo. Ou seja, ao ser dada sacarose “desdobrada” é mais um argumento de vendas do que uma vantagem.

Além disso, o processo de aquecimento da sacarose para a “desdobrar” produz HMF, em quantidades variáveis, dependendo de como foi feito o açúcar invertido. E o HMF é tóxico para as abelhas, para nós não (pudins, doces, caramelo … seriam letais se assim fosse). Apesar de não haver consenso na literatura sobre o nível de toxicidade, há dados bibliográficos sobre a toxicidade para as abelhas enjaulado laboratório a partir de cerca de 50mg/kg de HMF. Para mim os valores mais realistas são de 150 mg/kg.

O açúcar de beterraba invertido também é usado para adulterar mel, por isso o mercado possui técnicas analíticas muito avançados que são usualmente utilizadas ​​para detectar a sua presença no mel. Os laboratórios de análises do mel oferecem esta detecção desde 2009, com base na presença da enzima beta-frutofuranosidase (exógena ao mel, mas usada industrialmente para “desdobrar”) e pelos níveis de ácido utilizados na acidificação.

Portanto, se há um armazenagem do açúcar invertido nos favos, pode haver níveis elevados de HMF no mel, se você o inverteu caseiramente e restos de ácidos. E, especialmente, quando se usou açúcar invertido industrialmente em quantidade, ficam presentes no mel enzimas que o mel não possui, que o inabilitam para o mercado. Esta situação já aconteceu, de hás uns anos a esta parte, mas aumentou este ano pela campanha de vendas agressiva destes açúcares invertidos. Tenho clientes que tiveram este problema e os compradores devolveram-lhe o mel. E eu sei que outros colegas passaram pelo mesmo.”

fonte: António Gomez Pajuelo, pg. do facebook

acaricidas homologados em Portugal

A DGAV é a autoridade portuguesa que tem em mãos a responsabilidade de homologar os acaricidas a utilizar na luta contra a doença das abelhas conhecida como varroose.

Nesta hiperligação podem consultar uma lista quase completa dos acaricidas homologados à data de hoje: http://www.apiset.pt/docs/MUV_autorizados.pdf

Nesta hiperligação surge o acaricida mais recentemente homologado pela DGAV, e que não se encontra ainda na lista anterior:  http://www.melvag.com/blog/api-bioxal-novo-tratamento-homologado-contra-a-varroa/

Como facilmente se constata a lista compreende 5 marcas de tratamentos não-convencionais ou orgânicos, a saber: MAQS; Apilife VAR; APIGUARD; THYMOVAR e Api-Bioxal.

Os tratamentos convencionais ou sintéticos presentes na lista são de 4 marcas, a saber: APITRAZ; APIVAR; Apistan e Bayvarol.

Uma primeira consideração que desejo fazer acerca desta lista diz respeito à diversidade de princípios activos disponíveis, o que dá boas garantias e oportunidade ao apicultor para fazer a adequada rotação de princípios ativos, por forma a evitar ou minimizar os efeitos do surgimento de varroas resistentes.

Uma segunda observação, que com toda a justiça entendo dever fazer, é que a mortalidade de colmeias por via da varroa não se deve à falta de oferta na escolha de acaricidas homologados. Vamos a ser francos, a mortalidade das colmeias resulta, na grande maioria dos casos, do desconhecimento e/ou incúria do apicultor. Na minha opinião, o argumento dos elevados custos dos tratamentos homologados não colhe, uma vez que a grande maioria dos apicultores associados podem adquirir os mesmos a preços muito mais baixos que o preço de 1 Kg de mel.

de que morreu a minha colmeia…

O inverno é a estação mais crítica que a colónia de abelhas tem de ultrapassar. E, na verdade, algumas não a conseguem ultrapassar. Todo o apicultor que se vê confrontado com uma ou várias colónias mortas deve procurar fazer o diagnóstico post mortem. Este diagnóstico, se bem feito, é uma peça essencial para melhorar o seu maneio no futuro. Só sabendo as causas das perdas invernais ele estará em boas condições de as evitar no futuro. Deixo em baixo algumas pistas para fazerem este diagnóstico.

  • Se a colónia morreu por fome, encontra uma colmeia leve em peso e abelhas enfiadas de cabeça para baixo nos alvéolos (ver fig. em baixo).

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  • Se a colónia morreu pelos danos causados pelo ácaro da varroa, encontra poucas abelhas, pequenas áreas de criação operculada e abelhas com asas deformadas (ver fig. em baixo).

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  • Se a colónia morreu porque a rainha chegou ao seu fim, encontra realeiras ou criação de zângãos(ver fig. em baixo).

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  • Se a colónia morreu por humidade excessiva, encontra muito mofo nos quadros (ver fig. em baixo) e muita humidade condensada nas paredes interiores da colmeia e no fundo do estrado.

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  • Se a colónia morreu por desinteria, encontra muitas manchas de resíduos fecais no topo dos quadros (ver fig. em baixo) e/ou na entrada da colmeia.

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  • Se a colónia morreu por doença na criação, encontra sinais de loque americana (ver fig. em baixo), ou loque europeia.

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  • Se a colónia morreu porque foi pilhada por outras abelhas encontra os alvéolos e opérculos ligeiramente mastigados ou roídos (ver fig. em baixo) e pequenos resíduos de cera no estrado e entrada da colmeia.

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  • Se a colónia morreu pela acção dos roedores (ratos e outros), encontra os favos muito roídos (ver fig. em baixo), pedaços de favo no estrado e na entrada da colmeia, caganitas de rato no meio dos resíduos de cera, cheiro a urina do roedor no interior da colmeia.

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A terminar sublinho que várias vezes se encontram sinais a apontar para diversas causas. Neste caso importa tentar destrinçar qual foi a causa primeira, a causa que fragilizou a colónia inicialmente. Foi esta a causa que permitiu o aparecimento e desenvolvimento dos outros problemas a jusante. Interessa-nos, no futuro, evitar a causa primeira. Estando esta resolvida, os outros danos têm menos oportunidade de se desenvolverem. Não sendo uma regra que deva ser aplicada a 100% dos casos, a varroa é geralmente a causa primeira de mortandade no inverno. Sobre os ombros de uma varroose deficientemente controlada surgem outros danos que, de forma oportunista, se aproveitam da fragilidade da colónia e lhe dão o golpe de misericórdia.

Esta lista de pistas não é exaustiva e pode ser completada com os vossos contributos. De apicultor e de detective todos temos um pouco!