o comportamento defensivo das abelhas: a genética e avaliação do traço

Obreiras-guarda à entrada de uma colmeia.

O comportamento defensivo nas abelhas melíferas é um traço complexo e poligénico. Foram identificados 128 genes candidatos a influenciar o comportamento defensivo*. Não se considera nestas situações dominância nem recessividade de uns genes relativamente a outros. Para além dos factores de origem genética, as diferenças neste traço comportamental estão associadas a fatores ambientais e maturacionais que requerem a devida análise e ponderação**.

Por esta razão os cruzamentos de colónias individuais, assim como os cruzamentos entre linhagens e sub-espécies (raças) diferentes não dão resultados estáveis, pelo contrário, os resultados são muito variáveis ***.

Avaliação do comportamento defensivo de colónias, linhas, ou populações de abelhas deve, na minha opinião, basear-se em escalas que descrevam de forma clara e sucinta vários comportamentos de defesa das abelhas, que permitam a observadores diferentes fazerem avaliações mais distintivas, mais objectivas e comparáveis. Pouco ou nada servem a este propósito escalas do tipo “Muito defensivas”, “Medianamente defensivas” e “Pouco defensivas”. Facilmente a subjectividade do observador contamina a avaliação feita com uma escala tão vaga como esta. Apresento em baixo um exemplo de uma escala de cinco níveis **** para determinar a defensividade de colónias (com utilização de fumo) e que respeita os requisitos desejáveis enunciados em cima:

  • o valor 1 representa o nível mais defensivo e é considerado intolerável por apicultores experientes. As abelhas reagem mesmo quando o apicultor está vendo colmeias vizinhas e seu controle é muito difícil mesmo com bastante fumo. Isso faz com que sua agressividade e se espalhe para o meio, pelo que ataca as pessoas e animais que estão presentes nas proximidades.
  • no valor dois, o mecanismo de reação das abelhas é imediato e geram um forte zumbido, com o qual se inicia o ataque procurando picar. Elas procuram principalmente partes expostas do corpo do apicultor ou áreas escuras da roupa. Neste estado as abelhas podem ser controladas com o uso de muito fumo.
  • no valor três, as abelhas reagem com um zumbido forte e constante. Algumas abelhas voam agressivamente e colidem com o véu e a roupa de proteção do apicultor. Nesse estado, as abelhas são consideradas controláveis, mas requerem muito fumo.
  • no nível quatro, as abelhas reagem com um forte zumbido e, após alguns segundos, algumas abelhas limitam-se a voar para fora da colmeia. Em geral, podem ser bem manuseados e com pouco fumo.
  • o nível cinco é considerado o mais dócil. Ao abrir uma colmeia, as abelhas permanecem muito calmas, respondendo apenas com um zumbido suave e seu maneio é muito bom.
  • *https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0022191007000236
  • ** https://www.pnas.org/content/106/36/15400
  • *** https://www.ars.usda.gov/ARSUserFiles/60500500/PDFFiles/301-400/376-Collins–Genetics%20of%20Defensive.pdf
  • **** http://www.scielo.org.mx/scielo.php?pid=S2007-09342016000801867&script=sci_arttext&tlng=en

Nota: no meu caso particular como não costumo utilizar fumigador teria de fazer algumas adaptações a esta escala. Mais, de acordo com esta escala a generalidade das minhas colónias seriam avaliadas no nível 4 quando o maneio é feito por volta das 10h00 da manhã num dia ensolarado, com uma temperatura ente os 20-25ºC e com pouco vento. As mesmas colónias regridem para o nível 3, ou mesmo dois, da escala se o maneio é feito nesse mesmo dia a partir das 18h00 quando o sol já anda baixo no horizonte.

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