eussociabilidade, sociobiologia e Edward Wilson

Edward Wilson, falecido recentemente, foi um dos pioneiros e dos mais influentes investigadores dos últimos 50 anos no estudo de sociedades de animais com altos níveis de organização social, como as abelhas, formigas e vespas. Estas sociedades apresentam três características fundamentais, sobreposição de diferentes gerações num mesmo ninho, o cuidado cooperativo com a prole, e uma divisão de tarefas (reprodutores e operárias), as necessárias para se falar de eussociabilidade.

Edward O. Wilson em Manhattan em 2008. Edward O. Wilson, biólogo e autor que levou a cabo um trabalho pioneiro sobre biodiversidade, insetos e natureza humana – e ganhou dois prémios Pulitzer – morreu no domingo em Burlington, Massachusetts, aos 92 anos. Embora tenha tido uma obsessão ao longo de sua vida por formigas, descobrindo como elas comunicam por intermédio de feromonas, é mais famoso pela publicação em 1975 de “Sociobiology: The New Synthesis”.

Sobre a Sociobiologia: “estudo sistemático da base biológica do comportamento social. O termo sociobiologia foi popularizado pelo biólogo americano Edward O. Wilson no seu livro Sociobiology: The New Synthesis (1975). A sociobiologia tenta compreender e explicar o comportamento social animal (e humano) à luz da seleção natural e outros processos biológicos. Um de seus princípios centrais é que os genes (e sua transmissão por meio da reprodução bem-sucedida) são os motivadores centrais na luta dos animais pela sobrevivência, e que os animais se comportarão de maneiras que maximizem suas chances de transmitir cópias de seus genes às gerações seguintes. Uma vez que os padrões de comportamento são até certo ponto herdados, pode-se dizer que o processo evolutivo da seleção natural promove aquelas características comportamentais (assim como físicas) que aumentam as chances de reprodução de um indivíduo.

A sociobiologia contribuiu com vários insights para a compreensão do comportamento social dos animais. Explica o comportamento aparentemente altruísta de algumas espécies animais como sendo na verdade geneticamente egoísta, uma vez que tais comportamentos geralmente beneficiam indivíduos intimamente relacionados, cujos genes se assemelham aos do indivíduo altruísta [kin selection]. Esta abordagem ajuda a explicar por que as formigas soldados sacrificam suas vidas para defender sua colónia ou por que as abelhas operárias de uma colmeia abandonam a reprodução para ajudar sua rainha a se reproduzir. A sociobiologia pode, em alguns casos, explicar as diferenças entre o comportamento do macho e da fêmea em certas espécies animais como resultado das diferentes estratégias às quais os sexos devem recorrer para transmitir seus genes à posteridade.

A sociobiologia é mais controversa, entretanto, quando tenta explicar vários comportamentos sociais humanos em termos de seu valor adaptativo para a reprodução. Muitos desses comportamentos, de acordo com uma objeção, são mais plausivelmente vistos como construções culturais ou como subprodutos evolutivos, sem qualquer propósito adaptativo direto próprio. “

fonte: https://www.britannica.com/science/sociobiology

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