corrigir o que há a corrigir, naturalmente

Hoje, numa manhã quente, acompanhei o Marcelo numa visita ao seu apiário 2, nas redondezas de Coimbra.

Uma das tarefas era avaliar o estado de evolução de uma série de núcleos onde introduziu rainhas virgens de criador português em gaiola há cerca de 15 dias atrás.

Lembro-me que há cerca de dois meses atrás em conversa com o Marcelo sobre esta nova vertente da sua apicultura, comercialização de enxames em núcleo, me pedir opinião sobre a utilização de rainhas compradas e introdução em gaiola. Sugeri-lhe, com base na minha experiência, que por uma questão de poupança de tempo e padronização dos timings de entrega dos enxames, achava que sim, que devia comprar rainhas virgens. Em boa hora decidiu adquirir rainhas de criadores portugueses.

Como o disse várias vezes no passado, entendo que as rainhas de criadores são uma proposta comercial válida e que responde às necessidades da comunidade apícola nacional.

Dito isto, nunca me ouvirão dizer que as rainhas criadas naturalmente são por definição de qualidade inferior e a evitar a todo o custo. E não o digo por sofrer de algum bloqueio mental; não o digo porque as minhas observações não me permitem dizê-lo e porque o que a ciências diz hoje sobre o efeito materno nos ovos confirma e reforça o que vi e vejo. Se o que vi em milhares de colmeias minhas e em colmeias de amigos é que, em geral, a qualidade destas rainhas não fica atrás de outras produzidas por outros métodos, vou agora dizer que vejo o que não vejo para agradar a alguns? Felizmente nesta fase da minha vida não tenho que andar a lamber as solas das botas de ninguém e, respeitando o trabalho de todos, não me sinto inibido nem incapaz para apresentar os meus pontos de vista e fundamentá-los como poucos o fazem.

Portanto, deixem-me uma vez mais realçar que as rainhas naturais produzidas no processo de enxameação têm total cabimento numa operação apícola quer pela sua qualidade quer pela sua disponibilidade numa época particular da vida dos enxames, o momento da sua reprodução. E isto nas pequenas operações apícolas, com poucas colmeias, como nas grandes operações (ver o exemplo de Bob Binnie que com uma operação de cerca de 2 mil colónias, não vira a cara para o lado à utilização de mestreiros de enxameação, e sem preconceitos divulga que os utiliza no seu canal de YouTube).

Neste caso em concreto, como o meu amigo encontrou no seu efectivo, de cerca de 20 colónias estabelecidas, 3 em processo de enxameação e com vários mestreiros disponíveis fez o que é natural qualquer apicultor fazer: introduziu um mestreiro em cada um dos núcleos onde as rainhas compradas não tinham sido aceites. Simples, económico e oportuno.

Não vejo polémica nenhuma neste procedimento.

Um mestreiro de enxameação de onde emergiu uma virgem à frente dos nossos olhos.
A virgem, acabada de nascer, e que poderia ser colocada de imediato e directamente em qualquer núcleo orfanado e que teria uma elevadíssima probabilidade de ser aceite. Mas introduzi-la passados 2, 3 ou 4 dias… a história já é diferente.
Mais um exemplo do padrão de postura de uma rainha criada naturalmente

4 comentários em “corrigir o que há a corrigir, naturalmente”

  1. Boa tarde
    Em primeiro lugar gostaria de agradecer a disponibilidade para aconselhar e ajudar, tanto os iniciantes como os profissionais que certamente também seguem este blogue.
    Exemplo disso foi a formação da última quarta-feira em conjunto com a Macmel.
    Reparei que na fotografia da rainha acabada de nascer o Sr. Refere que pode ser introduzida diretamente.
    Quer dizer que se pode introduzir sem ser com gaiola?
    Obrigado

    1. Boa tarde Nuno! Obrigado pelas palavras que me dirige. As rainhas virgens acabadas de nascer ainda não têm as glândulas mandibulares desenvolvidas, e este aspecto facilita a aceitação inicial da mesma numa outra família de abelhas, desde que não tenham outras rainhas ou mestreiros iniciados. Sim pode e deve ser introduzida sem gaiola quando acaba de emergir ali à nossa frente.

  2. Caro Eduardo, não perco a leitura dos seus escritos, e com eles tentar sempre aperfeiçoar e aprender continuo, apesar de alguma informação e contactos com outros apicultores, o meu efctivo de colmeias nunca ultrapassou as 40 unidades!
    Tratava a varroa pertencia a uma associação que o Eduardo bem conhece tinha visitas tecnicas este Outubro vespa velutina e temporal (nunca deixei faltar alimentação) perdi os restantes efectivos .

    Queria recomeçar gostaria ter a sua opinião para a perda constante dos efectivos e colmeias com criação e bem fortes!
    Para a vespa velutina terei de encontrar algum meio que fuja ás harpas que me permita manter os enxames
    Aproveito tb até para variar de fornecedor se vende ou outros colegas na região de Coimbra enxames, respectivo preço e condiçoes para entrega ; colmeia reversivel.
    o meu apiário situa.se na região de Condeixa que eu saiba, ainda é região não controlada

    1. Boa tarde Cristiano! O controlo da varroa é uma peça fundamental da gestão para se não perder enxames às carradas e ano após ano. Vou passar o seu pedido a alguns companheiros da zona de Coimbra, porque eu não tenho colmeias. De acordo com o que me disserem eu depois entro em contacto com o Sr.

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