cálculo da taxa de infestação de abelhas adultas pelo ácaro varroa: os meus procedimentos

Hoje, com minha esposa, realizei os procedimentos necessários e adequados — assim o espero — para obter uma ideia precisa da taxa de infestação das abelhas adultas num dos apiários onde pretendo iniciar nos próximos dias o tratamento de verão da varroose, com recurso às tiras de Apivar.

Tendo efectuado neste ano, e até à data, dois tratamentos, o primeiro com recurso a tiras de Apivar, colocadas na última semana de janeiro, o segundo com recurso a tiras com ácido oxálico colocadas em finais de junho, pretendo iniciar este terceiro e último tratamento com uma taxa de infestação das abelhas adultas abaixo dos 3%. Sei por intermédio de leituras e observações pessoais que todos os medicamentos, ou quase, são muito menos eficazes quando a taxa de infestação ultrapassa esta percentagem. Sei também que o medicamento deve ser colocado em agosto para garantir que as abelhas de inverno, que vão começar a ser criadas nas duas a três semanas seguintes, devem ser nutridas num ambiente saudável, com poucas varroas e poucos vírus.

Assim sendo, munidos dos conhecimentos e equipamentos para fazer este teste à infestação por varroa, a minha esposa e eu passámos à acção.

Em baixo fica o foto-filme das etapas, procedimentos e equipamentos utilizados para este propósito.

Preparação do líquido e recipiente que vai ser utilizado para proceder à lavagem de abelhas.

No apiário, identifiquei 6 colónias que ao longo da época estiveram fortes, com muita criação ao longo dos últimos 4 meses. Nessas 6 colónias sacudi abelhas dos quadros com criação, isto depois de ter posto de lado o quadro onde andava a rainha.

Localização do quadro onde andava rainha.
Abelhas a serem sacudidas.
Um pequeno número destas abelhas foram sacrificadas para o bem maior de cerca de um milhão de abelhas que habitam as colónias deste apiário.
Uma etapa emocionalmente difícil!

De regresso a casa, procedi à lavagem e coagem de abelhas e ácaros.

Abelhas recolhidas do ninho de 6 colónias diferentes num apiário com 27 colónias.
Abelhas num coador de mel com duas malhas e lavagem com água da torneira.
5 varroas recolhidas na malha fina do coador
5 varroas recolhidas em quantas abelhas?
Contagem das abelhas em montes de 10.
45 grupos de 10 abelhas + 2 abelhas
Taxa média de infestação nas 6 colónias: 1,1%

Análise retrospectiva e análise prospectiva: Com uma taxa de 1,1% de infestação pelo ácaro varroa olho para trás e confirmo a validade e adequação da estratégia de tratamentos que estou a seguir este ano. Por outro lado, e olhando agora para a frente, esta taxa permite-me estar muito confiante, pois antevejo que o tratamento de verão tem tudo para correr bem, uma vez que a taxa de infestação está bem abaixo dos 2 a 3%. Este é o limiar máximo que os mais conhecedores e mais cuidadosos apicultores que conheço recomendam para iniciar o tratamento. Isto se os apicultores meus vizinhos também estiverem a fazer o que devem fazer e na altura em que o devem fazer. Quando os ouriços se começam a formar nos castanheiros, pode ser a mnemónica?

Foto de Júlia Gomes (31-07).

7 comentários em “cálculo da taxa de infestação de abelhas adultas pelo ácaro varroa: os meus procedimentos”

  1. “Com uma taxa de 1,1% de infestação pelo ácaro varroa olho para trás e confirmo a validade e adequação da estratégia de tratamentos que estou a seguir este ano.”

    Fico bastante satisfeito/feliz que as estratégias que têm estudado, aplicado e trabalhado indiquem que tudo vai na direcção certa para que tenha apiários de valor pois o sucesso é apenas uma consequência.

    Como seu aprendizado neste mundo das abelhas gosto como expõe de um modo claro e simples os factos/procedimentos e situações (ex: o detalhe das fotografias). Têm jeito para ensinar! A mnemónica do ouriço do castanheiro foi de mestre!

    Continuação de um bom Verão.
    Um abraço
    Viegas

  2. Não é melhor contar as varroas por cada colmeia, com um número idêntico de abelhas retirado de cada uma? Dá um pouco mais de trabalho, mas a informação é mais rica.
    E o método do açúcar em pó, para fazer cair as varroas, que evita matar abelhas, não é tão fiável?

    Podemos pesar um recipiente cheio de abelhas para ter a quantidade aproximada e depois contar apenas as varroas. Se usarmos o mesmo recipiente, basta pesá-lo uma única vez e ficamos a saber quantas abelhas cabem naquele volume.

    1. Bom dia, Paulino! Sim sem dúvida, o melhor é proceder à monitorização de cada colónia. A fidedignidade da utilização de açucar em pó para contagem de varroas é um assunto controverso. Randy Oliver fez testes minuciosos, descritos no seu blog, e encontrou diferenças assinaláveis entre as contagens com recurso a açúcar em pó e contagens com recurso ao álcool. Há quem questione inclusive qual a longevidade destas abelhas violentamente mexidas num frasco com muitas outras abelhas e açúcar em pó. Sobre a pesagem, é o método que costumo utilizar, contudo a pilha da balança digital que utilizo para este efeito tinha chegado ao fim. Se utilizasse este método mais frequentemente era o que faria: uma marca no recipiente. Creio que a relação é esta, se a memória não me falha: um volume de 200 ml contém cerca de 200 abelhas.

  3. Depois de envolve-las no açucar em pó é questão de mergulhá-las no álcool e ver quantas varroas ainda são encontradas. Hei-de fazer esse teste em breve.

    A longevidade das abelhas mergulhadas no álcool ou em detergente é assunto que não suscita qualquer controvérsia!
    hehehe
    Obrigado pela atenção!

  4. Bom dia!

    Ainda a questão das diferenças de contagens entre o uso de álcool ou açúcar em pó: se essa diferença for constante, deixa de haver prejuízo na utilização do açúcar, ao valor apurado na contagem aplica-se o factor de correção. E não parece necessário aplicar violência na agitação do recepiente onde se misturam abelhas e açucar, não é a violência da agitação que faz as varroas se decolarem das abelhas, mas sim a reação destas ao facto de terem o corpo coberto de pó. Possivelmente o factor tempo será mais crítico que a violencia, o tempo necessário para as abelhas sacudirem as varroas e o açucar.

    1. Bom dia, Paulino! A fidedignidade da avaliação com açúcar em pó, tem variado entre 70% e 90%, nos documentos que tenho lido. Sobre a necessidade de agitar energicamente as abelhas para aumentar o rigor do teste há um bom consenso no que vou lendo. Uma boa parte das varroas está alojada entre os segmentos do abdómen das abelhas. Sem uns bons abanões as “patas” das varroas que funcionam como ventosas não se descolam e não são atingidas pelo açúcar em pó. As patas não sendo atingidas a varroa não larga o corpo da abelha. Eu vejo as coisas desta maneira: a morte de umas (poucas) centenas de abelhas é largamente compensada pela maior precisão do teste com detergente ou álcool. Fica sempre com cada um tomar as suas decisões.

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