as tiras de ácido oxálico de libertação lenta: uma ferramenta para fazer a rotação entre tratamentos

Tiras de cartão com ácido oxálico,
produzidas pela polaca Lyson.

Em novembro de 2017 escrevi acerca do Aluen CAP: “Tanto quanto sei a eficácia do Aluen CAP não está dependente da temperatura e humidade exterior como é  caso de outros tratamentos formulados com base no timol ou ácido fórmico. Este produto argentino parece-me uma opção muito interessante para os apicultores portugueses, pensando nos constrangimentos climatéricos que podem limitar/impedir a aplicação atempada do fórmico ou timol nas nossas colmeias, nomeadamente no período crítico de infestação pela varroa no final de verão/início do outono (meses de agosto/setembro). O Aluen CAP poderá ser o utensílio adequado no sentido de promover a adequada rotação entre produtos acaricidas eficazes.  Aguardemos que o Aluen CAP seja homologado em breve na Europa e em Portugal.”

Para além da vantagem referida em cima, as tiras com ácido oxálico são um tratamento de longa duração, garantindo taxas de elevada eficácia mesmo em épocas de criação presente nas colónias. Este aspecto é realçado num artigo recente (2020), sobre um ensaio de campo realizado em Veracruz, México, do qual que traduzo alguns excertos em baixo:

Acerca das vantagens das tiras de libertação longa de ácido oxálico (AO): “o método de aplicação de AO por gotejamento restringe sua eficácia, apresentando uma eficácia média de apenas 66% quando a criação está presença. Assim, o poder acaricida do AO é limitado durante as longas temporadas de criação, típicas de climas quentes. Neste cenário, Aluen Cap é uma formulação alternativa de AO, cuja aplicação exibe altos níveis de eficácia mesmo quando há criação. Esta formulação nunca foi testada em abelhas africanizadas em climas tropicais. Nesse contexto, este trabalho avalia a utilização e a eficácia de uma formulação acaricida à base de ácido oxálico (Aluen Cap) contra o Varroa destructor em abelhas africanizadas mexicanas, onde a criação operculada sempre esteve presente ao longo do ano.

Acerca das condições de temperatura e humidade presentes no território: “Este território apresenta um clima tropical húmido ao longo do ano, com temperatura média mínima em torno de 26 ° C e máxima em torno de 38 ° C, e precipitação média em torno de 1500 mm. Este estudo foi realizado de 29 de junho a 30 de agosto de 2016, coincidindo com o período mais quente e húmido do ano. O valor da temperatura média máxima oscilou em torno dos 32 ° C, e a média mínima em redor dos 24 ° C. A precipitação média durante a estação chuvosa oscilou entre 214-293 mm por mês.

Os resultados:  “A eficácia média do Aluen Cap foi de 92,1% […] Não houve diferenças significativas nos valores de força inicial e final entre as colónias tratadas e de controle, tanto para valores de abelhas adultas quanto de criação […] Mortalidade nas rainhas ou criação de abelhas não foi detectada durante ou após o tratamento. […] A maioria dos ácaros morreu nos primeiros 21 dias […].

fonte: Sóstenes Rafael Rodríguez Dehaibes, Facundo René Meroi Arcerito, Elissa Chávez-Hernández, Gonzalo Luna-Olivares, Jorge Marcangeli, Martin Eguaras & Matias Maggi (2020) Control of Varroa destructor development in Africanized Apis mellifera honeybees using Aluen Cap (oxalic acid formulation), International Journal of Acarology, 46:6, 405-408

Nota: infelizmente, as tiras de libertação lenta de ácido oxálico não fazem parte da lista dos tratamentos homologados no nosso país. A sua utilização pode estar sujeita a uma contra-ordenação. Não promovo nem deixo de promover a sua utilização, nunca me coloquei nesse papel, apresento sim informação sobre a sua eficácia, medida de forma controlada.

4 comentários em “as tiras de ácido oxálico de libertação lenta: uma ferramenta para fazer a rotação entre tratamentos”

  1. Obrigado Eduardo,

    E a quem podemos entregar esta informação para que as tiras de libertação lenta de ácido oxálico sejam homologadas?

    1. Miguel, se entendi bem os técnicos da DGAV quando os ouvi uma ou duas vezes tocarem neste assunto, terão de ser os fabricantes a solicitar à DGAV a homologação. Para tal devem apresentar um dossier sobre o tratamento, onde entre outros elementos deve incluir estudos controlados sobre a eficácia, a segurança para as abelhas, a segurança para apicultor que o utiliza e, não menos importante, os resíduos nos produtos da colmeia, em particular o mel. A DGAV avaliará os elementos fornecidos e procederá à sua homologação se cumprir os requisitos. Na minha opinião não vai ser fácil uma empresa “atravessar-se” a investir muitas dezenas de milhar de euros na elaboração deste dossier, para produzir um medicamento que pode ser contrafeito com alguma facilidade, e lhe sabotará, mais ou menos, o investimento.

  2. Boa tarde,
    Antes de mais quero dizer: muito obrigado pela ajuda que fornece aos iniciantes (o meu caso).
    Não sendo um comentário ao artigo anterior, solicito uma ajuda.
    Ontem visitei as minhas colmeias (poucas), e por motivo ou não da falta de tratamento, morreram 40%.
    Não têm falta de reservas.
    Pergunta!!!!
    Devo tratar urgentemente?
    Devo esperar que a temperatura ajude?
    As colmeias estão no distrito da Guarda concelho de Pinhel (agora com temperaturas negativas).
    Quero agradecer pela informação disponibilizada.

    1. Boa tarde, Carlos! Lamento as suas perdas de colónias, contudo não me surpreendem, são normais quando se não faz o tratamento da varoose. Muito provavelmente irá perder mais ainda. Sim deve tratar urgentemente, e agora vão chegar uns dias com temperaturas máximas acima dos 8ºC que deve aproveitar para fazer os tratamentos. Boa sorte!

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