… estado de guerra

Ontem fiz entre a Guarda e Coimbra 150 Km com o sol sempre por detrás de nuvens de fumo.

Chego a Coimbra e as imagens e notícias da televisão confirmam e expandem esta vivência: Portugal arde de norte-a-sul, de este-a-oeste.

Tenho 50 anos e não me lembro de uma ano tão negro, tão quente, tão mortal. Estamos em terra queimada, estamos feridos, estamos em estado de guerra.

Fig: Uma parede de fumo negro em Vieira de Leiria, com o pinhal real de Leiria a arder 

Um soco no estômago que tem como causas remotas aquilo que alguns ainda negam: alterações climáticas!

Um soco no estômago que tem como causas próximas aquilo que alguns deveriam investigar: como é que os “tolinhos” e “alcoólicos” se conjugam tão perfeitamente entre si para incendiar o país de lés-a-lés num período de tempo tão curto?

Até parece uma acção perfeitamente planeada, organizada, com uma capacidade operacional regional ou até nacional e por gente que de tolo e de bêbado nada têm. E às vezes o que parece é!

2 thoughts on “… estado de guerra”

  1. Uma pequena achega para o tema.
    Também estive na Beira Alta e Baixa na passada Segunda Feira. Subi a serra da Estrela e é desolador o que confirmei. Ao longe existiam ainda zonas em ignição. Tenho a perceção de que há aqui organização criminosa de alta eficácia que sabem calcular os locais exatos para iniciarem o incendio, que atuam apenas quando há vento capaz de propagar o fogo e atrevo-me até a pensar que tenham antecipadamente colocado estrategicamente no terreno, bombas incendiárias para promover um maior desastre.
    Solução imediata contra estes criminosos:
    Equipar as forças de segurança com drones de vigilância permanente, devidamente equipados para vigilância nocturna e um por cada concelho com alcance mínimo de um raio de 50 kms. Ficam assim vigiadas também as nossas colmeias contra roubos e outros estragos.
    É caro? Custa algum dinheiro e é preciso preparar técnicos para o efeito.
    É mais barato do que as vidas humanas que se perderam e os bens danificados e perdidos que nunca mais se recuperam.
    .

    1. Bom dia, Manuel Frias!
      Se num dia surgem mais de 500 ignições, se há incêndios a iniciarem-se de noite ou de madrugada (por.ex. caso do incêndio de Seia) como explicar tudo isto sem colocar a hipótese de mão criminosa e organizada?

      A vigilância e identificação de movimentos de pessoas nas matas é uma medida que urge e, assim estou convencido, terá efeitos imediatos. É preciso dinheiro, mas se para salvar o sector bancário português se encontraram cerca de 30 mil milhões de euros, o dinheiro para salvar o sector primário e o interior do país também tem de surgir. Assim haja vontade política de desviar dinheiro do orçamento do estado para este sector e para zonas do interior do nosso país, medidas que permitirão minimizar/sarar mais rapidamente as profundas feridas que os incêndios provocaram. Para além deste gesto político ser necessário do ponto de vista humano, será o passo mais inteligente por parte de um governo que necessita rápida e extensivamente de recuperar a confiança dos portugueses. Espero e exijo aos meus governantes humanismo e inteligência.

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