o processamento do néctar pelas flores e abelhas: aspectos básicos

O néctar é secretado por glândulas na base das flores, conhecidas como nectários. Estes são classificados como florais ou extra-florais, de a acordo com a sua localização. De forma simples o néctar é a resposta evolutiva que as plantas angiospermas encontraram para atrair e recompensar os animais que promovem a sua fecundação, geração de sementes e frutos.

Esquema básico do orgãos reprodutivos de uma planta angiosperma, do qual os nectários fazem parte.

Como sabemos as abelhas coletam o néctar das flores no campo. Nesta fase, o néctar apresenta alto teor de sacarose com um pouco de frutose (levulose) e glicose (dextrose) e alto teor de humidade. Também há vestígios de outras substâncias como minerais, vitaminas, pigmentos, substâncias aromáticas, ácidos orgânicos e compostos de nitrogénio. As abelhas convertem esse néctar em mel através de uma série de etapas. Quando o néctar é coletado, é armazenado na vesícula nectarífera ou papo da abelha que retorna à colmeia.

Os órgãos do sistema digestivo são: papo ou vesícula nectarífera – o órgão responsável pelo transporte de água e néctar, utilizado na formação do mel. O papo possui grande capacidade de expansão e ocupa quase toda a cavidade abdominal quando está cheio. O seu conteúdo pode ser regurgitado pela contração da musculatura, movimento que propicia a desidratação do néctar, além de o conduzir para as glândulas hipofaríngeanas, onde receberá novas secreções para se transformar em geleia real. Do papo para o ventrículo ou estômago verdadeiro, só passa o necessário para a nutrição da abelha. No ventrículo acontece a digestão e processa-se a nutrição, devido a uma alta ação enzimática. A ação destas enzimas sobre o alimento prepara-o para ser absorvido no intestino delgado. As excrecções vindas do estômago juntam-se com as excreções nitrogenadas provenientes dos tubos de Malpighi e são eliminadas pelo reto.

Uma enzima chamada invertase é adicionada ao néctar enquanto está na vesícula nectarífera da abelha. A invertase converte o néctar, principalmente uma solução de sacarose, numa solução onde predominam a glicose e a frutose. 

O néctar amadurecido é depois armazenado nas alvéolos de cera de abelha, onde o teor de humidade é reduzido para 13–18% pela manipulação e ventilação das abelhas. Quando o mel está maduro, as abelhas operculam os alvéolos com cera de abelha.

Quadro com mel operculado.

Deixo duas notas finais acerca de dois erros frequentemente cometidos por quem escreve sobre as abelhas, apicultores e não-apicultores:

  • o néctar não é regurgitado pelas abelhas a partir do seu estômago, mas sim da vesícula nectarífera, um tipo de orgão dedicado, que não existe por ex. no nosso corpo e talvez por essa razão cause equívocos quando se fazem analogias apressadas sobe o local onde esteve armazenado o néctar regurgitado pelas abelhas;
  • o açucar que damos às abelhas, sob a forma de açúcar seco, em pasta ou diluído não carece ser previamente invertido para a sua digestibilidade e assimilação pelas abelhas. Assim como o néctar, que frequentemente tem uma predominância de sacarose, também o açúcar branco refinado (99% de sacarose ou mais) é quebrado por acção da invertase produzida pelas abelhas.

fontes: https://www.dpi.nsw.gov.au/__data/assets/pdf_file/0018/532260/Feeding-sugar-to-honey-bees.pdf

https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/veterinaria/morfologia-da-apis-melifera/22902

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nectário

Um comentário em “o processamento do néctar pelas flores e abelhas: aspectos básicos”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.