o maneio de colónias prematuramente fortes

Ainda que todos os anos sejam diferentes, a evolução anual dos meus enxames segue um conjunto de etapas bastante constante e previsível. No final de janeiro/início de fevereiro as colónias iniciam, por norma, um crescimento sólido da sua população. Entre elas algumas, pelas minhas observações cerca de 20-25%, chegam ao final do inverno particularmente fortes, com 6 a 9 quadros com grandes áreas de criação. Estas colónias nada fazendo apresentam uma forte probabilidade de enxamearem na última semana de março/primeira semana de abril, às portas da primeira grande floração.

Como já o referi anteriormente, no mapa conceptual que tenho da apicultura não há linhas ou colónias enxameadoras, há sim linhas ou colónias precoces. Desde há cerca de 7 anos quando fiz este insight mental, o maneio destas colónias evoluiu e optimizou-se. Este maneio foi baptizado com a designação “colmeia armazém” e integra-se de forma muito harmoniosa com mais dois maneios que utilizo e que, em conjunto, fazem o tripé da minha estratégia global de gestão das colónias à saída do inverno e em boa parte da primavera: a “regra não mais de 6“* e a “multiplicação de enxames pela técnica Doolittle“.

Nesta publicação apresento o foto filme do maneio destas colónias armazém. Desta vez ao ao contrário, do fim para o início dos procedimentos.

No dia 6 de março criei esta colmeia armazém. Modelo Langstroth na configuração ninho+sobreninho.
No sobreninho nas posições 2 e 9 coloquei dois quadros com cera laminada. Todos os restantes são quadros com cera puxada.
Colocação do sobreninho. Nas posições 4, 5 e 6 coloco os quadros com a maior quantidade possível de alvéolos vazios. Calculo que nos próximos 8-10 dias a rainha subirá ao sobreninho para encher de ovos dois ou três destes quadros.
No ninho estão à data 7 quadros com criação de topo a baixo e a atingir as molduras laterais.
Colónia com população a ocupar todo o ninho e com mais de 6 quadros com criação. São os sinais que quero ver para saber que estou na presença de uma colónia de uma linhagem precoce. Uma das quatro que tenho neste momento neste apiário.

Dois detalhes:

Sinal que estas abelhas estão no ponto para começarem a puxar a cera de quadros laminados.
Criação calva/desoperculada no estágio de olhos violeta. Este fenómeno tem, em geral, uma destas três causas: presença de larva da traça da cera; comportamento REC típico de abelhas resistentes ao Varroa; nível elevado de infestação pelo Varroa numa população de abelhas não resistentes.
O causador desta criação calva na ponta do levanta quadros.

* Para além de Bob Binnie que utiliza a “regra não mais que seis”, fiquei a saber que o meu amigo Ian Steppler, apicultor canadiano, utiliza de forma sistemática a “regra não mais que quatro” no período pré-enxameatório como técnica de prevenção da enxameação. Por cá apicultores inovadores e experimentados assim como notáveis formadores aplicam-na e/ou referem-na: Paulo Russo, Francisco Rogão, João Gomes, Harald Hafner, Pedro Miguel, José Pires Veiga, Rui Martins, Marcelo Murta, Miguel Pais, Fred, … (dos que me lembro de repente).

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