o erro… a sua correcção

No passado dia 8 coloquei, no mesmo dia, um sobreninho e uma excluidora de rainhas numa colmeia do modelo Lusitana. O objectivo era configurar esta colónia de forma a utilizá-la esta semana para desdobramentos pela técnica Doolittle.

Foto de ontem do ninho da colónia. Oito quadros com criação e abelhas a cobrirem os 10 quadros.

Nesse mesmo dia coloquei um quadro com criação fechada no sobreninho, transferido do ninho da mesma. Hoje fui encontrar o quadro com criação como a foto em baixo ilustra.

As novas abelhas a emergir estão claramente enfraquecidas por falta de aquecimento. A falta de limpeza dos alvéolos logo após a nascença, comportamento atípico em condições normais, também denuncia essa fraqueza.

O meu erro foi ter “esticado a natureza”, isto é, ter pedido a uma colónia ainda que forte para aquecer de imediato um quadro com criação que estava no andar de cima e separado por uma excluidora. A meteorologia, com noites ainda abaixo do 8ºC, também não foi amiga — nem tem de ser, é o que é. De forma cristalina só posso afirmar que este maneio não foi prudente, que foi um erro!

Habitualmente o processo de preparação destas colónias passa por uma abordagem mais gradualista. Numa primeira fase do processo coloco o sobreninho apenas com quadros puxados vazios e/ou com ceras laminadas. Uma a duas semanas depois, caso a rainha tenha subido ao sobreninho para aí fazer postura — o que acontece frequentemente — confino-a ao ninho com recurso à excluidora, e deixo no sobreninho um ou dois quadros com criação da mesma. Só cumpridas estas etapas e observados estes pré-requisitos passo a utilizá-la para os desdobramentos pela técnica Doolittle. Este maneio é prudente e, na minha opinião, o correcto nesta altura do ano.

E foi assim que corrigi o erro. Noutra colónia confinei a rainha, que já andava em postura no sobreninho, ao ninho.

Esta rainha andava em postura neste quadro do sobreninho. Foi colocada junto com o quadro no ninho, e lá vai ficar confinada nos tempos mais próximos.
Ninho da colónia com excluidora que me permite passar a utilizá-la para efectuar os desdobramentos pela técnica Doolittle.
Nesta colónia em questão coloquei o sobreninho em 29-03, e só hoje coloquei a excluidora. Vou utilizá-la nas próximas semanas como doadora de quadros e/ou abelhas para os desdobramentos que ainda pretendo fazer. O quadro com a criação a emergir enfraquecida foi colocado neste sobreninho.

Lição re-aprendida: numa época do ano em que as temperaturas mínimas ainda podem descer abaixo do 8-10ºC, só nas colónias que naturalmente já subiram ao sobreninho e, preferencialmente, onde a rainha já ande em postura, devem ser utilizadas para este fim. Aprende Eduardo que eu não duro para sempre!

10 comentários em “o erro… a sua correcção”

  1. A apicultura é isto mesmo. Depende de vários factores. É uma aprendizagem constante.
    Mas com os nossos erros aprendemos muito melhor.
    Grande abraço.

  2. Eduardo, parabéns pelo artigo. A Apicultura é isto mesmo, experiencias.
    E se os mais experientes, cometem pequenos erros, fico já mais descansado em relação às asneiras que vou fazendo, nas experiencias a que me aventuro.

    Cumps
    José Neto

    1. Olá Eduardo, será que poderia ter resultados diferentes se o quadro que passou para cima fosse de criação aberta ?

      Cumprimentos
      António Nunes

      1. Boa questão António! Eventualmente sim, a feromona da criação aberta é mais apelativa para as abelhas cuidadoras. Contudo se as abelhas não subissem, e poderia acontecer, larvas mortas e a decomporem-se no interior de uma colónia é um cenário perigoso, pelas doenças da criação que possa originar. Por essa razão o primeiro quadro que transfiro para a caixa superior tem pouca ou nenhuma criação aberta. Só com esta configuração estabilizada e dominada pela colónia o costumo fazer. Abraço.

  3. Magnifico artigo, Eduardo. Costuma dizer-se que só não erra quem não faz. E mais, reconhecer que se errou é meio caminho andado para a superação e o desenvolvimento. No meu caso vou ver se consigo aprender com erro alheio.
    Embora o não faça já há algum tempo recordo a utilização da técnica de Doolittle com recurso à grelha excluidora para a criação de raínhas. Era assim que “armava” as criadeiras semi-orfanadas (a raínha fica adstrita ao ninho). Para o sobreninho subia quadros com criação aberta de modo a atrair abelhas nodrizes as quais supostamente produziriam geleia real e ajudariam a esticar os alvéolos reais a partir das cupulas para onde se fez o translarve através de “picking”.
    Dito assim parece simples mas o trabalho é engenhoso e cheio de timings que exigem uma dedicação muito aturada. Mas voltando ao cerne da questão, as temperaturas mínimas que ainda são baixas nesta época e não deixaram que a criação fechada se aquecesse convenientemente no sobreninho, no caso exposto pelo Eduardo, poderia até funcionar ao contrario no meu caso, pois as abelhas jovens ao subirem para o sobreninho deixariam de aquecer a criação fechada do ninho. Concluindo e resumindo, com temperaturas baixas é um tapa destapa pois o cobertor (as abelhas jovens) não dão para tudo…… Obrigado pela advertência amigo Eduardo.

    1. Sem dúvida Fernando, o cobertor geralmente é um pouco curto demais para temperaturas noturnas tão baixas (ontem baixaram aos 4ºC). Grande abraço!

  4. Como sempre e como é hábito, mais uma magnifica “prosa”.
    A maneira como escreve e como descreve até ao mais ínfimo detalhe todas as “operações” que faz na “sua” apicultura, têm sido de uma utilidade enorme para as minhas “lides” apícolas.

    Continue assim!

    Cumprimentos,
    Carlos Figueiras

  5. Bom dia Sr Eduardo.
    Queria primeiro agradecer-lhe pela toda inteligência, sinceridade e apresentação científica dos problemas na Apicultura.
    Eu sou iniciante nesta área. Tenho alguns anos prática na minha terra e apenas 2 anos cá em Portugal.
    Inicialmente comecei a procurar literatura nas livrarias e qual foi a minha surpresa quando descobri que os livros nesta área são poucos e com informação insuficiente.
    Desesperadamente encomendei o livro “O Apicultor Prático: Apicultura Natural” de Michael Bush, mas percebi rápido que muitas das ideias deste autor não são aplicáveis na apicultura cá em Portugal.
    Não tendo outra hipótese, comecei a procura informação no Internet.
    E assim que encontrei Abelhas a Beira , Monte-do-mel, Abelhas do Agreste , outros artigos e informação esporádica e descobri que a Apicultura cá em Portugal e muito avançada teórica e praticamente.
    Imprimi vários artigos e já tenho um Manual Grande de Apicultura que denominei “ABELHAS A BEIRA por ser composto 80 % dos seus artigos.
    Eu acho sinceramente que você tem toda a capacidade, informação e inteligência de escrever um MANUAL DE APICULTURA que vai ser muito útil para todos os apicultores ( Iniciantes e Profissionalistas) cá em Portugal.
    ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..
    Queria também pedir um favor. Se for possível de descrever mais pormenorizadamente o Metodo Doolitle de desdobramentos.

    1. André, parece que adivinhou a minha intenção. Tirei há uns dias atrás as fotos para descrever a técnica Doolittle de desdobramentos com mais detalhe, numa publicação que vou ver se consigo fazer na próxima semana. Um abraço!

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