cresta 2020: o meio

A minha cresta vai-se espraiando pelos dias e semanas de Julho. Nas duas últimas semanas tenho estado ocupado, em parte, com a cresta de um dos meus apiários a 900 m de altitude. Neste apiário, com poucas colónias dedicadas à produção, cerca de 30 das 86 que lá estão assentes no dia de hoje, obtenho um mel multifloral fruto da mistura do néctar das marcavalas com o néctar dos castanheiros. Com a cresta destas colónias quase no fim, estão já extraídos perto de 600 kgs, o que aponta para uma média deste apiário um pouco superior aos 20kgs/colónia em produção. Ainda sonhei com uma produção média de 30 kgs, contudo as elevadas temperaturas das últimas 3 semanas encurtaram a floração e exsudação das candeias do castanheiro.

Apiário de montanha a 900 m de altitude, com castanheiro em floração em primeiro plano (foto de há cerca de duas semanas atrás).

O mel é muito claro, fruto da predominância do fluxo da marcavala sobre o do castanheiro, neste ano e neste local. Contudo as notas gustativas e o aroma do néctar de castanheiro fazem-se notar, dando a esta mistura natural uma paleta de sensações e uma persistência no paladar muito próprias.

Um fio de mel de montanha!

Cerca de 60% do mel extraído neste apiário proveio de colmeias armazém, com exlcuidora colocada entre o ninho e sobreninho a 19 de maio, no início da primavera que chegou tardia a este canto da serra da Estrela. A excluidora foi o equipamento que me permitiu obter quadros com esta estampa:

Quadro de sobreninho de uma colmeia do modelo lusitana.
Outro quadro de sobreninho de uma colmeia do modelo lusitana, sem um alvéolo com pólen, sem cera escurecida porque não foi utilizada para a criação de abelhas, aspectos que permitem a sua guarda no meu armazém de alças e meias-alças livre dos problemas habituais gerados pela traça da cera.
Outro quadro de sobreninho, neste caso de uma colmeia do modelo langstroth, com cera clara que, por opção pessoal, quero cada vez mais ter disponível para a produção do mel das minhas colónias.

Nota: O meu muito obrigado ao David, Fred, Nuno e Hélio que me acompanharam em algumas destas tarefas!

4 comentários em “cresta 2020: o meio”

  1. Olá Eduardo,

    O mel tem uma cor excelente, e o sabor… também o deverá ser 🙂
    Permita-me que lhe faça umas questões.
    Nestes apiários da serra não costuma aguardar pelas meladas? Ou ainda vai fazer uma 2ª cresta?

    Abraço,
    Filipe Cunha

    1. Olá Filipe!
      Este apiário, o meu preferido por várias razões de natureza emocional, foi o meu primeiro apiário, feito em 2009. De lá para cá nunca vi, nestes 11 anos, mel de melada de carvalho nas caixas, apesar de existir um carvalhal no raio de acção das abelhas. Conto fazer uma outra publicação (o final), dedicada à cresta deste ano num segundo apiário a 900 m situado num território, distante deste em cerca de 15 km, onde poderei vir a colher alguma melada de azinheira, como já aconteceu no passado. Com a redução de efectivo nestes dois últimos anos, saí de um território onde tinha 3 apiários, que em anos bons me produziam vários bidões de melada de azinheira. Tenho muita pena ter eliminado esses apiários, mas sozinho optei por ter apenas um número de colmeias que me permite o mais possível estar “meia-alça” à frente delas e sem ter que me sentir “escravizado” a trabalhar 10 a 12 horas por dia dentro de um fato de apicultor para as acompanhar minimamente. Abraço!

  2. Olá, com estes dias de calor não é nada fácil. Em relação aos quadros de mel, noto que a selagem é “seca”. Li algures, se bem recordo, que a abelha ibérica faz selagem “molhada” por isso fico com a curiosidade em relação a possíveis hibridações ou simplesmente é a mesma abelha ibérica que também faz esse tipo de selagem de opérculos?

    Um abraço!!

    1. Olá Carlos! É verdade uma torra! Hoje estive uma hora a crestar e fiquei a escorrer. Para já nem me atrevo a desafiar mais amigos que se disponibilizaram para me ajudar na cresta. Aqui está uma informação que desconhecia acerca da operculação. Tenho algumas colónias com algumas abelhas com o primeiro segmento do abdómen amarelado, que “agradeço” a um ou outro zângão ligústico julgo eu. A enorme maioria das minhas abelhas apresenta um fenótipo e um comportamento condizente com o da abelha da nossa península. Se aceder à fonte dessa informação pode partilhá-la por aqui, mais rico fica o blog. Abraço!

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