16ª edição do curso Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano

Nesta edição que se vai iniciar hoje, a 16ª do curso “Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano”, vamos reflectir de forma séria e sustentada acerca do que andamos a fazer de errado e do que devemos mudar para entrar no caminho adequado no que respeita ao controlo da Varroose . Hoje um dos focos será o ácido oxálico e será um daqueles momentos na apicultura em que é preciso parar e perguntar: estamos a usar o equipamento certo da forma certa?

Um estudo científico recente, publicado no Journal of Insect Science, comparou três formas de aplicação de ácido oxálico: gotejado, vaporização (sublimação) e nebulização com fogger/fureto. O resultado é claro e incómodo para alguns hábitos instalados.

À pergunta o ácido oxálico é um acaricida eficaz o estudo responde:
Não é apenas o produto que conta. É o método, a dose e o intervalo.
O mesmo ácido oxálico pode ter eficácia nula (sim 0%… ou eficácia muito elevada, cerca de 95%).

É precisamente aqui que o curso “Controlo Efectivo da Varroose ao Longo do Ano” se posiciona.

Este não é um curso baseado em opiniões, fóruns ou “ouvi dizer”. É um curso sustentado cientificamente, que levanta questões fundamentadas sobre certas técnicas amplamente utilizadas com ácido oxálico — e que aponta caminhos claros para uma utilização correcta, racional e biologicamente coerente deste acaricida.

Vamos reflectir sobre:

  • Porque falham certos equipamentos
  • Porque os intervalos afectam a eficácia
  • Como alinhar o protocolo com o ciclo da varroa
  • Quando o ácido oxálico é ferramenta principal e quando deve ser complementar
  • Que erros técnicos comprometem tratamentos aparentemente “bem feitos”

Este curso vai muito além do ensino do Protocolo Inovador.
É uma abordagem eclética, estratégica e racional da gestão da varroa ao longo de todo o ano apícola.

Integra:

  • Biologia da varroa
  • Dinâmica populacional das abelhas e sua relação com a doença
  • Pressão sazonal
  • Integração de métodos
  • Momento ideal de intervenção
  • Sustentabilidade a médio e longo prazo

Porque controlar varroa não é aplicar um produto. É construir uma estratégia.

Se pretende compreender o “porquê” e depois o “como”, este curso foi pensado para si.

Vou abrir uma nova edição do curso, a 17ª, que apresentará naturalmente novidades e actualizações, porque o saber e a vontade de melhorar continuam a animar-me, com datas agendadas para: 23, 30 de março e 10 de abril. Para mais informações enviar e-mail para jejgomes@gmail.com

verdelafões: ação de divulgação para apicultores

Com muito gosto agradeço o convite para participar nesta ação de divulgação dirigida aos apicultores, integrada no PNASA 2026, que terá lugar já no próximo sábado, 7 de fevereiro, em Vouzela.

Será uma sessão dedicada à prevenção e controlo da enxameação e à multiplicação de enxames, dois pilares fundamentais para quem pretende colónias mais equilibradas, produtivas e sustentáveis ao longo da campanha.

Fica o convite a todos os apicultores da região para marcarem presença, aproveitarem este momento de partilha de conhecimento técnico aplicado e clarificarem dúvidas com impacto direto no maneio dos seus apiários.

4.ª edição do curso Nutrição Apícola Aplicada / Nutrição Suplementar de Abelhas em março: inscrições abertas

Os últimos dias ficaram marcados pela passagem da tempestade Kristin, que causou danos significativos em várias regiões do país. Deixo aqui uma palavra de solidariedade para todos os afectados e, em particular, um abraço sentido aos apicultores que viram os seus apiários, colmeias e trabalho de anos postos em causa por um fenómeno extremo que relembra a crescente instabilidade com que todos temos de aprender a lidar.

É neste contexto exigente que a nutrição apícola ganha um peso cada vez maior. Não como um conjunto de receitas genéricas, mas como uma ferramenta estratégica de maneio, capaz de aumentar a resiliência das colónias, melhorar resultados e reduzir custos. Alimentar bem não é alimentar mais — é alimentar melhor, no momento certo e com objetivos claros.

Um dos temas centrais abordados na 4.ª edição do curso Nutrição Apícola Aplicada / Nutrição Suplementar de Abelhas é precisamente a distinção, muitas vezes ignorada, entre alimentação proteica de manutenção e alimentação proteica de estimulação. A ciência mostra-nos que a proteína não é usada da mesma forma ao longo do ano: ora sustenta longevidade e imunidade, ora alimenta criação e crescimento populacional. Confundir estes dois objetivos é um erro frequente, caro e com impacto direto na saúde das colónias.

Ao longo do curso analisamos também a fisiologia digestiva das abelhas, incluindo o papel da atividade proteolítica, o efeito da idade e da função social das operárias e a importância do pH intestinal para o aproveitamento real da proteína ingerida. Estes aspetos ajudam a explicar porque é que suplementos aparentemente “bons” falham no terreno e porque nem toda a proteína que entra na colmeia é, de facto, aproveitada pelas abelhas.

Outro ponto-chave é a leitura crítica dos xaropes e bifes proteicos, incluindo a sua composição, acidez, digestibilidade e custo-benefício. Mais do que marcas comerciais, interessa perceber o que funciona, porquê e em que contexto, evitando desperdícios e práticas que podem comprometer a eficiência nutricional ou aumentar o stress metabólico das colónias.

O curso cruza de forma sistemática ciência, prática de campo e ferramentas de cálculo, permitindo aos formandos compreenderem melhor fenómenos como a atrofia das glândulas hipofaríngeas em situações de défice proteico, a relação entre nutrição e criação, e o impacto real das decisões alimentares na longevidade das abelhas de verão e de inverno.

A 4.ª edição do curso Nutrição Apícola Aplicada / Nutrição Suplementar de Abelhas decorrerá via Zoom nos dias 13, 20 e 27 de março, e foi pensada para apicultores que procuram uma prática mais qualificada, económica e com melhores resultados, baseada em conhecimento atualizado e aplicável no terreno.

Num momento em que a apicultura enfrenta desafios climáticos, sanitários e económicos cada vez mais complexos, investir em conhecimento sólido não é um luxo — é uma necessidade. Este curso é um convite a pensar a nutrição de forma mais estratégica, consciente e eficaz, ao serviço de colónias mais fortes e de uma apicultura mais sustentável.

Mais informações deverão ser solicitadas para o e-mail jejgomes@gmail.com

não foi abandono… foi varroa

Todos os anos, no final do verão e início do outono, repetem-se os mesmos relatos nos grupos apícolas: “a colónia desapareceu”, “estava fortíssima e de repente ficou vazia”, “devem ter abandonado a colmeia”.
A explicação parece simples. E, por isso mesmo, é confortável.

Mas na esmagadora maioria dos casos, não houve abandono.
Houve colapso por varroose — previsível, modelável e evitável quando se compreende a dinâmica do parasita ao longo do ano.


O mito do abandono e a realidade do colapso

O verdadeiro abandono (absconding) é raro em abelhas europeias e ocorre apenas sob condições extremas.
Em contrapartida, o colapso por varroa é hoje a principal causa de mortalidade de colónias e ocorre sempre no mesmo período: final do verão e outono.

O problema não é falta de relatos.
O problema é que os sinais são repetidamente mal interpretados.


Os sinais não enganam — apenas são ignorados

O padrão é conhecido:

  • Colónias grandes, produtivas
  • Aparência normal poucas semanas antes
  • Desaparecimento rápido entre setembro e novembro
  • Mel deixado na colmeia
  • Alguma criação residual
  • Poucas abelhas apáticas
  • Rainha ausente ou isolada

Este conjunto de sinais não descreve abandono coordenado.
Descreve um colapso rápido por sobrecarga de varroa e vírus, típico de colónias que entram no outono já condenadas.


Porque morrem primeiro as colónias “melhores”

Este é um dos pontos mais difíceis de aceitar — e um dos mais importantes.

Colónias grandes:

  • criam mais criação
  • multiplicam mais varroas
  • acumulam cargas parasitárias enormes durante o verão

Quando a criação diminui no final do verão:

  • as varroas concentram-se nas abelhas adultas
  • a carga viral dispara
  • a colónia colapsa rapidamente

Por isso, a frase “não podia ser varroa, era a minha melhor colónia” está quase sempre errada.
Era precisamente por ser a melhor que estava mais infestada.


O verdadeiro erro: tratar sem compreender a dinâmica

Muitos apicultores tratam.
Mas tratam às cegas.

Tratam:

  • demasiado tarde
  • em momentos biologicamente desfavoráveis
  • ou repetindo esquemas alheios sem relação com o seu apiário

Depois, quando a colónia colapsa, concluem que:

  • “os tratamentos já não funcionam”
  • “a varroa está impossível”
  • “as abelhas desapareceram”

Na realidade, o erro aconteceu meses antes.

Em baixo, três fotografias minhas, captadas recentemente (janeiro de 2026).
São o reflexo da ligação entre o conhecimento técnico e o trabalho de campo — duas valências que me orgulho de conjugar e que considero essenciais para compreender verdadeiramente a varroose. É essa combinação, entre análise informada e observação no terreno, que me permite transmitir de forma clara, rigorosa e sem atalhos as mensagens-chave que importa dominar nas várias edições do curso Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano.

Colónia que colapsou por varroa, sem abelhas, e com muito mel nos quadros adjacentes.
Os sinais estão visíveis para quem está habilitado para os interpretar devidamente: a causa foi a varroa e os vírus que injecta nas abelhas
Por vezes basta inclinar um pouco o quadro para ver as provas irrefutáveis da presença recente de muitas varroas.

O colapso por varroose não é súbito. É o resultado de uma dinâmica cumulativa, influenciada por:

  • ritmo de criação
  • tamanho da colónia
  • eficácia real dos tratamentos
  • escolha errada dos acaricidas em função do nível de infestação
  • escolha errada dos acaricidas em função da extensão do período forético
  • momento do ano em que são aplicados

O simulador de dinâmica da varroa permite visualizar exactamente isso:

  • como a população de varroa cresce ao longo do ano
  • quando um tratamento é eficaz… e quando já é tarde
  • porque certos tratamentos “parecem resultar” mas falham no outono
  • porque colapsam as colónias mesmo após terem sido tratadas

Quando se observa a dinâmica no simulador, o mito do abandono desaparece.
O colapso deixa de ser um mistério e passa a ser uma consequência previsível.


Da teoria à prática: aprender a decidir, não a copiar

É precisamente este salto — da reacção para a compreensão — que está no centro do curso “Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano”

Neste curso, o foco não é:

  • decorar calendários
  • repetir receitas
  • aplicar tratamentos por rotina

O foco é:

  • compreender a dinâmica da varroa ao longo do ano
  • usar o simulador para identificar os momentos críticos
  • adaptar estratégias às condições específicas de cada apiário
  • evitar tratar nos piores momentos, como fluxos de néctar ou armazenamento de mel
  • reduzir drasticamente o risco de colapso no outono

Quem aprende a trabalhar com o simulador deixa de perguntar “o que correu mal?” Passa a saber quando e porque teria corrido mal.


Conclusão: quando se compreende a dinâmica, o colapso deixa de ser surpresa

Continuar a chamar “abandono” ao que é colapso por varroa não protege as abelhas. Apenas mascara erros de diagnóstico e adia a aprendizagem.

A varroose:

  • não se controla com fé
  • não se controla com tradição
  • controla-se com compreensão da dinâmica e decisões informadas

E quando essa dinâmica é clara, uma coisa torna-se evidente: as abelhas não foram embora — morreram de varroa.

Se a leitura deste artigo o fez perceber que conhecer e saber operar com ferramentas de apoio à decisão e planeamento, como é o caso do simulador de crescimento da população de varroa, são fundamentais, então o curso Controlo efectivo da Varroa ao longo do ano foi pensado precisamente para si. Nesta nova edição, vamos muito além da aplicação de medicamentos de forma cega e tardia: trabalhamos a varroa como um problema biológico e populacional, integrado no ciclo anual da colónia, no clima e no maneio real do apiário.

O curso decorrerá online, via Zoom, nos dias 20 e 27 de fevereiro e 6 de março, com início às 20h30, permitindo participação a partir de qualquer ponto do país. Ultimas vagas disponíveis. Solicite mais informação para: jejgomes@gmail.com

como fazer para não ter de tratar durante o fluxo de néctar — o simulador de Varroa –

As notícias que têm circulado nos grupos apícolas portugueses ao longo das últimas semanas confirmam aquilo que já se antevia: 2025 foi um ano de grande razia de colónias por efeito da varroa. Ainda em agosto e setembro alertei que, mantendo-se o rumo seguido no maneio de muitos apiários, mais de 200 mil colónias em Portugal acabariam por morrer devido à varroose. Infelizmente, os relatos de perdas generalizadas mostram que essa previsão não estava longe da realidade.

O mais preocupante é que, se nada mudar, este cenário tem tudo para se repetir no final de 2026. Um número elevado de apicultores anda visivelmente perdido e confuso sobre como controlar este parasita e a varroa não perdoa improvisos nem indecisões — e continuará a fazer estragos enquanto não for enfrentada com conhecimento, planeamento e rigor.

Esta realidade explica porque ferramentas como o simulador de varroa do Randy Oliver são hoje tão importantes. Não porque ofereçam respostas automáticas, mas porque ajudam a organizar o pensamento, a perceber a dinâmica real da varroa e a antecipar consequências. O simulador mostra de forma clara aquilo que no apiário muitas vezes passa despercebido: pequenos atrasos, decisões mal temporizadas ou níveis aparentemente baixos de infestação conduzem inevitavelmente a colapsos meses mais tarde. Ao visualizar a evolução da varroa ao longo do ano, o apicultor deixa de andar às cegas e passa a compreender quando, como e porquê intervir.

O simulador de varroa do Randy Oliver é um “abre-olhos” que contribui para compreender e prever a evolução da população de Varroa destructor ao longo do ano dentro de uma colónia de abelhas.

Num contexto em que muitos apicultores se sentem confusos e sem referências claras, o simulador funciona como uma ferramenta pedagógica poderosa, permitindo planear o controlo da varroa de forma integrada com o ciclo da colónia, o calendário apícola e os períodos de produção de mel. Em vez de tratamentos de emergência, aplicados tarde demais e em momentos impróprios, promove decisões informadas, atempadas e ajustadas à realidade de cada apiário — precisamente o tipo de abordagem que pode evitar que as perdas massivas se repitam nos próximos anos.

Uma das grandes vantagens do simulador de varroa é permitir antecipar a evolução da infestação ao longo do ano, em vez de reagir apenas quando os níveis já são preocupantes. Ao integrar o crescimento da colónia, a dinâmica da criação e a reprodução da varroa, o modelo ajuda-nos a identificar com antecedência os momentos críticos em que a população de ácaros irá ultrapassar os limiares de risco. Isto permite planear intervenções no momento biologicamente mais eficaz, quando a varroa ainda está controlável e os tratamentos têm maior impacto.

Na prática, esta abordagem reduz significativamente a necessidade de tratar em alturas impróprias, como durante os períodos de fluxo intenso de néctar e armazenamento de mel. Em vez de decisões tardias e forçadas, o apicultor passa a ter um plano baseado em previsão, podendo intervir antes do pico de varroa e preservar simultaneamente a saúde da colónia, a qualidade do mel e a tranquilidade do maneio. Controlar a varroa deixa assim de ser um exercício de emergência e passa a ser um processo estratégico ao longo do ano.

Convido-o a juntar-se ao curso Controlo efectivo da Varroa ao longo do ano, onde não só aprenderá a operar o simulador de varroa, mas sobretudo a interpretá-lo e adaptá-lo às condições específicas do seu apiário.

O objetivo não é aplicar modelos de forma cega, mas usar a ferramenta para pensar biologicamente, antecipar problemas e tomar decisões ajustadas à sua realidade.

Se a leitura deste artigo o fez perceber que conhecer e saber operar com ferramentas de apoio à decisão e planeamento, como é o caso do simulador aqui descrito, são fundamentais, então o curso Controlo efectivo da Varroa ao longo do ano foi pensado precisamente para si. Nesta nova edição, vamos muito além da aplicação de medicamentos de forma cega e tardia: trabalhamos a varroa como um problema biológico e populacional, integrado no ciclo anual da colónia, no clima e no maneio real do apiário.

O curso decorrerá online, via Zoom, nos dias 20 e 27 de fevereiro e 6 de março, com início às 20h30, permitindo participação a partir de qualquer ponto do país. Ultimas vagas disponíveis. Solicite mais informação para: jejgomes@gmail.com

o inimigo oculto: contagem por lavagem de ácaros vs aumento líquido diário de varroa

Mesmo que não se observe um impacto evidente na colónia com contagens de varroa até cerca de 6 ácaros, nessa altura a situação já está prestes a sair do controlo.

Isto acontece porque a população de varroa está a aumentar a um ritmo diário assustador (ver Figura em baixo), juntamente com os vírus que transmite, à medida que aumenta a percentagem de pupas parasitadas.

Figura – Compreender o crescimento exponencial

Contagem por lavagem de ácaros vs aumento líquido diário de varroa


A população de varroa aumenta de forma exponencial, muito mais rapidamente do que a contagem obtida numa lavagem de ácaros.

Quanto maior for o número de varroas na colónia, maior é o aumento líquido diário de novos ácaros (e mais acentuada é a curva de crescimento).

Partindo de um aumento diário de apenas algumas varroas por dia, em meados de maio (com uma contagem de apenas 3 varroas numa lavagem), a população de varroa já está a crescer a um ritmo líquido de cerca de 50 varroas por dia.

Um mês depois (com uma contagem de 6 varroas), o crescimento já é de cerca de 100 varroas por dia.

E mais um mês depois (com uma contagem de 13 varroas), a colónia está a ganhar quase 200 varroas adicionais por dia.

A partir desse ponto, a colmeia deixou de ser uma produtora de mel e passou a ser, literalmente, uma fábrica de varroa.

Fonte: https://scientificbeekeeping.com

A leitura deste artigo faz-nos perceber que monitorizar varroa não chega, e que o desafio/competência está em interpretar os números, antecipar a dinâmica da praga — utilizando um bom simulador de crescimento da população de varroas, como o que apresentarei e ensinarei como o operacionalizar para o território de cada um dos formandos — e agir no momento certo.

O curso Controlo efectivo da Varroa ao longo do ano foi pensado precisamente para fornecer estas competências. Nesta nova edição, vamos muito além das contagens isoladas: trabalhamos a varroa como um problema biológico e populacional, integrado no ciclo anual da colónia, no clima e no maneio real do apiário.

O curso decorrerá online, via Zoom, nos dias 20 e 27 de fevereiro e 6 de março, com início às 20h30, permitindo participação a partir de qualquer ponto do país. Ainda existem algumas vagas disponíveis. É uma formação exigente, baseada em ciência, observação de campo e tomada de decisão informada — porque na apicultura, como na biologia, adiar raramente é neutro.

uma solução para conservar o xarope e dimuir a carga de nosema e uma calculadora inovadora e exclusiva

Quem já tentou conservar grandes volumes de xarope sabe que as perdas por fermentação, os erros de dose e os custos acumulados acabam por pesar — especialmente quando se procura algo mais do que “apenas alimentar”. Foi precisamente para responder a esse problema prático que desenvolvi esta calculadora simples, direta e extremamente intuitiva, pensada para uso real por qualquer apicultor.

A lógica não podia ser mais clara, como se vê na imagem: o apicultor só tem de preencher a célula amarela com o volume de xarope (em litros) que pretende preparar. Nada mais. A partir daí, a calculadora trata automaticamente de todos os cálculos necessários, sem margem para erros ou confusões.

Em função desse volume, a ferramenta indica de forma imediata a quantidade de solução-mãe a utilizar, distinguindo claramente dois objetivos diferentes: um efeito conservante/preservante, pensado para manter o xarope estável e seguro, e um efeito terapêutico, associado a uma redução significativa da carga de microesporídios responsáveis pela Nosemose, tal como demonstrado por investigação independente.

Outro aspeto que considero fundamental é o custo. Esta abordagem mostra que não é preciso recorrer a soluções caras para obter resultados eficazes. Para se ter uma ideia concreta apresento em baixo tabela comparativa dos custos da solução mãe, lado a lado com dois aditivos comerciais muito utilizados para aditivar 100 L e 500 L de xarope contra a proliferação da Nosema no intestino das abelhas adultas.

Solução100 L (€)500 L (€)
Solução A (preservante)0,76 €3,82 €
Solução A (terapêutica)1,14 €5,70 €
Comercial 141,25 €206,25 €
Comercial 270,60 €352,98 €

Além da poupança direta, esta solução mãe e esta calculadora devolve algo muito importante ao apicultor: controlo. Controlo sobre quantidades, sobre objetivos e sobre aquilo que está efetivamente a ser feito no xarope que vai para as colmeias. Tudo é dimensionado automaticamente ao volume real preparado, evitando improvisos e “doses por intuição”.

Não se trata de substituir o conhecimento ou a observação do apiário, mas de traduzir esse conhecimento numa ferramenta prática, que qualquer apicultor pode usar sem formação técnica específica. A imagem fala por si: uma célula amarela, um número… e o resto está feito.

Mais simples, mais intuitivo e mais económico do que isto, sinceramente, é difícil.

Em breve esta calculadora será disponibilizada exclusivamente aos formandos que estão inscritos na sessão de nível 2, dia 23 de janeiro, do curso Nutrição Apícola Aplicada.

Por uma apicultura atenta, precisa e económica!

nutrição apícola aplicada — sessão 1

A sessão Nutrição Apícola Aplicada — sessão 1 propõe uma abordagem clara, crítica e aplicada à alimentação das abelhas, pensada para apicultores que querem compreender verdadeiramente o que estão a fazer quando suplementam as suas colónias — e porquê. Mais do que repetir recomendações descontextualizadas e opacas, esta sessão convida o formando a olhar para a nutrição apícola com base em fisiologia, ecologia alimentar e evidência científica.

Ao longo da sessão, o formando irá perceber os limites reais da suplementação e os erros mais comuns que comprometem a sua eficácia.

Será introduzida a lógica da geometria nutricional, aplicada à apicultura, ajudando o formando a pensar a alimentação não como receitas fixas, mas como equilíbrios dinâmicos adaptáveis ao estado da colónia, à época do ano e aos objetivos pretendidos.

Será também aprofundada a escolha de ingredientes, em particular dos lípidos. O formando aprenderá a distinguir óleos potencialmente úteis de outros que podem interferir negativamente com a palatabilidade, digestibilidade ou metabolismo das abelhas, desmontando ideias feitas que circulam frequentemente na apicultura.

A questão da água é abordada de forma crítica, desmontando ideias feitas, muito difundidas.

Nesta sessão serão apresentadas e disponibilizadas as primeiras calculadoras nutricionais, desenvolvidas para apoiar decisões práticas no terreno e reduzir a dependência de receitas genéricas. Estas ferramentas permitem ajustar quantidades, proporções e objetivos de suplementação de forma objetiva, sendo acompanhadas por documentação de apoio que contextualiza os pressupostos utilizados, os limites de aplicação e a correta interpretação dos resultados. O objetivo é autonomizar decisões e qualificar o raciocínio do formando, fornecendo instrumentos que aumentam a autonomia e a consistência das opções nutricionais ao longo do ano apícola.

No final da sessão, o apicultor sai com mais do que listas de ingredientes ou percentagens. Sai com critérios de decisão, compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos e a capacidade de adaptar estratégias nutricionais ao seu contexto específico e com recurso a ferramentas que são exclusivas do curso.

Esta sessão é, assim, o primeiro passo para uma nutrição apícola mais consciente, económica e eficaz — baseada em conhecimento sólido e não em modas, receitas universais ou soluções mal avaliadas.

Para mais informações enviar e-mail para jejgomes@gmail.com

dietas comerciais vs. dietas caseiras

Sobre os impactos de dietas comerciais (formuladas a partir de farinhas fabricadas industrialmente e comercializadas com marcas específicas) e os impactos de algumas dietas caseiras devidamente equilibradas [que podem ser formuladas em casa pelos apicultores e de forma mais económicas ) deixo os resultados de um artigo científico, revisto por pares, recentemente publicado em revista da especialidade.

As conclusões:

A comparação entre dietas comerciais e dietas caseiras revela diferenças profundas na eficácia, consistência e impacto nos parâmetros de saúde das abelhas. Abaixo apresento uma síntese analítica dos pontos-chave.

Impacto global na saúde das colónias

Dietas comerciais

  • Resultados maioritariamente neutros ou mistos, com vários efeitos negativos.
    Exemplos:
  • Farinha A: 6 resultados negativos, 11 neutros e apenas 1 positivo (Tabela Comercial – p. 23)
  • Farinha B (comercializada em Portugal): 3 positivos, 3 negativos, 6 neutros (p. 25)
    • Farinha C: mais negativos que positivos (p. 24)
  • Em muitos casos, não há impacto na produção de criação, população adulta ou armazenamento de pólen.
  • Algumas dietas aumentam patógenos:
    • Nosema aumenta em Farinha A, Farinha B e Farinha C (p. 13)
  • Podem até reduzir a longevidade das abelhas (várias farinhas comerciais; p. 11 e p. 24)

Síntese:

As dietas comerciais mostram eficácia limitada, e em vários casos produzem efeitos adversos.

Dietas caseiras

  • Resultados consistentemente positivos, especialmente quando baseadas em: farinhas… (a revelar aos inscritos no curso)
  • Exemplos de dietas com resultados positivos (a revelar aos inscritos no curso)
  • Sem efeitos negativos detectados nas dietas caseiras mais eficazes.

Síntese:

As dietas caseiras são muito mais eficazes, apresentando aumentos claros e consistentes em vários parâmetros: população, criação, produção de mel, longevidade e fisiologia interna.

As dietas caseiras permitem afinar a composição

Com base no conjunto dos dados do artigo a conclusão é cristalina:

  • As dietas caseiras são nutricionalmente superiores
  • As dietas comerciais têm desempenho inconsistente e frequentemente inferior
  • Alguns substitutos comerciais podem prejudicar a saúde das abelhas
  • Dietas caseiras cuidadosamente formuladas promovem melhor saúde, produtividade e longevidade

Identificarei as dietas comerciais/farinhas comerciais (algumas comercializadas em Portugal) e as dietas caseiras e sua formulação, assim como o artigo científico, nas edições do Curso Nutrição suplementar de abelhas.

Actualmente tenho abertas as inscrições para a edição que irá decorrer nos dias 15, 22 e 29 de dezembro. Se desejar solicitar mais detalhes e informação envie e-mail para jejgomes@gmail.com

  • As dietas caseiras são nutricionalmente superiores
  • As dietas comerciais têm desempenho inconsistente e frequentemente inferior
  • Alguns substitutos comerciais podem prejudicar a saúde das abelhas
  • Dietas caseiras cuidadosamente formuladas promovem melhor saúde, produtividade e longevidade

“as tuas sessões e explicações ajudaram-me imenso a dar o passo em frente na aplicação do PI”: o testemunho de um apicultor acerca da sua experiência com o Protocolo Inovador

Bem haja ao apicultor que me enviou este testemuho muito detalhado e analítico sobre a sua experiência recente com a aplicação do Protocolo Inovador (PI).

A este propósito e porque continuo a receber inúmeros pedidos de informação acerca deste PI, vou abrir novas datas para o percurso formativo “Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano” onde ensinarei a utilizar este protocolo, assim como a utilizar devidamente o ácido fórmico, o ácido oxálico e o timol, numa luta integrada e com a necessária rotação dos princípios activos. As datas do novo curso Zoom são: 14, 21 e 28 de novembro, com as sessões a iniciarem às 21h00. Enviem pedido de mais informação através da caixa de comentários deste blog ou para o e-mail: jejgomes@gmail.com

Boa tarde Eduardo,

Com muita pena minha, não pude estar presente na sessão online de sábado. Vais realizar mais alguma?

Uma vez que procuro manter-me informado sobre o mundo da apicultura, recorrendo a fontes o mais científicas possível , já tinha conhecimento do Protocolo Inovador (PI).
No entanto, as tuas sessões e explicações ajudaram-me imenso a dar o passo em frente na aplicação do PI.

Quero dar-te algum feedback sobre o meu percurso e também sobre o tratamento. Vou tentar ser o mais breve possível.

Desde que tenho abelhas (há cerca de cinco anos), tenho tido sempre problemas com a varroa, sobretudo no verão(achava eu) — altura em que via as colmeias a enfraquecer.
Nos últimos dois anos comecei a estar mais atento ao longo do ano, testando regularmente os níveis com o copo de álcool(Seguidor do Randy Oliver), e verificava que os índices de varroa se mantinham sempre elevados: acima dos 4% em média, com algumas colmeias a atingirem 20% ou mesmo 30%.

Apesar de aplicar tratamentos sucessivos com amitraz (Ação rápida) e ácido oxálico, foi muito difícil baixar esses valores, além do custo associado. Graças a tua formação em Coimbra com o Marcelo e o Nuno , cheguei a enviar amostras de varroa para o IPB, onde foi detetada a presença de varroas com resistência ao amitraz.

Este ano, após a floração do eucalipto(pouca pelos incêndios), levei as colmeias para a serra. Quando as voltei a descer, encontrei taxas de infestação entre 0% e 20%. As colmeias fixas apresentavam geralmente 0% devido ao tratamento nas alturas correctas, enquanto as transumadas mostravam valores mais elevados.

Tratei todas da mesma forma, embora, por questões de disponibilidade, não tenha conseguido respeitar totalmente os intervalos, como poderás verificar abaixo:
Dia 09/Ago: Contagem + Protocolo Inovador (PI) + Tiras de Amicel
Dia 23/Ago: Contagem 
Dia 28/Ago:  Protocolo Inovador (PI) + Oxálico Sublimado
Dia 13/Set: Contagem

No entanto, posso concluir que o tratamento foi eficaz. No caso de uma colmeia com 65 varroas, o número desceu para 6 e depois para zero nas contagens seguintes. As restantes estão  a zero ou muito perto.

Quanto à eficiência, reconheço que não foi a ideal devido à carga de trabalho, mas, se fizermos as contas ao custo real, pode não ser assim tão diferente de um tratamento convencional. Deixo abaixo os custos de “mercearia” :

Total de colmeias: 60
Média de quadros com criação: 2 (devido aos incêndios,  ao clima e a realização 2 desdobramentos com a ideia de aumentar efetivo, as colmeias apresentavam menos criação)
Tempo total de tratamento: cerca de 3,5 horas
Mão de obra (2 pessoas): 7,5 €/h × 2
Tratamento aplicado: 3 € (pode ser mais barato comprando em maiores quantidades)
Custo total: 55,5 €
Custo aproximado por colmeia: 0,93 €

Vou tentar ser mais eficiente nos tempos 😊

Em resumo, trata-se de um método eficaz e económico, que pode ajudar a reduzir a varroa a níveis controláveis, permitindo depois recorrer a outros tratamentos mais práticos ao longo do ano. O importante é testar.

Tenho procurado levar a apicultura de forma mais séria e controlada, e acredito que este tipo de abordagem é o caminho certo.

Deixo aqui um pequeno resumo do meu ponto de vista e aproveito para te agradecer pelo contributo que tens dado à apicultura, mesmo enfrentando alguma resistência de certos “experts” que temem a mudança.

Apesar de algumas resistências na comunidade apícola, pontuais e pouco consistentes no argumentário, vou continuar a trilhar o meu caminho! Cada vez acho mais necessária introduzir mudanças e adaptações nos velhos modos de fazer e pensar, para atingir uma apicultura sustentável, motivante e vencedora face aos desafios de hoje e àqueles que se avizinham vindos de leste europeu!