mistura de meis UE e não UE

A concorrência dos méis de origem duvidosa, que as nossas autoridades e as autoridades de outros países permitem que sejam rotuladas como todos nós sabemos de “mistura de méis UE e não UE”, tem nos últimos anos distorcido o mercado do mel na Europa e noutras zonas do mundo (EUA e Canadá, por ex.).

Há alguns dias atrás apicultores portugueses em Lisboa e apicultores espanhóis em Mérida manifestaram-se publicamente nas ruas destas duas cidades exigindo aos respectivos governos que mudem as regras do jogo e que legislem no sentido de a rotulagem do mel indicar de forma clara e inequívoca os países de origem deste mel que se encontra à venda um pouco por todo o lado. Actualmente é o Decreto-Lei nº 214/2003 que regulamenta a rotulagem do mel.

A justeza desta exigência numa sociedade avançada e madura democraticamente faz todo o sentido uma vez que os consumidores devem ser informados com clareza acerca da origem e características dos produtos que são colocados ao seu dispôr nas diversas superfícies comerciais.

Não tendo uma bola de cristal para adivinhar o futuro, prevejo no entanto que estas iniciativas, ainda que justas e pertinentes torno a dizer, poderão esbarrar naquilo que alguns chamam de “real politic” ou a “diplomacia dos interesses”. Temo que que os nossos governantes fingindo dar-nos atenção irão adiar uma e outra vez a reposta ao problema. Julgo mesmo que esta é uma questão que só poderá ser resolvida no âmbito europeu com legislação de Bruxelas, porque a norma actual é europeia também. Por outro lado se os chineses continuam a injectar no país muito capital através de aquisições imobiliárias, se o governo procura estimular o investimento chinês nos sectores produtivos da nossa economia, se temos o NovoBanco para vender e os chineses estão na corrida, se os chineses têm uma. forte presença noutros sectores relevantes para a economia nacional, porque razão iria o governo português comprar uma quezília com os chineses por causa dos rótulos de frascos de mel? Poderá acontecer uma cena bíblica, como a de Davide e Golias; mas isso só acontece uma vez, e os apicultores não têm a mão de Deus por trás como teve Davide e a China é muito maior que Golias. Ou muito me engano, e quero enganar-me, ou tudo isto dará uma boa história para alguns contarem mas de frutos nada. Não deveremos preparar um plano B no caso deste falhar? Porque a solução não é ficar de braços cruzados, claro que não. Sugiro portanto o apoio do estado para uma campanha nos canais de comunicação social por ele tutelados (rádio e televisão públicas) para a importância do consumo do mel e particularmente do mel nacional, a exemplo da campanha que foi feita para o sector do leite.

A juntar a esta campanha que estará sempre dependente da boa vontade e interesse de terceiros  julgo que nós próprios podemos fazer mais do que fizemos até agora para alertar os consumidores. Porque não colocar um contra-rótulo nas costas dos frascos de nosso mel nacional e que colocamos no mercado a chamar a atenção dos consumidores para evitar consumir mel que não identifique claramente os países de origem do mesmo e sensibilizar os consumidores para que prefira o mel nacional porque as abelhas dos outros países não polinizam as árvores e flores de Portugal.

Fica este espaço em aberto para sugestões que possam estimular o consumo do nosso mel, e se andar por aí alguém com formação em Direito que nos diga por favor se podemos “contra-rotular” nos termos que eu sugiro.

Este post foi inspirado no Monte do Mel e pelo post do António Marques acerca do seu encontro de 3º grau com uma mistura de meis UE e não UE numa casa de turismo rural no nosso país (ver http://montedomel.blogspot.pt/2016/10/turismo-rural-descaracterizado.html) e no post do Afonso no Abelhas do Agreste acerca da manifestação em Lisboa.

a reprodução da varroa nos meses de fevereiro a agosto

Começando por alguns factos e concluindo com um cenário ou uma projecção com base nos factos:

Os factos:

Um ciclo de reprodução de varroas produz, pelo menos, 1,45 novas fêmeas se criadas em larvas de obreira; pelo menos 2,2 novas fêmeas  se criadas em larvas de zângãos, larvas mais atraentes para a varroa.

A reprodução da varroa ocorre nos alvéolos fechados/operculados e dura 12 ou 14 dias, se em larvas de obreiras ou de zângãos respectivamente. A maioria das varroas sexualmente maduras apresentam 3 ou 4 ciclos reprodutivos sucessivos durante a sua vida.

A duração da fase forética entre 2 ciclos reprodutivos é variável. Uma fêmea nova amadurece durante 7 dias, em média, na sua primeira fase forética (mínimo de 5 até 14 dias) antes de infestar uma larva e levar a cabo o seu primeiro ciclo reprodutivo. Muito importante: no entanto, a fase de forética não é vital, e subsequentemente passa a depender, principalmente, da disponibilidade de larvas próximas a ser infestadas e na fase adequadas do seu desenvolvimento.

O tempo de vida útil do parasita é adaptado ao ciclo de vida da abelha. Uma fêmea pode viver entre 1 e 2 meses no verão e entre 6 a 8 meses durante o inverno, na ausência de criação.

Infestação: na temporada apícola, as larvas de zângão são muito mais fortemente infestadas do que as larvas de obreiras (8 a 10 vezes mais). O impacto e nível de infestação é, portanto, menos perceptível, exceto quando a criação de zângãos diminui, provocando, assim, uma transferência em massa da população das varroas em direção à criação de obreiras, o que tem um impacto súbito numa única geração de obreiras e pode levar ao colapso da colmeias quando o nível de infestação é muito alto (facto de importância crítica, nunca o esquecer).

(fonte: http://www.veto-pharma.com/products/varroa-control/about-varroa-mites/)

Agora o cenário…

Começando com uma varroa na nossa colmeia a 1 de Fevereiro, no dia 12 fevereiro temos a mãe e mais uma filha. No dia 1 de março (5 dias na fase forética e 12 dias a reproduzir-se nas larvas das obreiras), temos as duas mães e mais duas filhas, 4 no total. Se considerarmos que a mãe original está no fim da vida passados estes 30 dias temos 3 varroas na nossa colmeia. Antes do início da temporada de criação de zângãos a varroa triplica os seus números a cada trinta dias (perspectiva conservadora).

Mas em abril as nossas colmeias começam a criar zângãos e as 3 varroas vão desenvolver a sua prole nesta casta de larvas. Tudo se irá acelerar. Passados 19 dias (5 dias da fase forética e 14 nas larvas de zângão) as três varroas presentes no início de abril deram origem a 6 novas filhas. Temos agora nove varroas na nossa colmeia. Num período de 19 dias o número de varroas triplicou. Por volta de 8 de maio temos cerca de 30 varroas. Antes do final de maio temos entre 90 e 100 varroas. A quinze de junho o número voltou a triplicar e chegamos às 300 varroas. No início de Julho estamos a chegar às 1000 varroas. 3000 varroas será o número aproximado cerca de 20 de Julho. Por volta de 10 de Agosto estamos a chegar a 10 000 varroas.

Os números não enganam: numa população de 50 000 abelhas no início de Julho temos 2% de infestação. Percentagem tolerável mas que coloca as nossas colmais à beira de um aumento crítico das varroas num período de pouco mais de um mês, mês em que geralmente andamos muito ocupados com a cresta do mel para nos apercebermos.  Se nada fizermos entre o início de Julho e meados de Agosto a percentagem de infestação muito provavelmente irá atingir os 20%. Nesta altura temos uma colmeia à beira de colapsar pelo contributo negativo dado por vários factores:

  1. temos um ácaro em cada uma de 5 abelhas;
  2. os ácaros preferem as abelhas nutrizes e portanto não será extravagante pensar que uma em cada duas abelhas nutrizes transportam uma varroa;
  3. estes ácaros esperam o momento oportuno para se introduzirem nos alvéolos e podem encurtar a fase forética para menos do que os 5 dias que habitualmente são referidos na literatura;
  4. a criação de zângãos está reduzida e assistimos à transferência massiva dos ácaros para a criação de obreira;
  5. a postura das rainhas e a criação tem vindo a decrescer regularmente desde o solstício de verão em muitas regiões do nosso país…
  6. todos estes factores criam as condições para que 50% a 75 % do próximo ciclo de novas abelhas surjam de larvas parasitadas.

procurando correr de forma diferente acabei a correr da mesma forma

No seguimento deste post aqui continuo à procura das variáveis que possam explicar duas questões que coloco a mim mesmo:

  • porque razão alguns apiários mostraram uma taxa demasiado elevada de colmeias com varroose após os tratamentos com bayvarol e outros, pelo contrário, apresentavam taxas de elevada eficácia do tratamento?
  • porque razão no mesmo apiário 5% a 10% das colmeias estavam à beira do colapso (abelhas com varroas e/ou com asas deformadas ) e, simultaneamente, a maioria das colmeias estava saudável?

Neste momento a minha melhor hipótese é que na altura do tratamento com o bayvarol as colmeias não estavam todas no mesmo ponto de partida no que respeita à infestação da varroa. Dito de outra forma, tenho uma forte convicção que na altura em que iniciei os tratamentos tinha colmeias já muito infestadas (com 5% ou mais de varroas foréticas), ainda que a infestação não fosse visível aos meus olhos e, ao lado, outras colmeias tinham níveis muito mais baixos de infestação.

Um pequeno parentesis polémico, estou consciente:

Digo hipótese porque não fiz uma monitorização da taxa de infestação da varroose colmeia a colmeia, simplesmente porque é impraticável na dimensão em que trabalho. Poderia, contudo, ter feito uma amostragem aleatória de abelhas em 10% a 25% das colmeias de cada apiário para decidir se tratava na altura ou se adiaria os tratamentos. Pergunto a mim mesmo de que me serviria essa monitorização? Pergunto: num apiário onde encontrei 5 a 10% das colmeias com asas deformadas (e isto no caso dos apiários mais infestados) o que me teria dito uma monitorização aleatória de 10% a 25% das colmeias 40 a 50 dias antes? Estou convencido que me diria que não seria necessário iniciar os tratamentos na altura em que de facto os iniciei. Sei que é controverso mas não estou, neste momento, absolutamento convencido da validade e até da credibilidade que nós apicultores devemos dar à monitorização por amostragem e contagem das varroas nas abelhas adultas através dos diversos métodos de lavagem das varroas dos seus corpos (ver lavagem por açucar de pasteleiro, água com detergente e outros).

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Fig. 1 — Apicultor utilizando o “sugar roll” para monitorizar a taxa de infestação por varroa

Importa sustentar a minha hipótese anterior e que relembro ser estar na presença de colmeias com níveis de infestação muito diversos na altura dos tratamentos com Bayvarol. Com base na análise dos meus relatórios verifico que um dos dois apiários na Beira Alta com mais problemas foi um daqueles para onde transumei um número significativo das minhas colmeias a partir do meu apiário no distrito de Coimbra. Mais, verifico que nestas colmeias transumadas, as colmeias mais infestadas eram na sua maioria colmeias onde iniciei o anterior tratamento, com Apivar, no final de novembro (30 de novembro de 2015) tendo tirado as tiras no início de março (ficaram 12 semanas por razões sustentadas em dois estudos científicos independentes que conto traduzir brevemente). Isto significa que entre o fim do tratamento com Apivar e o início do tratamento com Bayvarol passaram 5 meses grosso modo, quando o intervalo entre tratamentos que procuro seguir não ultrapassa os 4 meses. A somar a este facto lembro que estas colmeias transumadas apresentaram postura intensa nos meses de inverno (influência do clima e pasto apícola conhecido por todos nós no litoral centro do nosso país). Das 4 colmeias mais infestadas, 3 colmeias pertenciam a este grupo de colmeias. Vamos designar este grupo de colmeias pelas letras BL.

Por contraste nesse mesmo apiário e nas colmeias que sempre estiveram pela Beira Alta iniciei o tratamento com Apivar na segunda semana de Fevereiro e foram tiradas na segunda semana de Maio (as mesmas 12 semanas). Nestas colmeias o intervalo entre tratamentos não ultrapassou os dois meses e meio. Por outro lado as rainhas diminuíram naturalmente a postura nos meses de inverno (influência do clima e pasto apícola conhecido de todos nós no interior centro do nosso país). Das 4 colmeias mais infestadas, apenas 1 colmeia pertencia a este grupo de colmeias. Vamos designar este grupo de colmeias pelas letras BI.

Este apiário em questão tem 50 colmeias, sendo 20 do grupo BL e 30 do grupo BI.

Uma questão final neste momento: não seria de esperar que o Bayvarol (ou outro qualquer tratamento homologado ou não) desse conta de quase todas as varroas presentes na colmeia fossem estas 2000 ou 10000? Neste momento tudo me leva a crer que a reposta é que não é mesmo nada de esperar isso. Se o tratamento for eficaz a 90% significa que ficam 200 e 1000 varroas na colmeia, respectivamente. Como já foi dito pelos companheiros nos comentários podemos ter colmeias no nosso apiário ou em apiários vizinhos a adicionarem generosamente varroas a estas colmeias. Mais, a diminuição abrupta da criação nas colmeias nos meses de Julho e Agosto faz subir a pico o número de larvas e pupas parasitadas. No final deste cocktail temos ainda as ondas de calor de Julho e Agosto que diminui significativamente o contato das abelhas com as tiras acricidas e das abelhas entre si, contrariando o mecanismo básico que preside à concepção destas tiras.

Concluindo, neste momento estou convencido que neste apiário a resposta às minhas duas questões iniciais é que mais uma vez cheguei tarde demais, não a todas as colmeias, mas ainda assim a um número significativo delas.

uma arma revolucionariamente simples contra a vespa velutina

Como muitos de nós sabem, por um saber de experiência feito, a apicultura quando levada seriamente é uma atividade muito exigente no que respeita à carga de trabalho a ela inerente. Por essa razão procuro, e julgo que procuramos todos nós, soluções simples, rápidas e que tenham uma elevada eficácia na resolução dos diversos problemas com os quais nos vamos confrontando.

Um dos problemas mais atuais em alguns países europeus e também em várias regiões de Portugal chama-se Vespa Velutina (também conhecida por Vespa asiática ou Vespa das patas amarelas). Ora nas minhas deambulações pela net encontrei aqui uma solução para eliminar pelo menos uma parte das Vespas Velutinas rainhas (também conhecidas por “fundadoras”).

A bandeja coletora de Vespas Velutinas rainhas

Um apicultor francês, Denis Jaffré, apicultor na Finisterra francesa e co-presidente da Associação Anti Vespa Asiática, descobriu uma forma inteligente para acabar com o pesadelo. “Em 2014, eu perdi seis colmeias, mas descobri o culpado no outono: dois enormes ninhos de vespa asiática, previamente escondida pelas folhas, e que estavam empoleirados nas árvores situadas num raio de 200 metros meu apiário “, diz ele. No ano seguinte, este apicultor decidiu utilizar pela primeira vez a “bandeja coletora” de Vespas Velutinas rainhas. É um dispositivo simples e eficaz que atrai e elimina as rainhas na primavera, antes de formarem uma nova colónia.

Um atrativo poderoso

O resultado é eloquente: “entre o início de março, quando elas saem da hibernação, e no final de junho, eu capturei 13 rainhas, o que me permitiu impedir a criação de 3 a 4 ninhos no meu ambiente imediato e lamentar a predação nas minhas colmeias “, diz este apicultor. O princípio é o de atrair estas jovens rainhas usando um poderoso atrativo: mel cristalizado colhido no outono, amalgamado com cera de uma colmeia saudável (para evitar a propagação de pragas, como loque americana). Denis Jaffré coloca este atrativo numa bandeja de metal grande (60 x 70 cm no mínimo) que é colocada sobre cavaletes. O conjunto é colocado em campo aberto, mas protegido da chuva, num local bem iluminado, garantindo que o sol não derreta o isco.

Esfomeadas por alimentos ricos em açucares

“No final do inverno e toda a primavera, as rainhas sentem uma bulimia por alimentos açucarados”, explica ele. “As rainhas nesta época do ano procuram avidamente acumular reservas de energia necessárias para a atividade reprodutiva no futuro próximo. Mel com cera misturada liberta aromas que atraem todas as fêmeas dentro que eu acho que cerca de 1,5 km”. “A captura é realizada no momento da visita diária com um frasco de boca larga com uma tampa (ver aqui vídeo exemplificativo), ou com um pau de espeto revestidos com cola (ver aqui vídeo exemplificativo) ou com um pequeno aspirador (ver aqui vídeo exemplificativo). Não há risco de ser picado “nesta época do ano, as rainhas jovens só pensam em comida e não são agressivas” garante Denis Jaffré. Além disso, ao contrário de um aprisionamento convencional, a bandeja coletora de rainhas é muito seletiva: não são eliminados as rainhas dos abelhões, vespas ou vespas europeias (inofensiva para as abelhas) para não mencionar as abelhas campeiras atraídas também pelo cheiro perfumado do mel e cera.

“Simples, eficaz, seletivo e limpo”

A última vantagem deste método revolucionário: não custa nada – o seu inventor (vespavelutinabzh@orange.fr) fornece o seu parecer gratuitamente — e é para todos: indivíduos, mas também as comunidades. “Os investigadores continuam a procurar e eu descubro num ano um truque simples, eficiente, seletivo e orgânico”, diz ele sarcasticamente. Segundo ele, a destruição de ninhos custa cerca de 300.000 euros por ano e por departamento, uma soma de 20-30 milhões de euros em todo o país. Tudo em vão, porque, ano após ano, a vespa asiática continua a proliferar …”

Quanto a nós, por cá, é pôr mãos à obra porque uma boa velutina é uma velutina morta, sobretudo se ela for uma rainha.

questões pós-tratamento contra a varroose

Como referi num post anterior este ano decidi antecipar os tratamentos de final de verão contra a varroose cerca de 2 a 4 semanas relativamente ao período utilizado nos dois anos anteriores. Como referi esta decisão advém de ter observado que em algumas colmeias os tratamentos colocados em finais de Agosto/início de Setembro eram já tardios (via aqui e ali abelhas com as asas deformadas, com criação calva e até um padrão de criação salpicada/dispersa nos quadros).

Este ano utilizei pela primeira vez o Bayvarol, coloquei as 4 tiras por colmeia como recomendado pelo fabricante. Na altura em que coloquei os tratamentos tive oportunidade de confirmar visualmente a ausência de danos na criação e abelhas pela varroose. Passados cerca de 2 a 3 semanas fiz uma inspecção visual às zonas de postura de algumas colmeias de vários apiários e não vi sinais de varroa. Fiquei relativamente descansado!

Cinco a seis semanas após a introdução das tiras tive a oportunidade de voltar a fazer a inspecção aos ninhos de algumas colmeias e com relativa surpresa encontro algumas colmeias com abelhas com asas deformadas. Decido fazer uma inspecção aprofundada a todas as minhas colmeias (cerca de 600) e encontro varroas em cima das abelhas em cerca de 20% das colmeias e nestas, em 4% a 5%, encontro um estado de infestaçãoo já bastante avançado (abelhas com asas deformadas e inúmeras abelhas com varroas agarradas ao seu corpo). Dos 11 apiários inspeccionados verifico que em dois deles tenho cerca de 30% a 40% das colmeias infestadas e em cinco apiários não vejo qualquer sinal de varroas nas colmeias. Nos restantes apiários encontro 10% a 15% de colmeias com varroas.

A minha questão inicial é:

  • se tenho apiários com 30 a 80 colmeias instaladas onde aparentemente o Bayvarol foi 100% eficaz como explicar que noutros apiários, com as mesmas dimensões, a eficácia tenha aparentemente sido de apenas 60% a 70%?

A outra questão é:

  • ­o que fazer diferentemente no próximo ano no tratamento do meio-final de verão?

Nota: comentando estes resultados com as técnicas da minha associação foi-me dito que outros apicultores associados apresentam resultados semelhantes aos meus (eficácia dos tratamentos numa boa parte das colmeias mas ineficácia em algumas outras) e com outros tratamentos e outros princípios ativos.

o mel de melada ou o mel do bosque

O mel de melada (também designado mel do bosque) provém de um líquido açucarado secretado por insetos, como os pulgões/afídeos, que sugam a seiva de certas plantas/árvores. Este líquido açucarado é, por seu turno, coletado pelas abelhas nos afídeos ou directamente nas plantas e árvores e depois convertido em mel de cor escura com reflexos avermelhados à contraluz, malteado no palato e muito denso ou de viscosidade forte. Este mel de melada é também conhecido como mel do bosque ou mel de floresta e pode ter origens diversas, tendo como ponto comum ser um mel não-floral, ou como outros indicam um mel extra-floral. Algumas variedades são nomeadas de acordo com a fonte vegetal a partir do qual as abelhas recolhem a melada (por exemplo o famoso e valorizado mel de “sapin” francês, que pessoalmente acho muito semelhante ao mel de azinheira que produzo).

A composição, propriedades e benefícios do mel de melada são diferentes das que habitualmente encontramos no mel derivado do néctar das flores.

Em geral os méis de melada não cristalizam devido ao menor teor de glicose e contém uma alta concentração de minerais, uma característica identitária destes méis. Possuem um sabor forte amadeirado e persistente na boca. Apresentam uma cor escura, um menor aroma e são uma solução altamente viscosa  muito pegajosa ao toque.

As principais diferenças entre o mel de néctar floral e o mel de melada são:

  • Composição: os méis de melada contêm um elevado teor de sais minerais, açúcares complexos tais como rafinose e melezitose e aminoácidos.
  • Sabor e cor: é de cor escura e menos doce em comparação com o mel de flores.
  • A cristalização: a presença de açúcares complexos impede a cristalização. Em geral o alto teor de frutose em relação com a glicose e menor quantidade de água impede a cristalização deste tipo de mel.

Contudo a melada de carvalho e azinheira (a mais comuns no nosso país), ao contrário de outras variedades de mel derivadas de melada, fica cristalizada muito facilmente formando cristais grandes e firmes, é um mel de cor escura, com um aroma intenso e sabor malteado (a mim lembra-me bastante a cerveja preta).

As condições climáticas mais propícias à produção deste tipo de mel não se verificaram este ano na zona dos meus apiários. Faltaram as névoas matinais e maior fresquidão e em seu lugar tive/tivemos dias tórridos e sem humidade no ar, que se instalaram em especial a partir do final de Junho.

Estranhamente, o mel de melada não é considerado um bom alimento de inverno para as abelhas, porque pode ser bastante elevado em cinzas, a principal causa de disenteria nas abelhas. Os apicultores muitas vezes removem o mel de melada das suas colmeias antes do início do inverno .

No que respeita ao mercado, o mel de melada é geralmente um pouco mais valorizado nos mercados internacionais, sobretudo no centro e norte da europa, quando comparado com a generalidade dos méis mais claros. A razão pode estar no facto de apresentarem uma condutividade eléctrica maior, o que pode facilitar o trabalho dos grandes grossistas na sua homogeneização e mistura com outros lotes de méis.

A terminar uma dica para quem desejar produzir estes méis: tenham preparados quadros com cera limpa e já puxada para colocar nas alças meleiras, pois na altura das meladas (Julho a Setembro) as abelhas têm já muita dificuldade em puxar cera.

avaliação da eficácia relativa de diferentes acaricidas contra o varroa destructor em apis mellífera carnica

Como já referi noutro post anterior, utilizei pela primeira vez no combate e controlo da varroa o acaricida homologado no nosso país com a marca Bayvarol. Dado que o estava a utilizar pela primeira vez procurei recolher informação prévia acerca do mesmo. Se às vezes as minhas abelhas perdoam e corrigem os meus erros, quando se trata de varroa são incapazes de o fazer. Ou faço bem os tratamentos e evito erros ou já sei que elas e eu iremos pagar uma factura bem cara mais adiante. Ora, entre outras fontes de informação acerca do Bayvarol, encontrei este estudo levado a cabo na Arábia Saudita e que na minha opinião apresenta dados muito interessantes.

“Sumário: A eficácia de cinco acaricidas Apistan, Bayvarol, Apivar, Perizine e Bee Strips no combate contra o Varroa destructor foi avaliada durante três temporadas consecutivas (outubro – dezembro de 2003 , 2004 e 2005). Durante a primeira estação Apistan, Bayvarol (apenas 2 tiras aplicadas), Bayvarol (aplicação de 4 tiras) e Apivar foram comparados e o Bayvarol (4 tiras aplicadas) mostrou o nível de eficácia máximo (96%), seguido por Apivar (95%) e 2 tiras de Bayvarol (89%), enquanto Apistan permaneceu no nível mínimo (85%). Durante 2ª temporada foram avaliadoso Apistan, 4 Bayvarol (4 tiras), Apivar e Perizin. O Apivar apresentou a eficácia máxima (95%), seguido pelo Perizine (94%), ao passo que o Apistan e Bayvarol (4 tiras) mostraram apenas 80% de eficácia. Durante a 3ª temporada, Apistan, Bayvarol (4 tiras), Apivar e Bee Strips foram comparados e a Bee Strips apresentaram a maior eficácia (95%), seguidas pelo Apivar (92%) e 4 tiras de Bayvarol (70%), ao passo que o nível de eficácia do Apistan baixou para os 60%. Os resultados revelaram uma diminuição na eficácia do Apistan e Bayvarol, que foi atribuída ao desenvolvimento de resistências no Varroa destructor contra fluvalinato e flumetrina, enquanto o Apivar ficou provado ser um acaricidas muito eficaz. O Perizine e Bee Strips demonstraram revelar-se muito eficazes no controle do Varroa.”

fonte: EVALUATION OF THE RELATIVE EFFICACY OF DIFFERENT ACARICIDES AGAINST VARROA DESTRUCTOR ON APIS MELLIFERA CARNICA; AHMAD A. Al -GHAMDI; Bee Research Unit, Department of Plant Protection, College of Agriculture, King Saud University, Riyadh, Saudi Arabia.

Alguns aspectos que gostaria de destacar do estudo em relação ao Bayvarol:

  • uma primeira utilização do Bayvarol mostrou ser muito eficaz;
  • a utilização de 4 tiras de Bayvarol (como recomendado pelo fabricante) garante uma maior eficácia que a utilização de apenas 2 tiras;
  • de acordo com os dados os ganhos de resistência ao princípio activo do Bayvarol são muito rápidos e significativos, desaconselhando a sua utilização em tratamentos consecutivos.

resíduos de acaricidas nas ceras de abelha: comentário e resposta

Transcrevo em baixo o comentário acerca do acumulo de resíduos de acaricidas nas ceras e a resposta dada pelo Comité Europeu dos Medicamentos para Uso Veterinário (CMV) a este comentário.

Comentário geral: “A grande maioria dos apicultores fornece lâminas de cera às suas abelhas feitas a partir da cera reciclada de cera velha dos quadros fundidos no final da época. Alguns medicamentos veterinários hidrofóbicos ou seus metabolitos podem contaminar esta cera e levar ao aumento dos seus níveis por via da reciclagens repetida da cera de colónias tratadas com acaricidas. A acumulação é dependente da estabilidade destes compostos mesmo durante o tratamento térmico e fusão da cera no processo. As concentrações de tais MUV (Medicamento de Uso Veterinário) ou dos seus metabolitos na cera de abelha pode aproximar-se dos níveis tóxicos para as abelhas e/ou níveis onde a contaminação do mel é provável que ocorra. Além disso a presença constante dos resíduos destes MUV na cera pode acelerar o desenvolvimento de ácaros da varroa resistentes aos mesmos. Desta forma, a eficácia a longo prazo e a segurança dos animais alvo destes MUV pode ser comprometida. Sugerimos, portanto, que a orientação deve incluir estudos para avaliar os MUV e estas propriedades adversas. Problemas com acúmulo de MUV na cera reciclada foram discutidos no Workshop EMA sobre medicamentos para as abelhas, 14-15 de dezembro de 2009 em Londres (EMA / 28057/2010). Estudos sobre o acúmulo em cera (sem reciclagem) foram solicitados pelo CMV para o relatório de síntese sobre Amitraz (EMEA / MRL / 572/99 e EMEA / MRL / 187/97). ”

Vejamos a resposta dos especialistas do Comité Europeu dos Medicamentos para Uso Veterinário (CMV) a este comentário.

“De facto a utilização de alguns acaricidas pode levar ao surgimento de resíduos no mel. O mel contém sempre cera. Estas substâncias solúveis em água e em solventes orgânicos podem acabar no mel. Em relação ao potencial de contaminação do mel com resíduos transferidos da cera para o mel deve notar-se que o LMR (Limite Máximo de Resíduos) para o mel não faz distinção entre os resíduos decorrentes do tratamento em si mesmo e resíduos decorrentes da transferência da cera. Além disso, reconhece-se que a partículas de cera podem estar presentes no mel. Para as substâncias para as quais foram estabelecidos limites máximos de resíduos no mel, o cumprimento do LMR continua, portanto, a garantir a segurança do consumidor.

No entanto sublinhamos que para um determinado número de substâncias, o CMV concluiu que não há uma necessidade de estabelecer um LMR no mel. Estas substâncias considera-se não representarem uma preocupação de segurança alimentar do consumidor, porque ou a sua toxicidade é baixa e, consequentemente, a exposição, mesmo em níveis elevados, não representará um risco para o consumidor, ou porque é aceite que a sua concentração no mel será sempre baixa (por exemplo, porque eles são não-lipofílico e não se acumulam). A transferência de resíduos de substâncias deste tipo da cera de abelhas para o mel, concluiu-se não representar uma preocupação de segurança alimentar para o consumidor. Deve também ser notado que existem dados que mostram que os valores destes resíduos no mel proveniente dos favos de mel contaminados são cerca de 1700 vezes menores do que as concentrações de resíduos existentes nos favo de mel. Além disso, a transferência de resíduos dos varroacidas a partir da cera para o mel, ocorrerá se o nível de resíduos na cera atingir 2 dígitos de ppm (10 a 60 mg/kg) para chegarmos a concentrações no mel entre 0,6 a 36 µg/kg. Por conseguinte, considera-se que o potencial para a transferência de resíduos da cera para o mel é limitada e não representa uma preocupação de segurança alimentar do consumidor.

No que diz respeito à cera de abelhas, é prática comum reciclá-la. Desta forma, os resíduos podem persistir na cera ao longo dos anos. O problema não é novo e está relacionada com substâncias que não são solúveis em água. Como a reciclagem é feita geralmente por aquecimento, o nível de resíduos de uma substância pode ser reduzida (por evaporação). Não há informação científica que indique riscos dos resíduos de acaricidas na cera de abelha, e não têm sido identificados quaisquer efeitos tóxicos em abelhas e/ou indução de resistências nos ácaros Varroa. Ao invés de ser relacionada com resíduos em cera, esses efeitos adversos possíveis parecem estar relacionados com o uso inadequado dos acaricidas. Estes níveis que foram observadas na cera são geralmente demasiado baixo para induzir esses efeitos. Assim, a probabilidade dos resíduos se acumularem até níveis que são tóxicos para as abelhas (criação) e/ou selecção de resistências nos ácaros é considerado baixo. Além disso, abelhas e ácaros não entram em contacto com a cera de uma forma que possa provocar os efeitos acima mencionados. Embora seja possível estudar a persistência de substâncias na cera em relação à reciclagem, a probabilidade de encontrar efeitos tóxicos sobre as abelhas e/ou redução da sensibilidade nos ácaros, devido a resíduos na cera de abelhas, é considerado muito baixo, tendo em conta todos efeitos adversos que podem afetar as colónias de abelhas. Portanto, nenhuma recomendação sobre a necessidade de se efectuarem estudos acerca dos efeitos dos resíduos da cera de abelha com relação com a toxicidade para as abelhas e /ou indução de resistência em ácaros Varroa é feita. Estudos de longo prazo sobre as abelhas são limitados no tipo de informação que pode fornecer sobre o risco devido à presença de resíduos de cera. Boas práticas de apicultura, bem como o uso adequado de acaricidas é uma questão importante na redução da presença de resíduos na cera de abelha “.

A terminar recordo de um post anterior:

  • para o Apivar o intervalo de segurança é de zero dias e o LMR de amitraz (substância activa no Apivar) no mel é de 200 microgramas por Kg de mel;
  • para o Bayvarol o intervalo de segurança é de zero dias e o LMR de flumetrina (substância activa no Bayvarol) no mel não está definido pela UE;
  • para o Apistan o intervalo de segurança é de zero dias e o LMR de fluvalinato (substância activa no Apistan) no mel não está definido pela UE.

e sublinho deste post:

“No entanto sublinhamos que para um determinado número de substâncias, o CMV concluiu que não há uma necessidade de estabelecer um LMR no mel. Estas substâncias considera-se não representarem uma preocupação de segurança alimentar do consumidor, porque ou a sua toxicidade é baixa e, consequentemente, a exposição, mesmo em níveis elevados, não representará um risco para o consumidor, ou porque é aceite que a sua concentração no mel será sempre baixa (por exemplo, porque eles são não-lipofílico e não se acumulam).”

bayvarol: algumas reflexões

Pela primeira vez estou a utilizar o Bayvarol no tratamento da varroose. Vou tratando em parte de acordo com o avanço da cresta mas sobretudo de acordo com o que a minha experiência dos dois últimos anos me tem mostrado.

A minha experiência tem-me mostrado que aguardar até que tenha crestado todas as meia-alças e alças meleiras pode ter custos muito grandes no que diz respeito à infestação das colmeias pelo ácaro varroa. A explicação é simples e a conclusão mais simples ainda:

  1. Nos últimos dois anos tenho terminado a cresta dos meis-escuros (em geral as meladas da azinheira, carvalho e castanheiro) em meados de Setembro;
  2. Nas zonas onde tenho os apiários as rainhas começam a diminuir a postura cerca de dois meses antes desta data. O ratio número de varroas/cria operculada sobe enormente nestas 6 a 8 semanas entre meados/finais de Julho e meados de Setembro.
  3. Tenho encontrado nestes dois últimos anos nas colmeias que trato a partir de Setembro, e de acordo com o ritmo da cresta como referi atrás, algumas colmeias com um número muito significativo de abelhas com asas deformadas.
  4. A conclusão é clara: iniciei o tratamento tarde demais.

Lendo e relendo os documentos oficiais dos acaricidas que tenho utilizado (Apivar, Apistan e agora Bayvarol) assim como os estudos independentes realizados acerca dos resíduos destes acaricidas no mel e nas ceras, concluo que estava a ser mais papista que o papa.

Actualmente estou a antecipar os tratamentos cerca de 4 a 6 semanas. Procurando trabalhar num cenário ideal, é contudo a realidade que se impões e é ela que aos meus olhos dita as leis.

No caso em particular do Bayvarol, o fabricante refere que idealmente as tiras não devem ser utilizadas no pico de um fluxo de néctar mas que em casos de infestações severas pode ser utilizado em qualquer altura do ano e diz também e que nenhum intervalo de segurança existe no que respeita ao mel.

Relativamente aos famosos ácaros resistentes aos princípios activos espero continuar a não os encontrar. Para isso segui um conjunto de procedimentos que julgo que me ajudarão a atingir este fim. Não me esqueci de colocar as 4 tiras que o fabricante recomenda, não me esqueci de, nas colmeias com ninho e sobreninho, passar todos os quadros com criação para o ninho e colocar as tiras bem no meio destes quadros com muitas abelhas amas e criação para nascer, não me esqueci nas colmeias com a criação descentrada de ver onde estavam os quadros com criação para aí colocar as tiras, não me esqueci de só abrir os sacos com as tiras no exacto momento em que as colocava no interior das colmeias; espero também não me esquecer de dentro de 2 a 3 semanas ir verificar numa amostra significativa de colmeias se tudo está bem e se as tiras continuam a estar em contacto com um grande número de abelhas amas e inseridas no seio das zonas de criação.

Com estas precauções espero não esbarrar com os ácaros resistentes… dado que também não fui resistente ao maior trabalho que dá tratar adequadamente as colmeias espero de coração aberto que ainda haja alguma justiça no mundo e que o famigerado Bayvarol se mostre à altura do desafio.

Se assim for, e dado que já utilizei o Apivar e o Apistan com bons resultados, poderei dizer que no meu reino ainda não tenho varroas resistentes aos três sintéticos homologados no nosso país… poderei dizer para mim mesmo que sou um homem tocado pela fortuna… mas que dá uma trabalheira alcançá-la lá isso dá.

qualidade das rainhas e seu peso: que correlação?

Muito frequentemente apicultores, criadores de rainhas e até investigadores associam o maior peso, o maior tamanho do tórax, o maior comprimento de asas e outras características morfológicas das rainhas, sejam virgens ou fecundadas, à sua prolificidade. Uns e outros defendem que as rainhas com um peso maior produzem mais ovos e desenvolvem colónias mais numerosas e num menor espaço de tempo.
Alguns investigadores encontraram uma correlação positiva entre o peso das rainhas e o número de ovaríolos: Weaver, 1957; Avetisyan, 1961; Woyke, 1971; Szabo, 1973; Wen-Cheng and Chong-Yuan, 1985; Gilley et al., 2003. Estes investigadores, com recurso a técnicas de dissecação, contagem dos ovaríolos presentes nos dois ovários e subsequentes análises estatísticas concluíram que as rainhas mais pesadas apresentavam um maior número de ovaríolos. Cada ovaríolo produz em média 3 a 5 ovos por dia.  Como facilmente se conclui um maior número de ovaríolos está associado directamente com a capacidade da rainha apresentar diariamente taxas mais elevadas de postura de ovos fecundados. Finalmente sabemos que mais ovos fecundados significa uma prole mais numerosa, logo mais abelhas na colmeia, portanto maior quantidade de néctar  e outros produtos colectados; enfim uma produção acrescida.
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Tudo estaria bem neste reino de medições e pesagem de rainhas com vista ao seu melhoramento e sua selecção se todos os estudos efectuados até à data fossem convergentes. Contudo na verdade não são. Alguns investigadores não encontraram qualquer tipo de correlação entre o peso das rainhas e o número de ovaríolos: Corbella and Gonçalves, 1982; Hatch et al.1999; Jackson et al ., 2011. 
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Sendo assim parece-me cedo de mais para afirmar “diz-me qual o peso da tua rainha e dir-te-ei o seu valor”. Mais tendo eu já visto rainhas de pequenas dimensões fazendo um grande trabalho de postura nas minhas colmeias.
Não digo que as rainhas mais pequenas são as melhores. Não tenho esse atrevimento. O que digo é outra coisa: avaliar a qualidade potencial e seleccionar com base no peso das rainhas é um caminho que deve ser percorrido, mas sem a presunção que é o único e o melhor. Ainda me parece cedo para proclamar isso. Não sou eu que o digo, são os dados divergentes das investigações.