a prevenção e o controlo da enxameação: o testemunho de um amigo apicultor

Quando desafio um ou outro apicultor a testemunhar a sua experiência apícola em torno desta ou daquela ideia por aqui veiculadas, é muito gratificante receber os seus testemunhos a confirmarem os ganhos que obtiveram — um pequeno aparte: uma das teorias da motivação mais interessantes que conheço, afirma que o sentido de utilidade que retiramos do que fazemos é um dos factores mais estimulantes para persistir e manter o empenho no que fazemos; como sou feito da mesma matéria que todos, importa-me saber que não estou a escrever sobre o “céu azul”, sim que estou a retratar com boa fidelidade a realidade dos meus apiários e os impactos das intervenções que realizo, que mais proximamente ou mais longinquamente há alguém que ficou a reflectir, que decidiu experimentar e, cereja no topo do bolo, obtém resultados satisfatórios. Por exemplo, recentemente o Rui Martins testemunhou como a sua estratégia de luta contra a varroose melhorou significativamente quando passou a ter em consideração o timing da aplicação dos tratamentos.

Hoje, publico o testemunho do meu amigo Miguel Pais acerca do impacto que algumas das sugestões por aqui divulgadas estão a ter nos seus apiários, em particular na prevenção da enxameação e no controlo da mesma. O texto e as fotos são suas. Obrigado Miguel por teres aceite o desafio e lhe teres dado resposta tão rapidamente. Um abraço!

Iniciei-me na Apicultura há quase 4 anos. Comecei com um enxame, e neste momento tenho cerca de 60 enxames. Tendo a varroa controlada, com poucas perdas anuais e conseguido não só manter o efectivo mas até aumentá-lo gradualmente de ano para ano, sinto cada vez mais a necessidade de prevenir e controlar a enxameação de uma forma mais prática e aumentar assim a produtividade das colmeias.

Visto que muitas vezes não quero aumentar mais o efectivo por já ter feito os desdobramentos que pretendia, começo agora a experimentar vários métodos de prevenção e controlo da enxameação. É aqui que o Eduardo tem dado uma grande ajuda com alguns métodos e experiências que tem descrito no seu blog, que têm sido importantes e têm feito a diferença no meu maneio. Muitas vezes são também os relatos dele que me fazem experimentar certo método que já conhecia mas que não estava ainda convencido da sua eficácia. 

Desses métodos que li no blog do Eduardo, há dois que me deixaram muito contente, apesar de só ter começado a usar um deles este ano, mas resultaram os dois muito bem, fiquei impressionado e arrependido por não ter começado a usá-los mais cedo! 

Em primeiro lugar passei a usar, o ano passado, aquilo a que o Eduardo chama de regra “não mais de 6”. Passei a usar essa regra, principalmente com rainhas mais velhas, não deixando assim que os enxames atinjam o pico da população antes da altura desejada, algo que considero muito importante, e esta regra parece uma forma bastante prática e simples de “segurar” os enxames. 


O segundo método comecei a experimentá-lo este ano, não é um método de prevenção mas sim de controlo de enxameação, o método Demaree, sobre o qual o Eduardo tem escrito ultimamente e que eu já conhecia, mas foi por ler o relato no blog que finalmente decidi experimentar. Em alguns enxames que começaram a aparecer com sinais de febre, comecei a meter a rainha no ninho com 2 quadros e os restantes quadros no sobreninho e uma grade excluidora entre o ninho e sobreninho, não me vou alongar muito no processo, porque podem-no ler mais detalhadamente no blog do Eduardo. 

Em conclusão, usei o método Demaree a primeira vez há cerca de 20 dias em alguns enxames e perderam a febre, bastante rápido.  Sem dúvida alguma vou passar a usar este método no meu maneio a partir de agora, vejo aqui uma solução simples e prática e que é feita sem consumir muito tempo.

Um grande obrigado Eduardo pelas coisas que escreves, desde que me iniciei que tem sido uma boa ajuda, além do mais dás também a conhecer apicultores lá de fora, como por exemplo o Randy Oliver ou o Bob Binnie, que também fazem coisas bastante interessantes.

9 comentários em “a prevenção e o controlo da enxameação: o testemunho de um amigo apicultor”

  1. Bom dia Miguel e Eduardo, tenho estado bem atento ao blog do Eduardo e penso aplicar a partir da próxima temporada o método Damree.
    Só tenho uma questão em relação a produção de mel das colmeias que utilizam esse método notam alguma diferença na produção de mel?? Para melhor ou menos produção.
    Termino agradecer ao Eduardo pelo seu blog que nos faz ver que na apicultura estamos sempre aprender e quem nos dá essa aprendizagem são os próprios enxames que temos.Não existe apicultores que tudo sabem. Abraço e boa campanha

    1. Boa tarde, Hugo! Logo após a aplicação da técnica sim noto, a colónia tem de puxar muita cera. Do que vejo nas minhas, se o fluxo se prolongar para lá desta fase tornam-se colónias muito produtivas.

  2. Olá, bom dia, só uma questão, usando este método demaree, quando o enxame passa a febre da enxameação, regressa a colônia só a um ninho? Obrigada
    Parabéns.

    1. Boa tarde, José! Depende muito dos objectivos e das circunstâncias. Por vezes mantenho o sobreninho, outras vezes vou doando os quadros com criação que passei para o sobreninho aquando da aplicação da técnica, acabo por retirá-lo e coloco uma meia-alça.

  3. Boa tarde em primeiro lugar quero agradecer a vossa disponibilidade em partilharem as vossas experiências que falando por mim muito ajudam e falando de varroa se me dizem o que é que posso ter feito mal pois comecei a mexer com abelhas no ano passado e tudo que sei que não é nada tenho aprendido com vocês e outros mais que amam as abelhas e que não sendo egoístas vão também partilhando as experiências vamos então ao que dói nos finais de Fevereiro fiz o tratamento para a varroa fiz nas três colmeias igual passado três semanas verifiquei que uma colmeia estava com varroa como não fui a contar não fiz nada como trabalho de turnos só me foi possível voltar no próximo fim de semana e aconteceu tinha perdido um enxame de me puderem ajudar no que possa ter falhado agradecia. grande abraço.

    1. Boa tarde, Joaquim. Não é fácil identificar exactamente o que pode ter falhado. Talvez tenha iniciado o tratamento um pouco tarde demais para o caso concreto dessa colónia. Ou talvez tivesse uma taxa de infestação superior. Assim como na produção de mel, também na taxa de infestação as colónias não estão exactamente no mesmo ponto numa determinada data. Umas estão mais infestadas que outras. Nas mais infestadas os tratamentos, em geral, tendem a ser menos eficazes.

  4. Bom dia Sr. Eduardo.
    Entrei e cresci na Apicultura graças à informação colhida do seu Blog. A mim só me resta confirmar o que escreveu Sr. Miguel.
    Já tenho 80 colmeias e utilizando a regra ” não mais de 6 ” até a data tive apenas 4 tentativas de enxameação ( a regra não foi aplicada atempadamente ) e nenhum enxame perdido.
    No ano passado ( sem aplicação desta regra ) o quadro foi completamente diferente – 60 % tentativas de enxameação ! ( tenho ainda dores na cintura )
    A sua variante de Demareé é espectacular e não detetei nenhum impacto negativo até a data sobre a colheita de néctar.
    OBRIGADO .
    Um Abraço

  5. “Bom dia Eduardo
    Uma das coisas que mudei depois de ler algumas das tuas publicações foi a maneira de trabalhar as reversíveis e a maneira de colocar um sobre ninho. Para o ano vou falar melhor sobre isso.
    A outra ideia é o metodo do tabuleiro de xadrez (checkerboard).
    Aqui posso dizer faz toda a diferença .
    Continuação de uma boa apicultura.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.