a importância do acasalamento controlado na selecção e melhoria de abelhas

Será expectável seleccionar e melhorar as abelhas no caso de as rainhas fecundarem livremente num ambiente em que não se controlam os zângãos? Vejamos primeiro o que nos dizem os especialistas.

Rainha regressando do seu voo de acasalamento.

Contexto: Os procedimentos de acasalamento controlados são amplamente aceites como um aspecto chave para o sucesso da selecção em quase todas as espécies animais. Nas abelhas, no entanto, o acasalamento controlado é difícil de conseguir. Contudo, tem havido várias tentativas de melhorar as abelhas usando rainhas acasaladas livremente. Nestes esquemas de melhoria, a seleção ocorre apenas do lado materno, uma vez que os zângãos são casos aleatórios da população.

Resultados: Nossas simulações mostraram uma redução do sucesso das melhorias entre 47 e 99% se o acasalamento não é controlado. Nos casos mais drásticos, praticamente nenhum ganho genético é gerado sem acasalamento controlado.

Conclusões: Concluímos que […] o acasalamento controlado é imperativo para esforços de melhoria bem-sucedidos.

fonte: https://gsejournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12711-019-0518-y

Com alguma frequência leio e ouço apicultores afirmarem que estão a seleccionar e melhorar as suas abelhas, isto num contexto em que não têm qualquer tipo de controlo sobre os zângãos presentes no território. Tenho, portanto, muitas dúvidas acerca do rigor e realismo destas afirmações. Ou sabem alguma coisa que eu desconheço, ou desconhecem aspectos básicos que deveriam conhecer. Sabemos que 90% dos acasalamentos ocorrem a uma distância até 7,5 km (ver nesta publicação).  Não é credível que em Portugal, um dos países da Europa com uma das mais elevadas densidades de colónias por Km2, exista uma área com 15 km de circunferência com zângãos todos eles provenientes de colónias “melhoradas”. Sabendo que as melhorias que mais nos interessam estão muitas vezes associadas a conjuntos de genes alelos recessivos e/ou aditivos (ver nesta publicação) e/ou epistáticos, portanto com contributos de origem paterna, seria um jackpot acontecer melhorias sistemáticas e sustentáveis num contexto de acasalamento natural, com várias dezenas de zângãos na jogada (ver nesta publicação). Estas minhas dúvidas estão fortemente interiorizadas porque desde os meus 6 anos que vou a apiários e, no geral, as abelhas de hoje parecem-me muito semelhantes às de cerca de 50 gerações atrás. Outros poderão ter opinião diferente, estranho seria que não tivessem. A estes, peço que identifiquem especificamente em que aspectos as suas abelhas divergiram notavelmente nos últimos 40 a 50 anos?

Nota: em 2017 já tinha feito considerações acerca deste tema.

3 comentários em “a importância do acasalamento controlado na selecção e melhoria de abelhas”

    1. Marco, curiosamente na versão inicial também tinha escrito “ainda bem que a nossa abelha não mudou notavelmente nos últimos 40 a 50 anos”. Acabei por retirar para não tornar a publicação tão “pessoal”. Mas estou de acordo, a melhorar que seja para uma abelha mais resistente ao varroa. Contudo a modificação deste traço, pode significar custos em outros traços que também apreciamos, como a produtividade. E isto já se passou, abelhas mais resistentes mas menos produtivas, não são estórias. Cumprimentos!

  1. Para esse efeito, só numa ilha. O melhor seria Porto Santo. Estão os apicultores aí existentes recetivos a tais experiencias? Onde encontrar um ministério que queira investir neste estudo? Será que não aparece logo um qualquer criador de associações e cooperativas de apicultores a arvorar-se em cientista para se apoderar dos apoios estaduais e o estudo ficar em águas de bacalhau ? Ainda está por nascer em Portugal o dirigente incorrupto para tal fim, visto que Ana Gomes não é apicultora. Até 2004 os apicultores recebiam 3€ por colmeia. Desde essa data apareceu uma pandemia de aves de rapina que até esses míseros três € tiraram aos apicultores. Onde vão parar os milhões, que por conta das declarações obrigatórias de existências dos apicultores vêm da UE? É melhor continuar com o zero que temos, do que dar mais a aves de rapina.
    Cumprimentos

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