varroa: a fase forética

No ciclo de vida do ácaro varroa distinguem-se duas grandes fases: a fase reprodutiva e a fase forética. A primeira passa-se no interior do alvéolo operculado, a segunda no exterior dos alvéolos alojadas sobre as abelhas adultas. É desta segunda fase que agora vamos tratar.

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Fig. 1 — Varroa forética sobre o abdómen de uma abelha

Durante a fase de forética, os ácaros servem-se das abelhas adultas e dos zângãos para serem transportados quer dentro quer fora da colmeia. Nesta fase alimentam-se da hemolinfa (sangue) das abelhas. O estágio forético dura cerca de 5-11 dias, período este em que os ácaros não se reproduzem. Nos períodos em que a colónia de abelhas não tem criação (geralmente coincidentes com períodos de escassez), os ácaros são obrigados a permanecer nesta fase forética, que pode ir de poucas semanas até 5-6 meses, dependendo do clima.

Os ácaros mudam de hospedeiros (saltam de uma abelha para outra) muitas vezes e isso contribui para a transmissão de vários vírus, de uma abelha infectada para uma outra saudável por via das feridas que aqueles abrem na quitina das abelhas. Os ácaros experimentam uma maior mortalidade durante a fase forética, porque cometem erros, como cair no tabuleiro sanitário se ele existir, porque são mordidos pelas obreiras (grooming), ou simplesmente morrem devido à idade avançada. A “queda natural” dos ácaros num tabuleiro sanitário reflete uma combinação de todos estes factores. No entanto, é bom dizer que o total dos ácaros caídos não chega sequer a 20% da população total. Portanto, a utilização de um fundo sanitário não é suficiente para evitar o uso de produtos acaricidas para o controle da varroa.

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Fig. 2 — Imagem de duas abelhas: a abelha da esquerda apresenta um aspecto saudável; a abelha da direita apresenta sinais evidentes da acção de dois vírus, o virús das asas deformadas e o virús da paralisia aguda (abelha sem pêlos, muito negra e com aspecto geral oleoso) transmitidos muito provavelmente pelo ácaro varroa 

A fase forética é importante para os ácaros dado que é nesta fase que se transferem entre colónias, por ação da deriva das abelhas e zângãos, ou pela pilhagem de uma colónia moribunda por via de uma forte infestação de ácaros. Nesta última situação, poderá estar a ocorrer uma selecção dos ácaros (e também os virus) com alta virulência. Enquanto que numa floresta natural, os ácaros que matam uma colónia também morrerão com o seu hospedeiro (devido à baixa probabilidade desta ser encontrada por uma colónia vizinha), num apiário o comportamento de pilhagem, assegura o sucesso da transferência de ácaros da colónia moribunda para uma outra, onde o ciclo se reiniciará novamente. Um outro mecanismo de provável transmissão horizontal, ainda não devidamente confirmado, pode acontecer aquando da queda das varroas em flores, transportadas por abelhas forrageiras. Estas varroas podem acabar por se hospedar na próxima abelha forrageira que visite essa flor.

Porquê a fase forética? Os cientistas ficaram intrigados a respeito da razão de os ácaros terem de passar por uma fase forética, onde experimentam uma alta taxa de mortalidade. Em condições de laboratório, a varroa pode reproduzir-se com sucesso sem uma fase forética. Nestas condições laboratoriais, os ácaros que foram transferidos imediatamente após o nascimento da abelha para outra célula de cria recém-operculada conseguiram reproduzir-se até sete ciclos. No entanto num estudo realizado em condições naturais verificou-se que os ácaros que não experimentam a fase forética têm uma fertilidade mais baixa, especialmente em comparação com aqueles que se hospedam e alimentam em abelhas jovens. Aparentemente os ácaros preferem esta abelhas nutrizes não só por causa de sua proximidade com larvas (sabemos que estas abelhas inspecionam e alimentam frequentemente as larvas), mas também porque são abelhas que fornecem aos ácaros uma alimentação (hemolinfa) mais adequada para a sua futura reprodução. Descobriu-se que os ácaros alimentados artificialmente pela hemolinfa de abelhas desta faixa etária têm um maior número de descendentes, seguido por aqueles alimentados pela hemolinfa de forrageiras, e que aqueles que apresentaram o menor número de descendentes foram alimentados com a hemolinfa das abelhas recém-nascidas.

Em conformidade com os resultados desta investigação mais convencido fico que a paragem da postura é uma ferramenta de grande utilidade no controle da varroa. Esta paragem pode ser natural (condições de escassez, enxameação, ou outras) ou pode ser provocada pelo próprio apicultor (engaiolamento da rainha, desdobramentos, enxame nú, e outros). Conto voltar a este assunto em breve.

fonte: http://articles.extension.org/pages/65450/varroa-mite-reproductive-biology

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