maximizar o crescimento primaveril de uma colónia de abelhas

Neste vídeo Randy Oliver apresenta a uma audiência de apicultores canadianos um conjunto de ideias que ele segue para maximizar o crescimento primaveril das suas colónia situadas na Califórnia. Como se costuma dizer toda a apicultura é local. Contudo sendo as condições edafoclimáticas, os timings e algumas necessidades, diferentes de zona para zona, podemos aprender com este apicultor californiano tanto quanto os nossos companheiros canadianos o fazem.

Para a minha zona e com aplicabilidade destaco as seguintes ideias retiradas desta bela palestra de Randy Oliver:

  • ajustar o maneio das colónias aos objectivos: produzir mel, fazer pacotes, efectuar polinização, criar rainhas, produzir núcleos, …?;
  • preparar a primavera seguinte no final do verão anterior com o controlo atempado da varroa, com o fim de reduzir o impacto negativo do vírus das asas deformadas na longevidade da nova geração de abelhas que irão invernar;
  • estimular a postura da rainha no final do verão/início do outono com pasta proteica, se houver pouco pólen disponível no exterior, para ter mais abelhas a invernar;
  • conhecer os timings dos primeiros fluxos de pólen: tipicamente a colónia atinge a pulsão enxameatória 60 a 90 dias após a primeira entrada significativa de pólen;
  • prevenir a enxameação: colónia enxameadas necessitam 30 a 60 dias para recuperar a população de abelhas perdidas;
  • compreender a transição de abelhas de inverno para abelhas de verão: quando a criação começa a aumentar e as abelhas de inverno começam a morrer, a colónia passa por um período crítico de reequilíbrio populacional,  mais difícil ainda se as condições climatéricas forem desfavoráveis;
  • (MUITA ATENÇÂO aos 22′ 20” em que Randy Oliver mostra um belo quadro com criação fechada de uma ponta à outra, retirado de uma colónia no mês de Fevereiro, colónia esta com apenas três quadros de abelhas; Randy questiona a audiência acerca do futuro para esta colónia se as temperaturas nocturnas descerem muito: resposta a colónia está condenada; o número de abelhas disponíveis para aquecer tanta criação é insuficiente e o número de abelhas que nascerão não será suficiente para substituir as abelhas de inverno que estão a morrer em maior número cada dia que passa; será campo fértil para o surgimento de nosemose ceranae e loque europeia);
  • estar atento ao crescimento linear de uma colónia que se inicia com a estabilização do ninho (cerca de 5 quadros com criação) e continua durante cerca de 60 dias: nesta fase nascem 400-500 abelhas/dia, isto é, ao fim de 4 a 5 dias temos mais um quadro coberto de abelhas;
  • não esquecer que as rainhas atingem o pico de postura quando as abelhas cobrem 10 ou mais quadros;
  • não esquecer que a população de abelhas máxima de uma colónia corresponde a 42 vezes a taxa de ovoposição de uma rainha: se uma rainha põe 1000 ovos/dia a população máxima da colónia será de 42000 abelhas; a média de ovoposição de uma rainha nova é de 1500 ovos/dia;
  • não esquecer que as rainhas gostam do efeito chaminé alcançado quando se coloca um sobreninho com ceras já puxadas o que lhes permite “subir” e iniciar aí a postura; assim estamos a maximizar a postura da rainha e a prevenir a enxameação;
  • colónias grandes e em rápido crescimento necessitam de entrada de muito pólen; se as condições climatéricas não permitem o pastoreio a produção de geleia real diminui imediatamente (1 hora após o início de chuvadas por ex) e em casos mais graves as abelhas canibalizam os ovos e as jovens larvas para suprir algumas necessidades proteicas;
  • a escassez de alimento e a mortalidade por fome ocorre mais no início da primavera que durante o inverno;
  • importa monitorar a quantidade de alimento dado às larvas: larvas a nadar em geleia é muito bom sinal; larvas em alvéolos quase secos é sinal de desequilíbrio nutricional corrigido com suplementos proteicos;
  •  alimentar sempre que na primavera há vários dias seguidos com condições climatéricas que impeçam as abelhas de sair; nesta altura as reservas são as suficientes apenas para o dia-a-dia;
  • o gatilho para a  enxameação surge quando não existe feromona da criação emitida pelas larvas jovens antes da operculação;
  • é necessário quebrar a abóboda de mel no topo dos quadros para levar as abelhas a armazenarem o mel nas alças meleiras, sobretudo se estas tiverem apenas cera laminada;
  • inverter a posição do ninho com criação fechada e o sobreninho com criação aberta diminui a pulsão para enxamearem; a criação fechada irá emergir nos dias seguintes criando uma nova “cavidade” vazia que engana as abelhas e refreia a sua vontade de enxamearem;
  • happy beekeeping.

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